terça-feira, setembro 30, 2008

O sol vai brilhar


Sabe quando a gente acorda com uma música na cabeça? E nem imagina como ela foi parar lá, mas fica cantarolando a canção o dia inteiro?
Pois é.
Aconteceu isso comigo e com esta música que vocês estão ouvindo.
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Eu já a conheço faz tempo. Quando ela foi lançada pelo seu autor Johnny Nash, há muuuuito tempo atrás, o Alcir, meu obi wan kenobi em termos musicais, me apresentou a ela e eu a gravei naquele meu gravador Sanyo, de que já falei aqui. Ela está até hoje numa das minhas fitas Basf que nem sei se ainda toca. É um reggae, só que na época a gente não sabia o que era reggae.
Prestando atenção na letra, vemos que é uma canção otimista, falando que as coisas ruins acabam passando. Uma canção solar, com arco-íris e tudo o mais. Fez enorme sucesso na época e muita gente não sabe que Bob Marley e The Wailers fizeram o corinho na gravação para o Nash.
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Eu posso ver claramente agora, a chuva passou
Eu posso ver todos os obstáculos no meu caminho
As nuvens escuras que me impediam de ver se foram
Vai fazer um radiante, radiante
Dia de sol

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Em nossas vidas, todos temos nossos dias de chuva, com nuvens escuras que nos impedem de ver a saída. Quando meu pai se foi, eu tive meus dias nublados. Eu era um menino que perdera o seu principal amigo, o companheiro, o protetor. Meu pai era muito rígido como educador, mas era o meu pai. Ele queria o meu bem.
E me deixou com meus irmãos para minha mãe levar adiante a nossa criação. Minha mãe está velhinha, sei que vai chegar um dia em que ela também vai me deixar e daí em diante ficarei mesmo por minha conta, embora hoje em dia eu já seja o esteio da minha família. Eles não fazem nada sem me consultar. Mas sem ela, a responsabilidade será bem maior. Terei mesmo dias de chuva. Nem gosto de pensar nesta hipótese. Ninguém gosta de pensar em perder a mãe. Mas sabe que um dia ela vai ficar encantada e passará a olhar por nós lá do outro lado.
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É duro ficar sem nossos entes queridos...
No ano passado, uma colega nossa blogueira perdeu o irmão. Ela ficou tão triste que deixou de lado o blog, provavelmente nem queria saber de computador. Eu ia semanalmente no blog dela e deixava um comentário com o sentido da música “I can see clearly now”. Durante muito tempo, seu último post só tinha as minhas mensagens. Mais tarde ela ficou um pouco mais conformada, mas não muito. Voltou a postar muito de vez em quando e eu continuo a deixar recados para ela dizendo que em algum momento “vai fazer um radiante, radiante dia de sol”. É o que eu posso fazer. That what friends are for, como diriam os franceses...
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by3DArt
Recentemente, minha mãe esteve internada, com uma doença grave. Ela ainda não se recuperou totalmente, mas está melhor. E quando ela saiu do hospital com as próprias perninhas dela (eu só tenho um metro e 47cm de mãe...), foi como se eu tivesse vendo um arco-íris depois de uma tempestade.
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Eu acho que posso fazer isso agora, o sofrimento já se foi
Todas as coisas más desapareceram
Eis o arco-íris que eu pedi em oração
Vai fazer um radiante, radiante
Dia de sol

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Pois é essa certeza de que todas as coisas passam, que depois de uma noite escura o sol volta a brilhar, que faz a gente tocar a vida para frente. Mesmo que fiquem marcas da tempestade em nosso quintal,
Este post é dedicado a nossa amiga blogueira Tina, do Blue Moon, cuja mãezinha está agora velando por ela lá do plano espiritual. Força, Tina! Você, que tem andado radiante com o nascimento de seu netinho, que veio trazer tanta alegria para você e seu esposo, levante o rosto. E, em breve, você poderá fazer o que diz o refrão da canção:

Olhe em torno, não há nada além de um céu azul
Olhe adiante, nada além de um céu azul
M.S.

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Eu tinha prometido postar a segunda parte do texto sobre antigos comerciais. Mas bateu a vontade de postar este texto. Na semana que vem, publico o outro.
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Nesse final de semana tem eleição. Você já escolheu criteriosamente os seus candidatos? Acredita firmemente que eles poderão te representar e fazer o melhor trabalho possível pela sua cidade? Eu já escolhi os meus e os conheço bem: Gabeira para prefeito (PV – 43) e Eliomar Coelho, vereador (PSOL – 50.000)
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Johnny Nash cantando a sua canção “I can see clearly now”.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Nossos comerciais, por favor - Parte 1


Meu dileto amigo J.F., com quem tenho tanta afinidade e consideração que o chamo de meu mais novo “amigo de infância”, me sugeriu um post sobre anúncios em bondes. Como pedido de amigo meu vale mais que ouro, aqui vai o seu atendimento. E gostei tanto da idéia que farei posts sobre antigos comerciais divididos em duas partes. Hoje, será o dos bondes e trens. Na próxima semana, será a vez de comerciais de TV, mas aqueles do tempo do seletor de canais, do Bombril grudado na antena e do celofane colorido na tela. Quem é da minha geração sabe do que eu estou falando.
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Bem, amigos do Antigas Ternuras, tenho que confessar que sou do tempo dos bondes. Mas antes que vocês me chamem de velho gagá, que digam que eu escovei a crina do Cavalo de Tróia, e parará, pereré, preciso dizer que eu peguei o finalzinho dos bondes, viu?
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Minha mãe me conta umas histórias minhas daqueles tempos. Diz ela que eu com três, quatro anos gostava de dar o meu show do banco do bonde. Mexia com todo mundo! Chamava de careca, de gordo, se o cavalheiro desse mole com o chapéu eu dava-lhe um piparote só para ver o dito cujo voar e aí ter que parar o bonde pro cara ir pegar o chapéu, minha mãe me dava uma bronca... E quando eu resolvia fazer discurso político? Com quatro, cinco anos, eu subia no banco do bonde e falava para os ilustres passageiros que ia colocar água, luz, telefone na casa de todo mundo. Pode uma coisa dessas? E pelo que disse minha mãe, eu fazia discurso para horário político gratuito nenhum botar defeito. Uma vez, um cara me ouviu discursar e gritou lá de trás: “Fala, deputado baiano!”
Como eu era uma criança inocente, não tive como responder: “Deputado baiano é a p...@#$%&*!!!!!!!!!”
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Já maiorzinho, resolvi encerrar minha carreira política. Já viajava sem encher o saco dos demais passageiros. E lembro que eu gostava de olhar para as propagandas que apareciam no alto da parte interna dos bondes. Eram imagens coloridas, curiosas... Aquilo me distraía e fazia com que o tempo passasse e a viagem fosse até divertida.
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Nos trens também apareciam os mesmos anúncios e estes eu peguei já mais taludo, mesmo quando os bondes acabaram. Os reclames que ilustram este post, em boa parte me foram enviados pelo meu amigo J.F. Outros, eu catei na Internet. Incluindo o anúncio mais famoso de todos os tempos, o do Rhum Creosotado. Os dizeres “Vejam ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado...” são lembrados até hoje, mesmo por quem não é do tempo do Rhum Creosotado! (parêntesis: eu sou! Minha tia me fazia tomar uma boa colherada todos os dias, “para não ficar constipado”, dizia ela...fecha parêntesis).

Noutro dia eu perguntei numa farmácia se ainda existia Rhum Creosotado. O senhor que me atendia sorriu com nostalgia e disse que não. Outros remédios do meu tempo como Biotônico Fontoura e Emulsão Scott estão tão diferentes que nem os reconheci! No Emulsão Scott acabaram com o rótulo em que aparecia o pescador carregando o bacalhau nas costas, onde a gente escrevia um balãozinho nos anúncios dizendo assim: “chato é o bafo no cangote!” Agora tem até óleo de fígado de bacalhau sabor laranja!!!!
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Quando eu morava com meus tios, no bairro da Piedade, volta e meia meu tio Jair me levava para o Centro, viajando no trem da Central. E eu ia olhando para os anúncios, reconhecendo os produtos que minha tia ou minha mãe usavam: cera Parquetina, gordura de côco Dunorte, talco Regina, arroz Brejeiro, sabonete Eucalol, fogãozinho Jacaré, perfume Cashmere Bouquet, Regulador Xavier (que eu nem imaginava para que servia tanto o “número 1”, quanto o “número 2”), ou outros produtos que ainda existem hoje em dia mas com outras embalagens.
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Rever estes anúncios hoje é uma viagem pelos trilhos da lembrança. Só que, como disse Gilberto Gil no “Expresso 2222”:
O trilho é feito um brilho que não tem fim
Oi, que não tem fim
Que não tem fim
Ô, menina, que não tem fim

E eu sigo esses trilhos, revendo nas estações e paradas o menino que se encantava com os reclames, que fazia discursos políticos, que já foi um tipo faceiro “salvo” pelo Rhum Creosotado.
M.S.
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Quero agradecer do fundo do meu coração aos amigos que me deram parabéns pelo aniversário. Os que viram na data escancarada no meu perfil aí ao lado, os que já sabiam, enfim, aos meus amados e queridos amigos que lembraram deste humilde escriba e me mandaram pensamentos felizes, meu muito obrigado. Queria dividir meu bolo com vocês...
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Elis Regina, cantando “Comunicação”.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Minha vida de aventuras


Um dos três livros que estou lendo no momento é o “A misteriosa chama da rainha Loana”, de Umberto Eco, aliás, uma de minhas referências como autor. Assim como ele, gosto de colocar bastante informação em meus escritos. Eco ainda gosta de salpicar de humor aqui e ali. Eu já prefiro porções mais largas...
Mas neste livro, ele conta a luta de um homem que teve um AVC e perdeu a memória. Gradativamente, teve que reaprender sobre as pessoas à sua volta, incluindo a mulher, filhas, netos, amigos... Para aprofundar este reaprendizado, ele voltou à casa dos avós para ter contato com suas lembranças. Lá, ele encontra velhos livros, jornais e revistas que leu na infância.
Foi aí que a fina tela que me separa das minhas lembranças mais uma vez se rompeu.
O livro mostra várias capas de revistas que o Eco citava. Ah... As minhas aventuras com livros e revistas nas mãos...
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Quando eu era garoto, gostava de brincar na rua, correr, soltar pipa, jogar futebol, bola de gude etc. Mas nos dias de chuva ou mesmo naquelas tardes modorrentas em que nada acontecia, eu era picado pelo bicho da leitura e saía pela casa catando o que pudesse para ler. Tanto na minha casa, quanto na casa de meus tios paternos, no bairro da Piedade, onde morei por um ano e passava sempre as minhas férias. Lá era até melhor, visto que meu tio Jair me incentivava a ler tudo que me caísse nas mãos. Gibis, inclusive.
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E dali, de um subúrbio carioca ou na minha casa, eu viajava para a Floresta Negra, na fictícia Bangala, junto com o Fantasma, enfrentando os malfeitores com nossos anéis da caveira (eu também tinha um!). Ou então, ia até a lendária Terra de Mu, acompanhando o Brucutu; ou ainda viajava ao tempo das Cruzadas para lutar ao lado do Príncipe Valente. Porém, num piscar de olhos, eu já tinha virado assistente do detetive Nick Holmes, viajando até a misteriosa Hong Kong, para enfrentarmos juntos cruéis assassinos.
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Eu acompanhava todos estes heróis pela página de quadrinhos de O Globo (que na época tinha uma página inteira de quadrinhos e não essa pobreza que é hoje com apenas meia dúzia de tirinhas...) ou mesmo pelas revistas da Rio Gráfica, que publicava estes e outros heróis. Mas lia (e como!) os heróis da Editora EBAL também: meu favorito

Batman, Superman, Superboy, Flash, Lanterna Verde, Roy Rogers... gritava “krig-ha bandolo” junto com Tarzan, “aiô Silver!” junto com Zorro e Tonto, lançava escudo com o Capitão América, enfrentava os perigos dos mares com Namor, desafiava o gênio do Mal com o martelo de Thor, ia a todos os cantos do planeta e a todas as épocas.
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Na Idade Média, eu era o Falcão Negro. Aliás, eu adorava este personagem! Lia o seu gibi e depois assistia na TV Tupi o seriado brasileiro, com Gilberto Martinho de capa e espada na mão. Uma vez, se não me engano a Aveia Quacker lançou uma promoção: bastava juntar sei lá quantas caixas e trocar por um bottom e uma carteirinha do Clube do Falcão Negro. Torrei a paciência do meu tio até ele comprar caixas e mais caixas de aveia e pedir pelo correio os cobiçados prêmios. E lá ia eu de toalha amarrada no pescoço, espada de compensado fininho, máscara providenciada com um retalho de pano por minha tia. “Tome isso, bandido!” “E mais isso!” “Morra, miserável!” Ah! A justiça sempre triunfava com o Falcão Negro! E comigo também, é claro.
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(desenho de Bartholo)
E os livros de aventuras? Li Jules Verne e lá fui eu esburacar o quintal para chegar ao Centro da Terra. A enciclopédia Tesouro da Juventude me ensinou a fazer um pequeno submarino com cabo de vassoura e parti então para enfrentar os perigosos desafios submarinos na caixa d’água lá de casa, onde havia monstros tenebrosos! Para testá-los, eu caçava marimbondos, “convencia-os” a entrar na pequena cápsula do meu submarino e os fazia submergir por horas. Devia realmente haver alguma coisa terrível no fundo do mar da caixa d’água, pois nenhum marimbondo voltava vivo daquela viagem...
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Na casa de meus tios sempre tinha um Ellery Queen, um X-9, um Fantomas. Com eles, eu desenvolvia meus dons investigativos, na solução de cruéis assassinatos. Sim, era elementar, meu caro leitor...
Passei a minha infância procurando passagens secretas em tudo que é lugar. Onde não tinha, eu criava uma.
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Não tinha um canto do mundo que eu não conhecesse a partir do meu subúrbio. Eu era menino e aventureiro destemido. Curioso. Nesta semana fico mais velho, mas meus olhos ainda têm a mesma sede de aventuras daqueles tempos. E se os fecho, vejo o mesmo garoto deitado no sofá ou na cama, atracado com um gibi ou um livro. Como se o tempo andasse para trás.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o tema de James Bond.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Tolas canções de amor


Fui ao cinema para assistir a “Hellboy II – O Exército dourado”, filme baseado em gibi e quem me conhece sabe que quadrinhos são minhas eternas ternuras. O filme é um bom entretenimento, nada mais que isso. Mas o que quero destacar não é o filme em si. Em determinada cena, duas criaturas mutantes, digamos, estranhas, cantam um antigo sucesso de Barry Manilow. Esse mesmo que vocês estão escutando nesse momento (se têm Windows Media Player, é claro).
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Resultado: saí do cinema cantarolando esta bela canção de amor, uma das silly love songs, como muito bem definiu certa vez Paul McCartney (aliás, autor da delícia Silly Love Song). O povo lá do hemisfério norte é perito neste tipo de música de que gosto muitíssimo. São canções românticas, despretensiosas, que entram por nossos ouvidos e fazem nossos corações quererem sair dançando do peito. O próprio Macca compôs várias dessas, como My Love e And I Love Her, só como exemplo. Stevie Wonder também tem suas baladas românticas que fizeram meio mundo suspirar, como All in love is fair e I Just call to say I Love you. O já citado Barry Manilow fez muito sucesso com Ready to take a chance again e a deliciosa The Old Songs, cujo refrão diz: “E talvez as velhas canções trarão de volta os velhos tempos/Talvez antigos versos venham a soar como novos/Talvez ela encoste a cabeça no meu ombro/Talvez antigos sentimentos ressurjam”.
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Nós, aqui no Brasil, também sabemos cantar nossas tolas canções de amor, músicas para consolar um amor perdido, um coração partido, uma paixão arrebatada que espalha e acelera o nosso sangue nas veias. Caetano canta maravilhosamente Eu sei que vou te amar (de Tom e Vinícius), talvez a música brasileira que eu mais gosto na vida. E o que dizer de Chico e Tom e a belíssima Anos Dourados ou dessa pérola chamada Minha Namorada, de Carlinhos Lyra e Vinícius?
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Ah... Cada um de nós tem a sua tola canção de amor favorita, não é? Qual é a sua? McCartney disse na sua música que “Algumas pessoas querem encher o mundo de tolas canções de amor/E o que há de errado com isso?” Nada, Macca, nada. Muito pelo contrário. Como você disse em “My Love”, “quando o armário está vazio/Eu ainda acho lá algo com meu amor”.
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É maravilhoso o poder de uma canção em nos afetar desse modo. Se você tem alguém para cantar a sua silly love song, parabéns. Eu tenho.

Mas se não tem ainda, escolha a sua canção tola de amor, toque-a até fritar o CD, e se prepare para ficar como as criaturas do filme Hellboy II. Uma hora dessas o amor te alcança e você se pega pensando em alguém, esperando ela sorrir para você sorrir também.
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Veja abaixo a cena do filme que me fez escrever este post. Mas antes você terá que clicar no “X” que tem no alto, na sua barra de ferramentas. Ele faz parar a música de fundo. Para ouvir todas as músicas que citei no post, faça a mesma coisa. Aí é só clicar nos links.

M.S.
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Dá tempo para dois informes? O primeiro: convido vocês para conhecerem o blog da minha amiga Rose, o Jóias da Família. Ela escreve bem pra caramba, tem um ótimo senso de humor, está virando blogueira, mas está se sentindo meio deslocada. Recomendo uma visita para deixar a Rose bem à vontade na blogosfera.
O segundo: A Jussara Câmara, responsável pelo site Idade maior me escreveu pedindo autorização para republicar um de meus antigos textos, sobre Cosme e Damião. Fiquei super feliz. Aliás, ultimamente alguns blogs e sites têm entrado em contato comigo me pedindo autorização para divulgar meus escritos. Isso é muito prazeroso... Obrigado, pessoal!
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Barry Manilow (por onde ele anda?) cantando “Can’t smile without you”.
Na TV Antigas Ternuras você vê um trecho de “Hellboy II – O Exército Dourado”.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Ouviram do Ipiranga


Vem aí o 7 de setembro. É a data de nascimento do Brasil, como povo independente. Taí um belo motivo para mais uma seção “A História tem cada história...”: o dia em que o sol da liberdade brilhou no céu da pátria, como diz o nosso hino. Aliás, vocês já perceberam que o parnasiano Osório Duque Estrada escreveu uma letra com boa parte das frases com sujeito escondido (não oculto)?
Lembro das aulas de português na escola: “qual o sujeito da primeira frase do Hino Brasileiro?” “As margens plácidas, professora!”
Tem muita gente que não sabe disso. Na verdade, a frase inicial do nosso hino deveria ser lida assim:
“As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico”.
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Mas vamos ao famoso dia 7 de setembro de 1822, dia considerado pela maioria como o de nossa independência. Tem gente que diz que nossa libertação foi conquistada no grito, sem derramamento de sangue. Nada mais falso. Rolou sangue, sim. E muito! Não digo naquele famoso dia, em São Paulo. Mas nos dias em que se seguiram, quando Portugal não quis reconhecer a emancipação da colônia e engrossou lá nos lados da Bahia.
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A guerra lá foi feia. Teve mortes, saques, estupros (inclusive em freiras nos conventos!), até que o general Madeira entregasse a rapadura, a cocada e o vatapá, no dia 2 de julho de 1823 (para muitos, a verdadeira data de nossa independência).
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No que diz respeito à nossa libertação gritada por D. Pedro I, às margens do riacho Ipiranga, podemos dizer que ali nasceu um país. E, para variar, teve merda no meio (não fosse o Brasil esse Brasil que a gente conhece...). Merda, mesmo. Literalmente falando. E metaforicamente falando também.
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Na manhã daquele dia, D. Pedro, príncipe regente do Brasil, estava passeando por Santos. Ele já tinha conhecido D. Domitila do Canto e Melo, futura Marquesa de Santos, desde o dia 29 de agosto. Quando os dois se viram, aconteceu uma espécie de tempestade eletro-química na cabeça deles. O que se acostumou chamar de “amor à primeira vista”. Acontece que a moça era casada com Felício Pinto Coelho de Mendonça, que era mais brabo que siri amarado em penca. Vivia enchendo a lata da Domitila de bolacha. (E ela se interessa logo por quem, por Pedro de Alcântara, que enchia a Leopoldina de porrada...). E acontece que o Pedrão também era casado, embora estivesse defecando e caminhando para isso.
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Pois é. Naquele dia 7 de setembro, D. Pedro tinha se avistado com Domitila e tiveram uma discussão. Sabe-se lá por quê. Acho que ela deve ter negado alguma coisa para ele. O Regente ficou que nem o cachorro do Mickey: Pluto da vida. E aí, ele estava andando pelas ruas de Santos, quando avistou uma bela negra, toda rebolosa. Na hora, uma certa parte do corpo do Pedro, que fica entre a virilha esquerda e a direita, começou a dar sinal de vida. Ele caiu matando para cima da escrava, que não o reconheceu. O príncipe regente do Brasil andava pelas ruas sem séquitos, sem comitivas, flanava feito um mortal comum. E a negra nem imaginava que aquele sujeito abusado fosse o manda-chuva do pedaço. Ele passou a mão na negra e ela fritou a cara dele. E correu para casa.
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D. Pedro, que já estava puuuuuuraqui, por conta do fora que levou da Domitila, seguiu a escrava e viu onde ela entrou. Bateu na porta e chamou o dono da casa. O regente se identificou e disse que queria comprar a escrava que o tinha esbofeteado. O dono disse que não venderia. Naquela época era possível dizer não na cara do principal mandante...
D. Pedro ficou mais puuuuur conta da vida com essa desfeita.
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Mandou reunir a comitiva e disse que retornaria para São Paulo naquela manhã mesmo. Acontece que na noite anterior, tinham oferecido para o regente um baita jantar cheio de petiscos e guloseimas. Como Santos é cidade litorânea, talvez tivessem lhe oferecido ostras e outros frutos do mar que não estavam lá frescos. Resultado, na subida da serra, o Pedrão descobriu que estava com uma diarréia legal, da melhor qualidade. De vez em quando tinha que parar para aliviar as tripas, se é que vocês me entendem...
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Quando deu umas 16h30min, ele teve mais uma cólica e mandou parar tudo. Procurou uma moitinha na beira de um riacho e desceu o barro. O Ipiranga ouvia o “brado retumbante”, mas não era de um “povo heróico”...
Nisso, chegam mensageiros com cartas da D. Leopoldina e de José Bonifácio. O seu camareiro Chalaça levou as cartas enquanto ele estava fertilizando o solo paulista. E o que dizia a missiva? Bonifácio e Leo avisavam que as cortes portuguesas queriam tirar-lhe os poderes no Brasil, que ele não mandaria nada e ainda por cima o chamavam de “rapazinho”... Iiiih. Fedeu!
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O homem interrompeu aquele momento solitário. Sem nem se limpar, levantou as calças e vociferou com a força de um Vesúvio, expelindo lava! Aquilo já era demais. A mulher por quem ele tinha se apaixonado tinha discutido com ele. A negra com quem ele queria botar a tora para serrar tinha dito não e ainda lhe dado uma bifa. O dono da negra se recusou a vendê-la. O jantar do dia anterior o estava fazendo se esvair em bosta. O calor estava de queimar os miolos. E ainda vinha uma notícia como aquela? Ah, ele se estourou de vez! Pegou a espada, tirou os laços representativos de Portugal do chapéu, mandou que todo mundo fizesse o mesmo, subiu no cavalo e... bem, o resto vocês já sabem.
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Ali, naquele momento, com o rabo sujo de cocô, D. Pedro criava um país às margens do Ipiranga. Já podeis da pátria, filhos, ver contente a mãe gentil! Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil!
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Talvez por termos nascido num momento assim, tão fecal, criou-se a tradição de nossos governantes fazerem merda, uma atrás da outra. E não adianta reclamar!
Consta que depois de ter proclamado a independência, D. Pedro ficou meio arrependido. Tanto que passou a dar muitos privilégios aos patrícios portugueses no comércio. Sem contar que topou assumir a enorme dívida externa que Portugal tinha com a Inglaterra para que o antigo país-matriz aceitasse reconhecer a nossa independência. Uma bobagem, porque eles já tinham perdido tudo mesmo, depois da guerra na Bahia. Se Pedro I não quisesse assumir a dívida, Portugal não faria nada e nós não teríamos começado a nossa existência já devendo a Deus e ao mundo.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Fafá de Belém cantando o Hino Nacional Brasileiro, de Francisco Manuel da Silva e Osório Duque Estrada.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Gostei à beça!


Atendendo a milhares de pedidos, vou relatar em rápidas linhas como foi a mais que agradável noite de sábado passado, quando fiz uma palestra sobre Machado de Assis e aproveitei para fazer uma noite de autógrafos com meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo”.
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O que eu posso dizer? Gostei à beça! Foi muito, muito prazeroso para mim atender ao convite da Secretaria de Educação e Cultura de Mauá e palestrar sobre o “Bruxo do Cosme Velho” (minha namorada, Sylvia, foi quem conseguiu este evento para mim). Eu nem sou especialista em Machado de Assis. Eles me perguntaram se eu poderia fazer a palestra e eu disse que sim. Especialmente porque eles iam me pagar para isso. E, se querem me contratar para fazer palestra, eu podendo puxar o assunto por um viés de História e me dando algum tempo para me preparar, posso falar sobre muitas coisas, desde a “importância da farinha de rosca no bife a milanesa” até sobre a “vida sexual do bicho da goiaba fora da goiaba”. Bem, já faço palestras há mais de 15 anos...
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Mas como eu disse, gostei à beça. Aliás, vocês sabem de onde vem essa expressão? Não? Ah, então lá vai mais uma seção “A origem das expressões de uso corrente”, que, aliás, já faz tempo que não apresento nenhuma por aqui.
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Bem, como a maioria aí sabe, “à beça” significa “em grande quantidade”. Logo, se eu gostei à beça, é porque eu gostei muito demais da conta pra caramba às pampas.
O termo vem de Gumercindo Bessa, jurista sergipano (na foto abaixo), que ousou enfrentar ninguém menos que Ruy Barbosa na famosa Questão do Acre. Em 1904, o Estado do Amazonas queria que a terras do Acre, adquiridas à Bolívia por manobras do Barão do Rio Branco, fossem incorporadas no seu espaço territorial. Os acreanos desejavam que o Acre fosse estado a parte ou melhor ainda, que fosse território a parte (ele só virou território a partir de 1920). Os amazonenses contrataram o baiano Ruy Barbosa; os acreanos chamaram o sergipano Gumercindo Bessa. Na peleja judicial que se seguiu, Gumercindo apresentava copiosas razões, fartas argumentações favoráveis ao nativos do Acre. O cabeçudo Águia de Haia chegou a ficar tonto e tomou uma goleada do Bessa que mandou bem à beça no tribunal.
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O primeiro a usar esta expressão foi o presidente Rodrigues Alves (governou no primeiro mandato de 1902 a 1906), que ao ouvir um determinado rapaz, que defendia seus pontos de vista com tanta eloqüência, apresentando tantas razões, teria dito: “O senhor tem argumentos a Bessa”, querendo dizer que ele estava se portando como Gumercindo Bessa, que sempre ia para os julgamentos recheado de argumentações.
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Pois é. A expressão caiu no gôto do povo e ao longo do tempo, os dois “ss” deram lugar ao c cedilha, mas o sinônimo de muita quantidade, de copiosidade, de abundância pegou que nem pereba em menino. Todo mundo usa isso à beça.
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Ah, sim. Vocês querem saber como foi a palestra. Bem, eu falei à beça e parece que o povo gostou à beça. Eu certamente gostei. Tinha planejado falar por uma hora, mas quando me empolgo, falo mais que o homem da cobra. Fiquei lá, tagarelando que nem pobre na chuva por duas horas e o povo só me dando trela. O título da palestra foi “Viagem pitoresca com Machado de Assis no ano de seu centenário” e meu objetivo era falar um pouco sobre a vida dele, mas também apresentar o Rio de Janeiro de seu tempo, tanto citado em sua obra. Se conseguisse despertar nas pessoas o desejo de ler os livros de Machado, aí seria maravilhoso.
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E parece que eu consegui. Uma das pessoas que foram me assistir arrastou os filhos adolescentes para que também ouvissem um pouco de Machado. É claro que os meninos foram com uma tromba dest’amanho, achando que seria um saco, e que eles nem sabiam quem era esse tal de Machado de Assis. Pois bem. Via os dois na platéia e eles nem piscavam, acompanhando tudinho. Finda a palestra, os dois pediram à mãe para comprar os livros dele, pois ficaram com vontade de lê-los, especialmente “Dom Casmurro”, de que falei especialmente. Aliás, a mãe também disse que leria todos os livros do “bruxo” que pudesse. Ah, isso é que nem Mastercard... Não tem preço!
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Mas guardei a melhor parte por último. Terminada a palestra, vêm falar comigo duas pessoas especialíssimas, dois blogueiros que foram me fazer esse carinho, essa gentileza. A primeira foi a Milena (do Mente quem diz), acompanhada do esposo, e que encheu meu coração de alegria com a sua presença (nos lemos há três anos e nunca nos conhecemos). A outra, que aí fez meu coraçãozinho transbordar de felicidade, foi surpresa total: meu grande “amigo de infância” J.F. levou a família toda, incluindo a simpaticíssima esposa Nina, a filha e minha amiga Luciana (do ...EEEPA!) com seu marido Vagner, e as filhas Juliana e Vanessa. Só faltou levarem o cãozinho beagle Ed Wood, que também é blogueiro! E mais: a Luciana tinha acabado de lançar o livro que ela ilustrou na Bienal e ela e a família foram correndo para Mauá, só para me prestigiarem! Fiquei dois passos dentro do Paraíso com a visita da Milena e da família blogueira do J.F.
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Eu e Milena
Eu e JF
Eu e Luciana
Eu apresentei a Milena ao J.F. e família e, como são pessoas maravilhosas, se entenderam rapidamente, também viraram amigos de infância e se visitam. Foi, definitivamente, uma noite maravilhosa, me diverti e me alegrei à beça. A Milena escreveu um post muito lindo sobre aquela noite (dêem uma chegadinha no blog dela para ler...). O J.F. já escreveu alguma coisa também e avisou que ainda vai escrever mais.
Definitivamente, quem tem amigos tem um tesouro! Muito obrigado, Milena, JF, Luciana e família! Vocês são legais à beça!
Fico devendo mais essa ao Brandão Popularíssimo e ao Machado de Assis...
M.S.

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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Noite do Prazer”, de e com Claudio Zolli. Verdadeiramente, aquela foi uma noite pra lá de prazerosa...
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E por falar em livro, gostaria de recomendar aos queridos amigos e leitores o mais novo lançamento do nosso amigo blogueiro Marcos, do Esculacho e Simpatia. O blog dele é fantástico, por conta disso até imagino como deve ser bom o livro. Eu já pedi o meu! Faça como eu! Vá até o blog dele e se informe.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Mais dois artistas no Céu


Eu estou com a cabeça longe, pensando nas coisas do Machado de Assis, para poder falar sobre ele na minha palestra neste final de semana (vide post abaixo). Mas mesmo estando com a cabeça nas coisas do Bruxo do Cosme Velho, recentemente tive notícias ruins de dois grandes artistas que me acompanham desde o tempo das antigas ternuras.
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Primeiro foi o Isaac Hayes. E quando li que ele tinha cantado para subir, automaticamente me lembrei do tempo em que eu e meu amiguirmão Luiz tínhamos nossos gravadores e conseguimos gravar do Rádio o tema do filme “Shaft”. Era maravilhoso ouvir aquela usina de som, despejando metais em brasa, uma guitarra com distorção esplêndida, e, mais importante, aquele vocal com voz de negro, com voz de alma.
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Pois é. O Isaac Hayes que eu curtia desde tanto tempo, resolveu tirar o time de campo. E eu estava me lamentando pela partida do cara quando soube que aqui mesmo, no Rio de Janeiro, um cantor também de voz grossa, com voz de alma, silenciava de vez.
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A televisão disse: “Morreu Caymmi”. E na hora me veio na cabeça o tanto de músicas dele que eu conhecia e gostava. Entre tantas, eu tinha preferência por “Acalanto”. Ele fez essa música nos anos 40, para a acalentar a Nana Caymmi ainda em bebê. O Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, adorava esta música. Se bem me lembro, o velho Dorival contou uma vez que o Chatô viu a música e a Nana nascerem. Quando a TV Tupi foi pro ar, essa era a música que encerrava as transmissões. Foi a canção que eu escolhi para tocar aqui, ilustrando este post, mas não achei o arquivo midi.
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Dorival era um artista maravilhoso. Especialmente era um ser humano maravilhoso. Eu não o conheci pessoalmente, mas gostava de vê-lo e ouvi-lo contando suas histórias. Me parecia uma pessoa do bem, uma pessoa simpática, da qual era impossível não gostar. O seu jeitão de baiano preguiçoso, malemolente era uma delícia! Uma vez ouvi, não sei quem, dizer: "existem três velocidades baixas – lenta, muito lenta e Dorival Caymmi”. Soube que ele levou doze anos para fazer a música “João Valentão”. Ué! E precisa pressa?
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Hoje eu li na coluna do Luis Fernando Veríssimo, ele falar que todo mundo tem a sua frase preferida de uma das músicas de Caymmi. Há quem prefira “oh, insensato coração, por que me fizeste sofrer?”, de “Só Louco”; há quem prefira “e assim adormece esse homem que nunca precisa dormir pra sonhar porque não há sonho mais lindo do que sua terra”, de "João Valentão"; ele, Veríssimo disse que prefere: "os clarins da banda militar, tocam para anunciar, sua Dora vai passar”...
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Fiquei pensando. Qual seria a minha frase favorita de Caymmi? É uma escolha difícil. Mas fico com “quem inventou o amor, não fui eu, não fui eu, nem ninguém”, de "Nem eu". Pelas músicas que fez, desconfio que quem inventou o amor foi Dorival Caymmi.
Fica com Deus, Isaac! Fica com Deus, Dorival!
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “O Bem do Mar”, com Dorival Caymmi, o homem que cantava as coisas do mar como ninguém.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Machado na cabeça!


Conforme escrevi no post anterior, no próximo dia 23, um sábado, eu estarei lançando meu livro em São Paulo, aproveitando o convite que recebi da Secretaria Municipal de Cultura de Mauá. Na oportunidade, também fui convidado a fazer uma palestra sobre Machado de Assis, como parte das homenagens que serão feitas a ele por ocasião do centenário de sua morte.
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Li comentários aqui e recebi e-Mails de amigos afirmando ser Mauá muito distante da capital paulistana. Sei que o trânsito engarrafado de São Paulo faz as noções de tempo e espaço enlouquecerem qualquer Einstein e sua Teoria da Relatividade. Já levei uma hora para andar uma distância de dois quilômetros em linha reta na Marginal Pinheiros. Se a noite de autógrafos fosse num dia de semana, eu não recomendaria a ninguém sequer pensar em aparecer. Mas num sábado e no fim da tarde, o negócio é diferente. Não acho que Mauá se localize assim tão longe. Mauá fica no ABC paulista, o que significa dizer região metropolitana de São Paulo. De carro, do centro da cidade até Santo André, no ABC, num sábado sem trânsito, leva-se 30 minutos (eu posso garantir), tanto pela Anchieta quanto pela Avenida do Estado. E de Santo André até Mauá, gasta-se uns 15 minutos, 20 no máximo (pegou a Avenida Firestone, é só seguir reto).
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De qualquer forma, eu vou entender perfeitamente os que não puderem ir, por qualquer motivo. Para os quiserem arriscar e me dar este imenso prazer, o endereço do lançamento (e da palestra) é: Teatro Municipal de Mauá – Rua Gabriel Marques, Centro – Mauá.No sábado, 23, com a palestra sobre Machado começando às 18h, seguida da noite de autógrafos a partir das 19h.
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Ainda estou preparando a palestra que farei, embora já a tenha esquematizado. Terá uma breve exposição de uma linha do tempo com fatos marcantes da vida do Machadinho (era assim que os amigos o chamavam). Depois, escolherei trechos das obras dele que falam sobre locais do Rio de Janeiro (bairros, ruas, morros etc.) e farei uma abordagem histórica. Tudo isso MUITO ilustrado. Já estou selecionando as fotos que exibirei.
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Querem saber que histórias eu contarei sobre o velho Bruxo do Cosme Velho? Tudo bem. Vou passar um trailer.
Não sei se vocês sabem, mas Machado de Assis era epilético, canhoto e gago. Tem um “causo” interessante, envolvendo o grande escritor que eu conto no meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo”. Fala de como ele gostava de se relacionar com gente de Teatro. Eis o trechinho:

“Muitos artistas e autores teatrais estavam no círculo de suas amizades. Ele não só escrevia peças como também freqüentava bastidores. Tem uma história curiosa que atesta não só a sua circunspecção como revela um aspecto muito pouco conhecido. Certa vez, ele estava nos bastidores, cumprimentando atores de uma montagem, quando uma atriz lhe dirigiu a palavra:
- Senhor Machado, eu tenho notado que o senhor é um pouquinho gago...
Machado ficou vermelho de raiva. Ele não apreciava certas intimidades e principalmente detestava lhe apontarem defeitos. Encolerizado, respondeu:
- E e-e-eu te-te-tenho notado tam-tam-também que a se-se-senhora é po-po-pouco séria!”

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Machado casou-se quando tinha já seus 30 anos. Casou tarde. Provavelmente quis aproveitar a vida antes de colocar a aliança no dedo. Ou estava escolhendo com muito critério a rainha do seu coração.

Certa vez, ele foi visitar um poeta português, recém-emigrado para o Brasil junto com a família. Era o notável Faustino Xavier de Novais, que no fim de sua vida estava com o “mal dos nervos” (leia-se: “maluco de pedra”). Na casa dos Novais, Machado conheceu a irmã de Faustino, uma senhorita portuguesa de nome Carolina, jovenzinha na flor de seus...34 anos! Fulminado pela paixão, Machado aproveitou um rápido momento em que ficou a sós com a moça e caiu matando. Correu até ela, sentou-se ao seu lado, pegou-lhe na mãozinha e mandou na lata: “Quer se casar comigo?”. A senhorita Carolina (na foto ao lado) respondeu sem hesitar: “Sim!” (claro, para quem estava conformada por ficar encalhadaça, conquistar um partidão como aquele, era sopa no mel! Era a chance dela tirar o pé da lama...).
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Mas o bom Machado não teve moleza. Miguel, um dos irmãos da dama, não via com bons olhos aquele rapaz “de cor” entrando para a família de legítimos brancos europeus. Para ele, ser mulato ou um negrão zulu desembarcado d’África era a mesma coisa e não era exatamente o cunhado que ele desejava para a irmã. Mas o preconceituoso rapaz deve ter sido convencido a não ser tão implicante, visto que Machado de Assis já era um intelectual conhecido e respeitado e, além disso, estava topando tirar a moça do Caritó (um dia desses explico a origem desta expressão) e sem pedir dote.
Casaram-se. E foram muito felizes, por quase 35 anos. Até que a mais “Indesejável das Visitas” aparecesse no chalé da Rua Cosme Velho, número 18, e levasse a dona do coração “do maior escritor afro-descendente de todos os tempos” (quem disse isso foi o notável crítico Harold Bloom).
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Antes de se casar com Dona Carolina, Machado devia gostar de dar suas machadadas por aí. No meu livro, eu conto a história de uma das maiores cortesãs que a cidade Maravilhosa já viu: a bela francesa Catherine Aimée, estrela do cabaré Alcazar Lírico. Metade do Rio de Janeiro passou pela cama da moça, que vendia caro seus favores. Para arrancar-lhe um beijinho, só ofertando-lhe um anel de rubi, por exemplo. Para outras partes do corpo, o preço era muuuuito maior. Pois não é que Machado conheceu a moça? Não sei se a conheceu “biblicamente” falando. Mas olha só o elogio que ele escreveu sobre ela: “tem a boca amorosamente fresca, que parece ter sido formada por duas canções de Ovídio”. Ah, moleeeeque!
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Além de fatos sobre a vida de Machado (incluindo essa parte, huum, digamos “Revista Caras” da vida dele...), falarei sobre sua obra, com destaque para “Dom Casmurro”. Obviamente, abordarei o grande mistério da literatura brasileira: “Capitu traiu Bentinho? Ou foi apenas coincidência o filho dos dois se parecer com o amigo Escobar?”. Estou pensando em fazer uma espécie de “Programa do Ratinho” sobre isso na palestra... O que vocês acham?
M.S.
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Caros amigos leitores; A partir deste sábado estará no Playground dos Dinossauros, o outro blog onde também escrevo uma vez por mês, um post meu sobre aquele famoso jogo (um, dois três...já! A... B...C...D...E!) em que a gente preenche num papel nomes de países, animais, marcas de cigarro, de automóveis, jogadores de futebol etc. Quem lembra? Em alguns lugares chamam de “adedanha”. Para os quiserem recordar, é só clicar no link.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o grande Waldir Azevedo tocando “Chorinho Antigo”. Essa é pra você, Machadinho!