quinta-feira, setembro 06, 2007

Botando o preto no branco


Dia desses, eu estava lendo o sempre excelente blog do Dilberto, líder do clã dos Morcegos, família que muito gentilmente me acolheu, e vi a homenagem que ele fez ao seu clube do coração. Não vou citar aqui o nome do clube porque não o cito a não ser pejorativamente, visto ser o grande rival do meu amado Mengão. Mas vocês já devem saber de qual time falo... Ele tem o nome de um almirante português conhecido por ser cruel com seus comandados e ter cometido atrocidades na Índia, depois de ter trilhado o caminho marítimo até lá, no Século15.
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Pois bem. Disse o meu caro primo Dilberto que este time “foi o primeiro a ter jogadores negros no elenco profissional”. Eu discordei e apresentei argumentos que desfazem este equívoco. Ele contra-argumentou afirmando ter lido esta informação vinda do jornalista Sergio Cabral (pai do atual governador do Rio), que é reconhecido como pesquisador cultural. E na verdade o é e dos bons. Eu o tenho como uma grande influência no meu estilo de escrever perfis biográficos, assunto em que ele é mestre.
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Acredite, caro primo Dilberto: eu já ouvi o Sergio falar isto, assim como muitos outros e sempre fiquei embatucado com esta afirmação. Você e os torcedores do seu time proclamam isto como uma grande vantagem, algo a ser glorificado. E eu sempre achei isso muito estranho. O seu clube tem óbvias ligações com a colônia portuguesa e ao longo da História, os portugueses nunca se caracterizaram pela tolerância racial. Foram os maiores escravocratas da História da humanidade. A quantidade de negros que eles capturaram ou compraram na África ao longo dos séculos 15 ao 20 – sim, em meados do século 20 eles exploravam mão-de-obra escrava em São Tomé e Príncipe - ultrapassou a casa dos milhões. Certamente, se admitiam negros na equipe, nos anos 20 do século passado não o fizeram por serem “democratas” ou “admiradores” da raça negra.
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Aqui faço uma advertência: eu não estou dizendo que os portugueses são racistas ou escravocratas. Falo como estudioso de História. Há alguns mui queridos lusitanos que aqui freqüentam e por quem tenho enorme carinho e que não são racistas, nem caçam escravos. Falo de tempos idos. Ao longo dos séculos 16, 17 e 18, espanhóis, ingleses, franceses e holandeses também escravizaram nossos irmãos negros d’África. Só que os portugueses o fizeram por mais tempo, dominando o tráfico negreiro no Atlântico Sul. E no início do Século 20, quando o Brasil tinha abolido a escravatura há cerca de uns 30 anos antes, acho difícil que portugueses fossem “generosos” com uma raça que por tanto tempo foi explorada por eles.
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Com esta linha de raciocínio na cabeça, fui pesquisar, ler, entrevistar, conversar com estudiosos, para ver o quanto de verdade existia na afirmação de que o clube da cruz de Malta fora o primeiro a admitir negros no seu elenco. E constatei que ele não foi mesmo o primeiro. Nem o segundo. Nem o terceiro. Nem o quarto. Nem mesmo o quinto!
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O primeiro clube de futebol carioca a incorporar negro na equipe foi, obviamente, um time proletário: o Bangu Atlético Clube, formado por funcionários da Fábrica de Tecidos Bangu. Isso em 1905. E entre estes, havia um negro, cujo nome era Francisco Carregal (veja o rapaz na foto publicada na revista O Malho, de 1905), o que despertava indignação nos times adversários, todos aristocratas e de famílias tradicionais.
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Em 1907, um destes times tradicionais, o Botafogo Futebol Clube, colocou para jogar um negro.

Os clubes adversários (Fluminense, Paysandu, Rio Cricket principalmente) declararam que não disputariam nenhuma partida contra alguém de cor negra. O rapaz teve a sua inscrição no clube cancelada e foi obrigado a sair do time. Curiosamente, em 1915, o Fluminense admitiu um rapaz nitidamente mulato, de nome Carlos Alberto. Este, se envergonhava de sua origem e tentava disfarçar a cor de sua pele com, acreditem, pó-de-arroz!!! A anta nem imaginou que o suor faria a maquiagem escorrer, ficando muito pior do que antes. A torcida adversária não perdoou: chamava os jogadores do Fluminense de os “pó-de-arroz”. A torcida tricolor não se importou e até aceitou o apelido. Tanto que o pó-de-arroz é símbolo do time até os dias de hoje (e garanto que muito tricolor não sabe da origem do apelido...)
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Antes do mulatinho tricolor, o time do Andaraí, também de proletários e operários, por volta de 1910, já tinha escalado afrodescendentes no seu time.
Em 1918, o América Futebol Clube entronizou um jogador negro, cujo apelido era Manteiga. Também causou um certo desgaste entre os adversários.
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Vejam bem: o futebol era um esporte aristocrático. Guardadas as devidas proporções, era como hoje é o tênis. As torcidas eram comportadas, as senhoras freqüentavam os jogos (chamavam de matches), era tudo muito cheio de fru-frus. O primeiro jogo a causar uma certa comoção foi a disputa do Campeonato Sulamericano de 1919, em que o Brasil se sagrou campeão contra o Uruguai, com um gol de Friedenreich. O jogo ficou tão famoso que Pixinguinha compôs um chorinho com o título de “1x0” em homenagem à conquista.
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Pois bem. O clube originário da colônia portuguesa já disputava regatas desde 1898. Este sim era o verdadeiro esporte das “multidões” aqui no Rio de Janeiro. Em 1915, resolveu também disputar o campeonato de futebol. As primeiras participações, com o time integrado de membros da colônia, foram ridículas. No primeiro jogo já tomaram uma goleada homérica. Os portugueses que patrocinavam o time, viam entre os seus empregados negros, nos muitos armazéns de secos e molhados, vários com habilidade bastante desenvolvida no trato com a bola. Como originariamente o clube cruzmaltino sempre foi ressentido com as gozações dos garotões da Zona Sul (sua própria fundação foi feita em cima deste rancor), queriam entrar na disputa para ganhar. Os lusos pagavam "um por fora" aos seus empregados negros para disputarem os jogos com a camisa do clube. Até os deixavam treinar, aliviando a jornada de trabalho deles. Isso por volta de 1920.
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(Na foto, o time do Bangu, em 1919, com negros e operários)
A partir daí, criou-se a balela de que o clube da colônia portuguesa era “democrático” e admitia pessoas de todas as raças e de qualquer condição sócio-econômica. Começaram a disseminar que o clube da cruz foi o primeiro a admitir negros, o que é uma deslavada mentira. E uma grande bobagem, visto o contexto histórico da época ser totalmente diferente.
Recentemente, saiu no jornal O Globo uma matéria contando o que descrevi aqui: clubes proletários como Bangu e América e até aristocráticos como Fluminense e Botafogo já admitiram negros. Hoje, os cruzmaltinos já não dizem ser os “pioneiros”. Afirmam que foram “o primeiro clube a ser campeão com negros no plantel”, o que é bem diferente de ser o pioneiro, não é?
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Eu não estou inventando nada disso. Quem quiser se aprofundar no assunto, recomendo o livro “O Negro no Futebol Brasileiro”, de Mario Filho. Lá, ele diz com todas as letras que o papel de pioneiro em relação à aceitação de futebolistas negros em seus quadros é equivocadamente atribuído ao clube da cruz de Malta (na verdade, cruz pátea ou patée...).
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E mais digo eu: Aos que dizem que o clube era “permissivo” e “democrático”, deixo uma pergunta: se um daqueles negros que trabalhavam nos armazéns e jogavam no clube se apaixonasse por uma filha de um português dirigente do time, ele permitiria que a filha se casasse com o rapaz “de cor”? Se eram tããão democráticos assim, deveriam permitir. Vocês acham que eles permitiriam?
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Escrevi isto para mostrar a vocês que não se deve engolir sem mastigar bem direitinho certas verdades que andam por aí. Não é só em termos de futebol. A História não é uma disciplina das Ciências Exatas. Ela é absolutamente dinâmica, novas descobertas acontecem todo tempo. Tudo o que se de fazer é estudar, pesquisar. É o que, modestamente, costumo fazer.
M.S.
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O Antigas Ternuras recebeu da Bruxinha, do sempre excelente blog Labirintos do Sol e da Lua, mais um prêmio, pelo qual agradeço muitíssimo pela lembrança e pela gentileza. Conforme a regra do post-corrente, indico outros cinco que merecem, até mais do que eu, este prêmio. Só cinco... Aí é que complica... Mas vamos lá:
- Luz de Luma
- Balaio Porreta
- Loving Me for Me
- Nãnaninanena
- Transmimentos de Pensações
Estes meus indicados devem agora indicar outros cinco que façam jus ao prêmio e publicar a imagem do selo.
Agradeço igualmente à amiga Samara Angel pelos selos que me ofertou. Uma delicadeza que me deixa comovido. Obrigado, do fundo do coração!
Ainda nos agradecimentos, muito, muito obrigado a Fernanda Ruiz, pela minha indicação para o “Blog Day 2007” como um de seus favoritos. Eu me sinto honrado pela escolha e muito feliz com a indicação.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o excepcional Luciano Pavarotti, cantando “Nessum Dorma”, da ópera Turandot, de Puccini. A música não tem nada a ver com este post, mas fica como uma homenagem ao grande tenor, recém-falecido, que tornou pop muitos clássicos. E deu uma interpretação magistral, emocionante a esta ária.

domingo, setembro 02, 2007

Pés no chão


Noutro dia estava estirado no sofá da sala, escutando cabelo crescer, como costumo fazer, e pensei: "há quanto tempo não ponho meus pés na terra!" Nossa! Mas tem tempo mesmo!
E pensar que eu fui um guri que cresceu andando descalço, criando cascão na sola... Hoje, se eu correr sem sapatos num gramado vai cortar a sola dos pés feito eu estivesse pisando em giletes.
Talvez até seja desconfortável eu botar a lancha no chão cru... Mas ainda quero fazer isso. E há de ser em breve. Temos chacras importantes na sola dos pés que precisam carregar/descarregar energias na terra.
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Tem tanta coisa que eu fazia e deixei de fazer... Jogar futebol, subir em árvore, comer fruta no pé, jogar pedra na superfície de um lago e vê-la quicar no mínimo três vezes...
Com o tempo, a gente larga velhos hábitos e adquire novos, mas aí bate uma tremenda saudade dos antigos...
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Preciso, quero fazer algumas coisas que fazia nos antigamentes. Vou comprar um toca-discos só para ouvir meus discos de vinil. Noutro dia me bateu uma vontade de ouvir "Tell me you once again", com o Light Reflections. E também "Got to be there", do tempo em que o Michael Jacson era preto. Tive saudades do tempo em que eu ia ouvir fita cassete na casa do meu amiguirmão Luiz e ainda filava o lanchinho que a mãe dele, Dona Aída, fazia.
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Aliás, será que minhas antigas fitas cassete ainda tocam? E o meu gravador Sanyo velho de guerra, será que ainda funciona? Caraco... Quantas dores de amores mal-sucedidos ficaram impregnados naqueles botões de controle... As antigas canções anestesiavam um coração sangrando. E serviam de trilha sonora para rabiscos juvenis no papel, como estes:
“O sol pálido deixou sobre minha mesa algumas pequenas sementes de luz
Queria saber a magia exata que fizesse germiná-las.
Então eu guardaria no olhar o brilho dessas pétalas luminosos.
E quando eu novamente te visse
Teria só pra você um buquê nos olhos de moleque tímido.”


(poema que eu fiz não sei quando, dedicado a não sei quem...)
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Também me bateu vontade de ir na Casa do Alemão e comer aquele doce Mil Folhas que lá é inigualável. Quando era moleque, de vez em quando minha mãe levava a prole para ir comer sanduíche de lingüiça e comer Mil Folhas. O sanduba hoje dispenso, já que sou vegetariano. Mas o doce...
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Preciso arranjar um tempinho pra reler meus velhos gibis. Eu tive que me desfazer de muitos, por conta de espaço. Mas ainda tenho vários... Inclusive tenho um Ferdinando e a Família Buscapé (Lil’ Abner no original) que eu trouxe de Nova Iorque há dez anos e não li. Onde eu botei as minhas revistas antigas do Batman? E a Turma do Pererê, que está ali na estante, ao alcance da minha mão...
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É... Preciso botar os meus pés no chão. Sentir a energia do solo. Mas não consigo tirar a cabeça das nuvens... E o meu coração, que paira entre o céu e a terra, acende um farol para as gentes, e bate as asas de pássaro no rumo do sol. Porque amanhã sempre será um novo dia...

M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Tell me once again”, com o inesquecível conjunto Light Reflections (por onde eles têm andado?...).

terça-feira, agosto 28, 2007

Pausa para o cafezinho


A sala onde eu trabalho fica perto da copa. Logo pela manhã, o corredor fica tomado pelo cheiro de café fresco, que sai do coador de pano em busca de todas as narinas que puder encontrar pela frente. E nesse caminho, encontra as minhas cavidades nasais...
Podem falar: tem coisa mais gostosa que cheiro de café fresquinho, passado logo pela manhã?
O mais curioso nisso tudo é que eu quase nunca tomo café. O meu desjejum matinal é feito com sucos e chás, nunca com café. Não me agrada o gosto. Só o cheiro. Vai entender uma coisa dessas...
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Eventualmente, se vou na casa de alguém e me trazem uma xícara, não cometo a indelicadeza de recusar. Mas não o tomo com prazer. A não ser na roça, quando passam o café em coador de pano e adoçam com rapadura. Aí eu beberico uma “xicrinha” com muito gosto. Também toparia tomar uma xícara, num daqueles Cafés de Paris, olhando a Torre Eiffel e ouvindo Edith Piaf...
De qualquer forma, o cheiro de café passado de fresco me traz à lembrança coisas que li sobre a história do café. Se vocês não se incomodam, peguem uma xícara, tomem assento e vamos embarcar em mais uma viagem da séria série: “A História tem cada história...”
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A planta bonita, que dá flores e frutos vistosos, tem o nome oficial de coffea arabica, e foi dado pelo sueco Carl Linné (tem livros que aportuguesam o nome dele para ‘Carlos Lineu’). A primeira parte do nome da planta vem de uma região da Abissínia (norte da atual Etiópia, na África), de nome Kaffa, onde este vegetal surgiu em tempos imemoriais. Curiosamente, os habitantes do lugar não acharam a menor graça naquele arbusto de frutos vermelhos. Mas comerciantes árabes que ali estiveram, levaram mudas e os frutos para a península arábica e lá o consumo se disseminou. O que explica a segunda parte do nome oficial do cafeeiro. Conta-se que até Maomé era chegado num cafezinho...
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Há uma lenda sobre um pastor chamado Kaldi. Ele observou que as cabras que pastoreava ficavam assanhadinhas (no bom sentido...) sempre que comiam as folhas e os frutos do cafeeiro. Tomado pela curiosidade, ele próprio experimentou as frutinhas vermelhas e se sentiu mais vivaz e disposto. Na região tinha um monge que, ao saber da descoberta de Kaldi, mandou pegar algumas frutinhas e fez com elas uma beberragem que passou a usar para resistir ao sono, nas orações noturnas.
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Lenda ou não, o certo é que o hábito de tomar a infusão se espalhou mais que pereba em menino. No Século 16 a beberragem era o grande sucesso em boa parte do Oriente, com as frutinhas tendo sido torradas na Pérsia, estabelecendo o hábito de vez. No Século 17, ingleses e holandeses viram no produto uma boa oportunidade de grandes lucros. E tinha que ser eles mesmos, povos não católicos, logo, não regidos pelo Vaticano que proibira aquela bebida de islâmicos. Entretanto, quando o papa Clemente VIII provou uma xicrinha gostou tanto que liberou geral.
No começo do Século 18, a Cia. das Índias Ocidentais, empresa de Holanda, levou mudas do café para o Suriname (Guiana Holandesa). Mas não foi lá que o produto deu lucro aos flamencos. Nas possessões do Pacífico, especialmente em Java, o café pegou que foi uma coisa! E dali se espalhou pela região.
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café 10
E no Brasil? Como começou esta história?
Começou via França, que introduziu o café na Martinica e dali para suas outras colônias. Incluindo a Guiana Francesa...
Até o princípio do Século 18, não havia nenhuma muda de café no Brasil. Os países produtores – França e Holanda – faziam o maior jogo duro com mudas e sementes. Era terminantemente proibido contrabandear café, visto ser uma grande fonte de divisas e eles não queriam perder o monopólio do comércio.
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Em 1727, o governador do Maranhão, João da Maia da Gama, incumbiu o sargento-mór Francisco de Melo Palheta (o rapaz aí do lado) de ir até Caiena para duas coisas: resolver questões de fronteira e conseguir sementes de cafeeiro, contrabandeando-as para o Brasil. Chegando lá, Chico Palheta se fez amigo de Madame d’Orvilliers, esposa do governador da Guiana Francesa. O sargento era um sedutor incorrigível. Um dia foi visitá-la, ela lhe serviu uma xícara de café, ele molhou o biscoito, pronto!, Madame gamou. O cara devia ser muito bom de cama, pois a mulher do governador, tomada de paixão pela palheta do Chico, deu-lhe sementes de café, depois dele ter provado o capuccino dela. Como se vê, tem sacanagem no meio de tudo o que envolve o Brasil. Essa, pelo menos, foi no bom sentido. No sentido de fora para dentro...
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O café foi plantado no Pará e depois no Nordeste, onde o solo não era exatamente propício. Mas quando foi cultivado no Sudeste, especialmente no interior do Estado do Rio, de São Paulo e sul de Minas, ah, o bicho se entendeu com aquele chão e virou o maior produto brasileiro de exportação até hoje.
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Palheta e d’Orvilliers viraram marcas de café. A partir de agora, quando você tomar uma xícara de café, não deixe de pensar que este seu prazer começou na saliência dos dois. E se o cafezinho estiver mesmo muito bom, faça como Madame d’Orvilliers e diga bem alto:
“Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!...Ahhhhhhhhhh.... Huuuuummm...Que coisa boa!!!!!!!”
Santa palheta do Palheta...
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Edith Piaf, cantando “Sous le ciel de Paris”. U-lá-lá!

sexta-feira, agosto 24, 2007

Cheiros e coxas


Como é do agrado de tantos, lá vamos nós para mais exemplos da série “Origem de expressões que utilizamos, mas não sabemos da origem”. Hoje, trataremos de duas que tem sido muuuuuuito ditas por aí. Qualquer pessoa decente, que se digne em abrir os jornais para ver a quantas anda o noticiário político ou a situação dos aeroportos, diz, invariavelmente, uma ou outra. Passemos a elas, pois.
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A primeira é:

Não me cheira bem.

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Dizemos isso quando desconfiamos de algo ou de alguém. Assim como... huuummm... escolhendo um exemplo qualquer, bem aleatório... imaginem um político alagoano que tenha ligações com um lobbista da área da construção civil de Maceió, muito interessado nas obras do porto da capital alagoana. Vamos que ele diga que o tal lobbista é só amigo, mas que não pagou as contas dele, só levou o dinheiro para a amante que teve uma filha com ele fora do casamento. E esse dinheiro não foi contabilizado, não foi declarado no Imposto de Renda, nada. Surgiu de uma venda de bois por um preço muitíssimo acima do mercado. Venda para empresas-fantasmas ainda por cima.
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E aí? Você acha que essa história “cheira bem”?
Sabem de onde veio essa expressão? Do tempo da igreja primitiva, aquela do início do cristianismo. Naquele tempo, diziam que os santos tinham um odor especialmente agradável. Quem era virtuoso, exalava um bom cheiro, um cheiro de santidade. Já os desonestos, os corruptos, os ladrões, os exploradores, estes fediam. Tinham inhaca. Futum. Morrinha. E as situações inconvenientes e desonestas em que se envolviam tinham o mesmo odor. Fosse no que fosse que estivessem enredados, o aroma não era agradável. Qualquer pessoa honesta diria, diante deles: “Huummm... Isso não me cheira bem!”
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A outra expressão que trago aqui é:

Trabalhinho feito nas coxas.

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Essa vem dos tempos do Brasil Colônia. As olarias instaladas aqui usavam escravos para produzir telhas. Como não existia um molde único, a solução encontrada era modelar a massa de barro nas coxas dos negros. Como ninguém tem as coxas iguais uns aos outros, as telhas em forma de calha ficavam desiguais. No que se montava o telhado, percebia-se que estava irregular, parecendo um serviço mal-feito. Daí que um serviço feito “nas coxas” passou a significar coisa imperfeita, mal ajambrada.
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Antes de descobrir esta explicação, eu achava que o nas coxas aí era por conta de uma gravidez em que não tivesse havido penetração. Os dois salientes ficavam naquela sacanagem e, talvez para a mulher não perder a virgindade, o cara ficava só no roça-roça, com o bigorrilho entre as coxas da moça. Uma gestação acidental advinda daí poderia ser considerada como “imperfeita” (taí um bom xingamento: “sai pra lá ô seu filho de um roça-roça!”).
Mas não. O que ia nas coxas era só barro, mesmo. E para fazer telha!
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Algum de vocês conhece algum trabalho feito nas coxas? Quando eu abro o jornal e leio que a pista do aeroporto de Congonhas foi “recuperada”, “reformada”, o escambau e aí acontece acidentes como o do avião da TAM, fico pensando: “Em que coxa moldaram aquela bosta., heim?”
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Moro em apartamento novo. Não tem nem cinco anos desde que a construtora entregou as unidades para nós, os proprietários. E em várias unidades (inclusive a minha), tem ladrilho se soltando, rachaduras aparecendo nas paredes, pisos que desgrudam no chão...
Mas haja coxa, né não?
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Será que este país está sendo feito nas coxas? E aí eu me pergunto se a explicação para isso está mais para a que eu acreditava (os filhos de um roça-roça), ou se o problema é de perna, mesmo. Já começo a crer que somos cidadãos feitos de uma fornicação mal executada...
A começar por nossos “governantes”. Olhem só para a cara deles: não parecem TODOS feitos nas coxas? (escolham que explicação vocês preferem para eles, a da telha ou do roça-roça...)
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Teresa Cristina e o Grupo Semente cantando “Quantas Lágrimas”. Ê coisa boa!
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Mas coisa melhor ainda é voltar ao convívio de vocês!
Pessoal: muito, mas muito obrigado MESMO pelas manifestações de carinho durante a minha ausência forçada. O computador foi consertado, não faleceu, graças a Deus!
Devagarinho vou visitando todos vocês e tocando a vida.
O blog é de antigas ternuras, mas vocês são meus ETERNOS CARINHOS.
Outra coisa: Estou com um texto lá no Playground dos dinossauros. Quem quiser dar uma espiadinha, basta clicar aqui.

terça-feira, agosto 14, 2007

Aos meus amigos

Estou sem computador há mais de uma semana. O PC caiu doente e temo que ele venha a falecer. Problemas de placa-mãe costumam ser complicados.
Por isto não tenho atualizado, nem visitado vocês.
Por favor, me desculpem. Tão logo a situação se resolva, eu voltarei a postar e visitar vocês.
M.S.
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Enquanto isso, a Rádio Antigas Ternuras toca pra vocês "Flor Amorosa", com o grande Altamiro Carrilho.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Uma série genial!


Depois que a gente lê o conto “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, uma das histórias de Scherazade no belíssimo livro “1001 Noites”, não tem como não ficar pensando no que pediríamos se achássemos um gênio pronto para nos atender a qualquer desejo.
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Pois é. No antigo seriado “Jeannie é um gênio” (“I Dream of Jeannie”), um astronauta norte-americano cai numa ilha deserta e acha uma garrafa com um gênio, ou melhor, uma gênia dentro. E mais: a gênia é linda e gostosíssima! Essa história nem a Scherazade imaginaria...
Só que o cara não pedia nada àquele pitéu de nome Jeannie! Quando eu era guri e via a série na antiga TV Tupi (tudo bem, moçada, eu admito: sou do tempo da Tupi. Pronto. Falei), ficava berrando pro “Major Nelson”:
- Pô, cara! Você é burro! Tanta coisa para pedir! Ah se fosse eu...
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video com clip de 2min e 47seg


É. Naquele tempo, se eu tivesse um gênio 24 horas a minha disposição, muito provavelmente eu pediria um Autorama e uma viagem à Disney. Eram os meus sonhos de infância.
E hoje? O que eu pediria?
A gente sabe que não adianta pedir a gênios coisas inatingíveis como a paz para o mundo, a cura de todas as doenças, o fim da pobreza, a extinção da música sertanojo...
Tem que ser coisas materiais, tangíveis. Se bem que a gente sempre fica tentado a pedir honestidade para os políticos brasileiros, competência para nossos governantes... Mas se a gente pedisse isso, o gênio baixaria humildemente a cabeça e diria:
- Lamento, amo. Talvez dê para conseguir a paz para o mundo e a cura de todas as doenças, mas esses outros pedidos...
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A série “Jeannie é um gênio” é uma de minhas antigas ternuras. Ainda a assisto, à noite, no canal a cabo Nickelodeon, junto com outras séries queridas como “A Feiticeira”, “A Família Addams” e “Os Monstros”.
Lembram de como começava? Com o locutor dizendo: "Diferente, divertido, surpreendente. Um programa verdadeiramente genial. A garota desse programa é um sonho, é um espetáculo, é muito viva. Jeannie é um gênio".
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O programa foi criado por Sidney Sheldon. Aquele mesmo que depois se tornaria escritor de best-sellers como o “Outro Lado da Meia-Noite”. A Screen-Gems encomendou a Sheldon que bolasse uma série para competir com o mega-sucesso “A Feiticeira”. Foi aí que ele teve a idéia de uma gênia, com um corpo genial, bem diferente dos gênios da tela, normalmente homens gordos, imensos, com cara de mal (menos o “Shazan”, mas isso foi depois e é outra história...). Ele achou que o conceito estava muito parecido com a bruxinha Samantha e foi até pedir opinião aos criadores da Feiticeira. Os caras não se importaram, ele foi em frente.
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Quem quase embaçou tudo foi a Liga pela Decência (já falei aqui dessa Liga... É aquela que implicava com o volume do bilau na fantasia do Robin Burt Ward na série famosa...). Eles acharam muito estranho uma mulher, em trajes provocantes, morando na mesma casa que um homem solteiro e gritando: “amo! amo!...
Na série, ficava claro que o Major Nelson dormia no quarto e a Jeannie na garrafa. Mas aquele povo tarado da Liga pela Decência imaginava as maiores saliências entre um astronauta e uma gênia nascida na Babilônia...

Primeiro, implicaram com a barriguinha exposta da moça. Queriam que tapassem o umbigo dela e tiveram que fazer modificações no figurino (reparem na foto, sem o umbigo aparecendo). Aí sim, a moral e os bons costumes estariam a salvo naquele país de tantas virtudes chamado Estados Unidos da América!
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Há um aspecto muito interessante neste seriado. Ele desmente e confirma aquela velha história de que um ator que se destaca num papel fica marcado e não consegue arranjar mais outro emprego ou ter o mesmo sucesso. Larry Hagman desmentiu. Barbara Eden confirmou. Justamente os protagonistas! O primeiro fez muito sucesso como o Major Nelson, mas alcançou sucesso ainda maior como o “J.R.” de “Dallas”. Barbara nunca conseguiu se livrar do estigma de Jeannie, não obtendo o mesmo êxito que teve na famosa série. Fez algumas participações, atuou em outra série mas nada que chegasse perto do seriado que lhe trouxe a glória. Inclusive, em períodos de vacas magras, teve que fazer shows em night clubs, vestida de Jeannie.
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Existem muitas histórias curiosas envolvendo a série. Uma das mais divertidas é sobre a escolha do ator que faria o capitão, depois major, Nelson. O produtor Sidney Sheldon estava procurando alguém que tivesse comicidade e credibilidade para o papel. Larry Hagman estava desempregado, roendo beira de penico, passando dificuldades, topando fazer qualquer parada. Ele tentava todos os testes que pintassem. Na semana em que fez o teste para “Jeannie” participou de outras quatro audições. A pindaíba do cara era tanta, que ele a família acamparam numa praia de Los Angeles, por não terem dinheiro para alugar uma casa. Quando lhe comunicaram que tinha ganho papel, estava só com 20 dólares no bolso. Comemorou pedindo uma pizza. Só com muzzarela.
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video com 2 min e 12 seg


No elenco principal, além de Barbara e Larry, tinha o comediante Bill Daily, que fazia o hilário “Major Healey”. Esse era o meu personagem favorito. Sempre dava muitas risadas com ele. E tinha também outro excelente personagem, o “Coronel Bellows”, feito pelo ator Hayden Rourke. Ele eqüivalia à “Sra. Kravitz”, da “Feiticeira”. Via os efeitos das mágicas, mas não conseguia provar nada e ainda ficava com fama de maluco (lembram dele dizendo: “Depressa, general Peterson, está nevando na sala do major Nelson”?). Outros personagens mais ou menos fixos no programa eram a “Amanda Bellows”, o “General Peterson” e a irmã malvada da Jeannie, a gênia morena “Jeannie 2a.”. Aliás, essa foi uma cópia descarada da prima de Samantha, a Serena. Diz-se que William Asher, produtor de “A Feiticeira” (e marido de Elizabeth Montgomery) teria ficado irritado com esse plágio descarado.
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A série estreou, na TV americana, no dia 18 de setembro (dia do meu aniversário!) de 1965 e o último dos 139 episódios inéditos foi ao ar em 26 de maio de 1970. Teve dois longas após isso: “Jeannie é um gênio: 15 anos depois” (1985) e “Jeannie é mesmo um gênio” (1991), ambos sem Larry Hagman.
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Do elenco principal, três ainda estão vivos. E bem vivos, como pude verificar recentemente num David Letterman Show, quando Hagman, Eden e Daily foram entrevistados e se esbaldaram, contando casos e piadas (especialmente Daily que não leva nada a sério). Farei um rápido perfil de cada um:

Barbara Eden – Seu nome original é Barbara Jean Moorehead, com mesmo sobrenome da atriz que fazia a Endora, na Feiticeira, mas não eram parentes. Nasceu em 23/8/1934, em Tucson, Arizona. Começou a carreira como cantora. Atuou na série “Como agarrar um milionário”, de onde foi convidada por Sheldon para viver a Jeannie. Seu filho, Matthew, do primeiro casamento com o ator Michael Ansara, morreu em 25/6/2002, de overdose. Atualmente tem uma produtora de filmes em Hollywood.

Larry Hagman – Nasceu em 21/9/1931, em Forth Worth, Texas. Sua mãe era a atriz Mary Martin e ele resolveu seguir-lhe os passos, mas não encontrou moleza. Depois de “Jeannie”, entrou para a série “Dallas”, onde fez tanto ou mais sucesso ainda. Teve problemas com alcoolismo. Ele disse certa vez que desde o tempo de Jeannie ele enchia a caveira logo pela manhã e atuava sob efeitos do álcool. Se não tivesse feito um transplante de fígado, nem um gênio o livraria de ir para o Céu dos atores de seriados. Curioso: A Jeannie morava numa garrafa, mas quem bebia todas era o Major Nelson... Hagman casou-se somente uma vez, desposando a sueca Maj Axelsson, que lhe deu dois filhos. É conhecido no meio artístico como “um cara legal”.

Bill Daily – É natural de Des Moines, Iowa, onde nasceu em 30/8/1928. Começou sua carreira se apresentando como comediante em bares até ser convidado para fazer esquetes no programa Steve Allen Show, quando foi chamado para viver o Major Healey. Com o fim da série, fez aparições em outros programas. Atualmente está aposentado e mora em Albuquerque, no Texas. É tremendo gozador, daquele que perde o amigo ms não perde a piada.

Hayden Rourke (o da ponta direita) – Nasceu em 23/10/1910, no Brooklyn, New York. Foi ator de Teatro nos anos 30, até se engajar no serviço militar, onde organizava peças para os soldados que lutavam a II Guerra. Com o fim do conflito mundial, retomou a carreira como ator de Teatro na Broadway. Viveu na série o célebre Cel. Bellows, que lhe deu muita fama. Faleceu em 19/8/1987, vítima de câncer.
Emmaline Henry – Nasceu em 1/11/1931, na Philadelfia. Era a personagem “Amanda Bellows”. Atuou em outras séries, como convidada. Faleceu em 8/10/1979.

Barton MacLane – O “Gen. Peterson” nasceu em 25/12/1902, na Carolina do Sul. Além de Jeannie, atuou em várias outras séries, como ator convidado. Faleceu durante a quarta temporada da série, em 1/11/1969.
Video com 1min e 6 seg, com a participação especial de Groucho Marx

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A célebre garrafa da Jeannie (na verdade, fizeram três e, com o fim da série, foram dadas uma para cada ator. Bill Daily já passou a dele nos cobres...) é um ícone desejado por muitos. Quem não gostaria de encontrar uma de verdade, com uma gênia dentro? Novamente, eu me pergunto: o que eu pediria a um gênio se encontrasse uma? Huuumm... O primeiro pedido que me ocorre é fazer do Mengão campeão brasileiro e que os bacalhosos sebentos vascaínos caiam para a segunda divisão. Ou talvez, pegar todos os responsáveis por este apagão aéreo e suas conseqüências fatais, colocá-los numa catapulta cheia de dinamite, acender e mandá-los para a catapulta que os pariu.
E você? O que pediria?

(para ver a abertura do seriado e ouvir o tema, clique aqui)

bill daily hoje e um fã
M.S.
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Na TV Antigas Ternuras, você assiste a três cenas de Jeannie é um gênio.

segunda-feira, julho 30, 2007

Quando Napoleão (quase) veio ao Brasil


O mês de julho é festivo para os franceses. Foi num 14 de julho de 1798 que o povaréu derrubou a monarquia absolutista, culminando com o carrasco falando para a rainha Maria Antonieta: “Olha, vai ser só a cabecinha...”
Para celebrar este mês que finda, vou contar alguns “causos” interessantes (que até já narrei aqui faz tempos...), que certamente interessarão aos francófilos. E a quem sabe que...”A História tem cada história”..., título de uma das seções que mais gosto de fazer aqui no nosso Antigas Ternuras.
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Pois bem. Vocês sabiam que Napoleão esteve perto de vir ao Brasil? Na verdade, ele morou pertinho daqui.
Não, eu não estou maluco das idéias. Estou falando sério.
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A ilha de Santa Helena, onde Napoleão Bonaparte foi aprisionado pelos ingleses, depois de ter perdido a guerra em Waterloo (nada a ver com aquela frase que todo engraçadinho diz quando encontra uma moça na posição cabeça para baixo e bunda para cima...), em 1815, fica no Atlântico Sul. A localização mais aproximada seria, entre o Brasil e a África, um pouco mais perto da costa da Namíbia que do litoral brasileiro, na altura do sul da Bahia, mais ou menos em linha reta para dentro do mar, a partir da cidade de Ilhéus.

E pensar que o corso baixinho, padroeiro dos doidos varridos de piada de hospício, viveu seus últimos anos logo ali, quase em frente da terra do Nacib e da Gabriela!

E olha que nem ficava tão longe assim. Quando o Amir Klynk atravessou o Atlântico Sul em barco a remo, saindo da África para o Brasil, ele passou pela ilha de Santa Helena. Quer dizer, se Napoleão conseguisse fugir da ilha, não seria difícil vir para o Brasil (taí um bom tema para um romance: “o dia em que Napoleão fugiu para o Brasil”). O problema é que a Família Real portuguesa, que escapara dele, ainda estava por essas bandas.
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Mas eu falei que quase Napoleão esteve por aqui. E, de certa forma, foi por pouco mesmo que o corpinho do velho corso não veio dar (no bom sentido...) nessas terras.
Se não, vejamos.
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Em 1938, o príncipe de Joinville, François-Ferdinand-Philippe, filho do rei de França, Louis Phelippe de Orleáns, esteve no Rio de Janeiro, como membro da tripulação da corveta “Hercule”. Na ocasião, ele conheceu a princesa Francisca Carolina (veja a foto), irmã de Pedro II, então com 14 aninhos.

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O François caiu de amores pela princesa brasileira... Vendo o retrato da moça, a gente até acha que ela tinha os seus encantos, visto que, de forma geral, a descendência de D. João VI e de D. Carlota Joaquina estava mais para “cão chupando manga e de aparelho nos dentes” do que para “apolos e afrodites”... E a tendência era piorar, visto que os casamentos eram feitos por procuração e arranjados entre representantes das famílias nobres. Não importava sentimentos ou beleza e sim a descendência de sangue azul. Para casar com um brasileiro e viver no meio do mato, só um tribufu topava, já que não conseguiria um bom casamento na Europa. Para despertar o interesse dos príncipes, enviava-se um retrato da noiva. Acontece que os pintores daquele tempo utilizavam um sistema que, podemos dizer, era o “tataravô do Photoshop”. Eles melhoravam e muito a aparência das barangas, digo, das princesas e o noivo caía feito um patinho. Numa dessas, Pedro I teve de aceitar D. Leopoldina e Pedro II acabou engolindo D. Teresa Cristina, duas princesas muito simpáticas e agradáveis, mas feias feito o Capeta chupando mariola.
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Mas, voltando ao François-Ferdinand. Ele se encantou pela Francisca, deixou a cidade, mas é de se supor que tenha firmado algum compromisso. Afinal de contas, princesas bonitas e dando sopa só são comuns em desenhos da Disney.
Em 1840, seu pai, o Rei de França, Luis Felipe de Orleáns, deu-lhe a missão de viajar até a ilha de Santa Helena para trasladar os restos mortais de Napoleão, que lá tinha morrido e sido enterrado.

Como se sabe, o corso baixinho que chacoalhou com a Europa em fins do século 18 e início do 19, foi aprisionado naquele rochedo administrado pelos ingleses.
Na viagem, antes de chegar a ilha, François-Ferdinand, que era excelente navegador, embicou o seu navio “La Belle-Poulle” na direção de Salvador, onde fez uma curta escala. Com certeza, isso é fato: o navio que ia pegar os restos mortais de Napoleão fez um pit-stop na Bahia. Pena que não parou depois de pegar o Bonaparte. Já pensou a festa que a baianada iria fazer? No mínimo, iriam levar o corpo do corso até a igreja do Senhor do Bonfim, ao terreiro do Gantois, ao som do grupo “Bisavós de Gandhi”! E todo mundo, Napoleão inclusive, seguindo atrás do trio a óleo de baleia (não tinha eletricidade), pedindo muito axé a todos os santos.
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Depois que François-Ferdinand chegou à Santa Helena, iniciaram as cerimônias fúnebres. E pelo que li no site francês Le retour des cendres, foram muito bonitas. A chegada do caixão com o corpo de Napoleão na França foi uma apoteose quase tão grande como a que os baianos fariam.

Os festejos duraram meses (que nem o Carnaval em Salvador). Soube que os franceses tomaram até banho, pra vocês verem como eles estavam empolgados.
Quem tiver a chance de ir à França, poderá ver no memorial da igreja de Saint-Louis des Invalides, o túmulo monumental de Bonaparte

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Depois da festa, começaram as negociações envolvendo o casamento do príncipe de Joinville com a princesa Francisca Carolina. Nesta fase, estiveram envolvidos, o Imperador do Brasil, o Rei da França, o Conselho de Estado francês, o Papa, Deus, o mundo e a torcida do Flamengo O barão de Langsdorff e emissários franceses chegaram ao Rio de Janeiro para tratarem do dote da princesa, de como seria a cerimônia, enfim, essas coisas românticas que envolvem casamentos de nobres.
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Depois de todos acertos feitos, o Chico francês e a Chica brasileira casaram-se no Palácio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, em 1 de maio de 1843. Decerto que a festa foi belíssima. Depois do casório, os noivos seguiram para Paris.
Óbvio. O amor do príncipe era grande, mas não a ponto de trocar a mais civilizada cidade do mundo pelo balneário onde porcos e vacas andavam diante do Paço Imperial...
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Um dado interessante: parte do dote da princesa foi terras na província de Santa Catarina. Embora residissem na corte de Louis Philippe, ainda assim eram proprietários de vasta propriedade no sul do Império brasileiro.
Com a célebre rebelião acontecida em 1848, vários nobres preferiram fugir de Paris. A guilhotina de 1789 ainda estava presente na memória. Os príncipes de Joinville optaram por sair do país para morarem em Londres. Na capital inglesa, tiveram alguns problemas financeiros e resolveram passar nos cobres o dote da princesa. Venderam as terras brasileiras, onde nunca estiveram, para uma empresa colonizadora alemã. Esta enviou levas de colonos para fundar lá, em 1851, a Colônia Dona Francisca, posteriormente transformada na cidade de Joinville, em Santa Catarina.
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Viram? Napoleão quase esteve aqui. Era só ter acontecido algum probleminha com o barco que transportava seus despojos que o capitão do navio não teria outra alternativa a não ser vir para Salvador, ou para o Rio de Janeiro, quem sabe...
E, olha... Se o corpo do Napoleão tivesse vindo para o Rio, ele não iria querer saber de sair daqui. Já estou até vendo a cena: uma roda de pagodeiros num boteco no Morro da Mangueira, muita cerveja, o caixão do cara numa das cabeceiras da mesa, e a galera levando no gogó: “Ô coisinha tão bonitinha do pai... Ô coisinha tão bonitinha do pai”... Fala Napô!
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras vocês ouvem Edith Piaf cantando a “Marselhesa”, hino da França, considerado o mais bonito do mundo, depois do “Hino do Flamengo”, é claro...

quarta-feira, julho 25, 2007

Que nos resta?


Noutro dia, vendo um programa do National Geographic, assisti a uma orca atacando um bando de focas. Ela abocanhou uma delas e a arremessou para o ar, na direção do mar alto. E durante bom tempo, ficou nisso: pegava a foquinha e jogava de um lado pro outro. A alguns olhos, poderia parecer um ato de crueldade. A outros, inclusive aos meus, nem tanto. Não vi nenhuma diferença naquele gesto e na maneira como crianças brincam com a comida (eu fiz tanto isso no tempo das antigas ternuras...), fazendo desenhos com ela no prato, deixando o bife para comer por último e saboreando cada pedacinho...
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Não vejo crueldade nos animais. Nem entre espécies, nem interespécies. Eles atacam para se defender, para se alimentar ou para demarcar território. Se em muitos casos esse jogo da vida parece cruel, peço que atentem a relatividade dos casos. Se a gente vê uma criancinha mordiscar com gosto um pedaço de filé de tubarão, achamos uma gracinha. Se vemos um tubarão abocanhar uma criança, sentimos indizível horror.
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Recentemente, fui assistir ao filme “A vida secreta das palavras” (Espanha, 2005, dir. Isabel Coiet). É baseado em história real. Trata de uma imigrante surda refugiada da antiga Iugoslávia, que trabalha como operária em uma indústria. Ela é praticamente obrigada a tirar férias pelo chefe. Resolve trabalhar como enfermeira de um homem que sofreu queimaduras em um acidente numa plataforma de extração de petróleo. Com Sarah Polley, Tim Robins, Javier Cámara, Julie Christie.
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Este filme é absolutamente perturbador. É de estarrecer a descrição que a protagonista faz dos terrores acontecidos quando a Iugoslávia se desintegrou e começou a guerra civil! Ela e uma amiga foram abordadas por compatriotas, levadas presas sem mais nem menos e estupradas por dias e noites pelo batalhão. Estupradas, espancadas (acabou surda de tanto apanhar na cara), humilhadas. Para se divertir, os soldados faziam cortes com punhal na pele das mulheres, colocavam sal e cosiam com agulha e linha de costura. Isso, às gargalhadas. E se as mulheres gritassem, mais eles as atormentavam. Por puro prazer.
Quando as mulheres foram libertadas, estavam destroçadas mentalmente. E nessa eu descobri que existe uma organização humanitária, destinada a socorrer e dar tratamento a estes refugiados. No fim do filme, aparecem prateleiras repletas de fitas com o histórico dessas pessoas que ainda tentam se socializar, depois de tudo o que sofreram.
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Saí do cinema me perguntando: o que leva pessoas a causarem mal às outras, assim, de graça? Por que se divertir com o sofrimento alheio? Claro que isso não é novidade. Historicamente, sempre o Homem causou sofrimento ao seu semelhante.

Pinçando aleatoriamente na História, do início da Era Cristã até hoje, vejam alguns dos piores momentos da Humanidade: o massacre de cristãos pelos romanos, que os perseguiam e os submetiam às mais horrendas torturas; o Cristianismo vencendo, e passando a submeter pessoas a suplícios sem fim, em nome de Deus (o que cristãos fizeram com os maometanos nas Cruzadas deve ter entristecido muito ao Senhor Pai); Gengis Khan e seu flagelo de Deus, matando com requintes de crueldade; as torturas que a Inquisição católica fazia com judeus e quem achavam ser herege; a expansão do catolicismo e do poder europeu pelas grandes navegações (na Índia, Vasco da Gama mandou amarrar nobres ligados ao samorim de Calicut na boca dos canhões e ordenou que disparassem. De alguém com um nome como esse só podemos esperar coisas ruins...); na Revolução Francesa, a turba ensandecida cobriu de sangue as ruas de França; na Revolução Industrial inglesa, crianças eram submetidas a toda sorte de maus tratos; na expansão colonialista européia, populações inteiras foram dizimadas nas Américas, na África, na Ásia e Oceania (destaque para os massacres de incas, astecas, maias, índios norte, centro e sulamericanos, por monstros como Cortés, bandeirantes brasileiros, aventureiros ianques e tantos mais);

uso de armas químicas de destruição de massa na I Guerra Mundial; as atrocidades nazistas nos anos 30 e 40 (vi recentemente “O pianista” e quem quer exemplo de algumas das perversidades que um ser humano pode proporcionar a outro, veja este filme baseado em fatos reais); os crimes contra a humanidade cometidos pelos USA no Vietnam;

o massacre de milhares no Cambodja; as torturas, sevícias e assassinatos praticados pelos comunistas de Mao na China; as lutas fratricidas na África, onde irmãos negros matam e mutilam, e usam crianças para toda sorte de atrocidades; as lutas na Sérvia, Montenegro e antigas repúblicas iugoslavas; a carnificina comandada por Saddam Houssein no Iraque; as barbaridades que americanos fizeram e fazem no Iraque e na base de Guantánamo...
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E nós, aqui no Brasil, na guerra urbana em que vivemos, também estamos cercados pela iniquidade. Traficantes chacinam pessoas ao seu bel prazer; a polícia espanca e mata moradores e trabalhadores por pura maldade (vide o caso do trabalhador esbofeteado por nada por soldados da PM e assassinado quando reagiu), rapazes de classe média botam fogo em um índio, uma criança é arrastada pelas ruas, uma mulher é espancada por diversão... E vai por aí.
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Seria, então, o gênero humano a verdadeira praga sobre a Terra? Nossa natureza é veramente falha, cruel, perversa? Recentemente, cientistas alemães fizeram estudo em que concluíram ser a maldade um sentimento exclusivamente humano (está nO Globo de 18 de julho!).

Bem, o que salva é saber que nem todos os seres humanos são psicopatas assassinos. Se a humanidade produziu um Hitler, também fez um Chico Xavier. Um odiava generalizadamente; o outro amava os semelhantes, chorava com eles, se doava ao máximo em prol dos irmãozinhos. Se hoje existem genocidas como George W. Bush, Osama bin Laden e os traficantes de drogas e de armas... também há uma multidão de anônimos que se dedicam a minorar o sofrimento de muitos. Gente simples que é invisível para a grande mídia, para a imensa maioria que desconhece seus atos de benemerência. Pessoas que fazem caridade por amor ao próximo, seguindo à risca os ensinamentos do Mestre Jesus.
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Esses salvam o gênero humano da barbárie. Esses, diante de Deus, redimem a humanidade. E nos servem de ânimo e conforto, quando sabemos das tantas perversidades que há no mundo.

E como há maldade! Nem sabemos mais de onde vem e de onde não vem. Chamamos os animais de irracionais e como podemos chamar um comportamento como o nosso?
Lembro de uma frase do poeta espanhol Ramón de Campoamor: “En este mundo traidor, nada es verdad ni mentira. Todo es según el color del cristal com que se mira”. Uma grande verdade! Não se pode ter certezas neste mundo. A dureza da vida nos torna pragmáticos e, por isso, menos felizes. É a forma que encontramos de nos defender. Como disse o apóstolo Pedro, “o inimigo está rondando à nossa volta”.
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E o que nos resta? Talvez viver. Como podemos. É. Viver. Enquanto refletimos sobre isso, que tal ouvir Sacha Distel?
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Que rest-il de nous amour”, do grande Charles Trenet, aqui cantado pelo não menos memorável Sacha Distel.
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Amigos, nesta semana tem texto do PteroMarco (ou seja, muá) no Playground dos Dinossauros. Quem quiser saber a história de dois amigos que resolveram atravessar a rua pelados e aí... Bem, é só ir até lá e ver o que aconteceu.