Chegou a hora dos mais aguardados prêmios do ano.
Como fiz no ano passado, para filmes e programas de 2005, eis que volta o Troféu Pipoca Fumegante para os melhores filmes e programas de TV e Troféu Refrigerante sem gás e sem gelo para os piores de 2006.
Serão premiados os melhores filmes nacionais e internacionais, além dos melhores programas de TV aberta e por assinatura. E também receberão prêmios os piores filmes e programas do ano que passou.
E vamos aos felizardos!
*
Na categoria Melhor Programa da TV aberta, não temos indicados. O ano de 2006 foi
tão ruim para as telinhas, que no entender da comissão julgadora do prêmio (ou seja, eu), nada se salvou. Talvez um ou outro capítulo da minissérie JK, um ou outro Globo Repórter, um trecho do Fantástico perdido...Mas na verdade, não deu pra ver destaque que mereça o prêmio Pipoca Fumegante na TV aberta brasileira em 2006.
*
Já na categoria Pior Programa da TV aberta, os concorrentes são tantos, que não foi possível chegar a um consenso. As novelas, TODAS, foram podres. Os que habitualmente são péssimos, como “A Diarista”, “Sob Nova Direção”, “Zorra Total”, “Domingão do Faustão”, “Turma do Didi”, neste ano conseguiram ser piores ainda.
De forma que o prêmio Refrigerante sem gás e sem gelo 2006 vai para TODA TV ABERTA no ano passado. Argh!
*
Na TV por assinatura, o caso é bem diferente. Aliás, ai do telespectador que não tem essa salvação da lavoura, especialmente nos finais de semana! Na categoria Melhor Programa da TV por assinatura, são vários os candidatos, a começar pelas minhas séries favoritas, como “Lost”, “Star Trek Enterprise”, “Ghost Whisperer”, “Smallville”, “Supernatural”, “24 Horas”, “Desperate Housewives”, todas em novas temporadas ao longo do ano. Todas foram excelentes! Mas o Prêmio Pipoca Fumegante 2006 nesta categoria vai para...
VIDA NO VENTRE – MAMÍFEROS, Especial do Canal National Geographic.

Absolutamente sensacional! O especial mostra como a vida se faz entre vários mamíferos, desde a fecundação, passando pela gestação, até o parto e os primeiros dias dos filhotes. Eu aprendi coisas incríveis que desconhecia por completo sobre o assunto. Eu, que fui um aluno medíocre em Biologia, arrebentaria numa prova, depois de ver a série e suas curiosidades. Vale a recomendação, quando o especial for reprisado. Tem mais de três horas de duração, mas não cansa de jeito nenhum. Não tem legendas, foi narrado (e muito bem!) pela Malu Mader. Imperdível!
*
Já o Prêmio Refrigerante sem gás e sem gelo 2006, para o Pior Programas da TV por assinatura, vai para a série MEDIUM. Até tem um argumento interessante: uma moça com poderes mediúnicos os utilizando para ajudar a polícia a solucionar casos intrigantes. Mas é chato de dar dó. A atriz que faz o papel principal tem o carisma de uma réstia de cebolas.
*
Passemos aos filmes.
Para Melhor Filme Brasileiro em 2006, os indicados nem são muitos. Tenho também que admitir que não vi muitos e talvez alguns que merecessem estar entre os destaques nem foram assistidos por mim. Paciência. Vale o que eu vi. E entre as poucas produções brasileiras que se destacaram no ano, cabe destacar o tocante documentário “Morro da Conceição”, o sucesso “Se eu fosse você” (filme bem feito e muito divertido), o simpático “Tapete Vermelho”, o hilário “Wood e Stock – Sexo, Orégano e Rock and roll”, que me fez passar vergonha no cinema de tanto que eu ri...
Mas o escolhido é...
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS, de Cao Hamburger.
Filme tocante, que retrata os anos de chumbo da repressão, quando alguns pais tinham que sair “de férias” para não serem presos e, certamente torturados nas mãos do aparelho policial da época. Belíssimos desempenhos, roteiro bem construído, certamente vai render outros prêmios aos produtores, além do Troféu Pipoca Fumegante 2006.
*
Como Pior Filme Brasileiro, não tenho indicados. Como disse, não vi muitos e os poucos que assisti não mereceram o Refrigerante sem gás e sem gelo.
*
Na categoria Melhor Filme Estrangeiro de 2006, são muitos os candidatos. Não que o ano tenha sido particularmente favorável para as produções que chegaram aqui. Na verdade, achei tudo meio “mais ou menos”, nenhum filme neste ano para entrar para a galeria de “filmes imortais”. Mas certamente houve algumas belíssimas produções e até ficou difícil destacar algumas. Mas tenho que aplaudir “O Corte”, "Orgulho e Preconceito", "V de Vingança", "Pequenas Flores Vermelhas", “Volver”, “Boa Noite, Boa sorte”, “Capote”, “Pais, Filhos e Etc.”, "Uma Verdade Inconveniente", “O Grande Truque”, “O Ilusionista”, “A Era do Gelo 2”, “Cassino Royale”...
Todavia, o Prêmio Pipoca Fumegante 2006 nesta categoria, como no ano passado, vai para dois filmes:
CLUBE DA LUA (“Luna de Avellaneda”, Argentina, dir. Juan Jose Campanella) e PEQUENA MISS SUNSHINE (“Little Miss Sunshine”, EUA, dir. .Jonathan Dayton e Valerie Faris)
Dois filmes esplêndidos! O primeiro, mostra com muito humor e muita reflexão os efeitos do cataclisma econômico que assolou os argentinos há alguns anos. Um clube num bairro da Grande Buenos Aires era, nos anos 50 e 60, o grande catalisador das atenções e opções de lazer de uma coletividade. Com a debacle econômica, o clube passa a espelhar a decadência daquelas pessoas. Sumariamente falido, ele recebe uma proposta de venda para transformá-lo em um cassino, dando emprego para todos os sócios que, em grande maioria, estão roendo beira de penico. O destaque (entre muitos) vai para as duas cenas no restaurante, onde, na primeira, uma professora de francês toma um baita prejuízo de um “executivo” e depois vai a forra no ex-marido que a abandonou e não pagou pensão. A trilha sonora é admirável, especialmente o “sambinha” tocado por bandoneóns. Os grandes desempenhos dos atores merecem também ser destacados. Se sair em DVD, podem pegar para ver com as minhas bênçãos.
Veja o trailer, que dura 3 min e 6 seg.
*
“Pequena Miss Sunshine” é admirável em todos os sentidos. Filme extremamente barato (custou 8 milhões de dólares!), o que confirma mais ainda a célebre máxima de que não é necessário se gastar 200 milhões de dólares, encharcar um filme de efeitos especiais de computação, para se fazer uma grande obra. A história do filme pode ser resumida assim: uma tradicional família americana resolve levar a filha para concorrer ao título de Miss Sunshine, na Califórnia. Não sei se esse concurso existe, mas acho bem provável que sim. É a cara dos EUA. Ele mostra o quanto o americano, o quanto os Estados Unidos são cafonas, bregas de dar nojo. É impressionante como nós, os macaquitos, ficamos felizes por imitar, adorar, venerar a cultura americana, que perde de mil a zero da nossa própria cultura (veja bem: reconheço grandes realizações culturais americanas, mas no geral, ela é muito brega). Aqui, quando se quer parecer sofisticado, fala-se em inglês ou se imita o american way of life. Lá, os americanos sofisticados veneram a França, o francês, Paris, a cultura francesa. Aqui, os departamentos de marketing convenceram até as pessoas de baixo poder aquisitivo a ter vergonha do português a usarem camisetas com frases em inglês e darem nomes aos filhos de Jennifer, Stephanie, Jonathan, Máicol (escrevem Michael assim!) ou Wandergleysson. As nossas adolescentes falam um misto de português e inglês, crentes que estão abafando, quando na verdade estão sendo comuns, padronizadas.
Pois é. O filme mostra toda cafonice americana, por intermédio de uma família onde o pai é um perdedor nato, a mãe uma frustrada, o avô um sátiro drogado, o tio é gay e acabou de tentar o suicídio, o filho adolescente um rebelde sem causa e a pequena candidata ao título de Miss Sunshine, uma patetinha típica ianque. Nem vou destacar nenhuma cena, pois gargalhei de chorar em várias. Não dá para perder! Desde já, estou na torcida para que ele ganhe alguma coisa significativa no próximo Oscar.
Veja o trailer, com 2 min e 27 seg.
*
Como Pior Filme Estrangeiro do ano passado, são muitos concorrentes ao Troféu Refrigerante sem gás e sem gelo. Teve um filme que nem lembro o nome, só lembro que era francês e tinha uma mulher canibal, uma coisa triste! Teve o “Matchpoint”, do Woody Allen, que todos dizem que é excelente, mas eu achei péssimo, um “Hitchcock de quinta categoria”. Teve o tal de “O Albergue”, uma excrescência em forma de celulóide. E ainda o “A Feiticeira”, que fez a Elizabeth Montgomery e o Dick York se revirarem em seus túmulos. Mas eu fico com...
JOGOS MORTAIS III.
Esse filme foi feito por um psicopata, especialmente dirigido aos psicopatas que eventualmente podem gostar daquilo. Credo...
*
Aí está, moçada. Sei que este meu prêmio exprime o meu gosto pessoal e que nem todos vão concordar. Mas esse é o grande lance. Se todos gostassem ou detestassem as mesmas coisas, a vida seria muito chata, não é mesmo?
Parabéns aos premiados e vamos ver o que vai rolar nas telinhas e telonas de 2007.
M.S.
**************************************************
Na TV Antigas Ternuras, você vê os trailers de “Clube da Lua” e “Pequena Miss Sunshine”.


