"Quando eu era menino e assistia ao desenho dos Jetsons, imaginava que se vivesse até o Século 21 (que começou em 2001, não se esqueçam), eu encontraria além daquele videofone e dos carros voadores, a erradicação de todas ou da maior parte das doenças. Estudava que no início do Século 20, Oswaldo Cruz tinha lutado bravamente contra uma população ignorante e omissa, que vivia numa indigência higiênica que propiciava o aparecimento de várias pestes e epidemias. “Isso vai acabar depois de 2001”, pensava eu, inocentemente.
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Eis que vivo em pleno Século 21, no futuro que eu tanto imaginara. Converso com minha irmã, que mora na Europa, por um videofone parecido com o dos Jetsons. Meu carro não voa, mas tem alguns itens que eram inimagináveis naquela época. Mas em plena época da tecnologia, vejo a minha cidade retroceder no tempo e ser assolada por uma epidemia como nos tempos do Oswaldo Cruz. Naqueles idos, um mosquito, o Anopheles, transmitia febre amarela. Atualmente, um outro mosquito, o Aedes Aegypt, está matando crianças e provocando uma hecatombe nos hospitais públicos. Como ficamos nessa situação? De quem é a culpa? Vamos ter que nos queixar ao bispo?
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Está aí um bom motivo para mais um texto da seção “A origem das expressões de uso corrente”. Hoje trataremos da expressão:
Vá se queixar ao bispo!
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Costuma-se dizer isso a quem tem alguma reclamação e sabe que não adianta se dirigir a um órgão de governo. A origem da frase vem dos tempos coloniais brasileiros e, acreditem, é inacreditável! Esse tipo de coisa só poderia acontecer no Brasil...
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Quando o primeiro governador-geral brasileiro, Tomé de Souza, veio para cá e fundou a primeira capital, Salvador, em 1549, ele viu rapidamente o núcleo urbano crescer. Os portugueses que lá viviam assentaram suas roças, formaram um incipiente comércio, foram se estabelecendo. Tomé criou uma ouvidoria-geral, um servidor público que ficaria com a responsabilidade de ouvir as queixas da população e investigá-las. Escolheu para o cargo um certo Pero Borges. Acontece que as maiores queixas da população eram contra o próprio governador-geral (que nem era tão ruim assim, na verdade, foi o melhor dos três primeiros que o Brasil teve...). Como o Pero, além de corrupto até dizer chega, tinha o rabo preso com o Tomé de Souza acabava empurrava as queixas com a barriga, não investigando nada. Mais tarde, o rei de Portugal determinou que caberia ao bispo designado para o Brasil as funções de ouvidor.
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Vem para o Brasil o seu primeiro bispo, Dom Pero Fernandes Sardinha, para ser também o Ouvidor-Geral. Aliás, o Sardinha era mais corrupto que o Pero Borges, mas vou tratar disso em um outro post sobre as origens da corrupção no Brasil. Podem me cobrar.
Naquele início de colonização, mulher por aqui era artigo raro. Quer dizer, tinha índia pra dedéu e elas adoravam liberar a perereca para os lusos. Não respeitavam nem os padres jesuítas! Caíam matando mesmo. Mas os portugueses não queriam se casar com elas, só queriam fazer saliência com elas. Foi necessário importar mulheres de Portugal. Cataram um punhado de órfãs, prostitutas, prisioneiras, quem tivesse dando sopa lá em Lisboa e mandaram para cá (repararam no nível da mulherada que deu início ao povo brasileiro? Vocês não viram nada...).
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Como o intuito era povoar as novas terras, os homens portugueses queriam ter certeza de que as mulheres eram férteis. Daí pediam para fazer um test drive nas cachopas. Se elas pegassem filho, aí eles se casariam com elas. E pasmem! A Igreja autorizou! Liberou a moçada para comer a merenda antes do recreio! E foi então que aconteceu o inevitável: os gajos passavam o rodo nas meninas, elas ficavam prenhes e eles sumiam no mundo ou diziam que não queriam casar.
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O que restava à gaja barriguda? Ora, se queixar ao bispo! E o Sardinha mandava a guarda caçar e prender o fujão, o obrigando a se casar com a moça.
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Pois é. Quem fornicava, tinha que assumir. E hoje? Quando o governo, quando as “otoridades” f(@#$%&*)odem com a vida do cidadão. Cadê o bispo para a gente se queixar?
Se bem que no caso da dengue, estou certo de que não são somente os governos (municipais, estaduais, federal) os responsáveis pela disseminação dos focos de mosquitos. Esse nosso povinho é o principal culpado. Tanta campanha pela TV, Rádio, jornais, para se evitar criar ambiente para os mosquitos porem seus ovos e a imprensa vive mostrando caixa d’água destampada, garrafas e pneus com água parada nos quintais, vasos de planta cheios de larvas na porta de casa (vi no jornal a cara de babaca de um sujeito que ficou “espantado” quando mostraram um baita criadouro de aedes nas suas plantas, bem na sua varanda)... Contra essa falta de cidadania, nem o papa dá jeito!
M.S.
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Caros amigos, fiquei sabendo que quem mora em São Paulo, capital e interior, não teve como assistir ao programa do Sergio Britto. A Cultura retransmite parte da programação da TV Brasil, mas não todos os programas e, infelizmente, o “Arte com Sergio Britto” não é um deles. Mas, calma! Não vos desesperei! Um amigo gravou a entrevista em DVD e vai arranjar um jeito de dividi-la em dois blocos de 10 minutos para inseri-la no You Tube. Aí eu boto as telinhas aqui e quem não conseguiu ver vai ter a oportunidade. Fiquei muito feliz com o resultado. A minha entrevista ocupou metade do programa! Obrigado a todos que assistiram e aos que tentaram.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Adoniram Barbosa e Demônios da Garoa contando um caso típico para se queixar ao bispo: “O casamento do Moacir”.







































