Noutro dia, eu estava conversando com uma pessoa muito querida sobre gravidez na adolescência. É impressionante como as estatísticas afirmam ser cada vez maior o número de meninas, com idade a partir de 10 anos, iniciando a vida sexual e até a engravidando.
*
A revolução nos costumes de um lado e as conquistas na contracepção de outro, quando juntas, produziram uma forte liberação da libido. Um dos aspectos negativos foi o desleixo justamente com os cuidados contraceptivos. Por ignorância, desinformação ou mesmo por falta de juízo, os jovens se iniciam no sexo sem os devidos cuidados, acarretando em uma criança que nasce da irresponsabilidade de duas outras crianças.
*
Com isto, o número de abortos (especialmente entre jovens de maior poder aquisitivo) aumentou de modo assustador. O volume de crianças abandonadas (especificamente entre os de baixo ou nenhum poder aquisitivo) acompanhou percentual semelhante. Mais uma conquista (?) da modernidade.
*
Pois é. Eu já fui adolescente e naquele tempo, na minha geração, estas estatísticas de adolescentes grávidas não eram tão expressivas. Minha irmã brincou de boneca até os 15 anos e suas coleguinhas eram tão infantis quanto ela. Nos meninos, os hormônios explodiam por volta dos 12, 13 anos. Mas, na imensa maioria das vezes, em questões de sexo, os rapazes só podiam apelar para, digamos, soluções individuais, já que as meninas faziam o maior jogo duro. Não que não tivessem vontade, mas as pressões da sociedade e especialmente da família enchiam-nas de terror ao simples pensamento de engravidarem antes de casar.
Uma amiga da mesma idade que eu me contou que quando ela era adolescente, viviam recomendando que tivesse cuidados com vaso sanitário fora de casa e até com beijo na boca. Diziam que ambos podiam fazê-la engravidar. Certa vez, num baile, um rapaz roubou um beijinho dela. Pronto! Ela ficou aos prantos, dizendo: “ele me beijou na boca! Estou grávida!”
As moças só conseguiam permissão para namorar depois dos 16 e assim mesmo, naquele esquema de ficar no portão até as 22h, e quando a luz da varanda piscasse, era hora de entrar (maldita luz da varanda! Já me tirou do bem-bom trocentas vezes!). Namoro na época, era só “beijinho, beijinho”; e, quando as coisas esquentavam, “tchau, tchau...”
*
Mas estou falando de namoro, e para isso, nós, rapazes, também teríamos que ter mais de 16 anos. E antes? Como é que se dava vazão à toda aquela ebulição hormonal adolescente?
*
Olha, vou confessar a vocês: com a rapaziada do meu tempo valia (quase) tudo!
Vocês acham que estou brincando? Passemos para alguns exemplos.
*
Uma tarde, Armando Zóio (tinha esse apelido por ter um olho virado para o Oiapoque e o outro pro Chuí. Já viram que o cara era lindão, né?) estava sozinho em casa, sendo acometido por um tesão inesperado. Foi quando ele olhou para a trouxa de roupa suja que a sua mãe tinha deixado ao lado do tanque. Huuummm... Aquelas formas arredondadas...aquele jeito sensual e provocante que todas as trouxas têm... Ele foi se chegando, com os olhos embaciados pelo desejo... A pobre trouxa não conseguiu resistir à sua lascívia. Ele a violentou ali mesmo. Depois, saciado em seus desejos carnais, foi para rua e contou tudo pra gente. Acompanhamos aquela história boquiabertos. Claro, a gozação comeu solta, mas pude perceber que para alguns o relato sugeria possibilidades...
*
Outro exemplo. Na Rua Marambaia, onde me criei, certa vez abandonaram um velho Buick 1952, azul de capota branca. Em pouco tempo, o carro foi depenado em suas peças que poderiam render algum trocado no ferro-velho. O que sobrou virou área de lazer para a garotada. Um dia, um maluco que nem sei quem foi, desenhou uma mulher pelada no banco da frente. Quem já viu um desses carros lembra que o banco da frente era inteiriço, parecia um sofá. Pois é. Na mulher pelada desenhada, eles fizeram um furo na altura da... da... de vocês sabem aonde. Pronto! Tinha até fila para fazer saliência com o banco do Buick! Como ele era de molas, o próprio movimento característico ficava favorecido. Eu, de longe, via aquela agitação e ainda ficava sacaneando os caras:
“Ó... Cês vão prender o pinto nessa mola e aí é que eu quero ver!”
*
Outro exemplo de como a moçada da minha época buscava alternativas para dar vazão a toda aquela, huum, energia.
Dona Dolores tinha uma porca. (Já sei que tem gente rindo aí...). A bichinha era criada solta, vivia até entrando no nosso campinho na hora da pelada. De tardinha, sem ninguém precisar ensinar, ela voltava pro chiqueirinho dela, na boa. Pois bem. Eu ouvi dizer, que numa certa noite, o Jorge Negão, o Zé Russo, o Dilsinho Bundão e o Adílson Preguiça (olha só os nomes...Parece até chefes do PCC, né?), todos tomados pela luxúria, resolveram visitar a porca.
Chegando lá, os cafajestes se acercaram da pobre vítima, cheios de palavras doces e... curraram aquele projeto de presunto ali mesmo. Um por um, todos deram vazão aos seus desejos primitivos, naquela bacanal interespécies.
Quando eu ouvi a história, me apressei em apurá-la. Todos negaram veementemente. Juraram de pés juntos que era mentira.
Hum... Sei não.
Bem, mas o caso não acabou ali. Passou um tempo, a porca deu cria. Foi um monte de gente ver e...ó! surpresa das surpresas!... Da ninhada, tinha um porquinho bem pretinho, um amarelinho e cheio de sardas, um com o traseiro avantajado...e um que não se esforçava para disputar as tetas da mãe: ficava todo preguiçoso num canto do chiqueiro...
*
Mas o pior era quando a porca resolvia passear com a prole. Não sei o porquê, mas sempre que estávamos jogando bola, ela entrava no campo com os bacorinhos, como se estivesse levando-os para rever os pais desnaturados que a abandonaram, sem assumirem a responsabilidade do que fizeram com ela...
E a gente às gargalhadas: “Vai lá, porquinho, vai pedir a bênção ao papai!”
*
Hoje a moçada adolescente leriam estas histórias como se fossem ficção científica, contos acontecidos no planeta Saturno, sei lá... Talvez não consigam imaginar que sexo na adolescência, bem diferente dos tempos atuais, era algo tão raro quanto ver um cometa numa noite de lua cheia.
M.S.
********************************************
Na Rádio Antigas Ternuras, você está ouvindo “Sexo”, pelo Ultraje a Rigor.







