terça-feira, agosto 25, 2009

A lua em crescente


Ontem
A palavra “árabe” pode significar “claro, compreensível” e também pode ter a denotação “nômade”. Pela Bíblia, é o povo da descendência de Ismael, o filho do patriarca hebreu Abraão com Agar, a serva de sua esposa Sara.

Pela História, o povo árabe originou-se de tribos que ocuparam a península arábica, vindos do Iêmen e do norte da região onde hoje está a Arábia Saudita. No Século VII, Maomé difundiu os princípios da religião muçulmana por toda a península arábica. Em pouco mais de cem anos, os árabes invadiram terras vizinhas e expandiram seu império da península ibérica até a Ásia Central. No Século XV, perderam Portugal e Espanha, mas ocuparam Constantinopla, a sede do antigo império romano do Oriente. A religião islamita jamais deixaria o norte e parte do oeste da África, a Turquia, o Oriente Médio e parte da Ásia Central.
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Hoje
O Islã já não mais invade e anexa terras. Aliás, desde que a China invadiu o Tibete e o pegou para si, em 1950, ninguém mais pode fazer isso. Os limites nacionais estabelecidos depois da II Guerra Mundial, de forma geral, permaneceram (a não ser quando uma região resolve se tornar independente) e se algum país fica de olho gordo para cima de outro, recebe a reprovação dos demais Estados.

No entanto, a religião muçulmana não para de crescer e, estatisticamente, já é a com maior número de seguidores em todo o mundo, ultrapassando o catolicismo. Isso, sem precisar sacar aquela espada curva e gritar “morra, cão infiel!” pros inimigos. Em muitos lugares já se vê mais a lua crescente que a cruz.
O Islã nasceu na Arábia, mas hoje só 15% dos muçulmanos são árabes. A Indonésia, com 238 milhões de habitantes, é o maior país de seguidores do islamismo no planeta.
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O Islã tem princípios básicos que são seguidos por todos os que professam a fé em Alá. Todavia, não se pode dizer que seja uma religião monolítica. Eles tem diversas divisões e cada qual dessas partições pensa de modo diferente, vê o mundo de forma diferenciada. Mas, da mesma forma que os cristãos tem por princípio evangelizar toda criatura, os muçulmanos também não vão sossegar enquanto todo mundo não seguir os ensinamentos do profeta Maomé. Nessa espécie de fla x flu, a turma da esfiha já virou o jogo e está claramente vencendo.
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Amanhã
Quem conhece o jogo War (jogo de tabuleiro com cada participante dispondo suas fichas pelos países do mundo, ganhando o jogo que cumprir com o objetivo de domínio de território e poder sobre os inimigos), sabe o que virá em seguida.

Países serão ocupados, mas não pela força das armas. Será uma ocupação lenta, gradual, porém irreversível. Os dados já estão lançados.
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Resta saber qual vertente islâmica vai prevalecer no planeta: a fundamentalista ou a esclarecida? Por conta dos atos de terrorismo executados por segmentos muçulmanos, toma-se todo o Islã como sendo “fundamentalista faca nos dentes”. Nada mais errado. O Islã já foi sinônimo de iluminismo na mundo, isso lá por volta dos Séculos XI e XII. Enquanto o mundo dito “cristão” caía em trevas medievais, autores, filósofos, bibliotecários árabes salvavam obras dos clássicos gregos da sanha obscurantista européia. A ciência deve e muito aos árabes. O próprio alfabeto moderno e a matemática tem DNA árabe islâmico. Voltaire, pensador iluminista francês, foi profundamente influenciado pela cultura muçulmana. O filósofo árabe Ibn Khaldun é considerado um precursor da moderna historiografia, sociologia e economia.
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Agora, se prevalecerá o fundamentalismo muçulmano, como o vemos atualmente, aí teremos uma nova Idade das Trevas. Movimentos sociais importantes, como a luta pelos direitos da Mulher, retrocederão ao tempo dos archotes.

Depois de ter lido estas minhas curtas reflexões, convido o meu gentil leitor a ver este vídeo abaixo. Ele foi produzido pela Igreja Batista, mas peço que ignorem essa parte. Acompanhem os dados e as informações que eles apresentam e reflita.

M.S.
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Na TV Antigas Ternuras, você vê o vídeo “Mundo Muçulmano”.
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Este é o convite para o lançamento do livro "Humor Vermelho", uma coletânia de textos de humor para a qual fui convidado, colaborando com uma modesta crônica.
O convite é para os queridos amigos que me prestigiam aqui e queiram me prestigiar no dia 1 de setembro, a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Era só o que faltava!


Quando esse negócio de “politicamente correto” começou, eu até achava engraçado. Não dava para levar a sério aquela história de chamar pessoas baixas de “verticalmente prejudicadas”... Pois é. O “movimento” foi crescendo, as piadas sobre isso circulando pela Internet, ninguém acreditava que aquela onda fosse prejudicar quem quer que fosse. Claro, também riram daquele rapaz com bigodinho ridículo, que discursava feito um alucinado na Alemanha do início dos anos 30. Ninguém cria ser para valer mesmo aquele senhor de cabelos desgrenhados e caspas nos ombros dizendo que seria presidente e iria passar uma vassoura nos problemas do país. Tinha também aquele que arregalava os olhos raivosamente e prometia caçar marajás, e muito gente achava que aquilo não iria para frente. Deu no que deu.
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O movimento “politicamente correto”, sob a alegação de proteger minorias e corrigir injustiças, está crescendo, se espalhando, de olho em tudo e em todos, feito o “Big Brother”, o “Grande Irmão” preconizado pelo escritor George Orwell. Você, amigo blogueiro, nem desconfia que o seu blog é minuciosamente lido por gente que vive à espreita, PATRULHANDO, pronto para dar o bote ao menor sinal de algo que eles supõem ser algum tipo de discriminação. Eu imagino que periodicamente eles escrevam algumas palavras-chave no Google e ai daqueles que são dedurados pelo procurador de sites! Para eles, não interessa o contexto. Se usou as palavras prescritas, ganha um processo.
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Foi o que aconteceu com nosso companheiro blogueiro, o Marcos Dhotta, do Caríssimas Catrevagens, que tem um blog saudosista como este meu, que você, amigo, está visitando no momento. Aliás, ele me escreveu assegurando que se inspirou no Antigas Ternuras para criar um blog “totalmente retrô”, como disse.
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Hoje o Marcos está sendo processado, acusado de “racismo” por, segundo escreveu, um “grupo militante de Direitos Humanos”. O seu crime foi escrever um post sobre o antigo sabonete Phebo, se referindo a ele como “o pretinho que satisfaz” e “meu escurinho sabonete glicerinado” (se quiser ler o post “Indignação!” do Marcos, clique aqui). Creio que o grupo quer banir do vocabulário nacional as palavras “pretinho” e “escurinho”. Não podemos usar estas palavras, seja em qualquer contexto, mesmo que esteja falando de um mero sabonete.
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Portanto, amiga leitora, se você for a uma festa e quiser usar aquele vestido cor de ébano, deve chamá-lo de “afrodescendentezinho básico”. Se o Gonzaguinha estivesse vivo, teria que trocar a letra da sua música “Feijão Maravilha”, alterando aquele verso para “o afrodescendente que satisfaz”. A mesma coisa com aquele samba clássico de Geraldo Pereira, gravado até por Gilberto Gil. A letra teria que mudar para “o afrodescendentezinho era um afrodescendente direitinho/Agora está com a mania de brigão/Parece praga de madrinha/ Ou macumba de alguma afrodescendentezinha que lhe fez ingratidão...” Falando no cantor baiano, sua filha vai ter que mudar o nome para Afrodescendente Gil. A face da lua que não se mostra iluminada para nós será doravante chamada de “o lado afrodescendente da lua”.
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Cuidado, caros blogueiros! Depois dos plagiadores, esses chupadores de textos descarados que assolam a blogosfera (e já copiaram sem nenhuma vergonha na cara textos do Marcos Pontes, da Luma, da Claudinha e de tantos outros colegas), a nova ameaça agora é ser processado, acusado de racismo por usar palavras que eles estão proibindo. Eles se acham no direito de censurar o que você escreve, determinando que palavras você deve usar. Se não atendê-los, processam. E se dizem defensores de “direitos humanos”...
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E para estes senhores que escreverem no Google as palavras “preto”, “pretinho”, “escurinho” e porventura darem com os costados neste meu humilde blog lido por seus 17 leitores dignos e sérios, e resolvam me processar, acusando-me de “racista”, gostaria de dizer algumas palavras:
O blog Antigas Ternuras SEMPRE defendeu a cultura brasileira, nossa cultura mestiça, fruto de três raças que no Brasil se amalgamaram e criaram a maior e mais bela diversidade cultural de todo o mundo. Esta página SEMPRE repudiará toda e qualquer discriminação de cor, opção sexual, credo religioso e/ou político. Aqui, sempre se dirá que RACISMO É CRIME e também uma das coisas mais odiosas que existe na face da Terra. Sou neto de duas mulatas que se uniram a dois portugueses (existe união mais brasileira que esta?), logo, sou mestiço, tenho sangue negro nas veias e me orgulho disso. Alguns de meus melhores amigos são negros ou mestiços, assim como quase todos os meus parentes, eu tenho profundo carinho, admiração e respeito por todos eles. Sempre que houver alguma manifestação séria contra discriminação de qualquer espécie, eu estarei cerrando fileiras contra essa coisa abjeta que aparta seres humanos. Repilo com todas as minhas forças o preconceito de qualquer espécie.
ABAIXO O RACISMO!
Esse grupo de “direitos humanos” que está processando o Marcos por ele chamar sabonete de escurinho está prestando um desserviço à gloriosa luta do Movimento Negro, aos ideais de um de meus ídolos, José do Patrocínio, à resistência de pessoas sérias comprometidas com o enfrentamento do preconceito em suas manifestações.
Era o que eu tinha a dizer. Portanto, se alguém resolver me processar, me acusar de racista por eu ter escrito as citadas palavras, poderá fazê-lo. Leve-me às barras dos tribunais, mas leve com este texto inteiro, não pince palavras fora do contexto. E mais: pode me processar, pode me acusar. Mas saiba que eu também o processarei com base no artigos 138 e 139 do Código Penal (calúnia, difamação e ofensas morais).
E não tente me censurar.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Chico Buarque e Milton Nascimento cantando o clássico da MPB, “Cálice”, de Chico e Gilberto Gil.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Carta aberta ao senador José Sarney


Senador,
O senhor não me conhece. Sou um simples e anônimo cidadão brasileiro, que paga impostos, segue as regras, conhece seus direitos e deveres como tantos que vivem neste país. Bem sei que no Nordeste, região onde o senhor nasceu, ao se conhecer alguém é costume perguntar: “você é filho de quem, menino?” Vou me antecipar à sua pergunta e dar logo a resposta.
Sou Marco, filho de João e Ruth. Meu pai, já falecido, era filho de uma lavadeira; minha mãe, ainda viva graças ao bom Deus, é filha de uma mulher que fazia roupinhas de bebê de tricô e pedia aos filhos para venderem de porta em porta. Tanto meu pai quanto minha mãe foram criados em famílias muito simples, ambos passaram dificuldades, ambos, conheceram o que é fome. Mesmo assim, minhas avós eram muito rígidas na educação dos filhos. Preferiam passar necessidade a tirar o que fosse de alguém.
Eles passaram estes valores para mim e para meus irmãos. Muitas vezes ouvi minha mãe dizer: “se não é seu, não pegue”.
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Uma vez, peguei um troco de compras sobre a cômoda. Quando meus pais descobriram, levei um corretivo ouvindo: “filho meu não vai ser ladrão!”; “não crio filho para roubar!”. Mais que as palmadas e admoestações que eu e meus irmãos tomamos, tínhamos o exemplo que os dois nos davam sempre. Não basta mandar o filho ser direito, tem que dar o exemplo e ser direito para ele ver que este é o comportamento certo.
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Hoje, meus irmãos passam aos seus filhos os mesmos valores adquiridos de nossos pais, que por sua vez, os adquiriram de seus pais. Eu, como tio (não tenho filhos), faço a minha parte dando exemplo e procurando ser um cidadão em que meus sobrinhos podem se espelhar. Pois é, senador... Assim se forjam cidadãos. Pessoas honestas que passam bons exemplos e valores para filhos e netos.
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Daí que tenho acompanhado as notícias que emanam do Senado, uma Casa onde pontificaram pessoas ilustres e honestas como o Visconde de Rio Branco, o Duque de Caxias, o educador Francisco Correia, Epitácio Pessoa, Ruy Barbosa e tantos outros. Fico estarrecido, senador, com seus atos - secretos ou escancarados - como presidente do Senado e me pergunto: será que seus pais lhe passaram valores morais? Os mesmos que meus pais me passaram? Não sei responder a isso. Mas posso, com toda certeza, garantir que o senhor não dá exemplos de honestidade e honradez para seus filhos e netos. Por consequência, seus filhos não passam para os filhos deles e eles igualmente não passam adiante.
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Como os pais dos meus pais, senador, sei que os seus foram pessoas humildes, gente do povo. Talvez tenham lhe dado uma criação dentro de valores éticos e morais. E por que o senhor não os coloca em prática? Por que o senhor insiste em envergonhar a memória de seus pais? O senhor tem noção do mal que está fazendo à sua biografia? Aos seus filhos? Aos seus netos? O senhor sabe que está envergonhando toda uma nação? Vi nos sites dos jornais El Clarín e New York Times matérias de primeira página falando de “corrupção no Senado brasileiro”. O senhor acha isso justo para milhões de brasileiros que trabalham honestamente e tentam educar os filhos dentro da moral e bons costumes? Ah, senador... Não sei se o senhor acredita em Deus, mas com certeza o seu “deus” não é o meu Deus, nem o Deus de meus pais.
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Apelo para o senhor dar mais valor à sua família, aos seus filhos e netos e menos a ambições pessoais e busca insaciável por poder. Deixe o Senado, vá para sua mansão no Maranhão. Fique lá admirando as obras sacras e artísticas que o senhor pegou emprestado do museu de São Luiz, reflita sentado na praça que o senhor arrancou também por empréstimo da cidade e transportou para sua propriedade, pedra por pedra.
A sua saída de cena fará bem ao país, pode acreditar. Converse com seus filhos. Fale para sua neta que, como avô extremado que é, faz melhor em negar-lhe o pedido de emprego para o namorado do que dar-lhe o mau exemplo de um péssimo homem público.
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Peço desculpas pela ousadia de lhe dar conselhos, tendo eu idade para ser seu filho. Mas, como bem disse Billy Burke, “a idade não tem importância, a não ser que você seja um queijo”.
É, senador. Já dizia o Gonzaguinha:
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão

Cordialmente,
Um brasileiro que consegue se olhar no espelho.

(Este texto atende ao pedido do amigo DO, do blog Ramsés do Século XXI, que convocou blogueiros a participarem da postagem coletiva “Xô, Sarney!”. Não costumo participar de blogagens coletivas, meu blog é temático e nem sempre os temas sugeridos combinam com a minha proposta aqui. Mas não há como dizer não para um pedido de um amigo...)
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Gonzaguinha cantando, de sua autoria, “É”. Este grande compositor soube, muito melhor do que eu, expressar a indignidade contra os que desrespeitam a gente honesta do povo.

terça-feira, agosto 04, 2009

Poucas e boas


Como ando um tanto enrolado com meus afazeres (para variar...), a postagem da semana vai ser na base de um bom picadinho. Está servido?
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Fantasias
Você tem alguma fantasia secreta?

Não falo de fantasias sexuais banais como transar descendo num elevador, vestido de Bob Esponja, de cabeça para baixo numa cadeira de balanço, rodeado por quatro anões albinos nus besuntados de iogurte de ameixa, usando como instrumentos eróticos uma batedeira de bolo, uma lata de banha e três porquinhos da Índia, tudo ao som de “Ilarilariê”, cantado pela Xuxa.

Não, eu falo de coisas muito difíceis de acontecerem, como ser convidado pelo sheik dono deste barquinho da foto para dar uma voltinha, ou se hospedar no Palácio de Buckingham, ou convencer o Sarney a distribuir sua fortuna entre os pobres do Maranhão, ou ainda ver o Botafogo campeão mundial de futebol. Enfim, qual seria a sua fantasia pra valer, mesmo?
A minha, revelo agora: Receber um convite para excursionar com alguma peça que eu esteja encenando e em plena viagem ser sorteado para receber um passe perpétuo de uma companhia de aviação para viajar para onde quiser e quando quiser.
Por que eu estou falando nisso? É porque ando com uma vontade enorme de botar o pé no jato e cair no mundo... Preciso mesmo de umas férias.
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Presente de amigo
A Graça Lacerda, do Os Botões de Madrepérola, e seu esposo são assíduos leitores desta antiga cristaleira de velhas emoções, como costumo apelidar meu modesto blog. E para expressar essa preferência, a Graça me mimoseou com este acróstico muito carinhoso. Vai para a minha galeria de prêmios, amiga! Muito agradeço por sua atenção e generosidade. Em algum lugar no futuro vou relembrar estes caros presentes como minhas eternas ternuras.

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Atchim!
Tirando as bandalheiras do Senado, só se fala nesta tal Influenza A, também chamada de H1N1, ou no popular “gripe suína”. Será que ela vai recrudescer? Será que vai se extinguir no fim do verão? É uma pandemia apocalíptica? É só uma doença sazonal que mata menos do que a gripe comum? É a nova Gripe Espanhola? Quanto às outras perguntas, não sei, mas com certeza, não é uma nova espanhola. No meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo" (esse que aparece ao lado) escrevi sobre a maledetta que baixou no Brasil em setembro de 1918. Vejam um trecho:

“A cidade ficou vazia. Várias residências mantinham cadáveres em casa, aguardando viaturas da Saúde Pública passarem para removê-los. Caminhões e carroças trafegavam abarrotados de corpos. O Rio tinha virado cenário para o Inferno de Dante. No Cemitério de São Francisco, no bairro do Caju, o panorama macabro era ainda pior. Centenas e centenas de cadáveres aguardando sepulturas, muitos seriam enterrados em covas rasas por poucos voluntários e por detentos da penitenciária que eram obrigados a fazer aquele serviço tétrico. Só em uma tarde, mais de 300 corpos chegaram ao Cemitério do Caju. O calor abafado só piorava a situação. (...)
Só em novembro a gripe começou a dar sinais de estar arrefecendo. Em pouco mais de 40 dias, quase 13 mil pessoas tinham deixado de existir somente na capital do País. Desses, segundo dados divulgados no Boletim Mensal de Estatística Demografo-Sanitária da Cidade do Rio de Janeiro, cerca de 9 mil faleceram de gripe apenas no mês de outubro.(...)
De 20 a 25 de outubro foram os dias mais críticos. Pessoas morriam como moscas, até mesmo andando pela rua. De 19 a 21, mais de 1500 pessoas morreram vitimadas pela gripe. Só no dia 22 houve cerca de 1000 mortos em razão da doença.”
Vocês acreditam que isso vai acontecer por aqui?
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Do Antigas Ternuras para o mundo!

A minha querida amiga Isabela Saes, que por sinal é madrinha deste blog, me convidou para participar de uma antologia de textos de humor com algum de meus trabalhos. Enviei um de meus posts que agradou bastante por aqui, o “Escutando cabelo crescer”. Pois não é que o dito cujo foi selecionado e participará do livro “Humor Vermelho”, ao lado de textos de grandes feras do humor, como Antonio Tabet (do Kibe Loco), Leo Jaime, Fernando Caruso, a própria Isabela e outros? O lançamento do livro será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no dia 1 de setembro, a partir das 19h. É claro que os meus amigos blogueiros que estiverem no Rio estão mais que convidados.
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Chuááá!
Num país tão carente de heróis como o nosso, surge o “Aquaman brasileiro”: Parabéns ao campeão César Cielo! E para celebrar o grande feito do Cesão, exibo o filme de um outro campeão das piscinas, no caso uma fera do salto ornamental.

M.S.

terça-feira, julho 28, 2009

Ai, Jesus!

(Segundo cientistas, este é um provável rosto de Jesus)
Acho que este vai ser um post polêmico. Creio ser necessário deixar claro alguns pontos. Sou cristão, acredito em Deus, faço minhas orações diariamente, não tenho nada contra religião nenhuma, nem desdenho da fé de quem quer que seja. Isto posto, passemos a mais um capítulo da séria série “A História tem cada história!...”
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Vamos falar de um certo rapaz galileu conhecido, entre outras coisas, por secar figueiras, fazer aleijado levantar e sair correndo, produzir um bom vinho só com água, e distribuir uma espécie de sanduíche McFish para um monte de gente.
Não só sobre ele, mas vamos refletir sobre um movimento religioso criado a partir de suas andanças por três anos na antiga Judéia.
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Para tratar do mestre Jesus é necessário saber que existiram dois “Jesus”: o religioso, que está nos evangelhos; e o histórico, que se depreende do estudo das (poucas) fontes disponíveis. O da Bíblia, veio ao mundo na cidade de Belém, conforme estava previsto nas profecias. Para historiadores, entretanto, é muito pouco provável que ele tenha nascido lá. Com mais certeza, nasceu em Nazaré, na Galiléia, onde seus pais moravam (considerando José como seu “pai” terreno). A história de que os romanos exigiam que os judeus voltassem às respectivas cidades-natal para serem recenseados não se sustenta. Roma queria saber quantos haviam na Judéia, para cobrar impostos e, eventualmente, convocar a moçada para os exércitos do Império. Estivessem onde estivessem. Além disso, José não iria sair carregando a mulher grávida de nove meses através de uns 150km só para ser recenseado. E sobre a história da gruta, da manjedoura, essa então, não dá para acreditar de jeito nenhum. José tinha parentes em Belém, não precisaria procurar hospedagem se estivesse por lá. Logo, os evangelistas deram um torcicolo no pescoço da verdade para que a história de Cristo coubesse nas profecias do Torá (há estudiosos que asseguram que a vida de Jesus não cumpriu todas as profecias do Messias como está no Antigo Testamento, e, na verdade não cumpriu, mesmo...O caso requer fé).
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Jesus foi bem conhecido ao seu tempo e teve muitos seguidores. O que não deixa de ser surpreendente haver tão poucas fontes falando sobre ele e sua passagem no mundo. Muita gente acha que, sobre Cristo, só existe os quatro evangelhos. Não, tem outros cronistas que sequer eram cristãos e rabiscaram algumas coisas a respeito dele. Na Síria, um certo Mara bar Sarapiton escreveu palavras elogiosas sobre ele, no ano 73 d.C. Os historiadores Flavio Josefo (este na foto ao lado - no ano de 93 d.C.), Tácito (entre 100 e 110 d.C.) Suetônio e Plínio, o moço (em datas imprecisas) também escreveram sobre Jesus e o cristianismo. Mas, com certeza, alguns apóstolos pegaram da pena e contaram algumas histórias sobre o Cristo.
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Mas, por que estas histórias não estão na Bíblia? Eis a pergunta que não quer calar. Ah, aí é que está o busílis.

O negócio é o seguinte. A Bíblia, como conhecemos, como a junção do chamado Velho com o Novo Testamento, foi reunida bem posteriormente ao tempo de Jesus e do nascimento da chamada seita do cristianismo. Deixo claro que Cristo não quis fundar religião nenhuma. Ele era judeu, conhecia as escrituras hebraicas como poucos, praticamente só pregou para judeus – embora seus ensinamentos valessem e valem - muito - para todo mundo. Quem criou uma religião chamada Cristianismo foi Saulo, depois Paulo, de Tarso (o São Paulo, este da imagem). Ele, com seus argumentos, convenceu os demais apóstolos que a mensagem do Cristo servia para judeus e gentios (claro que vale). A maior parte do Novo Testamento é composta por suas cartas ensinando como ser cristão. Mas no momento em que as redigiu não estava pensando assim: “bem, agora vou escrever um pouquinho de Bíblia...” De jeito nenhum. São cartas com admoestações (ele precisava dar uma dura na moçada que estava se excedendo em alguns aspectos), ensinamentos e também procurando animar os seguidores do Cristo espalhados pelo Império Romano.
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A Bíblia, como a conhecemos hoje, foi “montada” no Concílio de Nicéia, em 325 d.C (Concílios são reuniões convocadas pela igreja para se decidirem assuntos doutrinários), especialmente quantos e quais evangelhos que entrariam - embora já existisse o fragmento de Muratori, de 170 d.C., uma espécie de rascunho da Bíblia, que recomendava quatro e somente aqueles quatro evangelhos. O Concílio de Nicéia foi reunido pelo imperador romano Constantino, o que tornou o cristianismo a religião oficial do Estado. Com a força que o imperador estava dando, os bispos começaram a dizer o que podia e o que não se podia fazer. O que cultuar e como fazê-lo. Aliás, o sentimento anti-semita começou ali. Os caras nem levaram em consideração o fato de que Jesus era judeu assim como todos os apóstolos. A partir daquele momento, o couro iria comer pra cima dos hebreus. E mais: a partir deste concílio, a Igreja passaria a intervir na ciência, dizendo o que era aceitável e o que era heresia. Quem sabia de tudo era o papa e pronto.
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Outros apóstolos também escreveram sua versão do evangelho de Cristo, mas eles focaram aspectos humanos de Jesus e o que a Igreja queria era elevar o Messias à categoria de Deus, formando com o Pai e o Espírito Santo a Santíssima Trindade (aliás, uma história complicaaaada!). Em 1945, um pastor de ovelhas achou, numa região desértica do Egito, um vaso contendo papiros com outros evangelhos, chamados pela Igreja de “apócrifos” (obras cuja autenticidade não foi provada)e escritos por outros apóstolos. Na verdade, estes textos batiam de frente com os rumos que os bispos queriam dar ao cristianismo e por isso foram condenados pela Igreja oficial. Os papiros tratam da importância do autoconhecimento, desconfiam de religiões, valorizam a opinião das mulheres... ou seja, tudo o que eles não queriam!
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Existem um sem-número de teorias sobre Jesus. Desde a que garante que ele viveu na Índia antes de ir para a Palestina, até a que assegura que ele não morreu na cruz, sendo retirado com vida, fugindo em seguida para o Oriente, adotando o nome de Yuz Asaf. (na Índia, este nome significa, em língua local, “líder dos curados das feridas”). Há até uma sepultura com este nome na Caxemirra. Fala-se que este Yuz Asaf era um judeu que passava os dias orando, pregando a existência de um único Deus e que viveu até os 70 anos.
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Não estou aqui fazendo pouco das Sagradas Escrituras. Só tenho dentro de mim a nítida impressão de que a passagem de Cristo na Terra não foi exatamente como contam. Bem sei que de jeito nenhum descobriremos o que aconteceu exatamente. E se alguém descobrir...
Isso dá matéria para uns dez “Códigos da Vinci”, né não?
M.S.
Depois de lerem algumas de minhas reflexões e estudos, convido-os a ouvirem a palavra deste pastor. É uma gravação em áudio, mostrando... digamos... uma outra opinião...

M.S.

quarta-feira, julho 22, 2009

Futuro do pretérito


Nos meus comentários nos blogs amigos, sempre termino com as frases: “Carpe diem. Aproveite o dia e a vida”. É uma espécie de marca pessoal, para saberem que aquele Marco que comentou sou eu mesmo. Mas tem uma outra razão, esta mais filosófica.
É uma recomendação para que as pessoas cuidem de seu presente, para que no futuro, quando ele se tornar passado, se transforme em uma doce e antiga ternura. O nosso futuro do pretérito é construído hoje, é preciso lembrar sempre disso. Um deslize cometido no presente, manchará nosso futuro e se tornará uma nódoa indelével em nosso passado. E arrepender-se não vai adiantar muito.
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Há algum tempo eu escrevi um post falando sobre viagens no tempo e desenvolvi uma hipótese onde afirmei que se uma pessoa entrasse em coma e depois de algum tempo despertasse, faria uma espécie de viagem no tempo. E que isso talvez trouxesse um certo choque cultural. Criei até uma historinha para exemplificar isso, onde um homem brasileiro entrou em coma em 1986 e despertou em 2006, no auge do “mensalão”, ao lado da esposa e do médico.
*
- Uhnn...Onde estou?
- Waldemar! Você acordou? Olha só, Dr. Duarte! O Waldemar acordou! Ô, meu querido! Você esteve em coma por 20 anos!
- 20 anos? Então já estamos no Século 21?
- Desde 2001, meu bem. Aliás, um ano bem complicado...
- Tivemos a nossa odisséia no espaço? O Brasil já foi ao Cosmos?
- Já, já...E o assunto já encheu o saco. Ninguém agüenta mais o astronauta de Bauru.
- O que? O Brasil mandou um astronauta de Bauru pro espaço? Uau! Deve ter custado muitos milhões de cruzados para...
- Reais.
- Hein?
- Reais. A nossa moeda é o Real. Não é mais Cruzado. Aliás, deixou de ser Cruzado, deixou de ser Cruzado Novo, deixou de ser Cruzeiro... e sei lá mais o quê. A moeda mudou tanto que nem lembro mais quais foram.


- O que você está me dizendo, Dirce... Quando eu apaguei o presidente era o bigodudo, o que fez o Plano Cruzado. Quem mudou pra Real?
- O topetudo. O Itamar Franco.
- Heim? O Itamar foi presidente depois do Zé Sarney?
- Não. Depois do Sarney veio o Fernando Collor...
- Collor? Ué! Não era aquele governador que caçava corrupto em Alagoas?
- Era. Virou presidente e foi impichado.
- Por que?
- Porque era corrupto.
- O que você está me dizendo, Dirce... Mas essa festa vai acabar quando o socialismo sair da União Soviética e chegar ao poder no resto do mundo. Aí essa...
- Waldemar, a União Soviética acabou. Não existe mais desde 1990. A Rússia, a China, a Cortina de Ferro, virou tudo capitalista, adorando a economia de mercado!
- Mas...mas...O que você está me dizendo, Dirce... E depois do Itamar? Quem foi presidente?
- Fernando Henrique Cardoso.
- Aquele sociólogo metido a besta? Meu Deus... Só rico vira presidente nesse país! Ah, mas um dia o PT vai chegar ao poder. Quando um trabalhador chegar na presidência esse país vai ter jeito, vai acabar a roubalheira...
- Er...Waldemar...
- ...Não, Dirce, eu tenho esperança de que um dia um companheiro chegará à presidência e aí os corruptos vão ver só...
- Waldemar...
- ...É isso aí, Dirce! Só o PT no poder para acabar com a bandalheira!...
- Doutor Duarte! Vamos fazer o seguinte? Bota ele em coma novamente!
*

Vamos supor que o Waldemar dessa história não acordasse em 2006 e sim hoje, julho de 2009. E alguém dissesse para ele que Lula tinha chegado à presidência. Certamente ele ficaria feliz. Mas e se lhe mostrassem essa foto aí ao lado, com a legenda: “Lula diz que o senador Collor tem sido um apoio para ele no Senado”. E que exibissem para ele um outro jornal, onde o mesmo Lula diz que o senador José Sarney – a quem ele muitas vezes chamou merecidamente de “ladrão, safado” - não é uma pessoa qualquer, é uma pessoa especial. O choque destas revelações não poderia ser fatal para o pobre doente?
*
É por isso que eu recomendo a todos: “Carpe Diem. Aproveitem o dia e a vida”. Escolham hoje o seu presente. O seu futuro e especialmente o seu passado, dependem disso. Para que haja antigas ternuras é preciso que seu presente seja igualmente terno. Seu passado começa hoje.
M.S.

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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “O Amor”, de Caetano Veloso e Ney Costa Santos com letra do sempre ótimo Vladimir Maiakovsky.

terça-feira, julho 14, 2009

Merci beaucoup e outras saliências


Deu com os costados por aqui a escritora francesa Catherine Millet, famosa por ter escrito o livro “A vida sexual de Catherine M.”, onde narra os muitos, e bota muitos nisso!, intercursos sexuais que teve com diversos homens anônimos ou não. Desta vez, ela veio ao Brasil para divulgar sua mais recente obra: “A outra vida de Catherine M.”
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A moça não é fraca, não... Pelo que descreveu no seu primeiro livro, ela botou a baratinha no espeto mais vezes e com mais pessoas que o número de parentes do Sarney empregados no Congresso.
Eu não li o livro. Meu tempo é precioso demais para gastá-lo com publicações de sacanagem. Mas o curioso é ver a crítica se referir a ela como intelectual respeitada. Dizem que é crítica de arte, especialista em arte renascentista. Mas ela não escreve sobre a simetria nas obras de Leonardo da Vinci, por exemplo. O negócio dela é outro. Se mostram um Picasso para ela, a moça mostra a “Gioconda” e ainda geme: “Boticelli! Boticelli!”
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Não sei exatamente o que a levou a escrever sobre sua intensa vida sexual. Nas suas entrevistas, ela despeja um monte de frases de efeito, do tipo: “todo livro é uma garrafa que o autor joga ao mar”; “escrevo para me livrar de mim mesma”; “escrever é partilhar significados”; “não sou devassa, apenas me dei liberdade sexual”...
Sei... Claro... Enquanto isso, ela aproveita para temperar o chouriço, martelar o bife, e botar a perereca para tomar leite de canudinho, e depois narrar, sem poupar os detalhes sórdidos, aos seus dois milhões de leitores taradões. (Não se choque, querido leitor, ela só faz, privadamente, o que os nossos bravos políticos fazem publicamente com o Orçamento do País e a nossa paciência há muito tempo, se é que vocês me entendem...)
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A Catherine me lembrou uma outra escritora, de nome Toni Bentley, também chegada numa saliência. Há alguns anos, quando esta lançou seu livro “A entrega – Memórias eróticas”, falando de sua “libertação física e espiritual encontrada por meio do sexo anal”, eu escrevi um post intitulado “Ela é muito metida”, comentando isso. Vejam só um trecho do meu texto:
Pela resenha, ela descreve o chouriço de seu parceiro – que ela chama de “Homem A” – como algo “definitivamente muito grande” (sic!).
Olha, pela foto dela de costas que está na matéria, com aquele corpitcho, algo me diz que ela extraiu as amígdalas num dos...hum...intercursos com seu parceiro. E no texto ela dá mostras de que encara de frente (quer dizer, de costas) a clava forte, não foge à luta e ainda vê o lábaro estrelado!

(quem quiser ler o post inteiro, basta clicar aqui)
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Não tenho como negar que tanto o livro da Catherine quanto o da Toni fariam a alegria de nós, adolescentes no tempo das antigas ternuras... Nossa! A gente espirrava hormônios pelos ouvidos só de ver os caprichados desenhos do Carlos Zéfiro nas famosas revistinhas de sacanagem. Imagina lendo uma descrição tão detalhada de um casal afogando a cobra caolha...(se é que vocês me entendem)
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No post que eu escrevi em 2005, eu me admirava de ter editora para este tipo de livro. Eu tinha acabado o mestrado e buscava publicar minha dissertação, sem no entanto conseguir alguma editora que se interessasse. O meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo”, que levei cinco anos escrevendo, pesquisando, entrevistando, refletindo que nem um alucinado, juntando informações sobre o Teatro do final do Século 19/início do 20 nunca reunidas numa publicação, também não despertou interesse editorial. Agora, o livro da tal que escova as tripas e o da outra que destronca o pescoço da girafa (se é que vocês me entendem...), ah, para esses sempre tem editoras interessadas e leitores mais ainda.
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No livro atual que a Catherine Millet está lançando no Brasil, ela conta que depois de combinar um casamento aberto com o marido e em seguida cair no mundo “dando um tapa na coelha” sem pena e sem dó com metade dos homens de Paris, quase morreu de ciúmes quando soube que o seu digníssimo esposo estava “botando o Jabaquara em campo” com uma e outra moça dadivosa. Vai entender esse povo! Disse Catherine que não soube se desvencilhar do sentimento de posse. Ou seja, ela não era de ninguém, mas ele tinha que ser só dela. Então tá combinado assim...
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E no mais, ela pode ter escrito um livro enorme sobre o ciúme, mas não acredito que ela tenha sequer chegado perto da concisão e brilhantismo de Roland Barthes em seu “Fragmento de um discurso amoroso”, que escreveu sobre o ciúme:
“Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo em sê-lo, porque temo que o meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum”
Bingo.
M.S.

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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Serge Gainsbourg & Jane Birkin, na famosa “Je t’aime... moi non plus”. Para fazer a moçada ir ao delírio (Se é que vocês me entendem...).

segunda-feira, julho 06, 2009

"Who is bad?"

(Video com 55 seg)

Na semana passada, eu escrevi um post sobre o assunto (que era) do momento: Michael Jackson. Infelizmente não pude postá-lo já que meu modem e minha linha de banda larga entraram em parafuso e eu fiquei dias sem internet. Não pude atualizar meu blog, nem visitar os blogs amigos.
Postar o meu texto agora já não faria mais sentido. O assunto está tão batido que ninguém mais tem paciência para ler mais uma opinião sobre o tal cara que nasceu preto, morreu branco e vai acabar virando cinza, como diz aquela piada que está rolando pela internet até hoje.
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Mas por outro lado, não posso deixar de falar de um artista que cresceu comigo (somos da mesma geração), cujas músicas dancei, tanto as do gênero mela-cueca, quanto as mais agitadinhas, e mesmo uma e outra de suas baladas me consolaram males de amor. Não, quer queira, quer não, Michael Jackson (na foto acima, como era e como seria se não tivesse feito tanta plástica) faz parte de minhas antigas ternuras e não posso deixar passar em branco (sem trocadilho) a oportunidade de escrever sobre sua importância na minha vida.
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No post que escrevi, eu contava sobre a primeira vez que eu o ouvi, falava dos desenhos animados do Jackson 5 que assistia nas tardes de TV, mencionava uma ou outra história desse tal "rei do pop", que desde muito já tinha virado uma espécie de personagem do seriado "Lost". Ou do "Arquivo X", sei lá... Previa que a família dele iria transformar o seu velório num circo, que o pai cafajeste iria procurar faturar algum com o evento (não deu outra!)...
Bem... Deixa pra lá. De qualquer forma, mantenho o que escrevi no final do post:
Descanse em paz, Michael. Contudo e apesar de tudo, você foi um dos maiores artistas do Século 20. Sua música, sua dança, sua arte, alegraram tantas pessoas em todos os países. E isso não é pouca coisa. Se você era boa ou má pessoa... Se você se envergonhava de sua cor, de sua raça... nem sei até que ponto a sociedade em que você viveu, que nós vivemos, que direta ou subliminarmente diz que “branco é bom, preto é ruim” tem responsabilidade nisso... Depois de tanta caridade que você fez, depois de tanta emoção, de tanta inspiração, nesse mundo tão louco e, onde como disse Caetano, “de perto, ninguém é normal”, repito suas palavras na canção "Bad", aquela que muito esquisitamente começa com a frase “Your butt is mine” (“Sua bunda é minha”. Êpa!):
“E o mundo inteiro tem que responder agora
Só para lhe dizer de novo,
Quem é mau?”
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Pois é. Who is bad?
Vejam este vídeo curtinho, só 1min e 8seg.

Quem ensinou a estas crianças que ser negro é uma coisa ruim? E se elas crescerem, se transformarem em pessoas bem sucedidas financeiramente e quiserem ficar "boas", fazendo plásticas, alisando o cabelo tóin-nhóin-nhóin e branqueando a pele? Michael Jackson é um excelente exemplo de alguém que fez muito bem à música negra e muito mal às lutas da raça negra. Em algum momento, ele foi como um destes meninos. Se fosse chamado para apontar o boneco "feio" certamente apontaria o mesmo que elas.
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No jogo semifinal da Taça Libertadores, parte da torcida do Grêmio gritava de forma ensandecida para o jogador Elicarlos, do Cruzeiro: “Macaco! Macaco!”. Tinha crianças naquele estádio. Inclusive crianças negras e elas certamente ouviram essa barbaridade.
Pois é. Todo mundo achando um absurdo a esquisitice daquele eterno menino talentoso de branquear a pele, atenuar as características da raça negróide, pagar a duas mulheres louras para gerarem filhos (estes três da foto acima) para ele com esperma de homens louros. Que doideira, Michael!
Então vemos um vídeo com essa experiência, cujo resultado é provavelmente fruto de anos de massacre de marketing subliminar, mostrando que ser branco é mais vantajoso.
E aí? Who is bad?
M.S.
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Da Série: “Esse povo não presta... Ô raça!” (piadinhas que circulam por aí...)
1) Michael Jackson morre e vai pro céu. Lá ele avista São Pedro e corre na direção dele, perguntando: “Cadê o Menino Jesus?”
2) Dentro do elevador cheio, entra um rapaz e encontra um conhecido.
- Ih, cara... Sabe quem acaba de morrer?
- Não.
- O Michael Jackson!
- Ele deve ter comido alguma criança estragada...
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Na TV Antigas Ternuras, você vê “I’ll be there”, com Michael cantando, em ótima montagem, com ele mesmo quando menino. E também um vídeo com uma interessante e apavorante experiência com crianças negras e dois bonecos.

quarta-feira, junho 24, 2009

Ritos de Partida


Entrou em cartaz, aqui no Rio, o filme “A Partida”, produção japonesa que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na última festa do careca dourado. Fui assisti-lo no final de semana passado e posso dizer, sem receio de errar, que dos 53 filmes que assisti em 2009, este é, até agora, o melhor. Mas não quero me deter na apreciação de seus méritos estéticos cinematográficos, isso eu vou deixar para a época em que eu atribuirei o Prêmio Pipoca Fumegante aos melhores filmes do ano que passou.
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Eu não me lembro de um filme que tenha me emocionado tanto nos últimos anos. Do que ele trata? No fichamento que faço de todas as obras cinematográficas que assisto em salas de cinemas, eu escrevi no “Resumo”: Violoncelista perde o emprego numa orquestra, por conta da crise, e resolve voltar para a sua cidade natal, onde consegue trabalho como agente funerário.

No Japão, antigamente, cabia aos familiares preparar o corpo dos entes queridos que tinham desencarnado. Hoje, já não fazem mais isso. Em cidades do interior, há agentes funerários que são contratados para aprontar, vestir, ataviar os que partiram. Eles fazem o trabalho com ritos cuidadosos, diante dos familiares. Nas grandes cidades, não tem disso, não. O procedimento é o mesmo do Ocidente. As funerárias cuidam dos preparativos longe dos olhos da família e imagino que o façam de forma absolutamente impessoal, totalmente profissional.
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Devo confessar que eu não tenho boa relação com a chamada “a mais indesejável das visitas”. Já tem bastante tempo que ninguém da minha família canta pra subir e eu acho ótimo que assim esteja sendo. Mas inevitavelmente vai chegar uma hora em que essa cômoda situação vai mudar...

Por minhas próprias convicções, creio ser a morte apenas uma passagem, uma mudança de estado. O padre Antonio Vieira, em seus famosos sermões, diz que somos como as folhas das árvores: “vivos, somos folhas em movimento; mortos, somos folhas paradas”. A nossa anima utiliza uma casca, um invólucro, para se manifestar neste mundo físico. Todavia, nós somos o sopro que “anima” estes receptáculos, estes corpos. Não somos os corpos, somos o que dá vida a eles. Mesmo assim, não é fácil nos desapegar desta matéria densa, daí o sofrimento de quem fica. E falo isso para os que crêem, como eu, na existência da alma. Para os que não creem, os que acham que “morreu, acabou”, a situação é bem pior, na minha opinião. O sentido de finitude deve exasperá-los, angustiá-los até mesmo sem eles perceberem.
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No filme, eu vejo aquele senhor e seu auxiliar despir, lavar, barbear os homens, maquiar as mulheres, penteá-los, vesti-los em gestos calmos, quase parecendo uma coreografia. Aliás, é uma coreografia. Só que eles não estão lidando com manequins. São pessoas muito amadas, que até bem pouco tempo estavam vivas, alertas, rindo, chorando, abraçando... A partida, de que fala o título do filme, pode ser vista como um momento temporário de despedida, como se aquele alguém fosse viajar. Para os que acreditam que tudo se encerra por aqui com a morte, bem, aí será um instante de despedida definitiva. Em qualquer das duas situações, a vida segue.
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No filme, há várias cenas que simbolizam este prosseguimento. Num determinado momento, o rapaz está angustiado por ter aceito aquele emprego que é visto pelas pessoas como “impuro”. Ele está debruçado numa ponte sobre um rio, onde ele percebe dois salmões fazendo enorme esforço para nadar contra a correnteza. Então vem descendo, pelo fluxo das águas, um salmão morto, provavelmente vencido pelo cansaço no seu afã de subir a corrente e desovar. E logo vem mais outro salmão morto e ambas carcaças passam pelos que nadam e isso não faz com que os peixes desistam de seu intento, ao contrário, nadam com mais força. Para eles, a vida segue.
Em outros momentos, após cenas em que mortos foram preparados, aparecem bandos de patos selvagens em voos graciosos, ou cerejeiras primaveris balançando ao vento, soltando suas belas e perfumadas flores. Definitivamente, a vida segue.
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Mas o que me emocionou no filme, a ponto de fazer com que eu escrevesse estas mal tecladas linhas? Ver aqueles ritos de partida, preparando entes queridos para o “até breve”? Constatar que a morte pode ser uma derradeira oportunidade para acertos de contas, arrependimentos e remorsos vãos?
Talvez...
Contudo acredito que o fato de se aproximar mais um aniversário de morte de meu velho pai – no próximo dia 28 de junho - fez com que mexesse comigo. Há no filme uma cena linda, em que o pai do rapaz explica a ele o que é uma “carta-pedra”. Ele o levou para um riacho cheio de pequenos seixos (onde o rapaz levaria a esposa, anos depois) e pediu que escolhesse um que simbolizasse o seu estado de espírito. O menino pegou uma linda pedrinha branca e lisa e a deu ao pai. E recebeu deste um pedregulho disforme, grande, escuro. O menino só entenderia o significado disso bem mais tarde.
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Eu não troquei nenhuma “carta-pedra” com meu pai. Nossa despedida se fez por uma troca de olhares e de tímidos sorrisos entre nós, antes dele entrar no carro que o conduziu ao hospital, onde faleceria.
Se eu soubesse que era nosso último momento, teria corrido até ele, e o abraçado com força, e dito a ele que nunca o esqueceria, que sentiria muito a sua falta por toda a minha vida e, meu Deus, por que eu não fiz isso? Por que perdi esta oportunidade de deixar esta carta-pedra com ele, para que ele a tivesse diante dos olhos quando os fechou pela última vez?
Amigos amados, não percam a oportunidade de dar cartas-pedra aos seus entes queridos, façam seus ritos de partida enquanto eles estão vivos. A vida segue e sempre seguirá. A saudade dos que se foram, nunca, nunca vai acabar.
M.S.
(Para ver o trailer do filme A Partida, com 1min 52seg de duração, clique no botão com “X” no alto, na barra de ferramentas, interrompendo a música de fundo)

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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Joe Hisaishi, autor da lindíssima trilha sonora do filme, da qual escolhi esta: “Okuribito – Memory”
Na TV Antigas Ternuras você vê o trailler de “A Partida”.

segunda-feira, junho 15, 2009

Dom Cascão


Quando ouvíamos as fábulas e contos da carochinha, sempre imaginávamos aqueles reis, rainhas, príncipes e princesas como seres quase angelicais, criaturas sem nenhuma ligação com quaisquer tipos de secreções e tão limpas e asseadas que só precisavam se banhar na luz do sol ou da lua. Ou alguém aí imagina, por exemplo, a Branca de Neve pedindo licença para ir ao banheiro descarregar um barroso? Ou quando o Príncipe Encantado veio beijar a Bela Adormecida, cuspiu pro lado, exclamando: “Cáspite! Que bafo podre de gambá!”
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Com isso, de certa forma, vemos reis e rainhas de carne e osso como que imunes a uma caganeira plebéia, ou incapazes de liberar um inocente punzinho, daqueles que nem fedem, nem fazem barulho. Pois é. Ao longo da História, sabemos que a moçada real não era chegada sequer a um banho diário, a escovar os dentinhos, ou mesmo a trocar de roupa constantemente por uma peça limpa.
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Claro que as histórias de D. João VI volta e meia vem à baila, aquele negócio de guardar coxinha de galinha nos bolsos, tomar banho só quando a fedentina atraía uma revoada de urubus para a janela de seu quarto... Mas acreditem: ele não era o único Dom Cascão da História.
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Os países europeus, por ficarem em boa parte na zona temperada do hemisfério norte, tendo invernos mais prolongados e rigorosos, já desestimulavam o banho dos que lá viviam. Aliás, vivem. Experimentem entrar num vagão de metrô de Paris durante o inverno para vocês saberem o que é conviver ali pertinho com a carniça, o futum e a inhaca de bode.
O caso é cultural e vem de longe. Acreditem se quiserem: houve época em que os médicos desaconselhavam o banho constante. Segundo os sábios doutores, quando a pessoa se banhava, abria os poros para germes que estavam no ar, infectando a população. O certo era manter uma crosta de caraca protegendo a epiderme, e uma boa camada de limo sobre os dentes, “defendendo” o esmalte de micróbios e coisas desagradáveis à saúde. O bafo de onça, o cecê, o chulé e, no caso das mulheres, o delicioso aroma de bacalhau vindo de partes remotas da sua anatomia, eram apenas um sub-produto daqueles hábitos profiláticos.
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O negócio era tão sério que o médicos proibiam os reis, príncipes e nobres de receberem quem quer que fosse em audiência, até cinco dias depois deles terem tomado o banho periódico (entre um banho e outro podia levar uns seis meses!). E se uma pessoa tinha tomado seu banho, lavado o corpinho, também ficava proibido de ir ao encontro do papa, do bispo, do rei, da rainha ou assemelhados. A explicação era a seguinte: se uma pessoa ficava desprotegida quando tomava banho, logo ela seria presa fácil para micróbios e poderia sair passando-os por aí. Como volta e meia a Europa era assolada pela Peste Negra (que nada mais era que a Peste Bubônica, da pulga dos ratos que infestavam as cidades imundas, sem coleta de lixo, sem saneamento básico), eles diziam que todo cuidado era pouco.
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Hollywood nos acostumou a ver reis e principados vestidos de ouro e prata, e seda e finos panos do Oriente. Na verdade, eles não andavam assim. Só em ocasiões festivas. Na maior parte do tempo, andavam com roupas comuns, que nem sempre tiravam. O rei James I, da Inglaterra, usava uma veste onde, segundo Bill Bryson, se “era possível identificar todas as suas refeições desde que se tornara rei pelas manchas e respingos de molho”. Diz Bryson também que sua única concessão à higiene era mergulhar de vez em quando a ponta dos dedos numa terrina d’água. Sua antecessora, a rainha Elizabeth I, ostentava sua derrocada bucal, com dentes enegrecidos, ou pelo menos os poucos que lhes sobraram. No mais, vestia roupas gastas e imundas pelo uso constante.
Entre os papas a situação não era diferente. Eles só viam água quando se benziam na bacia de água benta.
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Não sei se vocês sabiam, mas não existia banheiros ou quartos de banho nos palácios (e casas) de antigamente. Se no meio da madrugada alguém sentisse uma irresistível vontade de liberar um “número 2”, o que se fazia era puxar um penico debaixo da cama e largar brasa! Uma vez depositado no fundo do canecão o “rabo de macaco” ou, no caso de diarréia, o material do tipo "nem vem de garfo porque hoje é sopa", devolvia-se o artefato para o lugar de origem e continuava-se a dormir naquele quarto “agradavelmente” aromatizado com o odor do “biscoito quentinho”. Sim, ali pousavam moscas, passavam formigas (um dos bichos mais imundos que convivem com o homem...), baratas, que provavelmente, desfilavam solertes pelos rostos e alimentos da casa. Entendeu por que a mortalidade por doenças era altíssima naquela época?
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A jovem cheirosa que me lê poderia perguntar: “mas e quando os reis e rainhas brincavam de fazer neném, será que eles se lavavam depois?” Dificilmente, querida e vaporosa amiga. Reis não dormiam no mesmo quarto das rainhas (aquela velha história da privacidade...) e quando eles desejavam colocar o real caneloni para gratinar no forno de sua consorte, após o evento, não tinha essa de ficar abraçadinho, fazendo carinhos e cafunés. Um dos dois se levantava e ia para seu quarto dormir, sem lavar nem o parafuso, nem a arruela, se é que vocês me entendem...
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Portanto, meu caro leitor, quando você ver aquele desenho da Disney, ou aquele épico com atores lindos, limpos e maravilhosos fazendo papel de reis e príncipes, saiba que sim, há algo de podre do Reino da Dinamarca. E nos outros reinos também.
M.S.

(O que você acha que aconteceu nesta cena? Liberação de gases nobres? Quem está com a mão amarela? A rainha? O príncipe Phillip (meu principal suspeito)? Cadê alguém do cermimonial para dizer ao príncipe Henry: "Ô moleque... Cheira tua parte aí e fica na tua!...")
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “A Ciranda da Bailarina”, de Chico Buarque e Edu Lobo, com Adriana Calcanhoto.