
Bem, amigos do
Antigas Ternuras... Hoje é dia de comemorações aqui no velho guarda-louças de antigas emoções. Há exatos três anos (1096 dias para ser mais preciso), começavam aqui as nossas transmissões para o universo blogueiro. Já contei como aconteceu. Foi por acidente, como as coisas prazerosas costumam acontecer. No dia 16 de março de 2005, minha querida amiga Isabela Saes, neta de um de meus ídolos, filha e sobrinha de duas amigas que tanto prezo, me avisou que tinha aberto o (excelente) blog
Mente Inquieta. “Passa lá e dá uma força”, me disse ela. Passei, li e, na hora de comentar, ela, como eu, neófita em Internet, não tinha disponibilizado os “comments” para qualquer leitor. Só para quem estava cadastrado no Blogspot. Resumo da ópera: tive que abrir um blog para poder comentar e dar uma força para a minha amiga. Foi ali, de supetão. Botei o primeiro nome que me veio à cabeça, uma citação de uma das músicas que eu tanto admiro do meu prezado Tito Madi: “Ternura Antiga”. Para ficar diferente, resolvi inverter e passar para o plural.
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Eu não conhecia praticamente ninguém do mundo blogueiro, só a própria Isabela (de cuja família sou amigo há muitos anos). Escrevia aqui para mim, sabia que no máximo era lido por meu amigo-irmão Luiz, que nunca me falta, graças ao bom Deus. De repente, nem sei como, o espaço dos comentários começou a ser preenchido. Magicamente, visitas apareciam de tudo quanto é lugar do Brasil e até de fora do país. Eu só coloquei contador no dia 25 de outubro de 2005; no momento em que coloco no ar este post já são 136.121 visitas. Bota aí mais umas mil de março a outubro e já dá para ver no que deu aquele atrapalhamento na hora de comentar no blog da Isabela.
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De lá pra cá, já foram postados 356 textos, que geraram 5.567 comentários de uma gente maravilhosa que conheci virtualmente, uns até pessoalmente como o
Paulo, o
Evandro, a
Helena, o
Marcelo, a
Márcia e a
Bruxinha.
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Revendo o meu arquivo, vi comentários de tanta gente que não aparece mais por aqui. Ou porque deixaram o ambiente blogueiro, ou porque não vêm mais por sei lá que motivo. Provavelmente por algo que escrevi aqui ou em comentários. Existe uma espécie de ética entre a maioria dos blogueiros: não se pode polemizar, não se pode discordar, que algumas pessoas ficam melindradas. Demorei a perceber isso, e sei que arrumei até algumas inimizades. Mesmo sabendo dessa tal “ética”, às vezes a minha natureza de virginiano sobressai e eu acabo deixando gente fazendo beicinho pra mim. Peço desculpas a todos que porventura ofendi de alguma forma. Não foi minha intenção criticá-los. Aqui, no Antigas Ternuras, se alguém discordar do que eu escrevo ou descobrir alguma imprecisão pode falar, pode escrever, aliás, eu vou adorar que me corrijam se eu estiver incorreto. Como já aconteceu trocentas vezes e eu sempre agradeci pelo toque que me deram. Não sou infalível, nem dono da verdade. Cometo erros como qualquer um. E respeito a opinião de todos, mesmo que diversa da minha.
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Nesses três anos de Antigas Ternuras, nesses 1096 dias, passei e recebi tantas informações que quase transformam este modesto blog numa versão moderna dos velhos almanaques. E eu acho isso ótimo! Eu era fascinado por almanaques! Costumava ir na farmácia e pedir um exemplar. Lia o Almanaque Capivarol, o do Biotônico Fontoura, o que me caísse nas mãos eu devorava. Os almanaques eram dirigidos especialmente aos agricultores, visto que tinham informações sobre época de plantio, fases da lua, melhor período para colher a safra...Lá, por exemplo, dizia que se plantasse milho no dia de São José (19 de março), colheria as espigas no dia de São João (24 de junho). Mas eles também continham anúncios de remédio, palavras cruzadas, cartas enigmáticas, piadinhas, e, o que eu mais gostava: informações curiosas.
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Tem gente que até hoje chama esse tipo de informação de “cultura inútil” ou “cultura de almanaque”. Modestamente, eu discordo. Cultura nunca é inútil. E ela não se gerou espontaneamente nos almanaques: alguém estudou, pesquisou e escreveu ali. Em muitos casos, uma informação dada no almanaque gerava em mim uma baita curiosidade de eu saber mais. E ia procurar nos meus “Google” da época: as enciclopédias. Ou mesmo em livros específicos. Ah, se os jovens de hoje ainda tivessem esta preocupação! Atualmente, temos à nossa disposição muitíssimo mais informação que no meu tempo de moleque. Só que muita informação é igual a nenhuma informação, pois satura as pessoas e elas acabam não se interessando ou sequer sabendo triar o que existe por aí.
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Nossa! Era tão bom quando chegava um almanaquinho e o Seu Henrique da Farmácia guardava um exemplar pra mim! Aqueles livrinhos eram minhas janelas para uma outra dimensão. Para quem não era dessa época, eis alguns exemplos de informação dos almanaques:
- Diz-se que o imperador Nero ficou profundamente entristecido com a morte de sua esposa, Popéia, que tinha morrido grávida (em decorrência de um pontapé que ele deu nela, em momento de fúria). Um dia, ele estava zanzando pelas ruas de Roma, para esquecer a sua tristeza, quando viu um rapaz, de nome Esporo, que se parecia muito com a falecida. Nero levou o rapaz para o palácio, mandou castrá-lo e se casou com ele.
- Uma elefante-marinho fêmea virgem só se deixará desvirginar por um elefante-marinho macho também virgem. Depois desse primeiro coito, ela dá para qualquer um e ele come todas que passarem na frente dele.

- O angu à baiana é um prato originário de Sergipe. O tutu à mineira foi criado em São Paulo. A caixa preta dos aviões é laranja. O Mar Vermelho é azul. Os palitos de fósforo não contém fósforo. A soda-limonada não tem soda. O papel de arroz não leva arroz na sua fabricação. O chapéu Panamá é fabricado no Equador. O banho turco foi inventado pelos romanos.
- A lata para conter alimentos foi inventada pelo comerciante inglês Peter Durand e apareceu em Londres, pela primeira vez, em 1830. O abridor de latas só foi inventado em 1860.

- Existe uma espécie de peixe, o
mouthbrooder africano, cuja fêmea expele seus óvulos na água e depois vai catando um a um com a boca. O macho vai acompanhando o movimento. Ele tem pontos vermelhos em sua barbatana ventral que confundem e atraem a fêmea. Quando ela se aproxima para catá-los o macho ejacula na sua boca e acaba fertilizando ali os ovulinhos dela.

- O papa João XII freqüentava tabernas e prostíbulos e era bissexual: levava moças e moços da nobreza para a sua cama. Ele preferia caçar a sair em procissão, jogar dados em vez de rezar salmos. Nas festas de embalo que empreendia no Vaticano, ele levantava da mesa bêbado e ia para as cocheiras. Lá, entre uma mijada e outra, ele consagrava bispos, celebrava missa e até fazia brindes a Baco.
- Na Idade Média, em alguns países da Europa, o assassinato era punido com a forca. O cadáver de um suicida também era enforcado, visto que matou uma pessoa.
- Oliver Cromwell foi condenado à forca seguida de decapitação. Isso dois anos depois de morrer. E a sentença foi cumprida.

- O céu de Marte é cor-de-rosa, o de Urano é verde, o de Vênus é cor de laranja, o de Júpiter é preto.
- Em determinada tribo de índios do Brasil, na época do descobrimento, se alguém fosse capturado e condenado à morte, ele poderia passar a última noite com a filha e a esposa de seu captor.
- Os tubarões são imunes a qualquer doença, mesmo câncer. Seu sangue tem anticorpos que destroem qualquer vírus, bacilo ou bactéria.
- O que Átila, o rei dos hunos, e o papa Leão VIII têm em comum? Ambos morreram de ataque cardíaco em pleno ato sexual.
- O que Alexandre, o Grande, o rei Ricardo Coração de Leão, a rainha Cristina da Suécia, o tzar Pedro, o Grande e o papa Júlio III têm em comum? Todos eram homossexuais.

- Se alguém fosse escrever toda a história do planeta Terra, desde o seu surgimento, num único volume com mil páginas, cada página cobriria quatro milhões e meio de anos. A Idade dos Dinossauros gastaria trinta páginas. O primeiro mamífero apareceria na página 984. O
homo sapiens surgiria no final da penúltima página. E tudo o que aconteceu na humanidade, desde a pintura nas cavernas até os dias de hoje deveria ser condensado numa
única palavra no final do livro.
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Não é legal saber dessas coisas? Pois é. Resolvi comemorar o aniversário do
Antigas Ternuras relembrando minha paixão pelos almanaques. Meu muito, muito obrigado a cada um de vocês que habitualmente vêm aqui ler meus textos e ainda me cumulam de prêmios, selinhos e carinhos. Foram três anos muito prazerosos, sem dúvida. Em diversas vezes, por conta de minhas atribuições, já pensei em dar um tempo aqui no blog. Mas acabo permanecendo, visto que adoro escrever coisas aqui e ler os textos dos meus muitos amigos virtuais. O melhor presente de aniversário deste blog é a presença de cada um de vocês, que são minhas sempre eternas ternuras.
Um brinde!

M.S.
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Na
Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Where Did Our Love Go”, com Diana Ross & The Supremes. Essa também é do meu tempo. Nos bailinhos, a gente botava essa para animar a moçada. A pista fervia! Vamulá, moçada! Vamos sacudir a caveira, aê!