quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Não repara, não... É casa de pobre...


Vou confessar uma coisa: às vezes me bate uma curiosidade de saber como as idéias para post pintam na cabeça de vocês. Na minha, se alguém quer saber, em muitas ocasiões vêm a partir de uma mera observação de alguma coisa, algum detalhe que na visão de outros passaria batido.
Vou dar um exemplo:
Eu estava num shopping chique quando vi duas moças com vestidinhos que já tiveram seus bons dias, calçando sandálias havaianas. Sei perfeitamente que estes chinelinhos hoje são peças super na moda, que não deixam ninguém mal visto por calçá-los, mesmo em ambiente um pouco mais formal. Mas, não sei porquê, achei esquisito ali, naquele momento. E acreditem: foi como mágica! Em menos de um minuto um post inteirinho me veio na cabeça, já com tudo organizadinho!
Aí vai.
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Quando eu era menino, visitar tios ou receber a visita deles era um evento especial, com rituais muito bem estabelecidos. Eu gostava quando minha mãe dizia: “no domingo, vamos na casa do tio ou da tia tal!”. Uma vez resolvida a fazer a visita, entrava em ação a primeira fase do evento: a apresentação da intenção.
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(Quadro de Nadia Senyczak)
Hoje em dia, todo mundo tem telefone, celular, computador com e-Mail, Orkut, MSN, o escambau. No meu tempo de moleque, falar com um parente que morasse um tantinho mais distante era um pouco mais complicado. Primeiramente, nem todo mundo tinha telefone naquela época, só os com excelente condição financeira. Não era o nosso caso. Éramos uma família classe média média. Nem alta, nem baixa. Ali. Bem na média. Na cidade do Grande Rio em que morávamos, telefone era algo muito, muito caro. Quem quisesse falar ao telefone, o esquema era o seguinte: alguém ia na farmácia do seu Henrique e pagava uma certa quantia para usar o aparelho por três minutos. Interurbano era mais caro. Daí, minha mãe ligava para: a) a casa da tia (quando esta tinha telefone, até onde eu lembro, poucas tinham); ou b) para um vizinho da casa da tia, (“O senhor me chame a fulana na casa ao lado, faz favor? Muito obrigada!”). Ligação feita, tudo acertado, era só aguardar o domingo marcado para a segunda fase do projeto: colocar uma roupa elegante para não fazer feio.
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Ahhh... Lembro como se fosse hoje! Minha mãe mandando a gente tomar banho, ela própria dando uma geral para ver se os meninos tinham se lavado direitinho, escolhendo a roupa que usaríamos, tirando os cordões de ouro de cada um do porta-jóias, passando talco Regina, Petróleo Menelik nos cabelos e perfume ”Toque de amor”, da Avon na gente. Nós ficávamos mais cheirosos que filho de farmacêutico.
Depois de todo mundo arrumado, aí é que ela ia tomar o seu banho, não sem antes ameaçar cobrir a gente de porrada se alguém se sujasse (detalhe: naquele tempo as mães não tinham medo de “traumatizar” os filhos por conta de uns catiripapos de vez em quando...). E volta e meia um de nós fazia alguma merda, sujando a roupa que ela lavara, passara e escolhera com tanto carinho.

Esporro dado, roupa trocada (quando era o caso), lá íamos nós para o ponto de ônibus (carro? Rá! Imagina...).
Fase seguinte: a chegada na casa dos tios.
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Era uma etapa que hoje também me deixa saudades, visto que quase todos os tios que a gente visitava já cantaram pra subir faz tempo. Os tios estavam sorridentes por nos receberem. “Olha quem chegou! Vão entrando gente, não repara, não, é casa de pobre...”
Minha mãe botava todos nós para o ritual “bença, tia!”, “bença, tio!”, beijávamos a mão deles e ouvíamos o invariável “Deus te abençoe!”. É claro, tinha também o “olha como ele está crescido! Noutro dia era um bebê! Está indo bem na escola? Isso, estuda mesmo, porque o estudo não ocupa lugar. Se quiser ser alguém na vida tem que estudar.”
Cumprimentos feitos, aí era a fase do “fiquem à vontade”.
Bem, finalmente chegamos no momento sandálias havaianas. Naquela época, a gente fazia visitas usando roupas elegantes e alinhadas. Uma vez tendo chegado ao destino, o próprio dono da casa insistia para a gente colocar uma roupa “mais a vontade”. Para minha mãe, sempre pintava um vestidinho mais simples, e uma sandália havaiana.
Para as crianças, a própria mãe levava uma muda de roupa, e as sandalinhas de cada um.
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Perceberam? A gente usava as havaianas em casa ou em momentos absolutamente informais. Jamais alguém usaria chinelo de dedo para sair, passear, ir ao cinema, como a gente vê hoje em dia. Não estou condenando, não. Só registrando. Mas, vamos prosseguir com o relato, porque eu estou gostando de lembrar dessas coisas do tempo das antigas ternuras.
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(Quadro de Marcio James)
Depois que todo mundo estava mais confortável, as criançada ia brincar e os adultos iam colocar o papo em dia. Pois é. Eu normalmente esperava para ver qual o rumo da conversa dos adultos. Se ficassem falando do “ai, minhas costas andam doendo tanto; Ah, a carestia está insuportável! onde nós vamos parar, meu Deus?”, eu ia caçar alguma coisa mais divertida para fazer. Se começassem a contar “causos” de família, eu me aboletava num canto só para escutar. Sempre gostei de ouvir relatos com histórias engraçadas, ou tristes, ou ambas.
Se estivéssemos na casa do Tio Jair, eu também podia visitar a estante com os livros e abrir a porta para uma outra dimensão chamada imaginação... Uma das chaves era a coleção “Tesouro da Juventude”...
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(Quadro de Adriana Vázquez)
Quando o almoço estava pronto, era a hora de chamar as crianças para a mesa (naquele tempo, as crianças comiam em uma outra mesa, ou comiam primeiro que os adultos). “Vamos lavar as mãozinhas, vamos, vamos, vamos!”, “ah, mãe, ta limpa, ó só!”, “não está não senhor, pode tratando de lavar! E com sabonete!”, “Ah...Tá bom...”
Na mesa, começavam as lamúrias: “mãe, num quero salada!”, “mãe, num gosto muito de bringela, não”, “galinha? Ah, não vou comer de jeito nenhum!”. Essa última frase era usualmente minha. Eu sempre detestei galinha, pato, peru, qualquer coisa que tivesse pena e estivesse numa panela. Não suportava (e não suporto) nem o cheiro! E não tinha chinelo, cinturão, nada me fazia comer aquilo. Preferia apanhar! E já tem mais de dez anos que eu não como carne vermelha também. Mas isso é outra história...
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(Quadro de Noël Barker)
Uma vez decidido o que ia para o prato de cada um, vinha o momento de implicar com os irmãos, com os primos, roubar a batata frita do outro, passar a couve-flor adiante...
“Mãe, cabei! Quero mais Q-Suco!”
“Só se você comer tudo! Olha só, ainda tem comida no prato. Tanta gente passando fome no mundo e você desperdiçando!”
“Tiaaaaaa... o que tem de sobremesa?”, “Obaaaaaa! Gelatina com pedacinho de maçã!”
*

Depois do almoço, a gente doido para voltar para a correria.
“Nããão, nada disso! Vocês acabaram de almoçar. O sol está muito quente. Pode dar congestão. Vão ver televisão.”
“Ahh, mãããe...”
Era a hora do Teatrinho Trol, da turma do Pica-Pau, ou do desenho que estivesse passando. Passado o período regulamentar para não dar congestão, de volta para o pique, para pular corda, para o que fosse mais agitado possível.
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(Quadro de Henry Rousseau)
No início da noite, era o momento das despedidas.
“Mas jááá??? É cedo ainda! Vou passar um café!”
“Não, já está na hora. Chega de incomodar. Crianças! já pro banho!”
“Ah, mããe...”
“Não tem mãe, nem pai. Já pro banho!”
E assim, banho tomado, cabelos penteados, roupa de sair novamente no corpo. Era a hora das despedidas.
“Bença tio!”, “bença tia!”
“Deus te abençoe. E vê se você se comporta! Você já é um homenzinho!”
Algum tempo era gasto nas despedidas, agradecimentos, “desculpe qualquer coisa”, “vê se aparece lá em casa! É casa de pobre, não repara...”
*
Lá íamos nós para o ponto do ônibus. Dentro do veículo, não dava nem cinco minutos e minha irmã já se esparramava no colo da minha mãe. Os meninos, tombavam de lado e faziam a mesma coisa que ela. Dormíamos de babar na camisa!
Chegando em casa, pijama, ida para a cama que no dia seguinte tinha escola bem cedo.
“Bença, mãe.”
“Deus te abençoe. Durmam com os anjos.”
*
Pois é.
Tudo isso me veio na mente assim, tlec!, num estalar de dedos. Bastou olhar as moças no shopping chique com sandalinhas.
Nossas lembranças são como um cachorrinho de estimação que pula no nosso colo inesperadamente. E as minhas ainda lambem o meu rosto, me fazem festinha, e nunca me deixam esquecer que eu era feliz e sabia perfeitamente disso.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Angela Maria cantando “Gente Humilde”, canção que é uma perfeita narração de meus tempos de garoto.
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Eu ganhei mais um selo, desta vez da Dominique que me fez essa gentileza. Obrigado, amiga! Fico grato mesmo. Bem, as regras deste post-corrente dizem para escolher àqueles para quem eu vou passar. Ultimamente tenho passado para todos os amigos blogueiros que me dão a honra de visitar. Mas hoje eu gostaria de destacar alguns. Então repasso o belo selo “Esse Blog é Show de Bola” para os seguintes blogueiros:

Devaneios e Desabafos da sempre tão gentil Renatinha;
Luz de Luma, Lino Resende;
Clínica da Palavra da Maristela. O que eu mais admiro nestes três blogs é o senso de cidadania e solidariedade que os três têm, além de escreverem bem pra caramba!
Luzes da Cidade, do Francisco Sobreira;
O Apanhador de Sonhos, do Bené Chaves;
Politicamente Incorreto, do Bosco Sobreira. Vejo estes três amigos meus que muito respeito e admiro como uma espécie de Três Mosqueteiros. Gostaria muito, mas MUITO mesmo de poder me sentar um dia com eles e conversar sobre tudo o que pintar no papo.
E ainda tem o "D’Artagnan" dos mosqueteiros, meu ex e sempre professor Moacy Cirne, doBalaio Vermelho para quem dou o selo também.
Para a minha amiga Erika do sempre ótimo Oncotô, vai um selo também porque se tem uma pessoa show de bola é ela!
E selo também para o do meu novo amigo de infância J.F.
Vocês dez são DEZ!
Agora se quiserem repassar o selo para outros, deixo ao critério de vocês.

sábado, fevereiro 09, 2008

Os vigaristas


Eu abro os jornais e vejo a seção política, a seção econômica, vejo a lambança que o Bush anda fazendo nos EUA e no mundo, vejo as trapalhadas do Luiz Ignácio e a sua turma do cartão corporativo por aqui (aliás, já descobriram gastos esquisitos nos cartões corporativos do governo paulista, o que prova que a natureza humana não falha...), leio sobre o descaramento do prefeito Cesar Maia e penso: “Mas que vigaristas! Os eleitores que votaram nesses caras caíram num belo conto-do- vigário!”
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Pois é. Aí eu lembrei que sei a origem desta expressão. Então, afivelem o cinto que lá vamos nós para mais uma seção: “A origem das expressões que usamos, mas não sabíamos a origem”. Vamulá!

Cair no conto-do-vigário.

E por tabela, descobrir de onde vem o vigarista (que nem o Dick...), ou seja, o que aplica o conto-do-vigário.

Bem, como se sabe, a expressão significa ser enganado, iludido. No Aurélio: “Embuste para apanhar dinheiro, em que o embusteiro, o vigarista, procura aproveitar-se da boa-fé da vítima, contando uma história meio complicada, mas com certa verossimilhança”. Se cair no conto-do-vigário significava tão somente entrar de gaiato em alguma trapaça em que um espertinho conseguia tirar dinheiro de alguém, usando um estratagema qualquer, posteriormente, a expressão passou a ser sinônimo de ser ludibriado, em qualquer situação. Como votar naqueles camaradas, por exemplo.
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Mas, de onde veio esta expressão? Pois é. Como costuma acontecer com tudo o que é muito antigo, há mais de uma explicação para a frase. Contudo, mais de um pesquisador concorda que a origem mais conhecida e plausível é a que envolve a disputa entre dois vigários de Ouro Preto (no tempo em que ela se chamava Vila Rica), no Século 18. Um pertencia à Igreja de Nossa Senhora do Pilar; o outro à de Nossa Senhora da Conceição. Ambos estavam disputando a mesma imagem da Virgem Maria.
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Foi quando um dos vigários, o da Igreja do Pilar, fez a seguinte proposta: amarrariam a santa num burro que estava por ali, solto na rua. O animal seria levado para um ponto eqüidistante das duas igrejas. A paróquia para onde o burro se dirigisse ficaria com a imagem.
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E assim foi feito. Amarraram a santa, levaram o burro para o tal ponto, soltaram o bicho... expectativa, suspense... E o burrinho seguiu para o lado da do Pilar, que ficou com a imagem. O outro vigário acabou se conformando. Só que mais tarde, ele descobriu que o burro era do vigário da igreja do Pilar e que era ensinado a voltar para lá, sempre que se afastasse. Ele tinha acabado de cair no primeiro conto-do-vigário da História!
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Mas uma expressão tão usada como esta não poderia ter só uma explicação. Em Portugal, tem outra. Dizem que por lá, no Século 19, dois homens chegavam numa cidade se dizendo emissários do vigário. Vinham com uma mala enorme, que afirmavam conter muito dinheiro, fruto das doações de fiéis ao longo do caminho. Segundo eles, o vigário tinha pedido que deixassem a mala naquela cidade e seguissem viagem, arrecadando mais doações. Depois, o padre enviaria uma pessoa para pegar a mala. Só que os dois homens falavam que se sentiam inseguros em deixar tanto dinheiro com estranhos, sem uma garantia. Aí, eles pediam uma quantia aos moradores, que garantiria que eles não iriam se apropriar do dinheiro da igreja. Quando o vigário chegasse, ele ressarciria os que tinham dado a grana usando o próprio conteúdo da mala. Como eles falavam em nome do vigário, o povo concordou e os otários, quer dizer, os fiéis deram o dinheiro para os caras. Obviamente, eles sumiam, ninguém nunca mais sabia do paradeiro deles. Quando os tolos abriam a mala, encontravam lá papel velho, penico, tocos de madeira, só bugiganga. Com isso, a fama do vigário ficava mais suja que pau de galinheiro. E este padre pelo menos, até onde se sabe, era inocente. Parece que muita gente caiu nesse conto-do-vigário.

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Pessoalmente, eu acredito nas duas versões. Elas não são excludentes. Pode ter havido o golpe do burrinho no Brasil, e o golpe nos burrinhos de Portugal. O que não falta é esperto nesse mundo.
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Aliás, por falar em burrinho, quando eu estive em Ávila, na Espanha (a propósito, uma cidade adorável; eu moraria lá sem a menor dúvida!), descobri uma outra história com bicho no meio. Mas desta vez, sem conto-do-vigário. Foi assim: quando San Pedro del Barco (um santo espanhol) morreu, no ano de 1115, houve uma disputa sobre o local onde ele deveria ser enterrado. Um garoto deu a seguinte sugestão – que o corpo do santo fosse colocado em uma mula. Aí se vendariam os olhos dela e a deixariam seguir. Onde ela parasse, ali seria o local da sepultura do santo. Colocaram o presunto, digo, o defunto na mula, taparam os olhos do bicho e saíram atrás dela. A mulinha andou, andou, até chegar em Ávila, onde entrou na Igreja de San Vicente. Ali ela parou e...cataplaf!... caiu mortinha.

O santo foi enterrado na cripta da igreja, junto com São Vicente e suas irmãs (veja a cripta na foto que eu tirei).
E isso não foi lenda, não. Eu vi a cripta, e mais importante: vi a marca da patinha da mula no chão onde ela estrebuchou e caiu (veja a foto; eles colocaram uma grade em cima). Dizem que a mula foi enterrada nas magníficas muralhas, em frente à igreja. Há até um ponto em que asseguram estar a cabeça dela.

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Eu até faria uma proposta semelhante: que a gente pegasse o Cesar Maia, o Luiz Ignacio, o ministro tapioqueiro, a ministra do cartão nervoso, o Bush, o Chávez, o Evo Morales, o Osama bin Laden e todos os políticos vigaristas (do PT, do PSDB, do DEMO...), os amarrassem em uma mula de olhos vendados e a soltássemos no deserto do Sahara. Onde ela parasse a gente enterrava todos eles. Eles nem precisavam morrer. Pode ser agora mesmo.
O que vocês acham?
M.S.

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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Você abusou”, com Maria Creusa.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Evoé!


Em 1998, depois do estrondoso sucesso de uma peça que escrevemos juntos chamada “Cafona, sim, e daí?, o ator e diretor Sergio Britto me chamou e disse:
- Marco, agora eu queria fazer uma peça sobre o carnaval. Poderíamos até usar os mesmos atores do “Cafona...”. O que você acha?
- Eu acho a idéia ótima. Vou já começar a pesquisa.
Ele teve esta conversa comigo numa quinta-feira. No domingo, eu liguei pra ele:
- Sergio, tá pronta. Já escrevi a peça.
- Jááá? Então me traz aqui em casa que eu quero ler.
Levei. Ele leu. Adorou. Disse que ia procurar patrocínio. Não conseguiu. Eu registrei a peça na SBAT em meu nome, para me garantir contra plágios e otras cositas. Tentei eu mesmo buscar patrocínio, anos mais tarde, também não consegui.
No ano passado, 2007, o Sergio Cabral e a Rosa Maria Araújo escreveram um espetáculo todo baseado nas antigas marchinhas de carnaval, chamado “Sassaricando – E o Rio inventou a marchinha...”. Não tem texto, só atores cantando músicas carnavalescas. Foi e ainda é um baita sucesso. Ganharam prêmios e o escambau. É um espetáculo muito diferente do meu, que tem diálogo, personagens, histórias contadas e muitas marchinhas, incluindo as de letra bem safadinha...
Mas por muito tempo não conseguirei montar a minha peça, pois embora possa provar que a escrevi e registrei em 1998, sempre vai ter quem me chame de plagiador, aproveitador das idéias alheias...
Como estamos entrando no reino de Momo, vou postar aqui o início desta peça que escrevi e que tem por nome...
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“MEU CARNAVAL BRASIL!”
De Marco Santos
Situação: É carnaval. Seis foliões mascarados e fantasiados brincam pelas ruas do Rio. Até que se encontram, se brincam, se reconhecem, se emocionam.

O cenário é uma rua do Rio que pode virar, na recordação dos foliões, um clube, o Teatro Municipal com seus gloriosos bailes, o Boulevard 28 de Setembro e seus corsos, a passarela das escolas de samba...Uma possibilidade seria uma foto, um grande painel no fundo. Muitas serpentinas. Máscaras dos antigos carnavais, pandeiros...
Os figurinos são fantasias dos antigos carnavais: Pierrot, Diabo, Arlequim, Pirata, Dama antiga e Colombina.


OS FOLIÕES VÃO ENTRANDO EM CENA DE VÁRIOS PONTOS DA COXIA. COMO SE ESTIVESSEM EM UM SONHO. UM SONHO DE CARNAVAL ANTIGO. CADA UM DELES LEMBRA, CANTANDO, UMA MARCHA-RANCHO FAMOSA: “AS PASTORINHAS”, “BANDEIRA BRANCA”, “RANCHO DA PRAÇA ONZE”, “ESSE ANO NÃO VAI SER IGUAL AQUELE QUE PASSOU”, “ESTÃO VOLTANDO AS FLORES”.ENTRAM, BRINCANDO, DANÇANDO. ELES SE OLHAM, SE RECONHECEM.
MULHER 2 - Nós estamos no mesmo sonho?
HOMEM 2 - Nós nos conhecemos, pelo menos? (TODOS SE RECONHECEM)
MULHER 1 - (Cantando) “Quem é você, diga logo que eu quero saber...”
HOMEM 1 - Ah, minha querida, no carnaval eu não sou de ninguém, eu sou da folia...
HOMEM 2 - Eu também. (CANTANDO) “Não me interessa saber ê-ê-ê, o que é que eu vou dizer em casa...”
MULHER 2 - Ih, menino...Eu não sei o que é ir em casa há muito tempo...Estou que nem pinto no lixo...
MULHER 3 - Se isso aqui for um sonho, eu não quero que me acordem...

HOMEM 1 COMEÇA A CANTAR “MÁSCARA NEGRA”. OS OUTROS ACOMPANHAM)

HOMEM 1 - “Tanto riso, oh, quanta alegria...”
TODOS - “Mais de mil palhaços no salão...Arlequim está chorando pelo amor da colombina...No meio da multidão...Foi bom te ver outra vez...Está fazendo um ano...Foi no carnaval que passou...Eu sou aquele Pierrot...Que te abraçou...Que te beijou, meu amor...Naquela máscara negra, que esconde teu rosto, eu quero matar a saudade...Vou beijar-te agora...Não me leve a mal...Hoje é Carnaval...
HOMEM 2 - Hoje somos sonho. Não temos nome, ninguém nos conhece...Vamos viver um conto de Carnaval...
MULHER 3 - Hummmm...Esse mistério me agrada...Mesmo porque depois do que eu já fiz nesse carnaval, se vocês me conhecessem...
MULHER 1 - (cortando) Então assim será! Seremos como o espírito dos antigos carnavais!
MULHER 3 - Aqueles carnavais é que eram pra valer!
MULHER 1 - Brincar naquele tempo era da pontinha!
MULHER 2 - Nossa! Você desencavou essa lá de trás, hein? “Da pontinha...”
HOMEM 1 - Meninas! Meninas! Eu acho a idéia ótima! A gente poderia começar pelo iniciozinho...como o carnaval começou, lá no Império Romano, as festas em honra a Saturno, “a Saturnália”...
HOMEM 1 - O entrudo...

HOMEM 2 - Aquela festinha de ricos, jogando uns nos outros limãozinho de cera com água perfumada...
HOMEM 3 - ...Isso no início. Depois o povão avacalhou, e jogava uma outra água com outro tipo de perfume...
HOMEM 1 - Ah, valia qualquer tipo de água. A confusão estava formada. O pau comia solto!
MULHER 1 - Alguém me contou que o Pedro I adorava um entrudo...Voltava todo molhadinho para o palácio...
HOMEM 2 - ...Depois de deixar muitas mulheres molhadinhas...

HOMEM 1 (Interrompendo) - Mas um grande personagem dos antigos carnavais foi o português José Nogueira de Azevedo Paredes, o “Zé Pereira”!
TODOS - “Viva o Zé Pereira
Pois que a ninguém faz mal
Viva a bebedeira nos dias de Carnaval!
HOMEM 1 - Um sapateiro português alegre, bonachão, que tinha a sua oficina na Rua São José, 22. Num dia de carnaval, ele e uns amigos tomaram umas e outras, alugaram uns tambores e saíram pela cidade. O Zé ia na marcação. E o povo foi atrás!
(O HOMEM 2 PODERIA FAZER O PAPEL DO “ZÉ PEREIRA” COM OS DEMAIS SEGUINDO ATRÁS)
HOMEM 2 - Essa foi a primeira música de carnaval que se conhece! Porque naquela avacalhação do entrudo não tinha música.
MULHER 1- Nos primeiros bailes carnavalescos tocavam de tudo, menos música de carnaval.

HOMEM 3 - E na cidade, o povão brincava nos cordões...
MULHER 3 - Na Rua do Ouvidor, onde o babado era forte...
HOMEM 1 - O João do Rio escreveu que, numa ocasião, mais de 50 mil pessoas dançavam e pulavam na Rua do Ouvidor ao som de centenas de tambores.
OS DEMAIS - Cinqüenta mil? Na Rua do Ouvidor? Estreitinha daquele jeito?
HOMEM 1 - A música de cordão mais bonita e que fez mais sucesso foi a que Chiquinha Gonzaga compôs para o “Rosa de Ouro”...
TODOS - “Ô abre alas, que eu quero passar...
Eu sou da lira não posso negar
Rosa de ouro é que vai ganhar!

E vai por aí a fora... Quem sabe um dia eu não consigo montar essa peça? Garanto que a platéia vai ferver! Vai ter gente cantando: “Alá-la-ô ô ô ô ô ô... mas que calor...ô ô ô ô ô...” e outros entoando: “Ai que calor, mamãe... na bacurinha, mamãe... Não é na sua, mamãe... Mas é na minha, mamãe...”
M.S.
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Neste sábado, entra texto novo meu no Playground dos Dinossauros. Quem quiser saber sobre meus “Rosebuds”, dê uma chegadinha lá.
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Queria agradecer muitíssimo à minha querida amiga Renatinha por ter me indicado para o selo “Amigos Virtuais”. Obrigado, querida. Você é sempre tão gentil com o Antigas Ternuras... Pela praxe desses post.correntes, eu devo indicar dez outros blogs. Como tenho feito ultimamente quando um amigo me indica, eu repasso para todos da minha lista “Outras Palavras”. Todos são maravilhosos amigos virtuais.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve seleção de antigas marchinhas de Carnaval. Evoé, Momo! Bom Carnaval para todos!

domingo, janeiro 27, 2008

Planeta Cassete


Estão vendo este gravador da foto? Pois é. Era o meu MP3 em mil-novecentos-e-não vem-ao-caso.
Houve uma época, no tempo em que Noé era cadete da Marinha e nem sonhava em fazer navio e se meter com Zoologia, que todo rapaz queria ter um gravador de fita cassete para registrar suas músicas preferidas.
A marca do meu era Sanyo.
*

Eu ainda tenho todas as fitas que gravei naquela época. Provavelmente nem tocam mais. Para gravá-las sem usar microfone (o som seria horrível) a gente tinha que comprar um fio com plug Phillips numa ponta e de um pino na outra. Isso para gravar do toca-discos (ou vitrola, como chamávamos na época). Ou fazer um fio com pino do tipo “macho-fêmea” nas duas pontas, para a gente filar músicas no aparelho de rádio.
Eu fazia uma seleção de músicas entre os meus discos de vinil e pedia emprestado os discos de amigos. O meu principal fornecedor era o Alcir, meu Obi wan Kenobi em termos musicais. Ele ajudou a forjar o meu gosto musical na época.
Sei que falando essas coisas como gravador cassete, disco de vinil, plug Phillips, pareço estar descrevendo objetos possivelmente encontrados na tumba do faraó Tutancamon. Ué... Fazer o quê? Sou desse tempo...
*

Ah, eu me lembro bem das músicas de minha preferência! Na verdade, eu era um boboca colonizado, só me interessava pela cultura norte-americana, vivia falando inglês, desprezando totalmente a cultura brasileira. Ainda bem que os jovens de hoje não são assim, não é mesmo?
De qualquer forma, ouvindo as músicas que eu curtia na época, comparando com as que tocam hoje no rádio... Valha-me Deus!... Eu tinha um gosto refinadíssimo!
*
Vejam só a relação de músicas de uma de minhas fitas daquele tempo (quem quiser ouvi-las é só clicar em cima do título, mas antes clique no “X” lá na barra de ferramentas para interromper a música que está tocando agora):
Ma Chèrrie amour, com Stevie Wonder.
Don’t mess with Mr. T, com Marvin Gaye.
So far away, com Carole King.
Bridge Over Troubled Waters, com Simon & Garfunkel.
If, com Bread.
Summer Hollyday, com Terry Winter.
Why can’t we live together, com Timmy Thomas.
Killing me softly with his songs, com Aretha Franklin.
Got to be there, com Michael Jackson.
Clair, com Gilbert O’Sullivan
Neither one of us, com Gladys Knight and The Pips
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E aí? Que tal? Só clássicos, heim?
Eu andava com o meu gravador pra cima e pra baixo. Gastava boa parte da minha mesada em pilhas para o bicho. Se fosse ao banheiro para tomar banho ou fazer o “número 2” (ou como diríamos na minha época: “passar um telegrama”, “ligar a chocolateira”, “botar o moreno pra nadar”, “esculpir uma cerâmica”, “esvaziar a mente”...) levava o gravador; se minha mãe me mandasse ao mercado, ou à padaria, lá ia eu com ele na mão; se fosse ao campo para jogar futebol, chegava cedo e ficava ouvindo música no Sanyo enquanto a moçada não chegava. Ou seja, meu gravador era um apêndice de mim. Era o meu mundo, o meu planeta particular.
*

Um dos programas habituais que eu mais apreciava com o gravador era ir para a casa do meu amiguirmão Luiz e ficarmos ouvindo música até meia-noite, saindo de lá com a minha bicicleta sob a preocupação da saudosíssima D. Aída, mãe dele, que, como todas as mães, ficava preocupada com adolescente andando à noite. Só que naquela época isso era possível. Não acontecia nada.
Quando eu descobria alguma música nova, gravava e levava para ouvir junto com o Luiz. Curiosamente, hoje, trocentos anos depois, ainda vou pra casa dele com DVD de show para a gente ver junto (aliás, tô com saudades desse moleque!).
*

Meu gravador era meu confidente nos desencontros de amor. Estão ouvindo esta música que está tocando na Rádio Antigas Ternuras? Pois é. Já curti dor de cotovelo ao som dela, porque uma menina não quis me namorar. Lembro que uma outra paixão recolhida me fez ouvir Fire and Rain, do James Taylor durante horas. Eu até lembro da menina por quem eu era apaixonado nessa época. Depois nos tornamos amigos, ela vive há muitos anos nos Estados Unidos com o marido.
Ah, ouvir músicas no meu velho Sanyo ajudava a fazer o rescaldo em meu coração abrasado. Tem gente que afoga as mágoas em birita. Eu afogava as minhas em notas musicais. Pelo menos meu fígado saía intacto!
*

Este post fica como uma homenagem a este velho amigo que reencontrei noutro dia, quando estava procurando algumas velharias nos meus guardados. Nem tentei fazê-lo funcionar. Provavelmente seu motor já deve ter ido para o céu dos mecanismos eletrônicos. Melhor deixá-lo no seu repouso. De forma alguma eu me desfaço dele! Boa parte de minhas antigas ternuras passaram por seus botões e alavanca de controle.
Se minha alma pudesse ser fragmentada, um pedaço estaria guardado junto a velhas fitas cassete e um gravador de pilha.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Think of me as your soldier”, de e com Stevie Wonder. Quem já dançou esta música coladinho com uma pequena, pode falar, como Pablo Neruda, “Confesso que vivi”. E como ele também dizer “nas alturas arderá de novo/ o meu coração ardente e estrelado”.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Lendas - Um post de verão


Todo mundo gosta de verão, não é? Bem, quase todo mundo. Confesso que o verão carioca me tira disposição. Isso aqui parece a boca do vulcão Vesúvio! Eu fico pensando em líquido, muito líquido. Tudo de frio, gelado e refrescante que existe. Um bom suco, um chá com gelinho picado... Penso em sorvete, também. Mas estou de dieta, como compensação da suruba alimentar que foi meu Natal e Reveillon. Engordei muito mais que devia e agora fechei a boca.
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E neste tempo fervente de fritar miolos, meu liqüidificador tem trabalhado alucinadamente. Fico inventando bebidas refrescantes para dar uma folga na quentura. Foi quando lembrei de uma lenda de meu tempo de menino. E acho que é lenda do tempo de menino até dos meus avós.
Manga com leite, mata.
Recentemente, vi um comentário da querida blogueira Chuvinha lembrando exatamente desse dito popular.
Será que mata mesmo?
Bem, se matasse, haveria uma hecatombe monumental entre os que apreciam sorvete de manga. É só dar uma olhada nos ingredientes e vocês verão que tem polpa de manga e leite na composição da guloseima. Além disso, se matasse eu estaria falecido há bastante tempo, pois gosto de fazer um suco que os americanos chamam de mango milk.

Dou a receita:
Junte num liqüidificador três partes de suco de manga (pode ser de caixinha, pode ser a própria fruta) e uma de leite (pode ser desnatado, integral, até leite em pó). Gelo a gosto, açúcar ou adoçante de acordo com a preferência do freguês. Bata tudo por cinco segundos. E pronto!
Podem beber sem susto que ninguém morre.
*


Mas como é que surgiu esta lenda?
Pois é. Isso vem do tempo da escravidão. A explicação tem variações. Mas uma versão corrente diz o seguinte. Os meninos escravos que eram incumbidos de ordenhar as vacas pela manhã, aproveitavam a bebiam parte do leite. Depois, iam se fartar nas mangueiras do quintal. Foram proibidos de fazer isso, mas sabe como é, criança sempre dá um jeitinho. Se não podiam comer manga de dia, atacavam as frutas de noitinha, antes de irem para a senzala. Os capatazes descobriram e inventaram um estratagema: envenenaram os moleques e disseram para todo mundo que foi por causa da mistura de manga com leite. A notícia correu chão. “Manga com leite faz morrer!”. Tinha até um ditado assim: “Manga de manhã é ouro, de tarde é prata, de noite mata”. Com isso, a força da crendice popular deu “verdade” à lenda. Como já foi dito, “uma mentira contada muitas vezes acaba virando verdade”.
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Tem outra lenda bastante difundida, especialmente no Rio de Janeiro.
Chá-Mate causa impotência.

Há quem inclusive apelide mate de “broxante”. Nas praias cariocas, é a coisa mais comum chamar o vendedor de mate gelado assim:
“Aê, dá um broxante aqui!”
E então? Mate transforma o que é meio-dia em seis e meia ou isso é tudo invenção dessa povo ingrinorante?

O que eu já ouvi/li de “teorias” sobre mate, é uma festa... Que todo chá rouba cálcio dos ossos, que causa anemia por eliminar o ferro do organismo, que provoca gastrite e, é claro, causa impotência sexual. Ora vejam vocês: A China é o maior povo consumidor de chá no planeta e curiosamente é o que tem maior população. Se chá causasse broxice, como é que os chineses fariam tanto filho se deveriam ter o pinto amolecido feito pelanca de alcatra? E os ingleses, que também tomam muito chá? Será que eles também estão com o pinguilim mais para chicotinho do que para mastro de bandeira?
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Pelo visto, tem mito brabo nesta história. Fui pesquisar na área científica, porque nada é melhor que ciência para derrubar lendas. Tem um site, esse aqui, ó, que descreve as características da erva-mate e ainda cita duas dissertações de mestrado (uma de Renato Kaspary e outra de Eunice Valduga) que tratam do assunto. No texto, tem um trecho que fala assim:

“A erva-mate contém altas proporções de vitamina E, efetiva na regulação das funções sexuais, além de ser um elemento indispensável para a pele. As análises feitas com as folhas de erva-mate mostram que esta planta possui vitaminas, aparecendo em maior escala as do complexo B; possui também cálcio, magnésio, sódio, ferro e flúor, minerais indispensáveis a vida.”*
Arrá. Então a característica broxante do mate é lenda, mesmo. Mas, como é que isso começou?
Fui pesquisar e vi duas correntes. De certa forma, as duas apresentam motivações semelhantes. Uma, fala do Exército e do serviço militar obrigatório. A outra, fala de um determinado colégio administrado por ingleses. Acho a segunda mais plausível. Vamos a ela.
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Num certo colégio de internos masculinos no interior de algum lugar do Brasil, os professores ingleses estavam muito preocupados com o volume de hormônios dos rapazes. Masturbação, brigas, discussões, enfim, tudo aquilo que é comum entre adolescentes, lá no internato estava acontecendo de forma um tanto exacerbada. Daí, o britânicos tiveram a idéia de jerico de secretamente colocar calmante no chá (ou no mate) que os fogosos rapazes ingeriam pela manhã e a tarde. Resultado? Bem, os moços ficaram calminhos, calminhos. Incluindo, é claro, aquela certa parte do corpo que está localizada entre a virilha esquerda e a direita...
Quem percebeu que estava acontecendo algo de errado, colocou a culpa no mate. Se antes, o bigorrilho ficava duro que nem um gato conseguiria arranhar e ultimamente, o dito cujo andava mais para chicletinho... O culpado era do mate. Logo, mate só podia ser broxante!
(A versão dos soldados do Exército era muito semelhante a esta)
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Bem, amigos da Rede Globo. Eis aí duas explicações para lendas que muitos juram de pés juntos que é pura verdade. São os mesmo que acham que apontar estrela faz nascer verruga no dedo, deixar chinelo virado para baixo traz a morte para dentro de casa, assobiar de noite chama cobra... e vai por aí a fora.
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Já andei escrevendo aqui que acreditar em tudo o que se ouve/lê sem tirar a limpo é disseminar o erro. Engolir historinhas sem mastigar direitinho é tornar “verdade” o que é absolutamente mentiroso.
É ou não é?
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Tempo de Estio”, de e com Caetano Veloso. Já pintou verão, calor no coração!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Se puder, acredite!


Quando eu era mais novinho (arram, arram...), tinha um programa de TV que eu gostava muito de assistir, chamado “Acredite se quiser”. Ia ao ar pela finada TV Manchete, apresentado pelo também finado Jack Palance, quem lembra? Ninguém? Só eu? Caraco! Acho que eu estou ficando velho...
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Bem, o programa, cujo nome original era “Believe it or not”, foi criado há muito tempo pelo cartonista e aventureiro Robert Ripley (1893-1949). Na verdade, desde 1918 ele já apresentava, em forma de desenhos, a coleção de bizarrices que ele encontrava pelo planeta. E como tinha (e tem) coisa bizarra nesse mundo!
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Eu lia nO Globo, lá em mil-novecentos-e-não-vem-ao-caso, a coluna “Acredite se quiser” e me divertia com as excentricidades. Eu até já andei fazendo post sobre isso. Mas a cada vez que eu dou uma geral pela internet percebo que o Ripley teria muito assunto para os seus programas. Esse mundo é estranho, mesmo...
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Olhem só: “Homem puxa ônibus londrino com as orelhas”.
A falta do que fazer é um troço incrível... Pois um britânico, um tal de Mangit Singh, foi pra rua e arrastou um ônibus de 7,5 toneladas pelas orelhas.


Ele queria entrar no Guiness, mas dançou. Um outro maluc..., quer dizer, concorrente, tinha puxado um avião a jato com os pavilhões auditivos! A essa altura, o cara deve estar que nem o Sr. Spock, de “Jornada nas Estrelas”...
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Mas nem só de doidões se fazem as bizarrices da vida. Li, recentemente, que um cara tinha sido adotado e quando fez 18 anos, queria porque queria encontrar sua mãe biológica. Foi na agência que tratou de sua adoção e com muito custo conseguiu o nome da mulher. Uma tal Christine Talladay. Daí, o sujeito caiu dentro da Internet, atrás da genitora que o tinha entregue para ser adotado. Não achou nada. Tempos depois, ele recebeu da agência um papel dando conta de que tinham errado na grafia do nome da mulher. O certo era Tallady.

Voltou para a internet e, para sua surpresa, descobriu que o endereço da mãe era perto da loja em que ele trabalhava. Conversando com o chefe, perguntou se ele conhecia a mulher e a rua em que ela morava. “Você está falando da Chris Tallady? Ela trabalha aqui desde abril.” Pois é. Acredite se quiser. O cara procurando a mãe e ela era colega de trabalho dele! É mole ou quer mais? Vejam os dois na foto.
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Eu guardei por último a melhor das excentricidades. Essa é flórida, mesmo!
Pois bem. Tem uma britânica chamada Sarah Carmen (a moça da foto abaixo), de 24 aninhos a criança, que afirmou ter, em um dia normal, cerca de 200 orgasmos por dia! Alô, atenção! Eu falei 200 orgasmos por dia!

Disse a matéria que ela tem uma rara (e interessante!) doença chamada de “Síndrome de Excitação Sexual Persistente” (PSAS, na sigla em inglês), que a deixa bastante excitada por longos períodos, mesmo sem ter qualquer estímulo ligado ao nheco-nheco.

Segundo a reportagem, o barulho do trem, o som do secador de cabelo, o movimento ritmado de uma fotocopiadora, uma freada do ônibus, qualquer coisa assim pode fazer a moça gozar enlouquecidamente. O repórter que a entrevistou assegura que ela não é ninfomaníaca. A tal síndrome dela causa excessiva irrigação sangüínea na periquita, fazendo com que tenha alta, ultra, mega sensibilidade no local. Quem começou a achar que tinha algo de estranho acontecendo foi um namorado da moça. Quando os dois estavam no lesco-lesco, nem bem começavam os trabalhos e a moça já estava “oooooohhh...huuummm...aaaahhhh!”. Claro, pois se ela revira os olhinhos quando ligam o liqüidificador, imagina quando a cobra caolha brinca de trenzinho com a perereca? É uma loucuuuura! Aliás, ela afirmou que não costuma ser fácil manter um namorado, pois os caras se sentem frustrados, já que não precisam nem caprichar. Basta botar o canelloni pra fora e a moça já entra em atitude de “aimeudeus, aimeudeus...”
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Já pensaram como é esquisita a vida de uma pessoa assim? Já imaginaram ela num velório? Ela ali, ao lado do caixão e alguém, sei lá, acende um isqueiro perto dela...
“Yes! Yeees! Oh, yeeeeeeeeeeeesssss”!!!!
E ela num restaurante? Ela senta para almoçar, começa a cortar o bife e...”anh... aaaanh... AHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!” No mínimo, alguém chamaria o garçom e pediria: “Vou querer o mesmo que aquela moça está comendo!”
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Para vocês verem como a vida da moça é...huuum... digamos... agitada, disse o jornalista, Matthew Acton, que durante a entrevista de 40 minutos a britânica "chegou lá" cinco vezes. Ele só não falou o que ele fez para a moça gritar “bingo” por cinco vezes em menos de uma hora...
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Paciência”, com Lenine.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Melhores e piores de 2007!


Eis que é chegado o momento de escolher os vencedores dos prêmios criados aqui no meu, no seu, no nosso Antigas Ternuras, aos que se destacaram na TV e no cinema, em 2007. O escritor que vos digita nunca escondeu ser um cinéfilo juramentado e um atento telespectador, desde tenra idade.
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Comecemos, pois, pela televisão.

Na categoria Pior Programa da TV aberta, fazendo jus ao prêmio REFRIGERANTE SEM GÁS E SEM GELO, muitos são os indicados. Desde a primeira versão do prêmio, continuo indicando a programação de humor de todos os canais, com a honrosa exceção do Casseta e Planeta (que também não anda lá essas coisas...). De tudo de péssimo que assisti em 2007, continuo achando ZORRA TOTAL como o que de pior há. Na verdade, tem tempo que deixei de ver esta merda. Mas nas chamadas do programa vejo que ele continua uma bosta. Logo... prêmio de péssimo para ele!

Na categoria Pior Programa da TV a Cabo, também tem uma bagaceira braba concorrendo. Mas escolho aquele do lutador de crocodilo, o tal de Jeff Conway. Putz! O que é aquilo????? Leva o REFRIGERANTE SEM GÁS E SEM GELO com as honras da casa!
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Entre os melhores programas do ano passado, na TV aberta, destaco alguns e até poderia indicar outros. Mas aplaudo os seguintes:
- Fantástico
- Por toda a minha vida
- Carga Pesada
E escolho para receber o prêmio PIPOCA FUMEGANTE...
POR TODA A MINHA VIDA.

Essa série de programas biografando nomes da música popular brasileira foi, na minha modéstia opinião, um ponto alto da TV no ano passado. Todos foram muito bem produzidos e representados, com destaque para o Renato Russo e o da Elis Regina.
Quero destacar alguns quadros do Fantástico como muito interessantes, a começar pelo de História com o Eduardo Bueno. Eu sou admirador confesso dele e inclusive já o disse pessoalmente ao cara.
Na TV a cabo, teria muitos destaques, mas vou indicar:
- Os Dez Mandamentos (Discovery Channel)
- Moonlight (Warner Channel)
- Jesus: O filho de Deus (Discovery Channel)
And the oscar goes to...

JESUS: O FILHO DE DEUS.

Esse programa apresentado no canal Discovery Channel foi maravilhoso. O que eu aprendi sobre as coisas do tempo de Cristo não está no gibi! Acho que vocês já perceberam que eu tenho um pequeno fraco por História, não é? E descobrir aspectos ocultos sobre o início da Era Cristã é uma de minhas mais antigas ternuras. Portanto... Palmas para o National Geographic!
Os “Dez Mandamentos” também foi notável! Um dia desses ainda faço um post sobre este programa. Moon Light é uma bela revelação entre as novas séries. Trata-se de um vampiro que virou investigador particular e é ajudado por uma jornalista. Muito bom. Eu quero destacar também as temporadas de Supernatural, Lost, 24 Horas, Smallville, Desperate Housewives, CSI Miami, Ghost Whisperer e os poucos episódios de Nightmares and Dreams, com roteiro de Stephen King.
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Chegamos, então, ao cinema. Em 2007, resolvi fazer algo que já deveria ter feito há muito tempo: catalogar e fichar todos os filmes que assisti nos cinemas durante o ano. Podem acreditar: eu assisti a 99 filmes em 2007! E fiquei chateado de não ter chegado aos 100, como era a minha meta! E olhem que eu só contei os que vi em cinema! Os que vi em DVD ou na TV não entraram na minha contabilidade.
Já pensaram se eu tivesse feito essas anotações desde o primeiro filme que vi na vida? Em que número eu estaria? Acho que teria passado de três mil. Desde pequeno eu vou muito a cinema.
Na minha ficha, eu anotei o nome, o país de origem, o ano, o diretor, a sala de cinema em que o assisti, quando, um pequeno resumo, os principais atores e minha classificação. De forma geral, classifiquei os filmes em ruim, regular, bom, muito bom e excelente. Mas às vezes, classificava como "divertido", "bom entretenimento", "confuso", "complicado", "lamentável" e "fofinho" (no caso, como chamei o filme "Miss Potter").
Algumas estatísticas: do total, 62% foram produções norte-americanas, 13% filmes brasileiros, 8% franceses, 7% ingleses e os demais se dividem em produções da Alemanha, Coréia, Romênia, Espanha, Tailândia, Itália, Portugal, China e Nova Zelândia.
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Para o prêmio REFRIGERANTE SEM GÁS E SEM GELO, que costumo dar aos piores filmes que assisti neste ano, temos entre os estrangeiros:
- Homem-Aranha 3 (EUA, 2007, dir. Sam Raimi)
- Possuídos – (EUA, 2006, dir. William Friedkin)
- Viagem a Darjeeling (EUA, 2007, dir. Wes Anderson)
A parada é dura para escolher um deles. Todos são muito, muito ruins. Mas escolho para o prêmio REFRIGERANTE SEM GÁS E SEM GELO de PIOR FILME DE 2007...
POSSUÍDOS.

A série Homem-Aranha tem sido lamentável. Detestei todos os três. Mas tenho que reconhecer que este "Possuídos" é de dar nó em tripa de avestruz. Eu considero William Friedkin um diretor de méritos. Ele tem dois filmes no currículo que considero como excelentes: "O exorcista" e o excepcional "Operação França". Mas nesse "Possuídos" ele errou feio... Aí vai a súmula que escrevi sobre este (argh) filme:
Um homem misterioso inicia um relacionamento com mulher que tem problemas com o ex-marido. Ele a convence que tem insetos sobre a pele e que é tudo culpa do governo norte-americano, que o submeteu a pesquisas sem o seu consentimento. Com Ashley Judd, Michael Shanon, Lynn Collins, Brian F. O’Byrne.
Entre os brasileiros, só um filme mereceu minha classificação de ruim. E é com tristeza que eu entrego o prêmio REFIGERANTE SEM GÁS E SEM GELO de PIOR FILME DE 2007 a...
NOEL - O POETA DA VILA.

Sou ardoroso fã de Noel Rosa. Tenho a biografia dele escrita pelo notáveis João Máximo e Carlos Didier como um de meus melhores livros. Mas este filme é de amargar... Não consegui entrar no clima em momento algum. Fui amigo de duas ex-mulheres de Noel: a Ceci e a Lindaura. E não as reconheci de forma alguma nas atrizes que as representaram.
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E agora, os Mejores! Tcham, tcham, tcham, tchaaaaaam....
Em 2007, 14 filmes receberam de mim a classificação de "Excelente": 4 produções norte-americanas, 2 francesas, 1 alemã, 1 anglo-franco-italiana e 5 produções brasileiras e uma brasileiro-suiço-finlandesa, o que de certa forma não deixa de ser uma agradabilíssima surpresa.
Para concorrer a MELHOR FILME ESTRANGEIRO DE 2007, indico os seguintes:
- A Rainha (Inglaterra/França/Itália, 2006, dir. Stephen Frears)
- Cartas de Iwo Jima (EUA, 2006, dir. Clint Eastwood)
- Um Lugar na Platéia (França, 2006, dir. Danièle Thompson)
- No Vale das Sombras (EUA, 2007, dir. Paul Haggis)
- A Vida dos Outros (Alemanha, 2006, dir. Florian Henckel von Donnersmarck).
Olha... Foi uma decisão difícil... Muito difícil... Mas o prêmio Pipoca Fumegante 2008 vai para...
A VIDA DOS OUTROS.

Eis o resumo do filme, conforme está na minha ficha:
Nos anos 80, quando a Alemanha ainda era dividida pelo Muro de Berlim, o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman e sua companheira, a famosa atriz Christa-Maria Sieland, vivem em meio à elite intelectual da Alemanha Oriental. Quando o Ministro da Cultura se interessa pela atriz, o agente do serviço secreto Wiesler recebe a missão de observar o casal, passando a achar suas vidas e personalidades cada vez mais fascinantes. Com: Sebastian Koch, Martina Gedeck, Ulrich Mühe, Thomas Thieme.
O filme é esplêndido, transbordante de humanidade e sensibilidade. Venceu, com méritos, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2007. E agora o “Pipoca Fumegante 2007”.
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Para o prêmio Pipoca Fumegante 2007, na categoria MELHOR FILME BRASILEIRO DO ANO, os indicados são:
- Carreiras (Brasil, 2005, dir. Domingos Oliveira)
- Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá (Brasil, 2006, dir. Silvio Tendler)
- Brasileirinho – Grandes encontros do choro (Brasil/Suiça/Finlândia, 2007, dir. Mika Kaurismäki)
- Tropa de Elite (Brasil, 2007, dir. José Padilha)
- Jogo de Cena (Brasil, 2007, dir. Eduardo Coutinho).
Também não foi uma escolha fácil, mas tenho que me render aos fatos: "the winner is...
TROPA DE ELITE.

Na minha ficha, assim resumi o filme:
Um capitão do BOPE quer deixar o posto e busca um substituto, ao mesmo tempo em que dois amigos se destacam por sua honestidade como policiais. Com: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Milhem Cortaz.
Acho que nem tenho muito a dizer, visto ser o filme brasileiro mais badalado do ano. E com absoluta justiça.
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Bem, amigos da Rede Globo... Estes foram os meus melhores e piores do ano que findou. Imagino que vocês concordarão com algumas das citações e discordarão de outras. É sempre assim. Lista de melhores é que nem bunda: cada um tem a sua.
Até o proximo ano!
M.S.
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Meus caros amigos: neste sábado (12), estarei fazendo mais uma noite de autógrafos de meu livro. Vai acontecer na Sede da Cia, de Teatro Contemporâneo, onde também atuo, a partir das 19h. Fica na Rua Conde de Irajá, 253, Botafogo, bem perto da Cobal Humaitá.
Após os autógrafos, estarei atuando na peça “O Cadillac Vermelho”, a partir das 21h. Quem quiser livro e peça paga um preço especial. Quem puder ir, vai me proporcionar uma enorme alegria.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Over the Rainbow”, com a Glenn Miller Orchestra.

domingo, janeiro 06, 2008

Festa de Ano


Eu passei meu reveillon em uma pousada-fazenda. Sempre gosto de começar o ano em meio a calma bucólica, no silêncio das línguas cansadas, onde eu possa ficar do tamanho da paz, como diz a excelente música de Zé Rodrix e Tavito.
E depois do espocar da champanha, gosto de caminhar sozinho, fazendo minhas orações, mentalizando boas energias, coisas do gênero.
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Estava do lado de fora da casa, em um descampado quando vi. O exato momento em que o Ano Velho dava a vez ao Ano Novo.
Na verdade, era uma reunião de Anos Velhos. Vi vários senhores de barbas brancas, com túnicas alvas, cada uma com um ano impresso. Eles inclusive se tratavam pelos números. Havia os mais efusivos, os mais quietos, uns mais alegres, outros mais tristes.
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Eu me aproximei daquele estranho grupo e vi que todos rodeavam um menino com a inscrição “2008” na roupa. Dois velhos, o “1958” e o “1968” eram dos mais animados e faziam muitas recomendações ao guri:
- Olha, ano terminado em 8 dá muito certo. Quero ver você honrando a nossa estirpe! Veja só a responsabilidade, heim?
Um velho com a inscrição “2000” tentava interferir:
- Deixa o garoto! Não coloquem esse peso todo nas costas dele. Eu sei muito bem o que é começar cheio de expectativas...
Um outro velho, com uma inscrição “2001” acima de um “I love NY” entrou na discussão apontando o dedo para o 2000:

- Expectativa? Você roubou a minha expectativa! Levou erradamente a fama de primeiro ano do milênio. Eu sou o primeiro e verdadeiro ano do milênio e do Século XXI! Você é um farsante, 2000!
Eu estava pronto para apoiar o “2001” nos seus argumentos quando ouvi o “2002” falando:
- Deixa de bobagem! Isso de comemorar início do século com ano zero é uma novidade, sim, mas não deixa de ser uma curiosidade. Você está amargurado por conta das merdas que aconteceram no seu tempo. Começar século e milênio com avião derrubando torr...
- Melhor mudar de assunto! – propôs “1998” – Agora não é o momento disso.
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Eu via todos afagando “2008”, os dois anos mais animados – “1958” e “1968” - faziam massagem nos ombros do garoto, como se ele fosse um lutador de boxe prestes a entrar num ringue. Num canto, sem que ninguém desse atenção, estava “2007”, com uma expressão entre a tranqüilidade do “missão cumprida” e a melancolia de um “fiz o que pude”.
Fui até ele.
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- Eu quero te agradecer. Você foi muito bom para mim. Eu sempre vou me lembrar de você, pelas ótimas coisas que me aconteceram em seu tempo.
Ele me olhou sorrindo triste.
- Eu sei. E me alegro por conta disso.
Estávamos os dois ali, olhando um para o outro, sem ter o que dizer. Mentalmente revi meus muitos bons momentos no ano que passou, a concretização de um antigo sonho, os muitos sorrisos e as poucas tristezas.
*

Fomos interrompidos pelos gritos de “vai que é tua, garoto!” E vi “2008” saltitando e fazendo exercícios de alongamento, como um jogador de futebol na beira do campo. O velho ao meu lado olhou para ele e murmurou algo como “boa sorte”. Todos começaram a aplaudir o novo ano. Eu também bati palmas para ele. Mas, súbito, me voltei para 2007 e dirigi a ele meus aplausos. O velho, sorrindo, fez um gesto com a cabeça, agradecendo. Dirigi os olhos para “2008” no exato momento em que ele ia adentrar o “campo”. Ele me viu e, com um sorriso enigmático, piscou um olho para mim. O que ele queria dizer com aquilo? Eu ia perguntar algo para ele, mas pingos de chuva caíram sobre o meu rosto e eu passei a mão nos olhos para limpar as gotas, ao abri-los, a cena já tinha passado, tudo desaparecera. Eu estava novamente sozinho.
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O céu se iluminava cada vez mais multicor com o estouro dos fogos. Ao longe, ouvia as pessoas cantando dentro da casa: “adeus Ano Velho... Feliz Ano Novo... Que tudo se realize... No ano que vai nascer...”
Eu me dirigi para lá sem pressa. Deixei que a chuva banhasse a minha alma por alguns instantes.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Overjoyed”, de Stevie Wonder. Durante vários dias na passagem do ano cantei esta música, assim, inconscientemente. Depois, lembrei que uma das traduções possíveis para este título é “De bem com a vida” ou “Super contente”. Aí entendi porque estava cantarolando esta pequena pérola. Espero que todos vocês entrem neste alto astral também.
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No blog Playground dos Dinossauros tem texto meu. Se alguém aí é do tempo do “Jerônimo, o Herói do Sertão”, apareça por lá. Se não é e quer saber do que se trata, vai também.