É assim que eu vou votar, apertando a tecla 1, no plebiscito que pergunta à população: "O comércio de armas e munições deve ser proibido?"
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Nunca tive uma arma, nem pretendo ter. Da mesma forma que eu nunca fumei maconha, nem cheirei cocaína ou fiz uso de nenhuma droga ilegal, a não ser torcer para o atual ataque do Flamengo, e mesmo assim, defendo a legalização de algumas drogas, como forma de quebrar as pernas do tráfico.
Na verdade, se a venda de armas for proibida, acontecerá com um Taurus 38 o mesmo que acontece atualmente com um sacolé de cocaína. Vai ter muita gente querendo ter, só por ser proibido (vide exemplo da Lei Seca norte-americana, período onde mais se bebeu e mais se fabricou bebidas alcóolicas na História dos EUA).
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Mas o principal argumento que me fez virar o voto do "sim" para o "não" veio depois de eu assistir ao filme "O Senhor das Armas" (que eu já comentei aqui no blog) e de acompanhar à propaganda eleitoral gratuita:
Não são as armas legalizadas que majoritariamente caem na mão dos facínoras.
No filme tem uma cena lapidar: quando aparece na televisão o Gorbatchov, anunciando o fim da Guerra Fria, o personagem Yuri Orlov, o grande traficante de armas, corre e vai beijar a careca do líder soviético na tela aos gritos de "Obrigado, meu Deus! Que maravilha!"
Ele estava festejando por que com o fim das tensões entre os dois maiores fabricantes de armas do mundo iria: 1) sobrar mais armas para vender; 2) criar demanda maior para vendas ilegais de armamentos.
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Imagino que os vendedores de armas estejam apostando e torcendo para a proibição passar. Aí é que eles vão vender revólveres como se vendessem banana em fim de feira. Já vendem para o tráfico os AR-15 e especialmente os AK-47 (o filme "Senhor das Armas" mostra que até uma criança opera este rifle com facilidade – olha uma foto dele abaixo). Como se sabe, estas armas não estão a venda na lojinha de "Caça e Pesca" da esquina. Traficante não compra Taurus 32 ou correlatos.
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O argumento de que com o término do comércio de armas e munições a violência vai diminuir, eu acho que será exatamente o contrário: vai aumentar sensivelmente. Na Inglaterra, Austrália e Canadá, depois de campanhas como a nossa, os índices de violência aumentaram. Impedir a venda de armas legalizadas e nada fazer palas ilegais é tampar o sol com uma peneira rasgada.
O delegado federal Antonio Rayol (meu amigo de infância) falou em uma entrevista recente que os bandidos vão se sentir mais encorajados a invadir uma casa sabendo que não tem um trabuco esperando por eles lá. Se o "sim" vencer, ter uma arma em casa torna o seu proprietário passível de ser processado. Se ele der um tiro, por exemplo, num estuprador que entrar em sua residência, vai em cana, e talvez seja condenado a uma pena maior que o "invasor de domicílio".
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Veja bem: não estou incentivando ninguém a comprar armas, nem a dar tiro em que invadir sua casa. Reafirmo: eu não gosto de armas e nunca pretendi e nem pretendo adquirir uma. Mas não acho que seja o governo, que não dá praticamente nenhuma segurança ao cidadão, que deverá tirar o direito de quem queira comprar o seu pau de fogo.
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Um outro exemplo: eu nunca pediria a ninguém que fizesse um aborto, jamais concordaria com alguém que resolvesse abortar uma criança. Mas acredito que, independente da proibição, quem quiser arrancar um bebê das entranhas vai fazê-lo, por bem ou por mal. Entre ir num fundo de quintal infecto e se submeter a alguém que enfie um arame na vagina de uma grávida e permitir que ela tenha a chance de fazer um aborto em um hospital, com toda a segurança, é óbvio que a segunda hipótese é a melhor. Para isto Deus nos deu o "livre arbítrio". Quer fazer aborto, faça. E depois assuma as conseqüências espirituais de sua opção. Quer ter uma arma em casa, quer se sentir "seguro" com um à mão, que tenha. Não é o governo que deverá impedir isto.
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Vendo a propaganda eleitoral gratuita, a gente tem cada vez mais a certeza de que o "não" tem melhores argumentos que o pessoal do "sim". Colocar um monte de artistas simplesmente para pedir o voto não me convence de que uma opção é melhor do que a outra. Eu adoro a Fernanda Montenegro, mas o argumento dela de que quer "um Brasil melhor" não me faz votar "sim", só porque ela pediu. Eu também quero um Brasil melhor e não acho que proibir a venda de armas - e incentivar o contrabando - seja o melhor caminho.
Em contrapartida, na propaganda do "não" vemos argumentos sólidos, estatísticas, como a que mostra o Rio Grande do Sul como o estado com maior número de armas registradas e o menor em vítimas por armas de fogo. Ter arma registrada não significa que se vá usá-la, nem é motivo de aumento de índices de violência.
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Por tudo isto, eu, que sou da "paz", defendo que ninguém tenha ou use armas. Dou a maior força para campanhas de desarmamento, incentivo o governo a continuar destruindo as garruchas que apreende. Neste quesito, esta é a função do Estado: criar dificuldades para a venda de armas, desestimulando que cidadãos as comprem. Fichar todo mundo que adquira legalmente um revólver, numerar cada arma e cada bala, se possível. Mas não deve impedir quem queira adquirir uma arma, apesar das barreiras.
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Mas, aqui pra nós, poderiam aproveitar a chance de uma consulta à população para perguntar coisas mais importantes como: "você concorda com a atual lei eleitoral?", "você defende um novo Código Penal, que puna com mais rigor qualquer tipo de criminoso?"
M.S.
