sexta-feira, abril 25, 2008

Anjo


No outro dia, estava procurando algo em velhos guardados, quando me deparei com este quadro que está acima.
Para quem tem mais de quarenta anos, e teve tia velha, avó e assemelhados, nem preciso explicar do que se trata. Para os mais novos, talvez seja necessário falar um pouco dessa antiga ternura.
Este é o quadro “Anjo da guarda sobre a ponte”. Nele, vê-se duas crianças prestes a atravessar uma pinguela sobre uma pirambeira perigosa. Elas temem. Mas por trás das duas, há um belo anjo que lhes guarda e lhes protege de todo o mal.
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Na casa em que cresci, esse quadro ficava no meu quarto. Desde que me entendo por gente ele estava lá, sob pequenas lâmpadas (tudo bem, era cafona pra dedéu, mas não se trata disso). Lembro que em várias noites, o menino amedrontado olhava para a figura e acabava encontrando alívio para enfrentar mais uma noite trevosa. Na busca do sono ausente, olhava o quadro e seus detalhes, contava as traves no piso da ponte, me via atravessando aquele abismo e procurando atalhos seguros na travessia.
Percebia a luz e as vestes do anjo. Sua face tranqüila, passando segurança.
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Nas aulas de catecismo, me ensinaram uma oração, que diziam ser poderosa:
“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege e guarda, governa e ilumina. Amém.”
Recentemente, uma pessoa amiga me ensinou outra, que deve ser dedicada a quem queremos bem:
"Que o seu anjo da guarda com sua luz infinita e de sagrado amor e sabedoria ilumine você, sua mente e seu espírito e toda a sua família".
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Anjos existem? A Bíblia fala deles, desde o Antigo Testamento. E ainda nomeia alguns. Sobre Anjo da Guarda, diz a voz corrente que quando nasce alguém na Terra, Deus providencia o surgimento de um anjo no Céu, que zelará por cada um de nós. Ainda segundo a voz corrente, a missão de nosso Anjo da Guarda e inspirar boas ações, boas obras, iluminar o nosso espírito no caminho do Bem, estimulando a prática da justiça e do amor fraterno.
Xiii!
Coitado dos anjos.
Diante do quadro de iniqüidades que vivemos dia a dia, atravessando pontes em destroços a cada momento, vendo nossa fé e possíveis boas obras rolando pelo abismo... sei não.
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O quadro não fica mais no meu quarto. O menino cresceu e já não precisa olhar para a figura. Basta recordá-la. Talvez ele não acredite na existência daquela figura bela, iluminada, com asinhas. Mas intimamente ora para seu ou seus protetores. E ele sabe, definitivamente, que eles existem, já teve provas disso.
M.S.
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Queridos amigos: graças a Deus e às orações de vocês, minha mãezinha está bem melhor, em franca recuperação. Como vocês sabem, ela é o meu anjo...
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Carpenters cantando “For All We Know”. Se anjos existem, eles cantam com essa voz. Aguardem: brevemente um post sobre Karen Carpenter.

sexta-feira, abril 18, 2008

Que família, meu Deus!


Quando eu era menino, adorava ler a Bíblia por ser fascinado pelas suas histórias. Eu sempre gostei de uma boa história e a Bíblia está repleta delas. E como publico aqui regularmente a seção “A História tem cada história!”, hoje vou contar para vocês um adorável “causo” sobre a família de Jesus. Não sei se vocês sabem, mas entre os antepassados do nosso amado Mestre tinha um pessoal barra pesadíssima! Tem filho de incesto, tem prostituta, tem adultério... Olha, a impressão que se tem é que foi o Nelson Rodrigues quem escreveu essa parte do livro santo.
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Se eu fosse contar todos os babados fortes da família de Jesus, esse post iria ficar muito grande. E eu tenho me esforçado por escrever o menos possível, porque sei que é cansativo ler na tela e além do mais, vocês têm outros blogs para visitar. Portanto, vou contar só uma fofoca. Depois, se vocês quiserem, eu faço aqui uma revista “Contigo na Bíblia” e conto todos os outros podres daquela família da pesada.
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Vou começar pelo incesto (essa história pode ser lida no Capítulo 38 do livro de Gênesis, para quem quiser conferir).
Bem, vocês sabem: Abraão, gerou Isaac e este gerou os irmãos Esaú e Jacó. Este último teve 12 filhos, um deles foi José, abandonado pelos irmãos, vendido como escravo para mercadores egípcios, acabou como conselheiro do faraó e governador do Egito (aquele do sonho das vacas gordas e vacas magras). Pois é. O quarto filho de Jacó, que tinha o nome de Judá, era uma espécie de líder dos demais. Foi dele a idéia de vender o irmão José para os egípcios. Quando estava na idade de casar, ele deixou a casa de seu pai e foi tocar a vida. Conheceu um cananeu de nome Hira que tinha uma filha chamada Sua. Diz o versículo 2, do Capítulo 38 do Gênesis que Judá “tomou-a e entrou a ela”. Bem, “entrar a ela” é exatamente isso que vocês estão pensando.
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Judá pegou sua Sua e botou ela pra suar. Ela lhe deu três filhos: Er, Onan e Selá. Quando seu mais velho estava grandinho, Judá lhe arranjou uma esposa, chamada Tamar. Na verdade, Judá estava doido para ter netos e ver dali uma grande descendência. Isto era a grande aspiração dos hebreus da época. Er se casou com Tamar, mas não deu tempo de engravidá-la. Quer dizer, ele “entrou nela”, mas não a embuchou e acabou morrendo em pouco tempo. Diz o versículo 7 que o Er era mau e Deus mandou matá-lo. O Deus do Antigo Testamento era uma espécie de Don Corleone. Se alguém mijasse fora do penico com ele, acabava morto, estirado com a boca cheia de formiga.
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Daí, era costume na época que se um irmão deixasse uma viúva sem filho, ela passaria para o irmão seguinte. E o filho que este tivesse com ela não seria dele e sim do irmão falecido. Como no caso o morto era o primogênito e herdeiro de todos os direitos, o filho desta segunda união, mesmo não sendo gerado pelo mais velho, herdaria tudo. Judá mandou Onan “entrar na viúva” para gerar o neto que ele tanto queria. Só que o Onan pensou: “péra lá! Eu entro nela, faço o filho e o filho não será meu? Ah, tô fora!” E foi exatamente o que ele fez: entrava na mulher, mas gozava fora. Curiosamente, Onan entrou para a História como o inventor da masturbação (onanismo), e na verdade ele inventou o “coito interrompido”. Como se vê, ele não foi o cara celebrado como ídolo pela Sagrada Ordem dos Descabeladores de Palhaço, aquela gente que costuma fazer uma espécie de fisioterapia prazerosa no bigorrilho.
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Vamos adiante. Don Corleone, quer dizer, Jeová, quando ficou sabendo daquela sacanagem, passou o cerol em Onan (eu sei, no versículo 10 diz que “o Senhor o matou”, mas acho “matar” muito forte. Um pouco de eufemismo não faz mal a ninguém. Pô, o cara é Deus, não é?...). E Tamar perdeu o segundo marido sem gerar um neto para o já desesperado Judá, que estava inclusive viúvo. Sobrou o seu terceiro filho, Selá, que era muito jovem para entrar na cunhada. Judá prometeu que assim que ele estivesse crescidinho, mandaria o garoto botar o siri na toca da moça. E ela foi para a casa do pai e ficou esperando, esperando...
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O Selá cresceu e nada entrar nela. Não que o garoto não fosse chegado numa ostra kosher. É que esperava o pai dar a ordem e o velho parecia ter se esquecido da bi-viúva Tamar. Foi quando ela resolveu que alguém daquela família tinha que entrar nela e fazer um filho para acabar com aquela agonia. E seria o próprio Judá. Pôs-se a pensar até que teve uma idéia brilhante: fantasiou-se de prostituta e foi pra rua, no caminho que o Judá costumava passar. Ela tentou o velho que não a reconheceu e, cheio de tesão, pois há muito tempo não botava o kibe num forno, pediu para entrar nela (tá lá, no versículo 16, não estou inventando: “peço-te, deixa-me entrar em ti”). Ele propôs pagar um cabrito pela bimbada, mas estava sem nenhum naquele momento. A Tamar falou que tudo bem, mas que ele deveria deixar o selo, o lenço e o cajado como garantia de que pagaria pelos serviços dela. O Judá que já estava naquele estado em que não se pensa com a cabeça de cima, topou. E entrou na Tamar com tudo!
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Quando chegou em casa, mandou um amigo levar o cabrito e pegar os seus objetos de volta. Só que a esperta da Tamar já tinha se raspado dali. Passou um tempo, e correu a notícia de que ela estava grávida. “Mas como? Ah mulher adúltera!”, vociferou Judá, que já saiu de casa furioso, achando que a bi-nora tinha cometido adultério, não se guardando para o Selá. Já chegou lá gritando “eu mato! eu mato! vou queimar essa filha de uma camela!” Foi quando a Tamar mostrou o selo, o lenço e o cajado dele e contou toda a verdade. Ao invés de ficar irado por ter entrado na bi-nora que era considerada como filha por ele e daí o incesto, Judá disse que ela estava certa e reconheceu a paternidade daquela barriga. O filho que nascesse dali seria o seu herdeiro.
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Acontece que na hora do parto, a parteira percebeu que eram gêmeos. Caraco! E aí? Pois é, ser primogênito naquela época era coisa muito séria, já que seria o dono de tudo. Disse a parteira: “o primeiro braço que aparecer, eu amarro uma fita”. E no que surgiu um bracinho ali, na zona do agrião, a parteira mais que depressa amarrou a fita. Foi quando aconteceu o inesperado: o bebê recolheu o bracinho e voltou pra dentro da mãe. Cara! Isso é fantástico! O Moisés estava particularmente inspirado quando escreveu essa trama no livro de Gênesis! Sabem o que aconteceu? O do bracinho com a fita saiu em segundo lugar! O primogênito recebeu o nome de Perez e o da fita, Zerá. Da linhagem de Perez nasceria Jesus Cristo.
Viram só que história? Que novela das oito é o cacete! A Bíblia dá de dez a zero! Muito melhor que o Big Brother!
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Canção de Amor”, com a divina Elizeth Cardoso. Dedico esta música à pobre Tamar que passou de mão em mão e ficou sempre na saudade...

terça-feira, abril 15, 2008

As cartas não mentem (ou só um pouquinho?)


Noutro dia, fui visitar a minha amiga Yumi e vi um post sobre uma consulta virtual que ela fez ao tarot. Ôpa! Essas coisas esotéricas são comigo mesmo! Tô dentro! Fui lá na página indicada e coloquei meu nome completo. Pronto! Saiu minhas 42 características, segundo as cartas do tarot!
Lendo uma a uma, vi que eles acertaram 31 e erraram as demais 11 (o que dá 26% de erros, se as cartas não mentem, essas dão uma boas derrapadinhas).
Pedi autorização a ela para colocar minhas características aqui como post. E resolvi lançar uma proposta a quem se interessar.
Você está sem inspiração para um post? Está sem saco para ficar pensando no que escrever?
Seus problemas acabaram!
Chegou o sensacional POST CORRENTEITOR TAROT EMBROMATION DO GRUPO CAPIVARA-SEU CREYSSON!
Clique aqui, depois em “conheça o seu arcano”, leia as instruções, coloque o seu nome completo e voalá! Veja as suas caraterísticas e marque C ou E para as certas e erradas, e aproveite para dar uma comentada básica em cada resposta.
E voalá de novo! Você fez a atualização da página, deu a chance da gente bisbilhotar sobre os seus mais secretos segredos e todos ficamos felizes!
Aí vão os mais íntimos recônditos de minha alma.

Seu Arcano Pessoal é:
8 - A JUSTIÇA (Segundo eles, esta é a minha carta-símbolo)
(Rider Tarot: A Força)
Palavras-Chave: Retidão e Equilíbrio

- Acontecimento marcante a nível psicológico aos 8 anos de idade; [E] (O acontecimento marcante foi aos 6 anos e meio, quando meu pai foi pro céu. E esse “a nível” aí é dose para hipopótamo obeso...)
- Senso de justiça apurado; [C] (Certíssimo!)
- Autoridade; [E] (Eu não sou autoridade em nada e não convivo bem com autoridade; eu nunca seria militar, por exemplo)
- Deseja obter o máximo de respeito por parte dos outros; [C] (E quem não quer ser respeitado?)
- Dúvidas acerca da capacidade; [E] (Mas de jeito nenhum! O que sei, eu sei. O que eu não sei, confesso na maior! Sem dúvida nenhuma, sou uma anta em informática, por exemplo)
- Muitas vezes duro demais consigo mesmo; [C] (Tá aí uma grande verdade... Eu não gosto de falhar. Coisa de virginiano)
- Quer ser imparcial nas discussões; [E] (Rá! Pedir a um rubro-negro apaixonado para ser “imparcial”?)
- Magnitude e comportamento refinado; [C] (Ah... Bobagem... Não precisava ter dito...)

- Quer ser ouvido(a) e fazer valer sua vontade; [E] (Olha... Eu ando numa fase do tipo cagando e andando se concordam comigo ou não...)
- Desafios na relação a dois; [C] (Huuumm... Isso é bom, né?)
- Cuidado com o autoritarismo; [E] (Quem...eu?)
- Conflitos de poder com figuras masculinas; [E] (olha, não mesmo... Meu chefe, manda e eu obedeço, mesmo discordando; meu diretor de teatro manda e eu faço, mesmo discordando)
- Busca segurança máxima; [C] (Acertou na mosca! Sou totalmente pé no chão!)
- Previdência; [C] (Complemento da assertiva anterior; sou que nem a formiga da fábula da cigarra)
- Instinto protetor e defesa de seu território; [C] (É... Mais ou menos... Sem exageros...)
- Quer e passa credibilidade; [C] (É o povo e o tarot quem diz isso...)
- Confiança adquirida; [C] (Arram, arram...)
- Se sociabiliza escolhendo bem com quem se relacionar; [C] (Verdade verdadeira!)
- Não seja tão severo consigo mesmo; [C] (Pois é. Eu vivo dizendo isso e fico irritado quando eu não me ouço)
- Princípio e honestidade; [C] (Aprendi com Dona Ruth e Seu Ferreira)
- Segue as leis e procura aplicá-las na prática; [C] (Ô se não!)
- Mente inquieta; [C] (Eu e minha amiga Isabela...)
- Capacidade criativa a nível técnico; [C] (Criativo, sim... “A nível” técnico?)
- Poder absoluto pelas palavras; [C] (Ahhh... A maior certeza que esse teste teve)
- "Morde e assopra" ; [E] (Já fui de morder. Hoje eu mais assopro...)
- Cuidado com a inflexibilidade; [C] (Sou inflexível, sim! E nada me faz mudar!)
- Pune-se quando não consegue exatamente o que programou; [E] (Epa! Epa! Epa!... Masoquista é o caramba!)

- Controle emocional; [C] (Quem me viu ouvindo as bobagens que um bostafoguense babaca (desculpe a redundância) me falou depois daquele jogo, eu tranqüilo feito um monge zen aposentado, concordaria que eu tenho total controle emocional)
- Cuidado com o conformismo; [E] (Errou, tarot. Nem de longe eu sou conformista)
- Empenha-se ao máximo no que faz; [C] (Aaaaaaabsolutamente certo!)
- Orgulho intelectual; [C] (Ahhh... Bobagem...)
- Firmeza e controle; [C] (Sou um monge zen, já disse)
- Assuntos burocráticos e legais são testes para você; [E] (Só se for teste para a minha paciência!...)
- Atenção aos rins e aparelho circulatório; [C] (Se o tarot diz, tá falado! Sou muuuito preocupado com minha saúde. Quase um hipocondríaco)
- O trabalho é a válvula de escape; [C] (Se está falando da parte agradável dos meus trabalhos, acertou)
- Receio de cometer enganos; [C] (Já falou isso, tarot!)
- Produtividade; [C] (Modéstia às favas...)
- Maturidade adquirida a duras penas; [C] (Certo, certíssimo! E ainda falta adquirir mais um pouquinho!)
- Mãe severa ou distante emocionalmente; [C] (Severa, sim. Distante emocionalmente, mas de jeito nenhum!)
- Privação do prazer; [C] (Certo se for em assuntos específicos. Eu adoraria encher a boca de manjar, pudim, doce de leite, torta de morango, sorvete e qualquer objeto no Universo que leve açúcar em sua composição. Mas me privo em nome da saúde)
- Falsa modéstia; [C] (Putz! Agora você me entregou, tarot!)
- Temperamento encimesmado; [C] (Caraco! “Encimesmado” com “C”???? Tsc, tsc, tsc... Mas, sim, tarot, tenho um comportamento ENSIMESMADO. Sou quieto e introspectivo, mesmo)

Total: 31 acertos e 11 erros.
Quem quer brincar disso?
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Yves Montand, interpretando “Sous le ciel de Paris”. Sabe o que é? Eu gostaria que alguém colocasse as cartas de tarot pra mim numa mesa de café no Champs Elysée, com vista para a Torre Eiffel...
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Amigos, desculpe se não tenho aparecido. Estou com minha mãe doente, ainda inspirando cuidados. Vocês entendem, né?

quarta-feira, abril 09, 2008

Cadê o bispo?

"
Quando eu era menino e assistia ao desenho dos Jetsons, imaginava que se vivesse até o Século 21 (que começou em 2001, não se esqueçam), eu encontraria além daquele videofone e dos carros voadores, a erradicação de todas ou da maior parte das doenças. Estudava que no início do Século 20, Oswaldo Cruz tinha lutado bravamente contra uma população ignorante e omissa, que vivia numa indigência higiênica que propiciava o aparecimento de várias pestes e epidemias. “Isso vai acabar depois de 2001”, pensava eu, inocentemente.
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Eis que vivo em pleno Século 21, no futuro que eu tanto imaginara. Converso com minha irmã, que mora na Europa, por um videofone parecido com o dos Jetsons. Meu carro não voa, mas tem alguns itens que eram inimagináveis naquela época. Mas em plena época da tecnologia, vejo a minha cidade retroceder no tempo e ser assolada por uma epidemia como nos tempos do Oswaldo Cruz. Naqueles idos, um mosquito, o Anopheles, transmitia febre amarela. Atualmente, um outro mosquito, o Aedes Aegypt, está matando crianças e provocando uma hecatombe nos hospitais públicos. Como ficamos nessa situação? De quem é a culpa? Vamos ter que nos queixar ao bispo?
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Está aí um bom motivo para mais um texto da seção “A origem das expressões de uso corrente”. Hoje trataremos da expressão:

Vá se queixar ao bispo!

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Costuma-se dizer isso a quem tem alguma reclamação e sabe que não adianta se dirigir a um órgão de governo. A origem da frase vem dos tempos coloniais brasileiros e, acreditem, é inacreditável! Esse tipo de coisa só poderia acontecer no Brasil...
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Quando o primeiro governador-geral brasileiro, Tomé de Souza, veio para cá e fundou a primeira capital, Salvador, em 1549, ele viu rapidamente o núcleo urbano crescer. Os portugueses que lá viviam assentaram suas roças, formaram um incipiente comércio, foram se estabelecendo. Tomé criou uma ouvidoria-geral, um servidor público que ficaria com a responsabilidade de ouvir as queixas da população e investigá-las. Escolheu para o cargo um certo Pero Borges. Acontece que as maiores queixas da população eram contra o próprio governador-geral (que nem era tão ruim assim, na verdade, foi o melhor dos três primeiros que o Brasil teve...). Como o Pero, além de corrupto até dizer chega, tinha o rabo preso com o Tomé de Souza acabava empurrava as queixas com a barriga, não investigando nada. Mais tarde, o rei de Portugal determinou que caberia ao bispo designado para o Brasil as funções de ouvidor.
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Vem para o Brasil o seu primeiro bispo, Dom Pero Fernandes Sardinha, para ser também o Ouvidor-Geral. Aliás, o Sardinha era mais corrupto que o Pero Borges, mas vou tratar disso em um outro post sobre as origens da corrupção no Brasil. Podem me cobrar.
Naquele início de colonização, mulher por aqui era artigo raro. Quer dizer, tinha índia pra dedéu e elas adoravam liberar a perereca para os lusos. Não respeitavam nem os padres jesuítas! Caíam matando mesmo. Mas os portugueses não queriam se casar com elas, só queriam fazer saliência com elas. Foi necessário importar mulheres de Portugal. Cataram um punhado de órfãs, prostitutas, prisioneiras, quem tivesse dando sopa lá em Lisboa e mandaram para cá (repararam no nível da mulherada que deu início ao povo brasileiro? Vocês não viram nada...).
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Como o intuito era povoar as novas terras, os homens portugueses queriam ter certeza de que as mulheres eram férteis. Daí pediam para fazer um test drive nas cachopas. Se elas pegassem filho, aí eles se casariam com elas. E pasmem! A Igreja autorizou! Liberou a moçada para comer a merenda antes do recreio! E foi então que aconteceu o inevitável: os gajos passavam o rodo nas meninas, elas ficavam prenhes e eles sumiam no mundo ou diziam que não queriam casar.
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O que restava à gaja barriguda? Ora, se queixar ao bispo! E o Sardinha mandava a guarda caçar e prender o fujão, o obrigando a se casar com a moça.
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Pois é. Quem fornicava, tinha que assumir. E hoje? Quando o governo, quando as “otoridades” f(@#$%&*)odem com a vida do cidadão. Cadê o bispo para a gente se queixar?
Se bem que no caso da dengue, estou certo de que não são somente os governos (municipais, estaduais, federal) os responsáveis pela disseminação dos focos de mosquitos. Esse nosso povinho é o principal culpado. Tanta campanha pela TV, Rádio, jornais, para se evitar criar ambiente para os mosquitos porem seus ovos e a imprensa vive mostrando caixa d’água destampada, garrafas e pneus com água parada nos quintais, vasos de planta cheios de larvas na porta de casa (vi no jornal a cara de babaca de um sujeito que ficou “espantado” quando mostraram um baita criadouro de aedes nas suas plantas, bem na sua varanda)... Contra essa falta de cidadania, nem o papa dá jeito!
M.S.

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Caros amigos, fiquei sabendo que quem mora em São Paulo, capital e interior, não teve como assistir ao programa do Sergio Britto. A Cultura retransmite parte da programação da TV Brasil, mas não todos os programas e, infelizmente, o “Arte com Sergio Britto” não é um deles. Mas, calma! Não vos desesperei! Um amigo gravou a entrevista em DVD e vai arranjar um jeito de dividi-la em dois blocos de 10 minutos para inseri-la no You Tube. Aí eu boto as telinhas aqui e quem não conseguiu ver vai ter a oportunidade. Fiquei muito feliz com o resultado. A minha entrevista ocupou metade do programa! Obrigado a todos que assistiram e aos que tentaram.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Adoniram Barbosa e Demônios da Garoa contando um caso típico para se queixar ao bispo: “O casamento do Moacir”.

sexta-feira, abril 04, 2008

Antigas Ternuras no "Arte com Sergio Britto"


Pois é, caríssimas e caríssimos.
Nesta terça-feira (8/04), às 22h, o programa “Arte com Sergio Britto”, da TV Brasil (antiga TV Educativa, não confunda com o Canal Brasil), vai exibir a entrevista que o famoso ator e diretor teatral fez comigo sobre o meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo” (veja a capa aí ao lado).
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Gravamos uns 20 minutos de papo, não sei se eles vão exibir tudo (acho difícil). De qualquer forma, foi uma conversa bem agradável com meu antigo professor de arte dramática, meu diretor em várias peças, meu companheiro de palco em algumas, e meu parceiro de autoria em “Cafona, sim, e daí?” (apontada como uma das melhores peças de 1997).

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Na última quarta-feira (2/04), O Globo e o Estado de São Paulo publicaram matéria sobre o meu livro. Transcrevo-a abaixo:
UMA FIGURA E SEU TEMPO
Livro sobre o ator Brandão retrata o Teatro no Brasil nos Séculos 19 e 20

Quem diria que Leonardo di Caprio inspiraria um livro sobre um brasileiro que fez sucesso no final do Século 19 e início do Século 20? Pois foi ao ver um livro sobre o ator americano que o pesquisador, ator e jornalista Marco Santos percebeu que artistas brasileiros do passado caíam no esquecimento, enquanto o jovem di Caprio já tinha até biografia (isso foi em 1997). Esse foi o estopim para “Popularíssimo: O ator Brandão e seu tempo”, livro que não só aborda a vida e obra de Brandão (1844-1921), como conta histórias dos primórdios do Teatro brasileiro.
Na verdade, o autor pretendia escrever sobre Brandão Filho, herdeiro do ‘popularíssimo’, que ficou conhecido pelo personagem Primo Pobre, que contracenou com Paulo Gracindo no Rádio e na TV. Foi o filho que ‘apresentou’ Santos ao pai. O autor pesquisou por cinco anos, leu 70 livros e entrevistou familiares, estudiosos de Teatro e até uma contemporânea de Brandão, a atriz Cordélia Ferreira. Com prefácio de Domingos Oliveira, o livro é recheado de casos engraçados e curiosidades.

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É isso aí, amigos. Estou esperando comunicação de um político de São Paulo que se interessou por apoiar o lançamento do meu livro na terra da garoa. Aviso a vocês quando acontecer.
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Enquanto isso, o livro pode ser encontrado na Leonardo da Vinci, Livro Antigo, Letras e Expressões, Argumento (todas no Rio de Janeiro), Cultura (SP e Brasília) e pequenas livrarias de Belo Horizonte. E também, vocês sabem, diretamente comigo, pelo endereço popularissimo@gmail.com, ao preço de R$ 40,00.
(*) A TV Brasil é canal aberto. No Rio, passa no Canal 2. Em alguns estados, São Paulo inclusive, ela é transmitida pela TV Cultura. É o mesmo canal onde passa o programa Sem Censura)
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Smile”, por Carmem Cavallaro, tema do velho programa Grande Teatro Tupi, do qual o Sergio era uma das estrelas.

terça-feira, abril 01, 2008

Conheça-te a ti mesmo!


“Prudens in loquendo est tardus”.
Το αγαθό για τη γνώση αυτό πρόκειται να είσαι σιωπηλό, μέχρι την ύπαρξη χρόνος της ομιλίας
Ele levantara a cabeça para melhor pensar e seus olhos encontraram na parede em frente a placa em madeira, com a frase em latim e grego escalavrada com esmero.
Sorriu.
“Bom saber é o calar, até ser tempo de falar”, traduziu mentalmente, e esgarçou uma tentativa de sorriso. Tentou lembrar da última vez em que tinha ouvido a sua voz sem, contudo, chegar a uma conclusão.
Estava entretido com uma tradução em hebraico do “Guia dos Perplexos”, de Maimônides, quando lera na obra a recomendação: “Não o leia superficialmente, para não me ofender, e não extraia benefício para si mesmo. Você deve estudar extensivamente e ler sempre”. Era preciso refletir sobre isso.
Olhou em volta, cercado que estava por pergaminhos, e sentiu necessidade de ver o céu. Estava ali encerrado há tantas horas que não tinha certeza se já era noite ou se o sol ainda aspergia ouro pelos campos ao redor do mosteiro. Levantou-se e fez estalar as pedras do chão com seus passos medidos, no rumo do jardim. Foi recebido pelo perfume de glicínias, que se derramavam em cachos arroxeados sob a luz da lua, cercados por vaga-lumes a salpicar de estrelas o ar em derredor. Uma leve brisa fez tremelicar a barba grisalha, impregnando-a do perfume da flor. Deixara para trás milhares de palavras exaltando o Deus do Universo. E ali ele olhava um silencioso exemplo de milagre, que nem todas as letras que já escrevera na vida conseguiriam descrever. “Obrigado”, disse quebrando o silêncio. “Obrigado”, repetiu, porque sentiu que era tempo de falar.
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Escrevi este pequeno e despretensioso conto a partir da resposta que li, consultando um certo site da Internet. Tinha visitado o blog da amiga Yumi e visto lá um link para um site que dizia o que a gente foi na última encarnação. Fiquei curioso. Tenho lido muito sobre vidas passadas ultimamente. Aliás, eu me interesso por isso desde muito tempo. Já tentei fazer regressão, para descobrir o que fui em outra vida. Não consegui. Eu até assisti a uma palestra do Brian Weiss, o “papa” das viagens astrais. Ele propôs à platéia um exercício para regredirmos. Pelo menos para mim, não funcionou. Fico imaginando o que um cara com sede de estudo e pesquisa não faria se soubesse quem e o que foi em encarnações passadas. Vai ver é por isso que eu não consegui. Certos segredos são para serem guardados.
*
Mas ali estava a resposta! Fácil, não é? Bastou eu preencher um formulário no site e pronto! Está ali, ao alcance de qualquer um. Não requer prática, nem tampouco habilidade. Querem saber o que fui no passado? Eis a resposta:
Olá Marco,
Na sua outra vida, você era um copista que nasceu no ano de 1215 d.C. na região onde hoje fica a Espanha.
COMO VOCÊ ERA?
Você era um monge copista. Silencioso, introspectivo e perfeccionista, acreditava que passar o dia concentrado, copiando livros, era uma forma de meditação. À noite, costumava transformar as palavras em poemas. Sua vida sempre fora muito solitária no silêncio do monastério. Mas Deus sempre esteve presente na sua vida. Você tinha orgulho em poder ajudá-lo, levando o conhecimento aos homens através dos livros que transcrevia.
QUAL LIÇÃO DO PASSADO VOCÊ PRECISA TRAZER PARA O PRESENTE?
Ficar em silêncio e meditar é um bom exercício de autoconhecimento. Nunca perca este costume! Porém, tente ser mais comunicativo, criar mais, ter idéias próprias. Continue ajudando a difundir o conhecimento, iluminar as mentes e transmitir mensagens positivas. Mantenha-se tranqüilo e conciliador.
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Daí eu escrevi o pequeno conto para entrar no clima de minha encarnação.
Se isso é verdade? Fui mesmo um monge? Sei lá! Mas duvido que o site tenha acertado. O negócio soa um tanto a uma espécie de “Encarneitor Auto-Self-Conhecedor Tabajara”. Como no formulário a gente coloca data de nascimento, eles dão uma resposta que combine um pouco com o signo astrológico da pessoa. Sou virginiano e a galera deste signo é meio silenciosa, introspectiva, perfeccionista. Não é à-toa que minha carta-símbolo no Tarot é o “Eremita”.
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De qualquer forma, achei divertido. Pelo menos me rendeu um post, não é?
Querem brincar disso também? OK, basta clicar aqui.
Depois me contem o que vocês foram na outra vida.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve a minha melhor música de todas que existem. Meu eterno tema, a música que me define e com a qual quero ser lembrado: “Somewhere in time”. Bom, né?

quinta-feira, março 27, 2008

15cm de fama


Tinha um antigo programa de Rádio, chamado “O Sombra”, em cujo prefixo se ouvia uma voz cavernosa dizendo: “Quem sabe o mal que se esconde no coração dos homens? O Sombra sabe... Rá! Rá! Rá! Rá! Rá!...” Pois bem. O dono daquela voz rascante podia até conhecer o coração, mas a cabeça dos seres humanos, acho que só Deus sabe. E mais: tenho certeza de que mente e coração dos exibicionistas sexuais nem o Todo Poderoso consegue entender.
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No carnaval passado, jornais, revistas, Rádio e TV, noticiaram que os foliões, na maior cara de pau, urinavam pelas ruas, encostados em árvores, nos carros, bancas de jornal. Ao menor sinal de bexiga cheia, os foliões botavam o pierrot pra fora e faziam jorrar o subproduto de muita cerveja ingerida.
Eu conheço quase todos os estados brasileiros e posso afiançar que, além dos cariocas, somente na Bahia eu vi homens urinando nas vias públicas. A diferença nas duas atitudes é singela: aqui no Rio, os homens procuram um cantinho. Na terra de Caymmi e Jorge Amado, o cara tira o acarajé pra fora e mija voltado pra rua, no maior exibicionismo, que já faz parte do DNA dos baianos.
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Minha mãe me contou que quando ela era mocinha e fazia o curso ginasial, tinha um sujeito famoso como “o Velho do Casaco”, que ficava no Largo da Cancela, esperando o bonde das estudantes. Ele trajava um sobretudo longo, igual àqueles de detetive particular de filme policial, só que sem cinto. Quando o bonde com as moças passava, ele abria o casaco e...oh!... Ninguém em casa!... Ficava ali, balançando aquelas pelancas emurchecidas e sorrindo feliz. Minha mãe conta que ela e as amigas gritavam e desviavam o rosto. Mas tinha aquela que uivava de alegria e olhava tudinho! Só não gritava “urrúúúú!” por que este berro primal ainda não tinha sido inventado.
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Entre as que francamente desaprovam este comportamento e as que ululam de satisfação, existe as que se posicionam criticamente. Uma atriz e diretora com quem trabalhei em trocentas peças, um dia chegou num de nossos ensaios dizendo que estava andando pela rua, quando um homem começou a caminhar ao lado dela, fazendo “psiu!”. Quando ela foi olhar pro cara, viu que ele estava com o bigorrilho de fora e sorrindo pra ela. O rapaz sorria, não o bigorrilho. A atriz falou para o taradão:
- Ih, moço esse troço mole aí... Eu, heim! Não quero, não!
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Os exibicionistas gostam mesmo de platéia. Um professor meu da faculdade, o Teodoro (o Moacy Cirne, que também foi meu professor na UFF, conhece ele), uma vez me contou que trabalhava no antigo Diário Carioca, cuja redação ficava na Av. Presidente Vargas, mais ou menos onde hoje é a sede do Metrô Rio. Segundo ele, ao lado da redação existia uma vila de casas. Em uma delas, religiosamente, todos os dias na hora do almoço, chegava um português, levava a esposa para o quarto, abria a janela que dava para a redação, tirava a roupa, exibindo uma colossal e ajumentada pemba, e executava a mulher, que gemia, alucinada. Os jornalistas na janela iam ao delírio, alguns chegavam a narrar a.. digamos... disputa como se fosse uma partida de futebol, caprichando no “atenção, vai marcar, entra com bola e tudo e é goooollll!!!”
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Qual a explicação para esse desejo de exibir a genitália? Sim, é um desvio patológico, um doente que deveria ser detido e tratado. Eu contei os episódios de maneira jocosa, mas já soube de menina traumatizada, de ter que fazer tratamento psicológico, por conta de um desequilibrado que ficou exibindo seus órgãos sexuais pra ela. Se fosse um fenômeno brasileiro, eu até arriscaria as nossas origens índias e africanas, que andavam nus ou seminus. Mas o exibicionista transcende nacionalidade e raça. Em todo lugar, em qualquer tempo, sempre houve um demente que impunha aos outros a sua doença. Parafraseando Andy Warhol, tem muita gente aí em busca de seus 15cm de fama. Às vezes, nem isso...
M.S.
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Os post-corrente prosseguem, dando selos, prêmios e carinhos. Chegou o momento de agradecer aos que lembraram desse velho guarda-louças de antigas emoções para dar um selinho. Recebo e passo o post-corrente adiante, como é praxe nesses casos.
Recebi da querida Dominique o selo “Sensações Alucinógenas”.

E o repasso para:
- Isabela, do Mente Inquieta">
- Zeca, do Janelas do Zeca
- J.F., do Blog do J.F.
- a turma do Playground dos Dinossauros
- Claudinha, do Transmimentos de Pensações

Da querida Luminha, recebi o selo “Award Blogs Favoritos de 2007”, com que agracio:
- o DO, do Ramsés do Século XXI
- Babi Soler, do De tudo e tal
- Dominique, do Dominus
- Bruxinhachellot, do Labirinto do Sol e da Lua
- Mimi, do Mente quem diz

Da querida Babi Soler, recebi o selo Esse Blog Merece ser Premiado Sim! que agora entrego para:
- Marcos, do Simpatia e Esculacho
- Janaina, do Alfarrábio
- Luciana, do EEEPA!
- Olga (Guiga), do A Sul
- Itiro, do Gaijin4ever
Agora é com vocês, amigos. Copiem o selo e repassem o post-corrente para seus escolhidos.
E... Vocês sabem:
Carpe Diem. Aproveitem o dia e a vida.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Zé da Velha e o seu “Trombone Atrevido” (ré, ré, ré... eita, que hoje eu estou saliente de dar nojo!)

sexta-feira, março 21, 2008

Pelamor de Deus!



Tem um samba do Almir Guineto, da década de 80, cuja letra diz assim:

Os habitantes da Terra estão abusando
Ao nosso Supremo Divino sobrecarregando
Fazendo mil besteiras
E o mal sem ter motivo
E só precisam de Deus quando estão em perigo
"Deus lhe pague", "Deus lhe guie", "Deus lhe abençoe"
Deus é o nosso Pai, o nosso Guia
Tudo que se faz na Terra, se coloca Deus no meio
Deus já deve estar de saco cheio!


Vou avisando que este post é pra lá de polêmico. Que Deus me ajude!
Um antigo dirigente europeu disse, certa vez: “Hoje acredito que estou agindo de acordo com a vontade do Criador Todo-Poderoso: ao me defender do judeu, estou lutando pela obra do Senhor”. Um jogador de futebol disse, ao fazer um gol ilegal: “Foi a mão dei Deus!”. Um deputado disse, em depoimento, que “Deus o tinha ajudado a ganhar na loteria 221 vezes”. A frase “Fé em Deus” é utilizada como cumprimento entre um certo grupo de comerciantes.

Ou seja, Deus é usado em diversas situações como explicação, como desculpa, como base para milhares de argumentações. Para muitos, Deus é Amor. Para outros tantos, Deus é justificativa para matar. E ao longo da História, quantos morreram em nome de Deus! O Deus judaico-cristão da maior religião do planeta, em tempos antigos era acometido por “ira”, “se vingava”, costumava “perder a paciência” com os seres que criara à sua imagem e semelhança. Basta dar uma olhada no Antigo Testamento e verificar a origem de expressões como “Deus castiga!”, “a ira de Deus” etc. Segundo consta, a Bíblia é a “Palavra de Deus”, foi escrita por homens segundo a Sua inspiração e orientação.
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Lá, estão escritos os “Dez Mandamentos” de Deus. Na verdade, lendo os livros de Gênesis, Êxodus, Levítico, Números e Deuteronômio, os primeiros cinco que compõem o Pentateuco e foram escritos, segundo a tradição cristã, por Moisés, vemos que existem muito mais mandamentos. Não contei, não, mas deve ter pra lá de 500! A imensa maioria caducou e não dá para ser levada a sério, ou alguém ainda quer saber o que se deve fazer para sacrificar um animal a Deus? Tem alguns mandamentos que devem ser seguidos a risca para que Deus se agrade de um sacrifício.
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Por falar nos famosos 10 mandamentos, recentemente eu vi um excelente documentário no canal Discovery esclarecendo sobre cada um deles. Excelente! Vocês sabiam que o quinto mandamento foi feito como uma espécie de INSS para pais e mães velhinhos? Nos tempos bíblicos, o filho mais velho herdava as propriedades da família. A mãe não ficava com nada. E o pai, quando envelhecia e não conseguia trabalhar, ficava à mercê dos filhos. Daí, tratou-se de colocar um fundo de previdência para os pais, para que os filhos cuidassem deles e mantivessem a célula central da sociedade: a família. Veio então o “Honrarás teu pai e tua mãe”.
Aliás, outra curiosidade: as duas primeiras tábuas com os Dez Mandamentos foram quebradas por Moisés, quando ele voltou e viu o povo adorando o Bezerro de Ouro. Depois de dar um esporro geral, ele subiu de novo a montanha e pediu uma segunda via para Deus. Foi essa que colocaram na Arca da Aliança.
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Mas eu queria chamar a atenção para o segundo mandamento, o que diz: “Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”. Tem versões da Bíblia que acrescentam um complemento a este mandamento: “Não adora-las-á, nem prestar-lhes-á culto, por que eu, Jeová, teu Deus, sou Deus zeloso ["Deus que exige devoção exclusiva" ou "Deus ciumento"; em hebraico El qan.ná e em grego Theós zelotes], e que puno o erro dos pais nos filhos até sobre a terceira geração e sobre a quarta geração dos que me odeiam, mas que uso de benevolência para com até a milésima geração dos que me amam e que guardam os meus mandamentos”.
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Xiiii... Aí fedeu! Complicou a vida dos católicos! Pela quantidade de imagem de santos que tem as igrejas, olha, não sei, não... Mas se as palavras da Bíblia estão valendo... Deus vai cair matando sobre adoradores de imagens até os seus bisnetos!
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Bem... Com a palavra sobre o assunto, a Igreja Católica. Vi e ouvi um padre falando sobre o mandamento: “Nós não adoramos as imagens. Elas são como uma fotografia, uma lembrança dos santos. Ao rezarmos diante de uma imagem, na verdade, estamos rezando para o santo que ela simboliza”.
Sei... Entendi... Então, pelo que consta, o mandamento não está escrito com clareza, é isso? Se Deus não quisesse que se fizesse imagem de santos, bastaria ter dito que não deveria ser feita nenhuma “fotografia”, nenhuma “lembrança”... Aaah, tá... Agora ficou bem mais claro! Como ele só recomendou que não adorassem, nem fizessem imagem de nada, então está claro, claríssimo!
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Da mesma forma, o mandamento de Cristo “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” não é assim para ser levado tãããão ao pé da letra, não é? Com a Inquisição, as perseguições religiosas, a matança de judeus (mas, péraí... Jesus não era judeu? Não pregava para judeus? Não falava sobre o Judaísmo?), as guerras religiosas, o apoio à escravidão de negros, as decisões de Estados cristãos de mandar balas e bombas para cima das pessoas, isso é alguma forma de “amar o próximo”? Vai ver até é e eu não peguei o espírito da coisa.
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Mas eu não quero só discutir as religiões judaico-cristãs. Um outro ramo também tem invocado o nome de Deus para fazer umas coisas que... huuuummm... não sei se Ele aprovaria. Fui assistir ao bom filme “Os caçadores de pipas”. Não sei se o livro é baseado em fatos verídicos. Não o li. Só vi o filme. Mas, de qualquer forma, parece que ele descreve com muita semelhança o que os talibãs fizeram no Afeganistão, depois que os tomaram dos soviéticos. Carácoles! Se existe inferno, aquilo era o próprio! Verdadeiras barbaridades eram cometidas, segundo diziam, por ser “a vontade de Deus”. Tem gente que diz que nós, ocidentais, deveríamos deixar os muçulmanos pra lá, com o jeito e a cultura deles. Mas no notável livro “Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo”, de Ali Kamel, ele assegura e demonstra cabalmente que os fundamentalistas islâmicos não querem aquela vida para eles; querem para todo mundo! E que não vão sossegar enquanto todo o mundo for seguidor do Islã na linha ortodoxa deles, em que “Deus castiga os infiéis” por qualquer coisa, como mascar chicletes, por exemplo.
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Para complicar a situação, estive lendo um texto de um estudioso, chamado Christopher Hitchens e fiquei estarrecido. Vocês sabiam que não há consenso, mesmo entre os islamitas, sobre a origem do Alcorão? Eles dizem que é um livro santo, escrito por Maomé. Não é verdade. O profeta maometano morreu em 632 da nossa era e o primeiro relato sobre a sua vida apareceu 120 anos depois e foi perdido, sendo reconstituído de memória (já pensou na fidedignidade?), duzentos anos depois. Sunitas e xiitas divergem claramente sobre quem escreveu e como o livro foi escrito. A religião islâmica só “pegou” na Arábia a partir das guerras e conquistas árabes que eram tão mirabolantes, que pareciam ter mesmo ajuda divina. Se alguém ler o livro “Deus não é grande”, de Hitchens vai saber de muita coisa estranha sobre o Islã e sobre outras religiões. A verdade é que Deus não manda matar ninguém. Quem mata é o ser humano e dá essa desculpa indigna e calhorda.
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Deus que me perdoe, mas se eu pudesse mudar de planeta e ir passar uns tempos nos anéis de Saturno, olha, eu topava! Eu estou sempre dizendo que a natureza humana é virótica, destruidora. Para cada Tereza de Calcutá tem mil Fernandinho Beira-Mar. Sob situação de tensão, o homem costuma resgatar seu passado bárbaro e aí, nem Deus segura! E muitas maldades são feitas, muitas bobagens são ditas justamente invocando o Santo Nome de Deus! Sabem aquelas frases do início do post? A primeira, foi dita por Adolf Hitler. O jogador de futebol foi o Maradona, depois de marcar um gol com a mão, fazendo tabelinha com o Todo Poderoso. O deputado “ungido” por Deus para ganhar tantas vezes é o João Alves. E são os traficantes cariocas que se cumprimentam dizendo “Fé em Deus”. Aliás, eles combinam assaltos, invasões de outros morros, enfrentamentos com a polícia dizendo este mesmo “mantra”.
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Quero dizer que eu acredito em Deus, faço orações e procuro, dentro de minhas falhas, ter um comportamento cristão. Mas olho o mundo ao meu redor e reflito sobre o quanto o Criador deve estar, com todo respeito, com o saco cheio da humanidade.
John Lennon disse numa canção que "Deus é um conceito com o qual medimos a nossa dor". Temo que, de alguma forma, Lennon tenha razão. Não por eu não acreditar nEle, mas por perceber que a pessoas só pensam verdadeiramente no Ser Altíssimo quando estão passando por algum problema. No mais, Ele seria apenas um mero pretexto.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Theme from Exodus”, peça magistral tocada por 101 Strings. Boa Páscoa para todos!

domingo, março 16, 2008

É festa! Três anos de muita ternura no coração!


Bem, amigos do Antigas Ternuras... Hoje é dia de comemorações aqui no velho guarda-louças de antigas emoções. Há exatos três anos (1096 dias para ser mais preciso), começavam aqui as nossas transmissões para o universo blogueiro. Já contei como aconteceu. Foi por acidente, como as coisas prazerosas costumam acontecer. No dia 16 de março de 2005, minha querida amiga Isabela Saes, neta de um de meus ídolos, filha e sobrinha de duas amigas que tanto prezo, me avisou que tinha aberto o (excelente) blog Mente Inquieta. “Passa lá e dá uma força”, me disse ela. Passei, li e, na hora de comentar, ela, como eu, neófita em Internet, não tinha disponibilizado os “comments” para qualquer leitor. Só para quem estava cadastrado no Blogspot. Resumo da ópera: tive que abrir um blog para poder comentar e dar uma força para a minha amiga. Foi ali, de supetão. Botei o primeiro nome que me veio à cabeça, uma citação de uma das músicas que eu tanto admiro do meu prezado Tito Madi: “Ternura Antiga”. Para ficar diferente, resolvi inverter e passar para o plural.
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Eu não conhecia praticamente ninguém do mundo blogueiro, só a própria Isabela (de cuja família sou amigo há muitos anos). Escrevia aqui para mim, sabia que no máximo era lido por meu amigo-irmão Luiz, que nunca me falta, graças ao bom Deus. De repente, nem sei como, o espaço dos comentários começou a ser preenchido. Magicamente, visitas apareciam de tudo quanto é lugar do Brasil e até de fora do país. Eu só coloquei contador no dia 25 de outubro de 2005; no momento em que coloco no ar este post já são 136.121 visitas. Bota aí mais umas mil de março a outubro e já dá para ver no que deu aquele atrapalhamento na hora de comentar no blog da Isabela.
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De lá pra cá, já foram postados 356 textos, que geraram 5.567 comentários de uma gente maravilhosa que conheci virtualmente, uns até pessoalmente como o Paulo, o Evandro, a Helena, o Marcelo, a Márcia e a Bruxinha.
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Revendo o meu arquivo, vi comentários de tanta gente que não aparece mais por aqui. Ou porque deixaram o ambiente blogueiro, ou porque não vêm mais por sei lá que motivo. Provavelmente por algo que escrevi aqui ou em comentários. Existe uma espécie de ética entre a maioria dos blogueiros: não se pode polemizar, não se pode discordar, que algumas pessoas ficam melindradas. Demorei a perceber isso, e sei que arrumei até algumas inimizades. Mesmo sabendo dessa tal “ética”, às vezes a minha natureza de virginiano sobressai e eu acabo deixando gente fazendo beicinho pra mim. Peço desculpas a todos que porventura ofendi de alguma forma. Não foi minha intenção criticá-los. Aqui, no Antigas Ternuras, se alguém discordar do que eu escrevo ou descobrir alguma imprecisão pode falar, pode escrever, aliás, eu vou adorar que me corrijam se eu estiver incorreto. Como já aconteceu trocentas vezes e eu sempre agradeci pelo toque que me deram. Não sou infalível, nem dono da verdade. Cometo erros como qualquer um. E respeito a opinião de todos, mesmo que diversa da minha.
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Nesses três anos de Antigas Ternuras, nesses 1096 dias, passei e recebi tantas informações que quase transformam este modesto blog numa versão moderna dos velhos almanaques. E eu acho isso ótimo! Eu era fascinado por almanaques! Costumava ir na farmácia e pedir um exemplar. Lia o Almanaque Capivarol, o do Biotônico Fontoura, o que me caísse nas mãos eu devorava. Os almanaques eram dirigidos especialmente aos agricultores, visto que tinham informações sobre época de plantio, fases da lua, melhor período para colher a safra...Lá, por exemplo, dizia que se plantasse milho no dia de São José (19 de março), colheria as espigas no dia de São João (24 de junho). Mas eles também continham anúncios de remédio, palavras cruzadas, cartas enigmáticas, piadinhas, e, o que eu mais gostava: informações curiosas.
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Tem gente que até hoje chama esse tipo de informação de “cultura inútil” ou “cultura de almanaque”. Modestamente, eu discordo. Cultura nunca é inútil. E ela não se gerou espontaneamente nos almanaques: alguém estudou, pesquisou e escreveu ali. Em muitos casos, uma informação dada no almanaque gerava em mim uma baita curiosidade de eu saber mais. E ia procurar nos meus “Google” da época: as enciclopédias. Ou mesmo em livros específicos. Ah, se os jovens de hoje ainda tivessem esta preocupação! Atualmente, temos à nossa disposição muitíssimo mais informação que no meu tempo de moleque. Só que muita informação é igual a nenhuma informação, pois satura as pessoas e elas acabam não se interessando ou sequer sabendo triar o que existe por aí.
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Nossa! Era tão bom quando chegava um almanaquinho e o Seu Henrique da Farmácia guardava um exemplar pra mim! Aqueles livrinhos eram minhas janelas para uma outra dimensão. Para quem não era dessa época, eis alguns exemplos de informação dos almanaques:
- Diz-se que o imperador Nero ficou profundamente entristecido com a morte de sua esposa, Popéia, que tinha morrido grávida (em decorrência de um pontapé que ele deu nela, em momento de fúria). Um dia, ele estava zanzando pelas ruas de Roma, para esquecer a sua tristeza, quando viu um rapaz, de nome Esporo, que se parecia muito com a falecida. Nero levou o rapaz para o palácio, mandou castrá-lo e se casou com ele.
- Uma elefante-marinho fêmea virgem só se deixará desvirginar por um elefante-marinho macho também virgem. Depois desse primeiro coito, ela dá para qualquer um e ele come todas que passarem na frente dele.

- O angu à baiana é um prato originário de Sergipe. O tutu à mineira foi criado em São Paulo. A caixa preta dos aviões é laranja. O Mar Vermelho é azul. Os palitos de fósforo não contém fósforo. A soda-limonada não tem soda. O papel de arroz não leva arroz na sua fabricação. O chapéu Panamá é fabricado no Equador. O banho turco foi inventado pelos romanos.
- A lata para conter alimentos foi inventada pelo comerciante inglês Peter Durand e apareceu em Londres, pela primeira vez, em 1830. O abridor de latas só foi inventado em 1860.

- Existe uma espécie de peixe, o mouthbrooder africano, cuja fêmea expele seus óvulos na água e depois vai catando um a um com a boca. O macho vai acompanhando o movimento. Ele tem pontos vermelhos em sua barbatana ventral que confundem e atraem a fêmea. Quando ela se aproxima para catá-los o macho ejacula na sua boca e acaba fertilizando ali os ovulinhos dela.

- O papa João XII freqüentava tabernas e prostíbulos e era bissexual: levava moças e moços da nobreza para a sua cama. Ele preferia caçar a sair em procissão, jogar dados em vez de rezar salmos. Nas festas de embalo que empreendia no Vaticano, ele levantava da mesa bêbado e ia para as cocheiras. Lá, entre uma mijada e outra, ele consagrava bispos, celebrava missa e até fazia brindes a Baco.
- Na Idade Média, em alguns países da Europa, o assassinato era punido com a forca. O cadáver de um suicida também era enforcado, visto que matou uma pessoa.
- Oliver Cromwell foi condenado à forca seguida de decapitação. Isso dois anos depois de morrer. E a sentença foi cumprida.

- O céu de Marte é cor-de-rosa, o de Urano é verde, o de Vênus é cor de laranja, o de Júpiter é preto.
- Em determinada tribo de índios do Brasil, na época do descobrimento, se alguém fosse capturado e condenado à morte, ele poderia passar a última noite com a filha e a esposa de seu captor.
- Os tubarões são imunes a qualquer doença, mesmo câncer. Seu sangue tem anticorpos que destroem qualquer vírus, bacilo ou bactéria.
- O que Átila, o rei dos hunos, e o papa Leão VIII têm em comum? Ambos morreram de ataque cardíaco em pleno ato sexual.
- O que Alexandre, o Grande, o rei Ricardo Coração de Leão, a rainha Cristina da Suécia, o tzar Pedro, o Grande e o papa Júlio III têm em comum? Todos eram homossexuais.

- Se alguém fosse escrever toda a história do planeta Terra, desde o seu surgimento, num único volume com mil páginas, cada página cobriria quatro milhões e meio de anos. A Idade dos Dinossauros gastaria trinta páginas. O primeiro mamífero apareceria na página 984. O homo sapiens surgiria no final da penúltima página. E tudo o que aconteceu na humanidade, desde a pintura nas cavernas até os dias de hoje deveria ser condensado numa única palavra no final do livro.
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Não é legal saber dessas coisas? Pois é. Resolvi comemorar o aniversário do Antigas Ternuras relembrando minha paixão pelos almanaques. Meu muito, muito obrigado a cada um de vocês que habitualmente vêm aqui ler meus textos e ainda me cumulam de prêmios, selinhos e carinhos. Foram três anos muito prazerosos, sem dúvida. Em diversas vezes, por conta de minhas atribuições, já pensei em dar um tempo aqui no blog. Mas acabo permanecendo, visto que adoro escrever coisas aqui e ler os textos dos meus muitos amigos virtuais. O melhor presente de aniversário deste blog é a presença de cada um de vocês, que são minhas sempre eternas ternuras.
Um brinde!

M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Where Did Our Love Go”, com Diana Ross & The Supremes. Essa também é do meu tempo. Nos bailinhos, a gente botava essa para animar a moçada. A pista fervia! Vamulá, moçada! Vamos sacudir a caveira, aê!