Recentemente, recebi pela internet um power point que falava sobre a importância da dança. Segundo dizia ele, antigamente as pessoas dançavam juntinhas e esse era um fator determinante para ajudar às mulheres a escolher o homem para com ela conviver. Pelo texto, a maneira de o homem pegar na dama, de conduzi-la com segurança e leveza, se ele cometeria erros, se pisasse no pé dela, como se desculparia e se se desculparia, tudo isso contava na hora de fazer a escolha. Hoje essa forma de seleção está bem mais limitada. A chamada dança de salão é desafortunadamente bastante restrita a freqüentadores de gafieiras. As boates mais freqüentadas só tocam música (?) para chacoalhar a caveira. Os corpos ficam separados. Os ouvidos agredidos por aquele bate-estacas imbecil. As mulheres perderam este importante fator de escolha e, disse o texto, talvez por isso haja tão más escolhas... * No tempo das antigas ternuras, a gente dançava juntinho na maior parte das vezes e separado em outras. Para nós, os tímidos, era aterrorizante e ao mesmo tempo prazeroso tirar uma moça para dançar. A possibilidade de recusa eqüivalia a uma espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças, assim como a eventualidade de, durante a música, acontecer um certo intumescimento de determinado órgão da anatomia masculina. O que, via de regra, acarretava em abandono pela dama no meio do salão. Eu já escrevi aqui sobre isso. Dava um trabalho danado controlar os passos para não pisar nos delicados pezinhos das moças e pensar no Sagrado Coração de Jesus caso a “cobra caolha” começasse a se empolgar. * Mas eu concordo com o texto no power point. Dançando, dava às moças e rapazes o fundamental impulso para entabular conversação. Eu lembro que mandava um “embromation” – aquele inglês estropiado – no ouvidinho da menina, cantando a música que estávamos dançando. Se ela estivesse gostando, sorria significativamente. Caso não aprovasse aquelas intimidades, fechava a cara e eu tratava de, literalmente, cantar noutra freguesia. * Eu não era nenhum pé-de-valsa. Por ser tímido que dava nojo, ficava na maior parte das vezes como discotecário (esse negócio de “DJ” ou “didjei”, graças ao bom Deus não existia na época...). Eu e o Alcir, meu obi wan kenobi em termos musicais, tínhamos os melhores discos do pedaço. O Alcir era guerreiro, partia pra cima da mulherada e sempre se dava bem. Daí, o seu “assistente”, ou seja, moi, ficava pilotando o toca-discos. Uma das músicas que eu gostava de tocar era esta que vocês estão ouvindo nesse momento. Eu gostava mesmo dessa música. Em casa, colocava o disco para tocar e ficava olhando a lua, pensando naquela que talvez estivesse em algum lugar, olhando para a mesma lua e pensando em mim... * Quando eu colocava este disco no prato, os casais iam se formando na pista e eu tratava de escolher uma pra mim também. Às vezes, quer dizer, muitas vezes, eu sobrava. Mas não perdia a pose e ficava lá com cara de quem sabe animar um baile... * Eu ficaria muito feliz se algum dia, alguém me contasse: “Olha, Marco, eu comecei a namorar o meu marido naqueles bailinhos que você tocava seus discos...” Não sei se aqueles mela-cuecas de antanho deram em algum casamento. Dos amigos que eu conhecia, com certeza, não. Mas tinha muita gente que eu não conhecia. Quem sabe? Ah, seria um enorme prazer saber que eu ajudei uma mulher a fazer a sua escolha por ter nos braços alguém gentil e atencioso, que lhe fez ebulir os hormônios, ao ouvirem as Supremes cantando essa canção bossanovística e deixar que a melodia e o destino lhes guiassem os passos... “Precious little things (precious little things) You mean the world to me...” Sim, claro, essas pequenas e preciosas coisinhas significam mais que o mundo para todos nós... (Ei, duvido você pegar agora a sua esposa, o seu esposo, namorado, namorada, noivo, noiva e tirá-lo para dançar essa música de rosto colado! Garanto que você vai agradar totalmente!) M.S. *********************************************** Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve The Supremes, cantando essa delícia que é “Precious Little Things”. Ah, meus tempos!
Finalmente chegou às nossas telas o filme tão aguardado por mim: “Batman – O cavaleiro das trevas”. Sim, sou um batmaníaco e o Morcegão sempre foi o meu herói favorito e meu gibi predileto. Não, este “Cavaleiro das Trevas” do título não significa uma refilmagem da história de mesmo nome, escrita por Frank Miller, em 1986, e que considero como a segunda melhor série em quadrinhos de todos os tempos. Parêntesis: a melhor, na minha opinião, é a “Watchmen”, de Dave Gibbons e Alan Moore, que inclusive está sendo filmada agora. Nesta comparação, não estou incluindo os gibis do Sandman, de Neil Gaiman, por ser esta magistral série uma das melhores coisas já feitas na face da Terra. Fecha parêntesis. * E este filme é praticamente tão esplêndido como o anterior, “Batman Begins”. Estes dois bat-filmes, a série X-Men, o último Hulk, o Homem de Ferro e os Superman II e III do Christopher Reeve, são A referência em termos de filme sobre super-herói, e não aquelas bostas de Homem-Aranha (todos! Argh!), a primeira franquia do Batman (do Tim Burton em diante, bleargh!), e as outras bombas (Quarteto Fantástico, Hulk do Ang Lee, Demolidor etc. etc.). * Esse novo bat-filme me deixou realmente fascinado. São duas horas e meia de pauleira, que a gente nem sente. Se o filme é violento? Sim, é, um pouco. Mas o excelente diretor Chris Nolan deu uma aliviada. Acreditem: o filme poderia ser bem sanguinolento e definitivamente não o é. Muito pelo contrário! Ele pode ser visto por mais de uma face. Os críticos do Globo viram pelo lado político, eu preferi o lado psicológico. Na verdade, o filme além de entreter os que vêem filmes só como entretenimento, ainda fornece matéria-prima para muuuuitos papos-cabeça, daqueles que a gente costuma manter em rodinhas de boteco, bebericando “água mineral sem gás e sem gelo” (olha a Lei Seca!). Ele mostra mazelas como policiais e políticos corruptos, policiais que atiram em gente inocente, milionários que fogem para o exterior se escafedendo da justiça, gente que chantageia para se dar bem, milícias, guerra urbana, graças a Deus, coisas do âmbito da ficção! Isso não acontece na vida real, especialmente não acontece no Brasil, não é? * O filme têm cenas memoráveis, não vou contar nenhuma pois não quero estragar a graça para quem ainda não assistiu. Mas podemos falar um pouco sobre a figura do Coringa, que de tempos para cá, ultrapassou os limites do vilão tradicional, tornando-se um arquétipo do caos, da perversidade que existe de forma latente nos seres humanos. E isso é relativamente recente no personagem. Seu criador, Jerry Robinson, que ainda está vivo, diz que não reconhece o velho “Palhaço do Crime”, como foi bolado por ele lá nos anos 40. De fato, quem leu o gibi “Batman – A Piada Mortal” (Alan Moore/Brian Bolland, 1988, quem quiser baixá-lo em pdf, clique aqui pode confiar, eu baixei), viu que o Coringa modernamente está num desvio psicótico muitíssimo além do bufão com cara de arlequim. * Se o recém-falecido Heath Ledger fez bem o personagem? Sim, fez. Até com algum brilho em determinados momentos. Há quem torça para ele ganhar um Oscar póstumo o que eu acho difícil (desde Peter Finch, por “Network”, nenhum ator presunto ganhou um careca dourado), já que a Academia vê com desdém filmes de super-heróis, só lhes reservando indicações para prêmios técnicos. Valeria repetir o bordão do Coringa no filme: “Por que tão sério?” * E o Batman do Christian Bale? Para o meu gosto pessoal, excelente. Eu aprecio bastante os trabalhos dele. Aliás, nesta semana ele foi em cana por meter a raquete na mãe e na irmã. Uau! O que temos aqui?... Um Homem-Morcego com jeito do Duas-Caras!... * Por falar nisso, no final do filme tem um monólogo da maior importância, quem for assistir, por favor, preste atenção nele, que discute a figura do herói. O herói que é a catarse do homem simples, que está na fronteira, bem no fio da navalha entre a vilania e o destemor valoroso. É isso o que me interessa discutir nesse momento. * Batman é um símbolo, uma ficção modelar. Ele não existe, mas os valores que defende e explicitamente como os defende, ah, isso existe, sim. Batman como herói também falha. Ele é usado pela população, pelas pessoas da alegoria Gotham City como último recurso para obterem segurança e paz. Mas na primeira falha querem-no para Cristo e para Judas. E como vemos os nossos heróis de carne e osso? Como seres apolíneos, sem mácula? Que depois de mortos viram santo, fazem milagres, livram-nos do mal amém? * Peguemos um herói que efetivamente existiu. Um Libertador. Que tal... D. Pedro I. Os livros de História o registram como o denodado que ergueu sua espada e nos livrou do jugo da metrópole. E que depois se sentou ao piano e compôs um belo hino, falando em brava gente brasileira, que mantém longe o temor servil, que lutará pela pátria livre ou morrerá pelo país. D. Pedro I era heróico, galante, corajoso, impetuoso... e espancador de mulheres. * Nesta semana li um ótimo artigo da historiadora Isabel Lustosa onde ela conta que muito provavelmente D. Leopoldina morreu por conta dos pontapés que levou dele quando estava grávida. Eu conto. Embora não a amasse, D.Pedro I tratava sua esposa com deferência e carinho... até conhecer a D. Domitila de Castro e Canto Melo, em Santos, na viagem que ele acabou proclamando a independência brasileira. A futura Marquesa de Santos tirou o homem do sério! Não se sabe o que ela fez com ele na cama, mas seja o que for, fez muito bem! A partir do momento que os dois viraram amantes, D. Pedro I mudaria seu modo de proceder com a esposa, não hesitando em humilhá-la quando queria valorizar a Domitila. Quando Pedro resolveu assumir a paternidade de sua primeira filha com a marquesa, e mais: quando resolveu que a menina moraria com ele no palácio, junto com as filhas legítimas, aconteceu o esperado: as princesas rejeitaram a irmã bastarda. Pedro se enfureceu e desceu o braço nas meninas. D. Leopoldina entrou no meio para defendê-las e acabou sobrando para ela. Mas essa não foi a pior, embora haja desconfianças de que ele já andava fritando a cara da Leo com uns catiripapos. * Em outubro de 1826, a imperatriz estava grávida. No dia 20 daquele mês ele faria uma cerimônia de beija-mão no palácio, antes de viajar para o sul do Brasil. Na ante-sala do trono, com todos os convidados da corte esperando na Sala do Trono a entrada dos imperadores, eis que D. Pedro I cisma de entrar com as duas principais mulheres do seu harém: a Leopoldina e a Domitila. É evidente que a Leo não iria se humilhar tanto assim. Ela se recusou. Pedro gritou com ela para que entrasse. Ela fincou pé. Ele segurou no braço dela e, diante da amante, tentou arrastá-la. Como Leopoldina resistisse, ele a chutou, pisoteou e a cobriu de porrada. A corte, esperando na Sala, ouvia os gritos (dele) e gemidos (dela). Vendo que ela não entraria, Pedro pegou a amante pela mão e, com a maior cara de pau do mundo, entrou para receber os cumprimentos dos convidados que estavam pasmos com aquela cena. * Coberta de equimoses, D. Leopoldina caiu de cama. Reclamava especialmente de dor na perna, que segundo seu médico, apresentava sintomas de arroxeamento devido ao espancamento a que foi submetida. Daí, acometeu-lhe uma “inchação erisipelatosa” que posteriormente a levou a perder a criança que esperava e a falecer, às 10h 15min da manhã de 11 de dezembro daquele 1826. No dia seguinte ao espancamento, o herói-vilão teve o descaramento de pedir perdão à imperatriz. Que o perdoou. Ele seguiu viagem e soube no navio da morte da esposa. Dizem os registros que ele, ao saber, teve “convulsões, febre alta e delírios”. Em uma palavra: remorso. * Volto ao filme “Batman – O cavaleiro das trevas”, onde no final, a figura do herói é apresentada como algo imperfeito. O próprio Coringa, numa fala, disse que não quis matar Batman, porque era melhor tê-lo vivo e se divertir com ele. Será que o psicopata de cabelos verdes enxergava no Cruzado Mascarado uma vilania que ele próprio conhecia? Um herói que procura resolver questões na base da porrada, que impinge dor nos malfeitores para gáudio dos “inocentes” a que ele está defendendo, deixa sempre no ar o perigo do julgamento apressado, da possibilidade de erro e de injustiça. A instabilidade moral favorece a criação de vigilantes e milícias, que usarão critério próprios de justiça. O medo leva à ira, que por sua vez, leva ao caos (e há no filme exemplos claros disso). Dentro do herói há o germe da intrepidez virtuosa que convive com a bactéria da virulência impensada. Envolvido nos vapores da ira, e descontrolado, ele pode partir para cima dos malfeitores ou agredir a irmã, a mãe, pisotear a esposa grávida. Mesmo que se arrependa profundamente depois. M.S. *********************************************** Mudando totalmente de assunto. A mais indesejada das visitas chegou para uma pessoa muito querida por mim. Nós nos gostávamos muito, sempre tivemos muito carinho um pelo outro. Todas as vezes que eu precisei de uma excelente cantora para participações especialíssimas em meus espetáculos pude contar com ela. Sempre. Era afinadíssima, uma voz de cristal. Uma pessoa feita de diamante. Todo Natal, eu lhe mandava um cartão e ela me retribuía, com palavras bonitas e uma letra caprichada. Quando conversávamos, contávamos piada um para o outro, vivíamos rindo feito duas hienas. Nunca a vi falando mal de quem quer que fosse. Era um ser humano raro. Pois ela combateu o bom combate, como bem disse o apóstolo Paulo, completou a carreira e guardou a fé. Deus estava precisando de uma cantora e mandou buscá-la. Ele tem excelente gosto, só quer o melhor. Fique com Deus, querida amiga Zezé Gonzaga. Você continua morando no meu coração num triplex de luxo de frente pro mar, como eu costumava te dizer e você sorria. Vou sentir muitas saudades.
********************************************** Na TV Antigas Ternuras, você vê o trailler de Batman o Cavaleiro das Trevas e Zezé Gonzaga, maravilhosa, cantando com Zé Renato uma música belíssima: “Penugem”.
Desde pequeno, sempre fui fã de uma boa história. Até hoje tenho muito gosto em ouvir um “causo” e isso será uma eterna ternura. Quando era moleque, gostava de me esgueirar pelos lugares onde os adultos estavam contando suas histórias. Prestava atenção e recolhia ali material, que me ajudou a ser mais tarde um contador de causos também. * Estou envolvido em um projeto sobre memória de pesquisa de campo, que trata também de recolhimento de histórias curiosas na atividade censitária no Brasil. E fiquei sabendo de cada uma... Como essa que chegou do Ceará. Há muito tempo atrás, um pesquisador do censo foi até uma casa para recensear os moradores. Foi atendido pelo chefe do domicílio. - Bom dia, como vai o senhor? – perguntou o recenseador ao homem que o recebia. - Como Deus quer, seu moço. Tome assento. O rapaz do censo percebeu o monte de criança que corria pela sala daquela casa. E foi logo começando a preencher o questionário: - Essas crianças são suas? Quantos filhos o senhor tem? - Quinze, seu moço. - Puxa, quinze? O senhor tem uma prole bem grande! – admirou-se o pesquisador. No que o informante respondeu, todo orgulhoso: - E grossa! * O Recenseamento de 1940 encontrou um senhor de 108 anos, em Juazeiro, no Ceará, que lutara na Guerra do Paraguai e na campanha de Canudos e que tinha se casado legalmente nove vezes! Ele casava, passava um tempo a mulher morria, e ele, para não ficar sozinho, arranjava outra esposa. Enviuvou oito vezes! O recenseador, de troça, perguntou se ele se casaria de novo caso enviuvasse pela nona vez. E o Barba Azul geriátrico não se fez de rogado: - Abão, se isso se dé e Deus me ajudá eu sô obrigado a arredondá a conta cumpletando dez...” * Quando o Padre Cícero Romão Batista estava para esticar as canelas, no leito de morte ele fez a seguinte profecia: - “Vou morrer... Dentro em pouco começarão a surgir os iludidores procurando arrastar as minhas ovelhas para o caminho da perdição. Depois da minha morte, surgirão os agentes da Besta-Fera e do Anticristo que, com lábias e enganos, procurarão fazer meu povo mudar de crença...” O Padim Padre Ciço estava se referindo aos evangélicos, espíritas ou outros membros de religiões diferente da católica, que poderiam ir pregar naquelas bandas. Acontece que seis anos depois da morte do padre, chegou a notícia de que viria uns agentes para contar as pessoas da localidade. Pronto! Para o povo do lugar, os agentes recenseadores do Censo de 1940 eram enviados do Cramulhão, do Coisa-Ruim, do Tinhoso, do Cão, que vinham para levar as almas deles pros quintos dos infernos. * E para piorar a situação, no município de Canhotinho (olha o nome!), em Pernambuco, um recenseador foi até uma casa fazer o seu serviço, mas a mulher que lá estava se recusava terminantemente a dar informações. Como ele insistia, ela saiu correndo gritando por socorro, que a Besta-Fera estava lhe tentando. Como desgraça pouca é bobagem, o rapaz, sabe-se lá porquê, estava calçado com chuteiras. Ora, em 1940, nos cafundós do Judas, ninguém sabia o que era isso. Daí que chega a mulher com os reforços que cercam o rapaz. A mulher olha para o chão e vê as marcas das travas das chuteiras. E começa a gritar: - Olhem só, minha gente, o rastro de pé de bode da besta-fera! É ele! É o Cão! O tempo fechou. O recenseador teve que sair dali correndo e nunca mais voltar. A partir daquele dia, nasceu a lenda de que os homens do governo que vinham para contar as pessoas eram da parte do Demo, que um até tinha até deixado as pegadas malditas na poeira do chão. * No interior da Bahia, o recenseador perguntou ao informante se a filha dele, que tinha 20 anos, era alfabetizada: - É não – respondeu o homem, acrescentando: - Moço, aqui em casa só homem vai pra escola. Mulher, não. - Mas por que? - Pruque se a gente manda ela pra escola, ela aprende a escrever, escreve pros namorados e cadê o meu sossego? * Em alguns casos, o agente recenseador deixava o questionário para o informante preencher e depois ele recolheria. Numa vez, chegou à delegacia censitária um questionário preenchido com caligrafia sofrível e com a seguinte informação no item Estado Civil: “ÇM”. Os funcionários do censo quebraram a cabeça para descobrir o que aquilo queria dizer. Sem chegar a uma conclusão, voltaram na casa do informante, de origem lusitana, para que ele esclarecesse: - É que eu fiquei encabulado de dizer, só botei as iniciais. ÇM quer dizer que sou çuparado da mulher. * Um recenseador chegou numa tapera no interior do Pará onde viviam juntos um homem e uma mulher. Ele fez as perguntas ao cabra que respondeu tudo direitinho. Na vez da mulher, a coisa começou a desandar. - Qual a sua idade, minha senhora? - A minha mãe dizia que quando eu nasci, a minha tia Clotilde estava grávida da Filomena. - E que idade tem a Filomena? - Diz que tem a idade daquele touro que a minha tia comprou no tempo do primeiro roçado de mata que ela teve lá no Mocanjuba... - E quando foi isso, minha senhora? - Ah, sei lá! * Por ocasião do Recenseamento Geral de 1940, foi distribuído um cartaz com os seguintes dizeres: “O censo é um retrato da pátria; você ficará desligado do Brasil se não aparecer nesse retrato”. Daí que quando o recenseador aparecia no Morro da Favela, no Rio de Janeiro, a criançada se alvoroçava e gritava: - “Manhê! Olha aí o retratista do governo!” M.S. *********************************************** Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Acerta o passo”, de Benedito Lacerda e São Pixinguinha, com a flauta mágica de Altamiro Carrilho. Isso é bão dimais, né não?
Quando jovenzinho, eu era movido a música. Vivia atracado com meu radinho Sharp e meu gravador Sanyo. Já apresentei os dois aqui. E para mim era um quase orgasmo quando descobria uma música daquelas que entram pelos poros da gente e se vinculam irremediavelmente ao nosso DNA. Sabe o prazer que a gente sente quando prova um doce perfeito, daqueles de fazer nossas papilas gustativas emitirem um “huuuuuummm”, fazendo nossos olhos automaticamente se fecharem? Sabe quando você está seco por uma bebida, seja ela qual for, e aquele primeiro gole faz você se sentir parte integrante do universo? Pois é. Era o que eu sentia quando ouvia uma música perfeita. * E nos anos 70 descobrir músicas perfeitas não era difícil. Stevie Wonder, Aretha Franklin, Roberta Flack, Isaac Hayes, Marvin Gaye, Al Green, só para falar em alguns da turma com um certo excesso de melanina na pele, se incumbiam de nos conduzir até o Nirvana, ao Valhala, aos Campos Elíseos, ao Éden e ao Sétimo Céu com suas canções. * Pois neste sábado, fui fazer a ronda nos blogs amigos e ao visitar a página da Lila Rose, meus pavilhões auditivos fizeram uma viagem no tempo. Além dos excelentes textos dela, estava tocando esta música que vocês estão ouvindo agora. Os mais experientes como eu haverão de reconhecer um típico arranjo Anos 70, com direito a órgão Wurlitzer no acompanhamento, bateria com som de bateria, recortes de guitarra muito bem colocados... Uma canção feliz! Bem, amigos do Antigas Ternuras... Aí eu fiz algo que não fazia há muito tempo! Saí dançando pela casa! Com direito inclusive a cantar junto, segurando o controle remoto da TV como se fosse um microfone. Felicidade total! * Eu já conhecia essa cantora, Corinne Bayley Rae. Não tem muito tempo, o Fantástico mostrou um clip dela cantando outra bela melodia: “Put your records on”. E o jeito “Roberta Flack do Século 21” dela já tinha me ganhado de cara. Quando ouvi essa “Your love is mine”, confesso que alucinei, me tornei dependente. Voltei a ouvir música, com o prazer que ouvia nos meus tempos de rapaz! * Corinne (a morena aí de cima) é inglesa, 29 anos, e foi descoberta por uma gravadora somente em 2006. Eu já tratei de encomendar um CD dessa moça (alô, amiguirmão Luiz! Já pedi um pra você também!) que canta tão bonitinho. * É impressionante o que uma canção feliz faz com a gente, não é? Ao ouvi-la cantar “Tudo está tão bem comigo Porque seu amor é meu Seu amor é todo meu Eu tenho esse sentimento Que sempre me fará sentir bem Porque você é meu desejo e Eu sou seu prazer Seu amor é todo meu” Eu me lembrei da mulher que amo e que sei que o amor dela é meu como o meu é dela. * Enredado em todo esse sentimento em pleno sábado, tive um final de semana quase perfeito. De noitinha, fui ao Maracanã assistir a mais uma esplêndida vitória do meu amado Flamengo, líder do Campeonato Brasileiro. No domingo, ainda inspirado, fui à feira, e resolvi pilotar o fogão. Fiz um Bacalhau ao Zé do Pipo memorável. Não é por estar na minha presença, não, mas estava muito gostoso. Minha mãe – que está ótima de saúde – também provou e aprovou. Uma dormidinha depois do almoço, acordei para ver o Figueirense dar uma sapecada no time bacalhoso e de virada. Uau! Que delícia! * Uma antiga aspiração do ser humano é descobrir qual é o sentido da vida. Para alguns, tem a ver com a busca por riquezas, pela eterna juventude, pela beleza a qualquer preço. Para mim, o sentido da vida é viver. Sem “ingredientes secretos”, como diz o urso do desenho “Kung Fu Panda”. Apenas viver e apreciar os momentos mágicos como neste final de semana. Deixar-se levar por uma canção feliz, comer com prazer, dar graças por nós e nossa família estarmos vivos e saudáveis. Pensar naquela pessoa especial e sorrir, dizendo mentalmente: “O seu amor é meu”. M.S. *********************************************** A matéria que a jornalista Thaiana Sarti fez comigo sobre as origens de expressões que coloco aqui no blog saiu nesse domingo passado, no jornal Tribuna de Vitória – ES. Quem quiser dar uma olhada faça o seguinte: - Entre no site da Rede Tribuna - Clique no link “Edições Anteriores”, que está no lado esquerdo da tela - na página que abrir, veja na parte de cima que tem quadrinhos para preencher com data, parte do jornal, página etc. Pois complete com a seguintes informações: Ano: 2008 – Mês: Julho – Dia: 6 – Caderno: noticiário – Página: 16. Aí é só clicar em OK que a matéria aparece. Parte dela não está com boa definição. Mas sempre dá para se ver alguma coisa. ***********************************************
Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Corinne Bailey Rae, cantando de sua autoria, “Your love is mine”.
Bem, amigos do Antigas Ternuras... Dado o sucesso neste blog da seção “A origem de expressões que costumamos usar, mas não sabíamos de onde vinham”, resolvi ousar um pouco mais. Vou contar aqui a gênese de um xingamento muuuuuito ouvido por aí, cuja origem não é exatamente conhecida pela maioria das pessoas. Sei que as moças ficarão rosadas, mas peço a vossa compreensão. Não tenho nenhuma intenção de chocar meus preciosos leitores. Mas em História, não há que se ter pruridos. Além disso, é muito mais interessante saber porque se diz certos palavrões e de onde eles vêm. Eu, pelo menos, penso assim. * Bem, tudo isso vem ao caso depois de eu ter acompanhado o recente noticiário sobre preconceito nas Forças Armadas que perseguiram dois rapazes só por serem homossexuais. E que há em andamento no Congresso uma lei que exatamente pune a discriminação sobre quem fez sua opção sexual diferente da maioria. Ora, com mil mariposas, ninguém tem nada com isso se A ou B escolhe alguém do mesmo sexo para um relacionamento amoroso ou sexual. Tenho muitos amigos gays e eles são cidadãos honestos, pagam impostos, não jogam crianças pela janela, não desviam dinheiro público para a Suiça, não enchem a caveira e saem de carro por aí atropelando pessoas, não derrubam árvores na Amazônia, não ordenaram a invasão do Iraque, nem invadem aviões para jogá-los contra edifícios. * Eu não sou gay, nunca fui gay e garanto que nunca vou escorregar no quiabo. Todo mundo sabe que eu gosto das fêmeas, sou apaixonado por uma delas, que me faz subir até as estrelas naquela hora do aimeudeus. Mas isso não significa que eu veja como uma coisa espúria a rapaziada que gosta de um bafo no cangote, uma unha beliscando o calcanhar e um peito cabeludo arranhando as costas. Nem que ache o fim do mundo se duas moças resolvem praticar o antigo esporte da briga de aracnídeas. Cada um sabe de si. Se eles me respeitam, eu os respeito (embora não me prive de contar umas piadinhas de bicha, mas isso é uma outra história). * Daí que quando eu vejo um bando de imbecis na porta do Congresso pressionando políticos a não votarem lei contra a discriminação de homossexuais, inclusive com um cidadão fantasiado de Bíblia (!!!!), garantindo que o livro sagrado é contra o homossexualismo, ah, eu tenho vontade rir. A Bíblia fala de um amor pra lá de esquisitão entre Davi e Jônatas (vejam no Primeiro Livro de Samuel, Capítulos 18 a 23 e no II Livro de Samuel no Capítulo 1). De qualquer forma, eu pensei em contar aqui a origem da palavra usada pejorativamente para designar homossexuais masculinos. Vamos lá? * Porque chamam um gay masculino de veado * Confesso que nunca me interessei por pesquisar a origem desta palavra com o significado chulo que tem. Eu encontrei casualmente a sua origem enquanto estava fazendo pesquisas para o meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo”. Sei que há outras explicações para o veado como sinônimo pejorativo de homossexual. Mas entre as que tomei conhecimento, uma me pareceu bem plausível. E tem tudo a ver com o Teatro do período que pesquisei. * Acontece que os atores da época (final do Século 19, início do 20) tinham, em ampla maioria, o hábito de fumar. As mulheres até mais que os homens. Isso, num tempo em que uma mulher fumar em público era uma transgressão. Mas, como se sabe, a mulher artista e especialmente a atriz de Teatro popular era de fato uma transgressora por exibir-se diante de platéia, por andar pelas ruas altas horas da noite e por ter uma vida amorosa diametralmente oposta ao que se esperava de uma representante do belo sexo (quem quiser saber a origem disso, recomendo que leia o meu livro). Pois as mulheres apreciavam dar suas baforadas e tinham especial predileção por uma determinada marca de cigarros de sabor mais leve. Ele tinha o nome da companhia de fumos que o fabricava: Veado (Grande Manufactora de Fumos e Cigarros Veado - José Francisco Corrêa & Cia – Rua da Assembléia nos 94 a 98 – Rio de Janeiro). Nove entre dez mulheres fumantes preferiam a marca Veado. * Os homossexuais masculinos tinham nas atrizes os seus grandes objetos de admiração. Elas eram desinibidas, usavam toilettes vistosas, levavam uma vida que os gays da época adorariam levar. E para imitá-las, passaram a fumar a mesma marca delas. Como o cigarro Veado estava intimamente ligado às fumantes femininas, dar tragadas nesta marca era coisa de “mulherzinha”. Homem que fumava Veado e que tinha trejeitos adamados passou a ser conhecido como “esse é do Veado”, “esse é da turma do Veado”. Não demorou e o nome do bicho passou a designar aquele que pratica “o amor que não ousa dizer o nome”, como assim chamava Oscar Wilde. * O que não deixa de ser curioso, visto que em mais de uma cultura o animal veado é símbolo de virilidade (entre os celtas, era o símbolo de masculinidade; quem leu “As Brumas de Avalon” sabe disso). Os próprios veados não são veados, pelo contrário. São pegadores. Disputam na chifrada quem vai traçar mais veadinhas no bando. * Bem aí está. Eu divulguei esta explicação em meu livro (na página 205), incluindo um anúncio do cigarros marca Veado pra lá de engraçado. Lá, também faço outros esclarecimentos sobre a vida amorosa e sexual das atrizes. M.S. *********************************************** Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Ney Matogrosso cantando "Homem com H".
Este modesto blog tem motivos para estar muito feliz. A jornalista Thaiana Sarti, do jornal A Tribuna de Vitória (no Espírito Santo) estava fazendo uma pesquisa na Internet sobre a origem de expressões que costumamos usar no cotidiano. E... chegou até aqui. Os que me acompanham há algum tempo sabem que eu tenho fascínio por pesquisar de onde surgiram estes ditos tão comuns. Recorro a livros e às pessoas que têm histórias pra contar. Além disso, faço minhas pesquisas aqui e acolá. * E sei que muitos dos que me honram com a presença neste meu velho guarda-louças de velhas emoções também apreciam estas histórias que narro. Podem acreditar, são todas legítimas e absolutamente verdadeiras! Não invento nada! Mas eu falava da Thaiana. Pois é. O jornal que ela trabalha tem um caderno chamado Infograph que publica curiosidades nos domingos. Escolheram a origem das expressões para a edição do primeiro domingo de julho. Ela já me entrevistou e vai publicar algumas historinhas que escrevi por aqui. Claro, terá que ser de forma bem resumida. Mas ela me disse que me citarão e eu só posso ficar muito feliz por isso. * Para facilitar o trabalho da Thaiana, fiz algo que já pretendia fazer há algum tempo: relacionei todas as explicações que postei aqui, com links para os posts que fiz. Caso alguém aí queira saber como estes ditos se originaram, basta clicar em cima que vai cair na página do arquivo em que eles estão. Ainda dou o nome do post em que a expressão foi apresentada. Moleza, heim? * A Thaiana vai me passar o link para a página da internet em que a matéria vai ser publicada. Prometo postá-lo aqui para quem quiser dar uma olhadinha... Eis a relação das 36 que publiquei até agora: A voz do povo é a voz de Deus (no post de mesmo nome) Será o Benedito? (no post de mesmo nome) Ficar à toa (no post Dando corda) É mais fácil um camelo passar por um buraco da agulha que um rico entrar no reino dos Céus (no post Dando corda) O pior cego é o que não quer ver (no post Para seu governo, saiba que...) Casa da Mãe Joana(no post Para seu governo, saiba que...) No tempo do Onça (no post Morcegos e Onças) Amigo da onça (No post Morcegos e Onças) Pensando na morte da bezerra (No post Adeus, meu amor) Não entender patavina (No post Quem não se comunica...) Nhenhenhém (No post Quem não se comunica...) Pagar o pato (No post O pato e o paquete) Estar de paquete (No post O pato e o paquete) Da pá virada (no post Se segura, malandragem) Quem não tem cão, caça com gato (No post Se segura, malandragem) Eles que são brancos que se entendam (No post Me inclua fora dessa) Ficar a ver navios (No post Sebastião e Maomé) Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha (No post Sebastião e Maomé) Ser surdo como uma porta (No post Surdo como uma porta) Bode expiatório (No post Isso dava o maior bode) Entrar com o pé direito (No post Pé de pato, mangalô três vezes) Bater na madeira (No post Pé de pato, mangalô três vezes) Onde o Judas perdeu as botas (No post Estas botas foram feitas para caminhar) Não me cheira bem (No post Cheiros e coxas) Trabalhinho feito nas coxas (No post Cheiros e coxas) Marido chifrudo (No post Dia de corno) Com a corda toda (No post Tô que tô) A pressa é inimiga da perfeição (No post Tô que tô) Pôr em pratos limpos (No post Um atual mal passado) A emenda saiu pior que o soneto (No post Um atual mal passado) Gente de meia-tigela (No post Inflando o volume da bolsa escrotal) O fim da picada (No post Inflando o volume da bolsa escrotal) Para inglês ver (No post Papel de bobo) Cair no conto do vigário (No post Os vigaristas) Vá se queixar ao bispo (No post Cadê o bispo?) Meter a mão em cumbuca (No post Mudando de prosa)
Valeu, Thaiana, obrigado! M.S. *********************************************** Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Epitáfio”, com os Titãs.
Julho está chegando e é tempo de férias escolares. Muita gente aproveita, reúne a família e põe o pé na estrada naquela viagem há tanto tempo sonhada. Quando eu era mais mocinho, eu e minha família viajávamos neste período. Normalmente, íamos para Minas, onde minha tia morava. Era uma barato! Passei muitas e inesquecíveis férias viajando para as Gerais. * Talvez você, que está me dando o prazer de ler, esteja pensando em reunir a molecada, jogar uns panos de bunda na mala e botar o pé no jato. Mas não sabe para onde ir, nem tem idéia do que encontrará lá, no desconhecido exterior, certo? Pois seus problemas acabaram! * A Agência de Turismo Antigas Ternuras já verificou onde tem ótimos e inesquecíveis lugares e vai mostrá-los para vocês inteiramente de grátis. E ainda incluirá dicas fantásticas nesta apresentação. De nada. Não precisa agradecer. Vamos lá? * Que tal Portugal? Terra de nossos antepassados, berço de nossa cultura, pátria do bolinho de bacalhau... E por falar em bacalhau, temos uma sugestão de cidade para você começar o seu périplo por terras lusitanas. Veja a foto abaixo: Esta região possui vinhedos maravilhosos. Fica nos arredores de Lisboa (30 km) e é uma localidade aprazível, famosa pelo aroma que vem daquelas paragens. Já se ouviu muito homem dizer que ali é o melhor lugar do mundo. Em boa parte do ano lá é quente e úmido e há muito movimento. É um vai e vem intenso que dá enorme prazer a quem anda por ali, especialmente os jovens rapazes. Aliás, foi um deles que, por chiste, colocou um tracinho no “l” da placa, transformando-o em “t”. O nome original da cidade é Bucelas. * Caso você seja um aventureiro e aprecie fortes emoções, recomendo que você vá conhecer esta cidade da Nova Zelândia: Gosta de esportes radicais? Ah, então você precisa conhecer esse lugar! Tem muito vento por lá. Tudo bem que há os que reclamam, dizendo que é sujo, com restos de comida pelos cantos, mas quem se importa, não é? Só sei que tem muita gente de olho no lugar. Se lá tem espaço? Olha, dizem que é enorme! Quer saber onde fica? Aqui está um mapa. * Huuum... Já sei. Você prefere lugar mais próximo, e, consequentemente mais em conta, não é? Pois então eu sugiro que você vá ao Chile. Bons vinhos, clima agradável nessa época do ano. Que tal conhecer Valparaíso? Saindo de Santiago, por uma excelente rodovia, você chega lá em pouco mais de uma hora (117 km). Em chegando lá, a dica para comer é este restaurante abaixo: Você nem precisa reservar. É só chegar, entrar e sentar. O compadre está sempre pronto e sabe do que você gosta. Tenho certeza de que você vai adorar e passará bons momentos neste esplêndido lugar. Experimente lá os “ovos mexidos”. Você vai gemer de tanto prazer em desfrutar desta maravilha. * Mas eu se fosse você, faria um esforço e iria para a Itália. Ah, la bella Italia! Tantos lugares maravilhosos para se conhecer! E recomendamos um que estou certo você vai adorar. Este aí da foto abaixo: Este é um lugar feito pra você. Caraglio se localiza na província de Cuneo, na região do Piemonte. Quando você avista o lugar de longe, acha que ele é pequeno. Mas quando você chega perto, constata que ele é enorme! O que você pode fazer lá? Bem, sugerimos que você vá visitar a Casa do Caraglio. Foi onde morou o artista Giovanni Jacopo Caraglio (1505-1565), autor de belas obras ligadas à mitologia como esta aqui: Na Casa do Caraglio, há muito espaço livre e uma programação intensa para receber crianças. Portanto, se seus filhos estiverem muito agitados, fazendo muita bagunça, basta você mandá-los para lá, que eles vão se divertir a valer. * Pode ser que você queira esticar sua presença na Europa e conhecer outro país. Recomendamos que você vá até a Suécia. Ah, Estocolmo é uma cidade linda! Um passeio maravilhoso, pode crer. Depois de andar bastante, vai bater aquela fome e vocês vão querer comer, não é? Pois se vocês estiverem na estrada e virem uma placa como essa abaixo, podem ir sem susto: Em sueco, “foder” significa “refeição, alimentação” (sério!). Ou seja, se você quer comer na Suécia, basta falar “foder”, fazendo o gesto característico, que eles te mostrarão o que tem de fazer. Assim, se alguém da sua família insistir que está com fome, diga para ele “vai se alimentar”, em sueco, que logo, logo, ele vai procurar seu rumo. * Bem, amigos do Antigas Ternuras, espero que tenham apreciado as sugestões e dicas que nós apresentamos aqui, com muito carinho. Agora, não tem desculpa! Arrume as malas, escolha um destino e vai com Deus! Não esqueça de levar a sogra. M.S. *********************************************** Queridos amigos, a partir deste domingo no Playground dos Dinossauros, tem um texto inédito meu sobre festas juninas. Quem quiser me dar a honra... É só clicar no link. *********************************************** Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o inolvidável Charles Trenet, cantando de sua autoria essa graça de música chamada “La Mer”.
Houve um tempo em que eu vivia com o ouvido grudado num radinho. Estava sempre antenado, em busca de uma nova canção, alguma novidade musical, com meu velho radio Sharp amarelo, também companheiro de jornadas no Maracanã, onde ouvia a narração e os comentários em jogos do meu amado Flamengo. Mas ele estava comigo sempre, a não ser quando eu optava por meu gravador Sanyo, de quem já falei aqui. O procedimento era o seguinte: eu ouvia a música no radinho e, se me agradasse, esperava ela tocar novamente e a gravava no Sanyo, em uma fita Basf 60. Foi assim que ouvi pela primeira vez a Karen Carpenter cantar “Yesterday Once More”. Uma música cuja letra dizia: “Quando eu era jovem, eu ouvia o Rádio, esperando por minhas canções favoritas. Quando elas tocavam eu cantava junto. Aquilo me fazia sorrir”. * Na mesma época tocava uma outra música, cantada por ela, da qual eu gostava muito também: “Sing”. Era uma canção de deixar a gente feliz. Que nem “I wanna hold your hand”, dos meus adorados Beatles, presença constante em minha vida desde a minha infância. E os Carpenters, dupla de irmãos talentosíssimos, também eram fãs alucinados dos quatro rapazes de Liverpool, tendo gravado algumas músicas deles. * Eu, jovenzinho, descobri os Carpenters e especialmente descobri a voz maravilhosa de Karen Carpenter. Virei fã incondicional. Quando eles estiveram no Rio não pude vê-los tocar por estar fora, viajando. Fiquei decepcionado e por isso me prometi que na segunda vez que eles voltassem, eu os veria de qualquer jeito. Nunca mais vieram. Mas eu já estava definitivamente encantado pela voz de Karen. Na minha modesta opinião, ela faz parte do meu Panteão de maiores cantoras de todos os tempos, ao lado de Ella Fitzgerald, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Sade Adu e Zizi Possi. Essas daí, até cantando “Atirei o pau no gato” vira clássico imperdível. Lamentavelmente, só as duas últimas ainda estão entre nós. Eu nunca vi nenhum show da Sade, mas tenho esperanças. Da Zizi, assisti a vários. E sempre vou depois até o camarim para paparicá-la até dizer chega. Teve uma vez que ela chamou o presidente do fã-clube dela e falou para ele: “Você não me diz as coisas que este rapaz está me dizendo”. Fiquei todo bobo... * Eu queria ter dito muito mais para a Karen. Ah, o tanto que eu diria!... Eu iria fazê-la levitar com tantas palavras carinhosas, retribuindo o enorme prazer que ela me proporcionava cantando. A voz dessa moça tinha em mim propriedades calmantes, alucinógenas, revigorantes, valia mais que uma superdose cavalar de endorfina combinada com serotonina e oxitocina. E eu a achava tão lindinha... * Pena que ela não se considerasse lindinha... Desde muito nova, implicava com uns quilinhos a mais. Certa vez, um garoto no colégio a chamou de “chubby” (gordinha, em inglês). Ah, pra quê! Começou a fazer dieta, exercícios o escambau para perder peso. E conseguiu! Ficou uns dez quilos mais magra. Mas daí em diante, entraria numa rotina perversa de remédios, laxantes, vomitórios e uma total aversão por comida. * Eu não quero fazer aqui uma biografia da Karen. Nem caberia num espaço de um blog. Prefiro falar de como ela me comovia como artista e é maravilhoso quando um artista nos comove. Para conhecer mais sobre a sua vida, pedi pela Amazon um livro não lançado aqui no Brasil, chamado “The Carpenters – The Untold Story: An Authorized Biography”, de Ray Coleman. Quando chegou, eu devorei o livro. E fiquei pasmo por ler sobre uma morte anunciada, causada por uma doença terrível. Todos a sua volta viam que ela estava definhando, menos a própria Karen. Fizeram de tudo para convencê-la a se tratar, mas não houve Cristo no mundo que a fizesse perceber estar morrendo por inanição. Seu irmão, Richard, quase tentou arrastá-la para um médico, mas ela se recusava, berrando com ele que a saúde dela não era da conta de ninguém. De temperamento calmo e cordato, virava uma leoa ferida quando alguém tentava fazê-la interromper a sua busca incessante por um corpo perfeito. Não bastava a ela ter uma voz perfeita, ela queria estar satisfeita com a própria carcaça. Só que a maldita anorexia nervosa não deixa ninguém satisfeito. Quem padece desse mal fica só pele e ossos, mas se vê como se fosse uma hipopótama grávida, com problema de obesidade. Quando Karen pediu ajuda, já era tarde demais... * Volta e meia eu faço uma “sessão Carpenters” na minha casa. Tenho todos os discos deles, incluindo o solo que ela gravou e que, para a sua tristeza, foi detonado por seu irmão, Richard, e pelo produtor Herb Alpert (um dos donos da então gravadora A&M, onde eles gravavam). Só bem depois da morte de Karen o Richard liberou o lançamento do disco-solo dela, para alegria de nós, seus fãs. Lembro que o primeiro disco deles que eu comprei foi o “Now and Then”, talvez o melhor de todos. Recordo-me bem, eu o comprei com o dinheiro de mesada, numa filial da Ultralar (er...melhor pular essa parte, visto que a Ultralar já acabou desde o tempo em que a Serpente do Paraíso era só uma minhoca...) * Se me perguntam qual música cantada por ela eu mais gosto, não sei dizer. Eu gosto igualmente de todas, e mais especialmente de umas 20, estando entre elas, como exemplo, “One fine day”, “Our day will come”, “I can dream, can’t I?”, “Sometimes”, “One love” e outras mais. Richard também lançou discos-solo. Num deles, tem a música que ele fez para ela, chamada “Karen’s theme”, que é um diamante de rara beleza. A primeira vez que eu a ouvi, fiquei com os olhos molhados. * Em 2008, mais precisamente no dia 4 de fevereiro passado, completou-se 25 anos que o mundo deixou de ouvir uma voz de anjo. Talvez o Paraíso Celeste estivesse carente de mais uma estrela, e por isso Deus a levou para o Alto, onde sua voz ressoa pelos siderais, interrompendo o fluxo de cometas e asteróides, que param para ouvi-la cantar. Como diz em sua sepultura, no jazigo da família, em Westlake Village, na California, era “uma estrela na Terra, uma estrela no Céu”. Uma das canções que ela imortalizou, essa mesma que vocês estão ouvindo agora, diz: “E quando minha vida acabar Lembre-se de quando estivemos juntos Nós estávamos sozinhos E eu cantei uma canção pra você”. Sim, Karen, eu me lembro. E vou me lembrar sempre... M.S. ***********************************************
Na TV Antigas Ternuras, você vê duas das maiores cantoras de todos os tempos: Karen Carpenter e Ella Fitzgerald cantando em duo um medley de grandes melodias. Imperdível! Não me agradeça. Agradeça a Deus por te proporcionar este espetáculo para olhos e ouvidos... Tenha paciência, deixe carregar e veja com tranqüilidade. Eu assisti chorando... Para ouvir este vídeo, antes clique no “X” lá em cima, na barra de ferramentas. Assim, interromperá a música que está tocando ao fundo.
Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Song for You”, de Leon Russel, na voz celestial de Karen, tocada pelos Carpenters.
(Calendário maia) No meu tempo de moleque, no colégio, sempre se comemorava uma data especial. Os feriados habituais se dividiam (e se dividem) em santos e cívicos. Basicamente, tínhamos para vadiar a Semana Santa, o Corpus Christi, o 25 de agosto (aniversário da cidade onde me criei), o 7 de setembro e o 15 de novembro. Natal, Ano Novo e Carnaval faziam parte do período de férias e o Dia de Tiradentes e o 12 de outubro não eram feriados naquela época. * Mas eu sabia que todo dia era dia santo. Pelo calendário do Sagrado Coração de Jesus, da Editora Vozes, que meus tios compravam todo início de ano, eu ficava sabendo dos santos de cada dia. Tinha gente que botava nome nos filhos de acordo com o santo do dia em que nasceram. Meus pais não faziam isso. E ainda bem, se não eu chamaria “Copertino” ou então “Sofio”, já pensou?. * Em tempos relativamente recentes, os dias passaram a ter outras comemorações, além das centenas de santos que a Igreja Católica inventa. Os nossos bravos políticos começaram a criar “dia para qualquer coisa”. Acreditem: todo dia é dia santo e dia de alguma profissão ou de alguma doideira que algum deputado que não tem o que fazer inventa (claro, nosso país não tem problema nenhum para ser discutido, então que tal criar, por exemplo, o “Dia do Plantador de Laranja”?). * Nesse mês de junho, por exemplo. Vocês sabiam que hoje, dia 9, é Dia do Porteiro? Que amanhã é Dia da Língua Portuguesa? Depois de amanhã será Dia do Educador Sanitário? E as loucuras não param por aí: 21 de junho, Dia do Mel; 25 de junho, Dia do Quilo; 27 de junho, Dia do Artista Lírico, 28, Dia da Revolução Espiritual (???). E tem mais: vocês não comemoraram, mas 3 de junho foi Dia do Administrador de Pessoal; 6 de junho, Dia da Logística e 8 desse mês o tal Dia do Plantador de Laranja. * Mas nenhuma das comemorações se compara a que acontecerá no 24 próximo: o Dia dos Discos Voadores!!! Heim, que tal? Como poderemos celebrar esta importante data? Sugiro que a gente vá em peregrinação até Varginha ou São Tomé das Letras, ambas em Minas Gerais (por que é que mineiro se amarra em disco voador, Extraterrestres e correlatos?) e faça uma vigília, todos olhando para o céu, segurando cartazes como: “Não estamos sós”, “Venham em paz”, “Por favor, abduzam o Lula, a Dilma e todo o DEM”, “Galvão filma eu”. * Veja bem, eu não estou sacaneando quem acredita em OVNI. Sei muito bem que tem uns objetos voadores que não tem explicação zanzando pelos céus da Terra. Noutro dia, estive na casa do meu amiguirmão Luiz e ele me mostrou no You Tube, um monte de filminhos de discos voadores pelo mundo. Vejam só esse aí de baixo. Um ovni na Bélgica detectado no radar, filmado e observado por aviões da força aérea belga:
Minha surpresa é que algum político tenha tido a genial idéia de instituir o Dia dos Discos Voadores. Que a Igreja Católica diga que hoje, dia 9, seja Dia de Santo Efrém, não tem problema. Eles precisam ficar criando santos. Mas o que passou pela cabeça do débil-mental que dedicou o dia 24 de junho aos OVNI? E por que 24, dia de São João? Será que é para se confundir com os muitos balões que cruzarão o céu? Bem, enquanto não chega o dia de comemorarmos os discos voadores, parabéns aos porteiros pelo dia de hoje. M.S. *********************************************** Na TV Antigas Ternuras, você vê uma gravação da TV italiana sobre um OVNI sobre a Bélgica.