domingo, março 09, 2008

Mulher: Tu és divina e graciosa...


O dia 8 de março assinala o chamado Dia Internacional da Mulher. A razão da escolha deste dia é controversa. Tem gente que o atribui ao 8 de março de 1857, em New York, quando operárias da indústria têxtil fizeram protestos por melhores salários e condições satisfatórias de trabalho. Há quem atribua a esta data o famoso incêndio na fábrica de Triangle Shirtwaist, quando 129 costureiras morreram, supostamente num gesto criminoso dos patrões que queriam punir mulheres que reivindicavam melhorias. Só que este incêndio foi acidental e aconteceu em 25 de março de 1911. Tem quem garanta que a dedicação da data às mulheres seja decorrente do pedido de operárias russas, capitaneadas por Alexandra Kollontai, a Lenin para consagrar um dia à “heróica mulher trabalhadora soviética”.
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A motivação para a escolha da data importa menos que o reconhecimento de uma comemoração homenageando 50% da humanidade e que historicamente sempre foi discriminada por quase todas as culturas do mundo.
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Eu sempre digo que dia da mulher são todos os dias. Mas acho simpático e válido que se dedique um dia a quem é absolutamente fundamental para o planeta.
Sempre fui um defensor das mulheres. Eu perdi meu pai quando era bem novo, eu e meus irmãos fomos criados só por mãe e por conta disso desenvolvi valores de respeito ao belo sexo.
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Gosto de mulher. Não só por ser heterossexual pra lá de convicto. Eu gosto do gênero feminino. Tive muitas mulheres me chefiando e admito que é muito melhor receber ordens de fêmeas do que dos cuecas de plantão. Talvez até por respeitá-las muito eu tenha uma adolescência/juventude com poucas namoradas (mas muitas paixões). Era para mim muito complicado abordar a moça que fazia meu coração bater mais forte. Eu admirava profundamente os caras bons de papo, que conquistavam as meninas com aquela baba de quiabo, aquela conversinha mole. E olhem que na minha época a meninada fazia um jogo duro tremendo!
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Que mistério era para mim abordar uma criatura fêmea! Hoje, vi na TV e vejo nos arredores dos colégios por onde passo, é muito fácil para um garoto começar um rolo com uma menina. Basta chegar perto e perguntar: “aê... já foi ou já é?” Se a moça responde “já é”, os dois se embolam ali mesmo, feito duas enguias no cio. No meu tempo, a gente tinha que pedir para namorar; levava um certo tempo para ela deixar a gente colocar o braço nos ombros e sair por aí; os beijos na boca eram “castos”, se considerarmos a exploração mútua e pública de laringes que se faz atualmente. Tudo bem, vocês dirão que eu sou das antigas, tão velho que sou do tempo em que o Mar Morto não estava nem doente. Ué! Era assim mesmo! Eu não estou dizendo que no meu tempo se namorava corretamente. Pessoalmente, até preferia que no meu tempo fosse essa moleza que é hoje, mas continuo achando que a mulher se desvalorizou nestes novos costumes.
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O processo de conquista da mulher amada tem que requerer alguma dificuldade. Mesmo nas paixões instantâneas. Os desenhos, animados ou não, mostram que no tempo das cavernas o troglodita dava uma cacetada na cabeça da fêmea e a arrastava pelos cabelos para a caverna. Ninguém pode dizer com certeza se era assim mesmo. Provavelmente, não. Mas não há como negar que ao longo da História, nas sociedades fortemente patriarcais, centradas no macho, cabia e cabe ao homem cair matando pra cima das moças. (Se bem que tem menina moderninha que toma a iniciativa na maior cara de pau...).

De forma geral, no processo da conquista, cabe (ou cabia) ao homem dizer palavras agradáveis, lisonjeiras. Isso em todas as culturas. Li numa revista National Geographic que em Tonga, o processo de aproximação entre rapazes e moças tem o seguinte diálogo:
ELE - Ó grande fígado de porco assado e gordurento, vamos contemplar juntos o nascer da Lua?
ELA - Ri, ri, ri...
E a menina, piscando os longos cílios sorridentes, dá o maior mole pro cara.
Lá, fígado assado de porco é a iguaria mais apreciada. Quanto mais óleo e gordura tiver, mais apetitoso. E a gente aqui chamando as moças de “meu docinho de coco...”
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Mulheres, sou eterno fã e admirador de vocês, minhas eternas ternuras. Estou ao seu lado apoiando a sua luta contra a discriminação, a violência, o desrespeito. E faço isso não só no dia 8 de março, mas todos os dias. Hoje e sempre. Mulher, mãe, companheira, amada e amante, segundo a mitologia bíblica, vocês não saíram de nossos pés, para não serem pisadas; não saíram de nossa cabeças, para não mandarem em nós, saíram de nossa costela, do lado do coração, para andarem sempre ao nosso lado.
M.S.
(Todas as imagens deste post são de quadros de Salvador Dalí)
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Quero dedicar este post a duas mulheres: uma, a mais importante de todas na minha existência – minha mãe, que esteve por uma semana num CTI de hospital e resistiu bravamente, embora ainda esteja hospitalizada.
Outra, que travou uma luta feroz pela vida contra uma doença terrível e perdeu a batalha final – nossa amiga blogueira Jéssica, do Lugar Gostoso.
Graças a Deus, mãezinha!
Que Deus a tenha, amiga Jéssica!
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Rosa”, magistral valsa de Pixinguinha e Octavio de Moraes, na voz maravilhosa de Marisa Monte. Vivas as mulheres!

19 comentários:

Moacy Cirne disse...

Rapaz!: minha adolescência também praticamente foi povoada de raras namoradas (ou mesmo nenhuma, no sentido "técnico" do termo) e muitas e muitas paixões. A primeira delas quando eu, ainda criança, tinha cerca de 8 anos: a jardinense Gracinha, rainha do Cordão Encarnado. Depois viriam as paixões por atrizes do cinema e algumas garotas reais. De resto, lamento por Jéssica. Um abraço.

DO disse...

Este negócio de "já foi ou já é" eu continuo sem engolir,MARCO. O olha que nas relações homo as coisas não estão diferentes não. Pra um cara das antigas como eu,que gosta de conversar, conhecer...isto é péssimo.
Boa semana!

Abraços!

guiga disse...

Eu sou um pouco contra esse dia da mulher. Até parece que precisamos de dia para sermos lembradas! Acho muito triste!
Mas enfim, tristezas não pagam dívidas! loool
Beijos *.*

Márcia(clarinha) disse...

Meu carinho procê amigopratodavida, perdoe meu sumiço, ando assim...assim.
Triste pela Jéssica, acompanhei por mais de um ano sua garra, que Deus a tenha.
Feliz por sua mãe, brava mulher que não dá mole pro susto não, parabéns.
dia lindo,
beijos

luma disse...

Marco, sua mãe soube criá-lo. Parabéns para ela e estimo sua melhora! Mas veja, alguns homens parecem não nasceram de mulheres. Eu tive sorte, nunca encontrei um troblodita pela frente e o homem mais bravo que conheci foi meu irmão. Tadinho, sofreu viu? Era o único homem numa casa de mulheres.
Lembrei do J.F. neste texto; da menina e o rapaz na fila do banco "Vamu ficá?" - O amor virou comércio. Triste!
Tem presentinho pra você lá no luz!! Dado com carinho!! Beijus

Mimi disse...

Ai, agradeço o carinho, tão poucos são como você! Também acho que a mulher se deixou ser vulgarizada. Li num livro sobre uma certa Boadicéia que deu uma surra numa Legião (ou duas) de Roma... dá pra ver até hoje onde chegou a fúria da senhora em questão! Mas nem todas são tão Fúrias, nem tão Bondosas; mas todas têm um Q de bruxinhas.

Beijos fantásticos, Ternurinha!

claudia disse...

Oi querido
Fiquei feliz em saber que sua mãe está bem...maravilha.
E quanto a maneira de se conquistar ( tanto homem/mulher) hoje em dia, confesso que não acho legal não, sabe a impressão que tenho é que tudo ficou assim artificial.
Acaba que perde aquele brilho intenso...
E as conquistas, não necessariamente tem que ser sofredoras, mas tem que criar um clima...e isso é de qq. lado...homem/mulher.
Acho realmente que nosso dia é todo dia...mas é legal sim comemorar até pq. foram épocas passadas de sofrimento e agressões e ninguém merece.
Mas o legal de tudo isso que temos que aprender a priorizar o lado positivo de uma grande mulher, ou de um grande homem...
Um beijo no coração

isabella saes disse...

Que lindo tudo isso, Marco! Me emocionei! E como é bom sentir essa emoção nos dias de hoje, em que as pessoas não têm mais tempo pra isso... E fiquei ainda mais satisfeita por esse post ser repleto de Dali! Adoooooooooro!!! Grande beijo, Bella.

Lino disse...

Pode-se dizer, com certeza, Marco, que o jeito antigo tinha um pouco mais de charme e o envolvimento acaba dando mais gosto ao relacionamento.
E quando ao dia, em si, você tem razão: Todo dia é dia da mulher.

BABI SOLER disse...

Passa lá no meu e pega o selinho que eu deixei pra vc.
beijo

Dominique disse...

Nossa, Marco, sua homenagem ao dia das mulheres tem assunto para o ano todo!

Bom, vamos em partes:

Como sou apaixonada por História, adorei a explicação sobre o dia da mulher. Sempre é didático e importante entender para que um dia foi criado. Porém, eu preferiria que não houvesse um dia apenas para as mulheres e sim, que nós fossemos amadas, respeitadas e que nossos egos fossem acariciados todos os dias. É bem utópico isto, eu sei, mas sonhar não custa nada...

Além disso, foi muito gentil e amável de sua parte a explicação sobre o que te encanta nas mulheres. E, bem, desculpe a sinceridade, mas achei hilário seu relato sobre suas tentativas tímidas com as garotas na adolescência. A gente fica mal-dizendo a garotada por ser um bando de pentelhos, mas sofremos pra burro na época deles, não é?

E realmente, hoje em dia, faz falta um pouco de cavalheirismo da ala masculina. Não que devemos voltar ao tempo da minha mãe ou da minha avó, mas as pessoas estão se acostumando a serem mal educadas e insensíveis, como se ser grosso/grossa fosse uma espécie de qualidade para se ser taxado de moderno.

Um exemplo é essa coisa de ir ficando como doido com todo mundo. Eu não acho que é ser careta querer uma pessoa só. Ao contrário, acho que as pessoas andam tão perdidas naquilo que querem para suas vidas que sequer conseguem pensar em se fixar em um ponto apenas, ou numa pessoa apenas. Aí, então, o romantismo vai pr'o buraco mesmo!


Porém...


...A esperança é a última que morre. Ainda existem poucos mas preciosos espécies do sexo masculino que ainda são dignos de serem louvados por sua inteligência e criatividade em homenagear os enigmáticos seres do sexo feminino. Acho que você é um destes seres raros, Marco, e parabéns por sê-lo, pois seus textos daqueles poucos em que dá prazer de deitar os olhos e lê-los até o fim (pedindo bis até!).

Um abraço a você! E minhas homenagens às duas mulheres, que me parecem ser muito especiais, que você citou ao final do texto!

Até a vista, querido!

Zeca disse...

Marco,

belissima homenagem a todas as mulheres, não só no dia em que são homenageadas, mas todos os dias.
Também sou das antigas, onde ficar significava parar em algum lugar, não necessariamente na companhia de alguém.
Naqueles tempos, existia até a brincadeirinha que estabelecia prazos para várias "ações" relacionadas ao ato de namorar: mão na mão, mão no ombro, mão na boca ou boca na mão; o difícil mesmo era chegar ao mão naquilo, aquilo na mão e raríssimo chegar ao aquilo naquilo.
Nem sei mesmo se digo:"bons tempos, aqueles!" Será?!? Risos.

Fico feliz e torcendo pelo rapido restabelecimento de sua mãe.

Saudades da Jéssica. Não sabia do ocorrido. Que Deus a tenha!

Grande abraço, amigo.

Marcos disse...

"Duas enguias no cio"... Quaquaraquaqua!!!! Essa foi a melhor de muto tempo!

cartassemselo disse...

Você tem toda razão Marco. As mulheres se desvalorizam com esse tipo de comportamento. O grande problema são as referencias que as jovens e adolescentes de hoje tem. E a midia é um dos grandes vilões nesse processo. É uma pena que seja assim.
A nossa época era tudo muito mais gostoso e significativo.
Melhoras para sua mãe!

Abraço!

Janaina Staciarini disse...

Aaamo Rosa.
E queria tanto ser o Grande Fígado de Porco de alguém...

benechaves disse...

O que seria de nós se não fossem as mulheres, hein? Vixe-maria, um bando só de homem no mundo. E teria alguma graça? Marmanjos, deixem as mulheres conquistar! E que as mesmas sempre valorizem os seus espaços.(Embora seja contra a vulgaridade de algumas, porém sei que são exploradas por uma sociedade consumista).
Dizem que são complicadas...mas valem mais os seus doces encantos.

Um abraço...

Claudinha disse...

Olá Marco...
Linda homenagem. Eu gosto de ser mulher, mas confesso que muitas de nós não têm motivos para comemorar, graças às injustiças sociais. Um grande abraço para sua mãe (espero que ela já esteja em casa e muito bem) e que a Jéssica esteja entoando suas cantatas em outra dimensão,assim que sair dos cuidados dos irmãos que a recepcionaram no outro plano.
Beijo procê.

J.F. disse...

Marco,
Também sou "das antigas", época em que namorar era o início de um "para toda vida". Parabéns pelo texto! Sabe, acho que, hoje em dia, principalmente na mídia, existe uma vulgarização da mulher que só ajuda a diminuir o seu real valor. Vou até repetir uma frase da Elza, lá do Blogue do Beagle - http://elzinha1.blogspot.com/: "Claro que existem degraus imensos para nós subirmos e sermos tratadas como seres de primeira linha, mas, não será com batuque e rebolado que vamos conseguir respeito e salários dignos." Falou!

adelaide amorim disse...

Marco, deixei um comentário aqui durante a semana, mas pelo visto desapareceu sem deixar rasto :)
Cá pra mim acho que mudam os modismos, mas o amor, não. Quando é amor mesmo, o processo é muito parecido, seja qual for o tempo. Podem mudar as formalidades (casamento, modos de viver), mas quem sabe até os homens das cavernas só usavam o tacape em casos de "já é"?
Parabéns pelo restabelecimento de sua mãe, e muita saúde pra ela e toda a família. Beijo de fim de semana.