terça-feira, dezembro 23, 2008

Aos meus amigos


(Clique neste filme e leia o texto ao som desta maravilhosa música)

Mais um Natal... Mais um ano que passa...
E aí a gente olha para trás e vê o quanto realizou neste 2008 em reta final. Eu não posso me queixar. Foi um ano de ótimas realizações. Alguns sustos, mas chegamos na reta final sãos e salvos, eu e minha família.
Sei que alguns dos que me lêem não podem dizer o mesmo. O trem da vida parou em algumas estações e pessoas queridas desembarcaram. Em compensação, outras subiram a bordo no vagão e foi tão bom recebê-las! Alguns amigos entram na nossa vida como um presente de Deus.
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Na tradição cristã, os reis Magos levaram ouro, incenso e mirra para comemorarem o nascimento do Salvador do Mundo. Na simbologia histórica, tem-se ali um presente para um rei terreno (ouro), um que o liga à espiritualidade (incenso) e ainda um terceiro que traz a idéia de imortalidade (mirra).
Nossos presentes de Natal não tem estas significações. Trazem em si apenas gestos de carinho para com o presenteado.
Se eu pudesse, daria um presente para cada um de meus amigos blogueiros. Como operacionalmente isso é difícil, quero dar-lhes um presente simbólico.
Este blog pretende trazer para olhos, corações e mentes lembranças bonitas, momentos vividos que não podem nem devem ser esquecidos.
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E é este o meu presente para vocês.
Que na noite em que grande parte da humanidade se reúne em uma noite feliz, noite de paz, como diz a canção, eu dou a cada um de vocês um pensamento feliz. Uma lembrança que lhes faça sorrir o coração. Cada um de vocês tem um Natal especial, um momento alegre que viveu em algum dia, em algum lugar no passado.
Que cada um reviva aquela sensação de felicidade e retribua enviando um pensamento feliz para um amigo, um familiar, alguém a quem queira bem.
Certa vez, quando eu era criança, eu não estava esperando receber a bola de futebol que tinha pedido secretamente a Papai Noel. Eis que na Noite de Natal, alguém me presenteou com exatamente aquilo que eu desejava. Eu fiquei tão feliz! Foi uma sensação inesquecível. Se eu pudesse, captaria aquela sensação, a colocaria num frasco especial e a presentearia a todos os meus amigos queridos. Quando eles abrissem o frasco, sentiriam aquele mesmo prazer que senti e experimentariam um momento de extrema felicidade.
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Eu desejo a todos vocês que na hora da ceia, olhem em volta e celebrem a presença de pessoas amadas que os cerquem. E não se esqueçam de pensar nos que não estão ali, com vocês. Esse momento será de extrema ternura. Uma ternura presente que lhes será, para todo o sempre, uma eterna ternura...
Que o Deus que é de todos, até dos que nEle não crêem, esteja com todos vocês.
Paz e prosperidade.
M.S.
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Queridos amigos: nesta última semana do ano até a primeira semana de 2009 este blog estará em recesso. E o blogueiro que humildemente lhe conduz também. Até a volta! Feliz Ano Novo.
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Na TV Antigas Ternuras, você vê um clip com trechos de vários filmes antigos sobre o Natal, ao som de “Have Yourself a Merry Little Christmas”, cantado por ninguém menos que Frank Sinatra.
Eis a tradução da letra:
“Tenha um feliz Natalzinho,
Deixe que seu coração se ilumine.
De agora em diante, nossos problemas ficarão fora de nossas vistas.
Tenha um feliz Natalzinho,
Deixe a época natalina feliz.
De agora em diante, nossos problemas estarão bem longe.
Aqui estamos nós, como nos velhos tempos,
Felizes e dourados dias que se foram.
Velhos amigos que nos são tão queridos,
Reunidos junto a nós
Uma vez mais.
Ao longo dos anos, todos temos estado juntos,
Que o Céu assim permita.
Pendure uma estrela brilhante sobre o galho mais alto
E tenha um feliz Natalzinho agora.”

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Boas Festas


Vem chegando o Natal. E se aproxima também o Chanuka (lê-se: “Ranucá”) judaico. As duas festas são comemoradas mais ou menos na mesma época, trocam-se presentes em ambas, mas uma nada tem a ver com a outra. Decidi escrever algumas coisinhas sobre a origem destas duas boas festas. Começarei pelo Chanuka.
Os que visitam regularmente este blog sabem que estou atuando no espetáculo “Anne Frank – O Musical”, que conta a famosa história que tem encantado milhões de pessoas pelo mundo desde 1947.

Pois é. Por estar bastante envolvido com essa produção, quem me conhece sabe que adoro pesquisar, estudar, investigar assuntos que me parecem ser interessantes. Especialmente se forem ligados à História. Tem uma cena na peça em que fala da festa das luzes, o Chanuka. Fui estudar o assunto.
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Tudo começou por volta do ano de 160 a.C, quando os selêucidas ocupavam a terra de Israel. Os selêucidas eram um povo euro-asiático, dominado por Alexandre, o Grande, em sua expansão para o Oriente, constituindo parte do extenso império macedônio. Com a morte de Alexandre, que não deixou filhos (o que consta é que o rapaz era um bravo soldado, mas gostava mesmo era de colocar um barbado na sua cama; ou seja, aquele pitbull era Lassie, aquela Coca-Cola era Fanta...), seus generais macedônios retalharam e dividiram entre si o vasto império alexandrino.

Coube ao general Selêuco aquela região do Oriente Médio que hoje é calma, serena e tranqüila (Síria, Israel, Líbano, Palestina, Jordânia...). Seus descendentes se sucederam no governo da região, instituindo uma monarquia ligada culturalmente à Grécia clássica. Pois é. Naquela região, todo mundo cultuava os deuses gregos. Menos os judeus. Um certo dia, no Século II a.C, o então rei Antíoco IV (esse aí de cima) se empombou e resolveu que todo mundo teria a mesma religião e hábitos culturais. Invadiu o templo de Jerusalém, colocou uma estátua de Zeus lá e obrigou os judeus a prestarem culto a ela. Obviamente, os judeus se negaram. E muitos foram perseguidos e mortos por conta disso. Até que se rebelaram, e, comandados por Macabeus, venceram os selêucidas, retomando terras e o templo.
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Seria preciso, pois, purificar o templo que havia sido conspurcado. E purificação se faz com fogo. Seria necessário acender o candeeiro sagrado, para com a chama de sua luz, purificar o templo. Acontece que o candeeiro só podia ser aceso com um óleo especial, que levava oito dias para ser elaborado e purificado. Quando os judeus foram verificar no templo, só tinha um tiquinho de nada deste óleo. Seria preciso fazer mais, o que tinha disponível não daria nem para um dia. O rabino ordenou que o candeeiro fosse aceso assim mesmo, até o óleo acabar. Enquanto isso, eles produziriam mais.
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Foi quando um milagre aconteceu. Aquele pouquinho de óleo manteve o candeeiro aceso por oito dias, até que mais do combustível especial estivesse produzido. Para relembrar este milagre, instituíram a festa de Chanuka, a festa das luzes. Durante oito dias, assim que aparecesse a primeira estrela no céu, uma das oito velas da chanukia (aquele candelabro de nove velas, que é um dos símbolos de Israel) seria acesa, progressivamente, até que todas estivessem acesas. A vela do meio é utilizada para acender as outras, sempre da direita para a esquerda. O candelabro (hanukiá) deve ser colocado numa parte visível da casa. Durante a cerimônia, se entoam cânticos e pedidos de bênçãos. Trocam-se presentes no último dia de Chanuká. Há quem dê dinheiro para as crianças.
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Bem, nós, cristãos, temos o Natal. Que é uma espécie de celebração pelo aniversário de Jesus. E aí começam as questões complicadas. Jesus nunca pediu que celebrassem o seu nascimento. Ele pediu para ser lembrado, não uma vez por ano, alimentando o comércio local, mas todas as vezes que comermos pão e bebermos vinho cerimonialmente. Mas vamos pular esta parte.
Resta saber a resposta para a pergunta que não quer calar: quando nasceu Jesus?
Certamente não foi no dia 25 de dezembro, nem foi no ano 1 da era Cristã. Mas então, pelas barbas do profeta, quando foi que o Salvador nasceu?
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Consultemos a Bíblia (mesmo porque, infelizmente não temos nenhum cartório para verificar a certidão de nascimento...). No Evangelho de Lucas, diz que: “Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão, e se chamava Isabel (Lucas Cap.1, vers. 5). Mais adiante, o evangelista revela que Isabel, mulher de Zacarias, concebeu João Batista. Lá no versículo 26, deste mesmo capítulo, diz que um anjo apareceu para Maria, falando que a prima dela, Isabel, já estava no sexto mês de gravidez, e que ela, Maria, a partir daquele momento estaria também ligeiramente grávida. O que significa dizer que se nem João Batista nem Jesus foram prematuros, a diferença de nascimento entre eles é de seis meses, mais ou menos. Ora, se João foi concebido "no turno de Abias" (que corresponde a mais ou menos os meses de junho/julho de nosso calendário gregoriano) e Jesus seis meses depois, significa que o nosso Cristo foi concebido entre dezembro/janeiro (talvez até em plena comemoração Chanuka, olhem só). Com isso, João Batista nasceu em março/abril e o nosso Messias em setembro/outubro. Quem sabe Cristo era do signo de Virgem, que nem eu! ( o que seria curioso, visto que a mitologia católica atribui eterna virgindade à Maria, sua mãe).
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Mas, e o ano? Não foi no ano 1 (lembrem-se: não existe Ano Zero)?
Não, com certeza, não foi. Voltemos lá, naquele versículo de Lucas, o que diz que estavam "nos dias de Herodes". Esse Herodes aí é o chamado "Herodes, o grande", aquele que mandou matar as criancinhas, e que comprovadamente morreu no ano de 4 a.C. O que se estima é que Cristo nasceu no ano 6 antes de Cristo (olha que loucura!). Mas quem é o responsável por essa lambança? Foi um monge trapalhão Dionysyus Exiguus, do Século VI da Era Cristã, que errou os cálculos e instituiu o calendário começando o ano um seis anos depois (para corroborar isso, astrônomos usando computador, chegaram a conclusão que um cometa com características da estrela de Belém, cruzou os céus da Judéia no ano 6 a.C.). Agora não dá mais para consertar.
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Aliás, foi esse frade lambão que instituiu o 25 de dezembro como data de nascimento de Cristo. Por que ele fez isso? Porque a Igreja Católica já começava a predominar no mundo e queria dar um chega-pra lá nas seitas pagãs que ainda proliferavam naquela época. Nas comemorações pagãs romanas, o 25 de dezembro era o tempo da festa Saturnal, e rolavam altas orgias, com direito a bebidas, mulher pelada, anões besuntados com geléia de framboesa, sexo livre e coisarada. Fazia um sucesso! Pois é. Daí, provavelmente escolheram esta data para acabar com a alegria dos safadinhos e dar um senso religioso àquela sacanagem toda.
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Quando o primeiro Natal foi comemorado? Já li em fontes sérias que foi por volta do ano 440, ou com quase certeza em meados do Século V. O que não explica o fato dos Flintstones, uma família da Idade da Pedra, comemorarem o Natal, se Jesus não era nascido naquele tempo.
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Bem, amigos do Antigas Ternuras. Está aí a origem de duas boas festas que fazem o maior sucesso neste mês de dezembro. Faltou eu falar que provavelmente Jesus não nasceu em Belém, não foi numa caverna ou num estábulo, os três Reis Magos não eram nem três, nem reis, nem magos, que Cristo tinha irmãos e... bem, este post já está bastante polêmico. Vamos fechar a conta só com o que apresentei aqui, que já está muito bom...
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Secret Garden tocando “Ilumination”.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Já está em cartaz "Anne Frank - O Musical"


Bem, amigos do Antigas Ternuras... A minha peça estreou!
E com as graças de Deus tem agradado bastante. Tivemos casa cheia em todos os dias.
Conforme esclareci no post abaixo, o espetáculo fica em cartaz até 21 de dezembro, com entrada franca (as senhas começam a ser distribuídas com uma hora de antecedência).
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Nossa estréia foi apoteótica. Tivemos pessoas da comunidade judaica se emocionando, inclusive esteve presente o senhor Aleksander Laks, que é um sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz e participou da Marcha da Morte, quando os nazistas retiraram daquele campo de concentração os prisioneiros saudáveis, obrigando-os a caminharem centenas de quilômetros, fugindo do avanço dos Aliados. O senhor Laks, para minha alegria e honra, quis falar comigo e elogiar o meu trabalho. Fiquei comovido com aquele velhinho, andando com dificuldade, sob o peso da idade, vindo conversar comigo para dizer que gostou do que representei.
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Durante um de nossos ensaios, eu pedi a uma colega de elenco que gravasse duas de minhas cenas. Ela o fez. Só que o diretor a chamou para assistir ao ensaio ao lado dele, pois ele queria que ela anotasse algumas coisas. Daí ela saiu da frente do palco, onde estava para o meio do Teatro. As cenas foram gravadas de muito longe. Acho que não terei outra chance de gravar parte do espetáculo (o Teatro não permite gravações). De qualquer forma, dá para vocês terem uma idéia do cenário e do que fazemos. Era só ensaio. Agora que a peça está pronta, nós a representamos de forma melhor ainda.
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(vídeo com 1min36seg)

A primeira cena mostra um trecho da canção “My Wife”, onde aparecem num canto o Sr. e a Sra. Van Daan discutindo porque ele queria vender o casaco de pele dela para comprarem comida. Dussel (meu personagem) e Otto Frank estão sentados na mesa assistindo e depois dividem os vocais da segunda parte da música em que cada um fala de sua esposa (eu canto a maior parte): Lotjie, do Dussel, e Edith, de Otto Frank.
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(vídeo com 2min 18seg)

Na segunda cena, após uma discussão entre alguns dos escondidos no Anexo Secreto, Margot Frank diz que está com fome. No fim do confinamento deles, eles já não tinham mais dinheiro e quase mais nada para vender. Os dois casais entregam suas alianças de casamento para Miep e Kraler levarem. Todos esperam algum gesto de Dussel, que reluta em entregar o seu relógio de ouro, presente de sua noiva. Pena que a gravação tenha sido de tão longe. É uma cena de carga dramática fortíssima.
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O convite está mantido para os amigos blogueiros que moram no Rio ou que por aqui passem até o dia 21 de dezembro. Depois, não há previsão de o espetáculo prosseguir. A produção está tentando, mas...
M.S.
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Na TV Antigas Ternuras, você vê uma montagem que as meninas do elenco fizeram com músicas da peça e algumas fotos. E também duas cenas de ensaios da peça.

sábado, novembro 29, 2008

Anne Frank


Gostaria de convidar os meus diletos e caríssimos amigos especialmente os que moram no Rio de Janeiro, é claro, para que assistam ao espetáculo “Anne Frank – O Musical”, em que atuo. A peça estará em cartaz no mês de dezembro, de sexta a domingo, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro).
O elenco é formado pelo grupo “Amigos de Anne”, basicamente formado por jovens e adultos de origem judaica, com eventuais convidados não-judeus (eu, por exemplo).
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O espetáculo é a versão musicada do livro (e peça e filme) “O Diário de Anne Frank” (também denominado “Anne Frank – O diário de uma jovem”). Este musical, originalmente com o nome de “Yours Anne”, foi apresentado na Broadway e na Europa sempre com enorme sucesso e é inédito no Brasil.
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Imagino que muita gente deve ter lido o livro ou assistido ao filme dirigido por George Stevens, de 1959, que foi indicado para oito Oscars, tendo vencido em três categorias. De qualquer forma, falarei um pouco sobre a história.
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Quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, em 1933, e deixou claro que perseguiria os judeus, Otto Frank pegou sua família e se mudou para Amsterdam, na Holanda, imaginando que estaria a salvo. Lá, ele estabelece uma fábrica de condimentos para a fabricação de geléias. Com a II Guerra Mundial, os nazistas invadiram os Países Baixos, em 1940, ocupando a região e expandindo a sua política anti-semita. Em 1942, pouco depois do aniversário de 13 anos de sua filha mais nova, Annelise Marie, Otto Frank decide se esconder com sua esposa e filhas e mais alguns amigos – a Família van Pels – no sótão de sua fábrica, transformado num esconderijo ou Anexo Secreto. Alguns meses depois, eles receberam mais um refugiado judeu, o dentista Fritz Pfeffer, que foi indicado para se ocultar naquele refúgio oculto.
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De junho de 1942 a agosto de 1944 eles permaneceriam ali, sem poder fazer barulho, falando o mínimo possível para não despertar as suspeitas dos funcionários da fábrica que não sabiam que o seu patrão estava escondido no sótão (veja na foto ao lado a entrada secreta para o esconderijo). Durante todo este tempo, Anne Frank escrevia em seu diário, descrevendo como era a vida ali, no Anexo Secreto. Como pretendia publicar os seus escritos depois da guerra, resolveu trocar o nome da maioria dos judeus ali escondidos e também de boa parte dos ajudantes que forneciam o suporte necessário para queles conseguissem sobreviver ali. Nas páginas do diário, os van Pels viraram “van Daan” e Fritz Pfeffer se transformou em “Albert Dussel”. Em agosto de 1944, bem próximo do momento em que os Aliados expulsariam os nazistas da Holanda, alguém denunciou os judeus escondidos. Eles foram presos e remetidos ao campo de concentração de Auschwitz. Lá, homens foram separados das mulheres.

Família Frank

Entrada para o campo de concentração de Auschwitz
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Posteriormente, Anne e sua irmã Margot foram enviadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, onde morreram de tifo três semanas antes do campo ser libertado, em março de 1945. Edith Frank, a mãe, morreu de fome e exaustão em Auschwitz. Albert Dussel ou Fritz Pfeffer morreu em dezembro de 1944, no campo de concentração de Neuengamme, na Alemanha; Herman van Pels (ou van Daan, no diário) morreu na câmara de gás, pouco antes delas serem desativadas.

Sua esposa, Auguste van Pels, faleceu no campo de Theresienstadt, na República Tcheca. O filho deles, Peter, participou da “Marcha da Morte”, viagem forçada a pé, entre Auschwitz e Mounthausen e morreu pouco antes do campo ser libertado pelos Aliados. Dos oito do Anexo Secreto só Otto Frank sobreviveu a Auschwitz. Com o fim da guerra, em 1945, retornou a Amsterdam tentando descobrir se suas filhas ainda estavam vivas. Quando soube que tinham morrido, recebeu de Miep Gies, um dos anjos protetores dos judeus escondidos no Anexo, o diário de Anne Frank. Em 1947, ele o publica e em algum tempo depois, o livro se torna um sucesso mundial. É um dos livros de não-ficção mais lidos no mundo, sendo traduzido para 67 idiomas.

Vagão que transportava cerca de 80 judeus para os campos de concentração

Judeus prisioneiros no campo de concentração de Bergen Belsen

Memorial de Anne e Margot Frank, em Bergen Belsen
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Para mim, foi uma enorme honra ter sido convidado para fazer parte deste projeto. O meu personagem é o dentista Fritz Pfeffer, que no livro é chamado por Anne de “Albert Dussel”. A peça o apresenta a partir do ponto de vista de uma adolescente, com quem ele dividia o quarto. Os dois viviam se bicando.

Mas, lendo sobre este dentista, descobri que era uma pessoa afável, apaixonadíssimo por sua companheira Charlotte (era católica e Hitler tinha proibido o casamento entre judeus com não-judeus; todavia, ela se casaria com Pfeffer, em 1952, mesmo após transcorridos oito anos da morte do dentista, em cerimônia simbólica. Bonito isso, não é?), enfim, um bom sujeito.

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Como bem é de meu feitio, tão logo entrei no projeto comecei a pesquisar enlouquecidamente sobre Anne Frank e os escondidos no Anexo Secreto. Com tanta pesquisa, acabei virando uma espécie de “consultor” do diretor da peça, Isaac Bernat e dos demais companheiros de elenco. No início de novembro, fomos convidados a fazer uma apresentação de algumas músicas da peça numa cerimônia sobre o Holocausto. Eu e Rodrigo Amém, um outro rapaz do elenco, fomos escolhidos como “mestres de cerimônia” e a mim coube dar as explicações de cunho histórico (por que será?...). Descobri tanta coisa sobre a cultura judaica que fico mais e mais interessado em me aprofundar nos estudos.
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Como vocês puderam observar na foto do elenco, a maioria é de jovens (o elenco feminino tem titulares e substitutas). Boa parte deles não tem experiência. Ator profissional mesmo, só eu. Há duas cantoras líricas do Coro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A peça terá três músicos. Posso garantir a vocês que as músicas são belíssimas, o espetáculo é tocante. Até a gente que faz a peça se emociona, imagina quem assiste. Já teve gente chorando só de ver os ensaios!
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Fica então a recomendação aos queridos amigos que desejem me dar o prazer e a honra de assistir a este meu trabalho. Estreamos no dia 5 de dezembro (sexta-feira) e ficaremos em cartaz até o dia 21 (domingo, antes do Natal). Sextas e sábados, às 19h30min; domingos às 18h. A entrada é franca, com retirada de senhas a partir de uma hora antes do início da peça.
Shalom!



Eu, como Dussel, entre os personagens Kraler e Miep

Eu, como Dussel, e Anne Frank
(vejam um trailer da peça “Yours Anne” apresentada nos EUA. As músicas são as mesmas que cantamos no nosso espetáculo, só que as interpretamos em português, é claro. E obviamente não temos nem de longe a mesma disponibilidade de recursos de produção que eles tiveram. Mas mesmo assim nosso espetáculo é feito com muita dignidade)
M.S.

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Na TV Antigas Ternuras, você vê o trailer do musical “Yours Anne”, feito por estudantes de uma escola de Teatro de San Diego, na Califórnia.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Coisas de meu tempo e de outros tempos


Ultimamente, com o intuito de comprar coisas para cenário e figurino da peça que estou ensaiando, tenho ido muito na Feira de Antigüidades da Praça 15, que acontece aos sábados, aqui no Rio de Janeiro. Antigamente chamavam lugares assim de “Mercado de Pulgas”. Provavelmente pela quantidade desses parasitas que vinham de brinde ao se adquirir algum produto por lá. Existe um famoso mercado de velharias, em Londres, em Portobello Road, que inclusive já serviu de locação em alguns filmes. Lá é possível comprar (e vender) qualquer tranqueira útil ou inutilmente charmosa. E com direito a pulgas inglesas legítimas!
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Mas o daqui do Rio é um programa absolutamente imperdível. Para produtores de Teatro, Cinema e TV é local que não se deve deixar de ir quando se procura objetos cênicos. Quase tudo o que eu estava precisando para compor meu personagem e até de outros eu consegui lá: caneta tinteiro, aparelho de barba Gillete Azul, copo de estanho, maleta de médico, instrumentos de dentista, relógio de bolso... e vai por aí a fora.
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Mas independente do que fui buscar especificamente, achei uma infinidade de coisas, de pequenas e antigas ternuras, que me fizeram ganhar o dia. Vejam, por exemplo, este Topo Gigio aí do lado. Minha irmã ganhou um igual a este quando era criança (isso em mil, novecentos e não vem ao caso...). Se ainda tivesse o seu, poderia tê-lo passado para o seu filho mais velho ou para sua filha menor. Sabe lá Jeová onde o bonequinho dela foi parar, depois das mudanças de casa que fizemos. Esse ratinho italiano, criado em 1958, fez muito sucesso aqui no Brasil, no final dos anos 60. Até virou presente de Natal para minha irmã.
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Agora, vejam esta garrafa de Crush. Quem, como eu, tem mais de trinta e quinze anos (prefiro dizer assim a falar “45”), deve lembrar perfeitamente deste refrigerante sabor laranja, surgido no Brasil antes da Fanta. Era uma delícia! Quer dizer, era um xarope cheio de corante, gás carbônico que de laranja só devia ter a cor. Mas que era bom, ah isso era! E ver uma garrafa dessas, do meu tempo de criança, com chapinha e tudo (depois dessa, lançaram uma outra embalagem em vidro transparente, com logomarca em branco e verde), eita coisa boa! Ah, os tempos em que eu vendia gibi com meus amigos e comprávamos um Crush e uma garrafa de água mineral com gás, misturávamos os dois para render, já que não tínhamos dinheiro para mais de um refrigerante...
Em casa, tomávamos Coca-Cola tamanho Família, mas só aos domingos. Durante os outros dias, minha mãe não comprava e não gostava que nós tomássemos este doce veneno.
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Lá na feira, a gente anda mais um pouco e se depara com algo que nos faz verter uma furtiva lágrima. Vejam este acordeão. Meu tio Sergio e meus primos tocavam num parecido com este, só que da marca Scandalli. Nos tempos das antigas ternuras, quando íamos visitá-los para almoçar com eles, na parte da tarde, tinha seratas musicais, onde eles tocavam piano e acordeão. Naquele tempo, era muito comum famílias terem um filho ou filha tocador de piano e/ou acordeão. E tome “Cielito Lindo”, “Beijinho doce”, “Asa Branca”...
Eu bem que sentia uma ponta de inveja de meus primos por saberem tocar um instrumento musical... Mas, estou bem certo, não teria paciência para ter aulas de música. O ideal seria fazerem um download na minha cabeça para eu sair tocando.
(Reparem que na parte de baixo da foto aparecem dois rótulos antigos de cerveja Brahma, pois são do meu tempo, vejam vocês...Acreditam agora que eu pisei na lama do Dilúvio?)
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Lá na feira eu vi coisas maravilhosas, fotografei algumas e até pretendo escrever sobre elas aqui e no Playground dos Dinossauros. Comprei gibis da EBAL dos anos 60 (Calma! Ainda vou escrever sobre eles!), DVD do Vigilante Rodoviário (depois eu conto!, depois eu conto!) e otras cositas más.
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Se o que eu trouxe tinha pulgas? Quero crer que não. Mas cada objeto que adquiri me inoculou de uma coisa muito prazerosa chamada “saudade”.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve The Archies cantando “Sugar Sugar”. Quem lembra dessa? Pois é. Numa das bancas da feira de antiguidades tinha uma vitrolinha tocando este compacto simples...

sábado, novembro 15, 2008

É preciso saber viver


Dia desses eu recebi pela internet uma mensagem com os dizeres:
“20 dicas para o sucesso
1 – Elogie três pessoas por dia
2 – Tenha um aperto de mão firme
3 – Olhe as pessoas nos olhos
4 – Gaste menos do que ganha
5 – Saiba perdoar a si e aos outros
6 – Trate os outros como gostaria de ser tratado
7 – Faça novos amigos
8 – Saiba guardar segredos

9 – Não adie uma alegria
10 – Surpreenda aquele que você ama com presentes inesperados
11 – Sorria
12 – Aceite uma mão estendida
13 – Pague suas contas em dia
14 – Não reze para pedir coisas. Reze para pedir sabedoria e coragem
15 – Dê às pessoas uma segunda chance
16 – Não tome nenhuma decisão quando estiver cansado ou nervoso
17 – Respeite todas as coisas vivas, especialmente as indefesas
18 – Dê o melhor de si no seu trabalho. Tenha prazer em fazer bem feito
19 – Seja humilde, principalmente nas vitórias
20 – Jamais prive uma pessoa de esperança. Pode ser que ela só tenha isso.
*
Na minha modesta opinião seguir esses passos não garante exatamente o “sucesso”, mas certamente torna a vida de quem os segue mais prazerosa e até mesmo justifica a presença dessa criatura no planeta.
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Li atentamente as sugestões e posso garantir que sigo quase todos fielmente. Tenho problemas com um ou outro, especialmente os números 5 e 15. Sei que estou erradíssimo, mas não costumo relevar com facilidade quem me faz uma falseta. Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa... Eu, pecador, me confesso.
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Mas admito que sigo muitos desses passos e com alegria. Destaco alguns.
Hoje em dia, mais do que nunca, procuro tratar as pessoas da forma mais atenciosa que eu puder. Uso as palavrinhas mágicas (“por favor”, “obrigado”, “com licença”) sem parcimônia. Não é por ser “bonzinho”, não. É puro pragmatismo: eu trato as pessoas como eu gostaria de ser tratado.
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Há outras coisas que já faço desde que eu era cadete na Arca de Noé, como pagar minhas contas em dia (quem tem ou teve pais como eu, não consegue ser de outro jeito), viver elogiando os outros e especialmente respeitar as coisas vivas, incluindo e principalmente as indefesas. Eu JAMAIS maltrataria um animal, por exemplo, ou uma criança ou um idoso.
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Releio a lista e vejo que boa parte do que ela prescreve era comum no meu tempo de garoto. Hoje, a maioria virou “antigas ternuras”, procedimentos saudosos que caíram de moda nos dias atuais. Que pena por isso...
Ser cidadão não é só pagar imposto. Ser cristão não é ir à missa e engolir a hóstia. Como queremos registrar a nossa passagem no mundo? Sendo descorteses? Tratando pessoas que estão trabalhando com arrogância?
Bem, certamente eu não quero isso para mim. E por isso não rezo pedindo coisas para mim. Peço saúde (principalmente!) para os meus e discernimento para eu saber viver.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o grande Paco de Lucia tocando “Entre dos Aguas”. Música que faz a gente se sentir vivo, feliz, com vontade de sair pela rua de cabeça erguida...

sábado, novembro 08, 2008

Tudo ao seu tempo


Noutro dia, li uma declaração curiosa do Cícero Sandroni, presidente da Academia Brasileira de Letras. Segundo ele, no Século 19, Machado de Assis levava cerca de 20 minutos da casa dele, no Cosme Velho, até o Largo do Machado, numa distância de uns quatro quilômetros mais ou menos. E ele ia de charrete ou de bonde puxado por burros. Cícero, às vezes, leva mais de meia hora para fazer o mesmo trajeto. E ele vai de carro.
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Qual a conclusão? Andar puxado por um cavalo é melhor que os 160 do carro dele?
Na verdade, a diferença está, obviamente, não no meio de transporte, mas na quantidade de veículos que trafegam na mesma rua às épocas de ambos, Machado e Sandroni. E isso faz toda a diferença do mundo em termos de tempo.
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É comum hoje dizermos que não temos tempo para nada. Parece que o tempo voa e o nosso dia precisava ter 36 horas para darmos conta de tudo. Bem, o tempo é uma abstração, baseada em fenômenos astrofísicos. Estabeleceu-se que um dia corresponderia a 24 horas, ou seja, ao tempo em que a Terra leva para dar uma volta completa em seu eixo. Desde bem antes de Machado de Assis, o nosso planeta gasta o mesmo tempo para fazer esse movimento. Logo, os dias não encurtaram. Mas o que aconteceu?
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Aconteceu uma coisa chamada revolução nos meios de transportes. Na época de Machado, ele só marcava compromissos baseado no tempo que ele conseguia percorrer com a charrete a distância até o local determinado. E esse tempo era mais ou menos fixo. Hoje, continuamos fazendo isso, mesmo sendo uma completa abstração, visto que em ambiente urbano, ninguém pode avaliar com certeza como estará o tráfego entre o local onde se está e o que quer chegar. Sem trânsito, uns cinco minutos. Com trânsito, interrogação.
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Com o avanço nos meios de transportes, imaginamos que as longas distâncias ficaram domadas, que podemos fazer trocentas coisas ao mesmo tempo, visto que dispomos de veículos velozes. Dispomos do tempo e nem sabemos que tempo temos. Outro fator que colaborou bastante para esta percepção foi o avanço nas comunicações. Temos hoje telefone, celular, internet e tudo isso produz a sensação de espaço-tempo mais curto.
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Quando somos jovens, temos a impressão de que o tempo passa rápido. Lembro que era garoto e sonhava em fazer logo 14 anos, para poder entrar no cinema em filmes impróprios para menores desta idade. Quando dei por mim, já estava com idade para entrar em filmes proibidos para menores de 18 anos!
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Recentemente, li um texto maravilhoso do rabino Nilton Bonder em que ele fala da necessidade de darmos pausa, de sabermos o momento de descansar. Ele lembra que vivemos num mundo no qual um dia de 24 horas parece não ser suficiente. E que o nosso tempo de pausa passou a ser preenchido por diversão e alienação, tudo em ritmo frenético. Na folga, na pausa, tem gente que fica ansiosa, se perguntando “o que vamos fazer hoje?”
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Realmente, vejo que tudo nos dias de hoje incentiva a ser mais rápido, a poupar tempo. Certa vez, perguntei a um jovem porque ele escrevia em abreviações (td bm c/ vc? E coisas do gênero) e ele me disse que era para poupar tempo. Ora, mas e o prazer de escrever? Vale a pena deixar de lado? Será que o tempo poupado desse jeito é significativo?
Vejo também que há uma tendência em se abolir nas mensagens, conversas, textos nos meios de comunicação, palavras com mais de três sílabas. O que tiver, se abrevia. “Refrigerante”, por exemplo, vira “refri”; “fim de semana” vira “findi”, “aniversário” é “niver” e por aí vai. O vocabulário também tem se reduzido bastante. Deve ser para poupar tempo.
E aí volto ao texto do Bonder que tem uma frase lapidar: “Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente”.
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Tenho estado ocupado, afinal, tenho dois empregos. Cumpro expediente em um de 8h às 17h e depois vou ensaiar Teatro até 10, 11h da noite. Por conta disso, tenho rareado as visitas aos blogues amigos. É que, além de não parar em casa, ando dando valor ao meu descanso, à minha pausa. Ouço meu corpo e o atendo. Em momentos de folga, gosto de ficar, como costumo dizer, escutando cabelo crescer. Ficar desatento e ser atencioso comigo.
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Li há pouco tempo um texto-poema esplêndido de Mario Quintana (ave, mestre!):

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.


Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais."
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Espero que vocês, amigos diletos, compreendam se não os visito com maior assiduidade. Relembrando Salomão, considerado como um dos homens mais sábios que já existiram: “Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do Céu”.
M.S.
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No outro blog em que escrevo, o Playground dos Dinossauros, também tem um texto meu sobre o Tempo. Caso queiram dar uma espiadinha...
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Resposta ao tempo”, jóia de Aldir Blanc e Christovão Bastos, cantada pela sempre maravilhosa Nana Caymmi.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Rio ao Deus dará


Pois é.
O Gabeira não ganhou e o Rio de Janeiro perdeu. Por míseros 50 mil votos.
Venceu um candidato que usou de antigas, velhíssimas e sórdidas práticas políticas, a saber: inundar a cidade de papéis, cartazes; fazer alianças até com Belzebu objetivando ganhar de qualquer jeito, custe o que custar; mentir descaradamente; ser cínico e difamar os adversários o quanto puder; fazer um bom caixa (2?); prometer o Céu e a Terra, entre outros absurdos. Evidentemente, este tipo de postura não engana quem é minimamente politizado e informado. Exatamente por conta disso, o prefeito eleito perdeu na Zona Sul e no Centro, empatou na Norte e literalmente ganhou a eleição na Zona Oeste, área mais populosa, desfavorecida economicamente e desinformada.
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A lista de promessas que o indivíduo fez só não é maior do que a relação de coisas que ele não fará. Por ser aliado do governador, do presidente da República e do citado Belzebu, acha que pode tudo. Ele verá na carne que não é assim que a banda toca. E nós, população do Rio, ficaremos ao Deus dará.
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Taí uma excelente oportunidade de reativarmos a seção “A origem de expressões de uso corrente”. Hoje esclareceremos de onde veio o
Ao Deus dará.
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Sua significação costuma ser alguém ou alguma coisa em estado de penúria, abandonado, entregue à própria sorte, largado ao acaso, desamparado, sem rumo. A gênese da expressão começa no Gênesis. No capítulo 41, versículos 15 e 16, diz lá: “Este disse-lhe: “Tive um sonho que ninguém pode interpretar. Mas ouvi dizer de ti, que basta contar-te um sonho para que tu o expliques.- Não sou eu, respondeu José, mas é Deus quem dará ao Faraó uma explicação favorável”.
Ainda na Bíblia, na primeira carta de João, cap. 5, vers. 16-17, tem lá: “Se alguém souber que seu irmão comete um pecado que não o conduza à morte, reze e Deus lhe dará a vida; isto para aqueles que não pecam para a morte”.
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Bem, aí já se tem de onde a expressão veio, mas o que lhe motivou o sentido mais tradicional foi o pão-durismo de alguns portugueses, isso em tempos anteriores ao Século 17. Quando esses sovinas saíam de uma igreja e encontravam algum pedinte de mão estendida esperando o ajutório, suplicando: “Uma esmola pelo amor de Deus!”, diziam: “Deus dará!” e raspavam-se dali para não ter que abrir a mão de vaca. Por conta disso, passou-se a se dizer que quem andava pedindo esmola estava “ao Deus dará”.
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Obviamente, esta desculpa de quem apaga luz com cascudo só para não abrir a mão veio para o Brasil. Muita gente a utilizava quando ouvia o “esmolinha pelo amor de Deus”. No Século 17, o comerciante pernambucano do Recife, chamado Manuel Álvares, adorava repetir a tal desculpa. De vez em quando, ele ajudava os soldados da Fazenda Real com alguns mantimentos. Isso quando ele estava de boa maré. Quando incorporava o Tio Patinhas, recebia os soldados e demais pedintes com o famoso “Deus dará!”. Falava tanto isso, que ganhou a expressão como apelido.
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E você pensa que ele se importou com a alcunha que lhe pespegaram? Rá! Que nada! Gostou tanto que adotou a expressão como sobrenome e se transformou no Manuel Álvares Deus Dará. E mais: passou o epíteto ao filho, chamado Simão Álvares Deus Dará, que foi provedor-mor da Fazenda do Brasil”. Ainda hoje há, no Recife e em Pernambuco, a família Deusdará (acredite se quiser...).
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Pois é. A população do Rio perde uma eleição como essa, com todas as falcatruas havidas e não punidas, e o que podemos fazer? Reclamar ao bispo? Ele vai falar: “Deus dará!” E a antiga Cidade Maravilhosa passará quatro anos ao Deus dará, comandada por gente cínica, que não vale o que o gato enterra. O prefeito eleito jogou pesado. Aliou-se a 13 partidos com o objetivo de vencer o Gabeira a qualquer custo. Mas essa vitória vai ter custo, ô se não vai... O PT do Rio gastou mais dinheiro ajudando o prefeito eleito no segundo turno (pagando a impressão de milhares de folhetos apócrifos contra o Gabeira, por exemplo...) do que com o próprio candidato no primeiro. Não me admira. Embora tenha quem se salve, o PT do Rio está repleto de gente da pior espécie, mafiosos, gente ligada às milícias... Meu Deus! Pior que ele, só o partido Democratas, o DEMO. Esse tem nas suas fileiras vereador que está preso em presídio de segurança máxima, pode isso? Na verdade, olha, salvam-se alguns políticos, sejam de que partido for. O resto...
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Manipularam a mente dos pobres de cabeça e de dinheiro até dizer chega. Li no jornal que um eleitor não votaria no Gabeira por que ele iria plantar maconha nas praias do Rio. Quem soprou uma babaquice dessa no ouvido dele? Minha mãe ouviu de uma professora (????) que ela não votaria no Gabeira por que ele iria tirar o emprego das professoras e explicadoras. É mole uma coisa dessas?
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Caetano Veloso cantando, de Chico Buarque, “Partido Alto”. “...Diz que Deus dará... Não vou duvidar ó nêga!”

sábado, outubro 25, 2008

A palavra é... FUNDAMENTALISMO!


Pelo menos desde o tenebroso 11 de setembro de 2001 temos ouvido e lido muito esta palavra, não é? No Aurélio, há duas definições. Uma diz: “Observância rigorosa à ortodoxia de doutrinas religiosas antigas, especialmente do islamismo”.
Acho tendenciosa essa enunciação, exatamente por conta do “especialmente do islamismo”. Só quem desconhece História vincula fundamentalismo somente aos seguidores de Maomé. Na verdade, foram os cristãos quem inventaram essa prática. As Cruzadas estão aí que não me deixam mentir. Ou melhor, estavam lá, na primeira metade do primeiro milênio.
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Mas o Aurélio também traz outra definição para o termo: “Observância rigorosa às crenças religiosas tradicionais, especialmente em grupos protestantes dos Estados Unidos, depois da I Guerra Mundial, que enfatiza a interpretação literal das escrituras, a segunda ressurreição de Cristo, a virgindade de Maria etc.”
Arrá!
Então admite-se fundamentalismo no cristianismo. E com certeza o há em outras religiões também, como no judaísmo, no budismo... E é claro, no islamismo. No caso deles tem um agravante. Não me importo se eles optam por permanecer com hábitos da Idade Média, do tempo do profeta deles. Mas, como bem explicou Ali Kamel, os fundamentalistas não querem aquele modo de vida medieval só para eles. Eles desejam aquilo para o mundo inteiro e não sossegarão enquanto não alcançarem seu objetivo.
Sempre digo que a principal função social de uma religião é servir de balizamento moral e ético (embora ultimamente, nem isso está sendo respeitado...). Todavia, não raro se usa motivação religiosa para oprimir, causar sofrimentos nos semelhantes, em completa divergência com os ensinamentos da divindade.
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As três religiões com maior peso na História mundial – cristianismo, judaísmo e islamismo - seguem seus respectivos livros, suas respectivas Sagradas Escrituras: a Bíblia (reunião do Antigo e do Novo Testamento), o Tanakh (correspondendo ao antigo testamento bíblico, apenas com outra divisão) e o Corão. Este último é o que foi escrito há menos tempo, há uns mil e quatrocentos anos, mais ou menos. E se do tempo em que eu nasci para cá as coisas já mudaram muito, imaginem desde um, dois, três mil anos atrás! Mas os que seguem cada uma destas religiões dizem que seu livro sagrado contém a palavra de Deus e esta é imutável. No aspecto filosófico, concordo. No âmbito dos costumes... bem... sou cristão, mas eu não seria tão fundamentalista. Não posso adotar hoje certas práticas que eram comuns no tempo em que as pessoas andavam vestidas com pele, pastoreando cabras diante do palácio de governo.
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Em pleno Século 21, quando a ciência já demonstrou tão vivamente teses sobre a origem do Homem, ainda se ensina o Criacionismo em diversas escolas norte-americanas. E lá nos EUA, que representa o último bastião da luta contra o fundamentalismo (islâmico), ainda se vê inúmeros exemplos de intolerância contra forma de pensar e crer diferente da deles.
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Recebi pela internet um texto assinado pelo historiador Ruben Alves (esteve no Programa do Jô nesta semana) a respeito de fundamentalistas cristãos que pautam suas vidas (e insistem em pautar a dos outros...) pelo que está literalmente prescrito na Bíblia. O texto fala de uma Laura Schlessinger, famosa comunicadora nos EUA, com um programa de Rádio de enorme audiência. Ela respondeu a um ouvinte que a perguntara sobre homossexualismo, afirmando ser isto uma “abominação”, conforme está descrito no livro de Levítico, capítulo 18, versículo 22: “Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação”. Este capítulo, presumivelmente escrito por Moisés, que ouviu também presumivelmente a palavra de Deus, proíbe várias coisas, especialmente veda que se “descubra a nudez” de filhos, filhas, netos, netas, mãe, pai, noras, genros... Do jeito que está escrito, literalmente um filho não pode dar banho numa mãe idosa e incapaz de se lavar sozinha, por exemplo. Mas isso é uma outra história.
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Pois é. Diz o texto que um certo ouvinte escreveu uma outra carta para a Laura, comentando a resposta da radialista sobre o homossexualismo. Transcrevo-a aqui:
"Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto para educar as pessoas segundo a lei de Deus. (...) Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las.
- Por exemplo: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo cap. 21, vers. 7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?
- O livro de Levítico, no cap. 25, vers. 44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?
- Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico cap.18, vers.19; cap.20, vers.18 etc.). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas. Veja que o texto não fala apenas de contato sexual, mas de qualquer contato. Perguntar as horas a uma delas, por exemplo.
- Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo cap. 35, vers.2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?
- No livro de Levítico cap.21, vers.18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Tenho que confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para eu entrar numa igreja e me aproximar do altar de Deus?

- Eu sei também, graças a Levítico cap.11, vers.6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?
- Meu tio tem um sítio e deixa de cumprir o que diz Levítico cap.19, vers.19, pois planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também a sua mulher deixa de cumprir o que diz o versículo, pois usa roupas de dois tecidos diferentes, a saber: algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-los? Não poderíamos queimá-los numa reunião privada?
Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável"
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Eu não teria feito melhor. Gostei muitíssimo da carta do rapaz.
Mas ainda sobre a questão que motivou a missiva do ouvinte, ou seja, ser o homossexualismo uma aberração. Bem, todo mundo sabe que sou heterossexual convicto, homem cabra macho que gosta (e como!) de mulher criatura fêmea do sexo feminino. Mas tenho vários amigos que têm opção sexual diferente da minha e são pessoas de bem, exemplos de cidadãos.
Poderia aqui, com meus parcos conhecimentos de História, lembrar que na Grécia antiga, o homossexualismo era tolerado e socialmente aceito, assim como na Pérsia, na Babilônia e em diversos lugares dos tempos idos. Contudo, queria lembrar que no próprio Antigo Testamento (e, conseqüentemente, no Tanakh) há algumas passagens um tanto ou quanto esquisitas. Como a história de Davi e Jônatas, por exemplo. Eu ainda vou falar mais detidamente sobre as peripécias do Rei Davi quando retornar com a seção “a História tem cada história”, conforme prometi quando escrevi o post “Que família, meu Deus!” sobre os incríveis parentes de Jesus. Mas quero transcrever uns versículos do tipo “eu, heim!”, conforme vocês podem constatar:
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“E aconteceu que, assim que Davi acabou de falar ao rei Saul, a alma de Jônatas (filho de Saul) se ligou à alma de Davi, e Jônatas começou a amá-lo como à sua própria alma.
(...) Jônatas e Davi fizeram um pacto, pois aquele o amava como à sua própria alma. Além disso, Jônatas despiu-se da túnica sem mangas que usava e a deu a Davi, e também suas vestes, e até mesmo sua espada, e seu arco, e seu cinto”. (I Samuel, cap. 18, vers. 1-4)

“Davi saiu então detrás da colina, lançou-se com o rosto por terra e curvou-se três vezes; e começaram a beijar-se um ao outro e a chorar um pelo outro . E Jônatas disse a Davi: 'Vai em paz. Quanto ao juramento que nós dois fizemos no nome do Senhor, que o Senhor seja testemunha entre mim e ti, e entre a minha descendência e a tua.'” (I Samuel, cap. 20, vers. 41-42)
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Ora, diriam católicos e evangélicos que vêem os escritos da Bíblia como verdades definitivas: “Eles eram apenas bons amigos”.
Sei... Arrã...
M.S.
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No momento em que estou postando este texto, vejo no marcador que faltam só 600 visitas para eu alcançar o número 200 mil. Caraco... Quem será o felizardo que fará a ducentésima visita?
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve música medieval, do tempo em que Davi andava por aí com atiradeira.