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E pensar que o Rio já dependeu totalmente do Rio Carioca para sobreviver. Ele tem um histórico interessante. Querem ver?
A Baía de Guanabara foi descoberta por uma expedição comandada por Gonçalo Coelho, que nela adentrou em 1o de janeiro de 1502. O piloto da expedição, um certo Américo Vespúcio, acreditou que era a foz de um rio.
E como era primeiro de janeiro, resolveu batiza-lo como Rio de Janeiro. Ele já tinha batizado um outro rio, que a expedição descobrira ao norte daquela nova terra. Como era dia de São Francisco, deu este nome àquele curso d’água. Como se vê, os nomes que ele dava pegavam...
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No ano seguinte, outra expedição comandada pelo mesmo Gonçalo Coelho esteve novamente na baía formada pelo tal “Rio de Janeiro” e ali deixou alguns degredados. Como ainda não tinha rede hoteleira nem indústria da construção civil, resolveram eles mesmos construir uma casa feita com pedras na foz de um rio de águas cristalinas, que desembocavam na igualmente cristalina baía. Os índios chamaram aquela casa de “kari’ioca” (“kari’i”= homem branco; “oca”=casa, ou seja, “casa do homem branco”). A moradia dos degredados acabou dando nome ao rio. E o rio adjetivou os que nascem na cidade. Dizem os arqueólogos que esta casa foi construída na altura da atual Rua Senador Eusébio, no bairro do Flamengo. Com os sucessivos aterros o mar ficou bem longe de lá, mas originalmente ela se situava à beira-mar.
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Muitos anos depois, Estácio de Sá fundaria a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro junto ao morro do Pão-de-Açúcar. Como a cidade não poderia se desenvolver ali, o governador-geral Mem de Sá transferiu-a para o alto do Morro do Castelo e de lá ela se esparramou pelas cercanias. No século 18, o Rio de Janeiro tinha crescido bastante, já era até capital da colônia! O Rio Carioca era o principal abastecedor de água da cidade. Só que ele ficava um pouco afastado do núcleo do centro urbano. Ou se pagava a alguém para ir lá pegar água ou se mandava um escravo encher um barril e trazer o precioso líquido. A administração da cidade instituiu leis de proteção ambiental (olha!), proibindo que se desmatasse ao longo do curso do rio ou que se lavasse roupa ou desse banho em animais em suas águas.
Mas, com a cidade crescendo, foi preciso arranjar um jeito de trazer a água do Carioca para mais perto.
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Como a água chegava limpinha, a administração liberou geral: desmataram as matas ciliares ao longo do rio, passaram a lavar roupa, cavalos, jogaram esgoto... e deu no que deu.
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O homem é a única espécie que polui a própria água que bebe. Assim como as guerras no final do século 20 tinham como motivação o petróleo, eu não tenho a menor dúvida que os conflitos deste século serão por causa de água.
A Cedae utiliza cada vez mais produtos químicos para “fabricar” água potável para a população do estado. Ainda assim, desperdiçamos, poluímos e inutilizamos reservas que não são infinitas: uma hora vai acabar. Como Jacques Costeau morreu, acho que vamos ter que chamar este aí do lado para defender nossas águas.
Abaixo tem outro texto que eu fiz sobre o futuro (?) problema da água.
M.S.

