quarta-feira, agosto 09, 2006

Tem a minha palavra

A minha ligação com a palavra vem de muito tempo. Diz a minha mãe que com um ano eu já falava palavras difíceis como “liqüidificador”. Será? As mães nos vêem tantas gracinhas que quase nos rescrevem a biografia.
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Na maior parte do tempo sou quieto. Era assim desde muito novo. Gosto de ficar com meus pensares. Às vezes quando falo, jorro, inundo com palavras, como um dique furado a que não se conseguisse tapar. Aí depois, eu volto a quietude. Deixo que o dique jorre para dentro de mim.
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Comecei a ler muito novo, de quatro para cinco anos. Meu pai chegava em casa, tomava banho, botava o pijama e ia deitar para ler O Globo. Minha mãe, depois se juntava a ele e lia um livro, ou uma parte do jornal. Eu me enfiava entre eles e ficava perguntando: “Que palavra é essa?”, “O que é que está escrito aqui?”, “Lê pra mim essa parte?”
O que eu mais gostava que me lessem era a parte dos quadrinhos, e meu pai o fazia com particular prazer. Ele apreciava gibis e as tirinhas cômicas do jornal, especialmente “Ferdinando e a Família Buscapé”. Assim, fui aprendendo a domar as palavras escritas. Pela paixão de vê-las impressas. Pelo desafio que elas me impunham.
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Antes de aprender a ler, eu já gostava de fingir que lia. Minha mãe conta que certa vez, eu vi uma lata de manteiga Aviação, que estava entre os guardados de meu pai. Daí, eu peguei a lata, botei o dedinho no rótulo e “li” em alta voz, escandindo as sílabas: “Man-tei-da”! Aí abri a lata e ela estava cheia de pregos: “Ué! Não é manteida!”
E minha mãe, com a paciência que só as mães têm, me explicou que meu pai tinha aproveitado a lata de manteiga vazia para por pregos. Mas acho que fiquei desapontado assim mesmo.
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Quando finalmente comecei a ler, virei um devorador de livros e gibis. Nada saciava minha imensa sede. Minhas primeiras vítimas foram as enciclopédias Lello Universal, de meu pai, e Tesouro da Juventude, de meu tio Jair. Hoje ambas pertencem a mim. E tenho muito carinho por elas. Eram o meu Google e Internet naqueles tempos. Verdadeiras chaves para a Terra da Fantasia e do Conhecimento. E eu me raspava para lá freqüentemente, aquilo fazia a diferença entre meus amigos de rua e eu.
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A palavra falada também me encantou sempre. Ir ao Teatro e ver/ouvir um texto sendo magnificamente pronunciado e interpretado tem para mim um valor incalculável. Se a música é a fala dos deuses, a palavra dita, própria, medida, cabida, ressoada, é praticamente um sinfonia.
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Neste texto, quero saudar a palavra. Essa minha velha companheira de folguedos, amiga confidente em meus silêncios, parceira em arroubos, sempre junto a mim. É você, palavra, tão presente e importante em minha vida, que até o amor me chegou por seu intermédio. E é você que leva o meu sentimento todos os dias em letras, palavras.
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E para celebrar a flor-palavra, exalto um de seus maiores jardineiros, que a cultivava com seu jeito simples, mas com a sabedoria dos simples. Eu o celebro e louvo, amigo Mario Quintana, pelos 100 anos que teria se não tivesse se encantado. Foi você quem me ensinou que, “o amor é quando a gente mora um no outro”. Você também me mostrou o que fazer com meu coração de minino adolescente. Isso porque você também o era, como pude ver nestas suas linhas:

*
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!
*
Ah, Mario... Mestre querido!... Uma vez disse:
“O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria”.
E não foi o que fiz e faço? E não é o que mais me agradaria naquele que me lê? Que enfurnasse suas próprias velas a partir de meu barco e viajasse, olhos distantes, em busca de seus próprios rumos?
Que essas recordações aqui provocadas alcancem alguém, que como você, também diga:
“Essa lembrança...mas de onde? de quem?
Essa lembrança talvez nem seja nossa,
mas de alguém que, pensando em nós, só possa
mandar um eco do seu pensamento
nessa mensagem pelos céus perdida...”
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Para sempre fiel a estas lembranças. Tem a minha palavra.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você está ouvindo “Palavras ao vento”, na voz eterna de Cássia Eller.

21 comentários:

Vendetta disse...

Marco, somos tão parecidos... Enquanto eu lia teu texto, logo lembrei da música da Cássia Eller, justamente a que está tocando no teu radinho... Mas o poeta que me iniciou mesmo nas palavras foi Drummond, que já citei, é o Carlos de minha vida! Mas minha paixão literária febril é Machado de Assis! ai, ai, sinto falta de tuas palavras no meu Divã... um beijo saudoso dessa tua amiga

Lili disse...

Bello! Non ho parole!

Márcia(clarinha) disse...

Pois é...divaguei nas ondas em que seu barquinho me levou, nem fiz questão de aportar, tão bom estava por lá..senti ventinho na cara de lembranças antigas, ternuras como as suas, gostosas de sentir, depois li e reli e voei entre nuvens densas de palavras soltas, livres, doces...ahhh! entrei num espaço fora de órbita e acho que o ar rarefeito secou minha boca e molhou meus olhos e então ouvi "Ando por aí querendo te encontrar em cada esquina paro em cada olhar deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar.." ..Marco amigo meu, onde vai me levar com tantas lembranças? Não..não se preocupe, eu amo tudo isso.
Lindo dia querido,
beijossssssssssssss

Claudinha disse...
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Claudinha disse...

Marco, Marco... Que texto mais lindo! Eu também comecei cedo, aos quatro anos. Devorava os vermelhinhos Lellos, sonhava com o azulzinho do Tesouro. Meu despertar com as palavras foram de maneira similar. Mas numa garrafa de "quer-vé-ja", cerveja (ih, comecei bem!). Meu avô e minha mãe me jogando nos mundos das Mil e Uma Noites e de histórias fantásticas como Gulliver e outros... Também fingia que lia, e só gostava de livros com poucas figuras (Monteiro Lobato!), pois sempre gostei de imaginar dentro de minha cabeça como seriam as coisas...
Sua homenagem a Mário Quintana é linda também, ele encantou nossas vidas e suas palavras tem um poder enorme de entrar em nossos corações. Estou encantada com este post! A sua palavra vale muito! Beijos!

Yumi Yabiku disse...

faço das suas palavras as minhas palavras, querido! hauhuahuauah e isso de falar desde muito cedo... meu pai tira sarro de mim, porque ele diz assim que com um 1 ano eu já falava tudo, e que de lá pra cá eu evoluí pouquíssimo. ¬¬ ahahahuahu um beijoooooo

nancy moises disse...

Ola´passando por aqui pra ver as novidades e agradecer mto pelo carinho de sua visita ,.Ofereço a vc o award do Lua em Poemas, a esquerda embaixo de meu blog e faça ainscrição pra destaque no lua em Poemas.
Obrigada pelo carinho
Quero lhe pedir mais um gde favor qdo entrar em meu blog dê seu voto nos dois concursos que estou participando o Blogstr e e o TOP BR(esse vc clika na parte cinza do selo onde sta escrito assim"VOTE AQUI") dai abri uma tela e vc vota ok?
QQuer coisa me avise .Um graqnde abraço estou indo feliz demais da conta com sua amizade viu?
N somi n quero ter noticias sempre suas.

M.Eduarda disse...

Marco fiquei impressionada com a nossa semelhança! Eu quando era pequena também fingia ler, também tive pais que leêm com frequência o que sempre estimulou a minha curiosidade´.
Desde que comecei a ler me tornei uma devoradora de livros, como você disse. Hábito maravilhoso que um dia ainda passarei para meus filhos!

beijos

Claire disse...

Marco, essas as típicas (pra mim) lembranças gostosas; as q tenho prazer em saber sobre as outras pessoas: seus primeiros contatos com leitura, com livros... Muito obrigada por compartilhar.

Bruxinhachellot disse...

Quando começei a conhecer as letras e juntar as palavras, pude perceber que um mundo novo se descortinava na minha vida. Hoje não consigo passar um dia sem ler algo ou escrever.
Por isso estou aqui lendo seu maravilhoso post.
Beijos.

Ana Carla disse...

Ô Marco! Você me emociona sempre, sabia? Quintana, Drummond... você também é um jardineiro de nossa língua portuguesa, a seu modo. A propósito, coloquei umas pérolas lá no meu cantinho novo, rs... Um beijão. Sou sua fã.

Saramar disse...

Ah! Marco!
Você tem um jeito de desarrumar meu coração. Que coisa!
Será que sempre fomos assim tão parecidos? E lemos os mesos livros e nos encantamos com as mesmas coisas, todos nós?
Algo que me enternece mais que tudo é me lembrar dos meus livros antigos, poucos porque fui de familia pobre e por isso, ainda mais queridos.
O Tesouro da Juventude só lia na biblioteca do colégio, mas meu tesouro era "Espumas Flutuantes" de Castro Alves, até hoje, meu poeta do coração, desde sempre.
Fiquei tão comovida com essas "antigas ternuras".

Obrigada, querido por trazer de voltas essas imensas felicidades.

Beijos

Fugu F. disse...

Quintana é sempre bem lembradíssimo. Acho que era em A vaca e o hipogrifo que ele dizia: livro bom é aquele que a gente lê e parece que está pensando. Então, é muito quintanamente que eu digo: Marco, querido, seu texto é bom pra xuxu! beijo você.

luma disse...

Enquanto lia, sem querer fazia um paralelo com a minha infância. Também iniciei a leitura nos quadrinhos, pra depois ler Monteiro Lobato.
A escrita sintese dos nossos pensamentos e a palavra sintese da nossa alma.
A minha alma também é calada. Chego a ouvir reclamações. Algumas pessoas incomodadas com o que penso. E como penso!
Salve Quintana sempre!!
Beijus

DO disse...

Ei,Marco...eu quero te linkar. Posso???

JU disse...

Achei voce no blog da claudinha, adorei seus textos,com certeza virei aqui mais vezes.
Em toda a parte de seu blog em que vc fala de vc mesmo. Sobre vc gostar de ler, de nao ser falador, eh muito caracteristico das pessoas de virgem, o que tambem o sou, mas ao contrario de vc eu sou uma matraca, escrevo um pouco e falo mais ainda, risos.Mas com certeza sou em que fujo a regra.
Beijos, ate uma proxima visita
Juliana

rubo jünger medina disse...

Ah, Marco, você me jogou um balde de água fria ao se declarar amante da palavra. Confesso que também divido esse amor com você... rs.
Explicando pq vc me jogou um balde de água fria, eu ia dizer: você já "PODE ESTAR LENDO" o episódio 10 - final de Yana Bahra, mas nao digo... kkk

P.S. - aquele seu comentário no FUTURO DO GERÚNDIO foi demais. Só não morri de rir pq estou aqui, te contando... rs

Karine disse...

Marco, Quintana e Cássia... É pra ficar por aqui horas, lendo, relendo, saboreando cada palavra... Tambem aprendi a ler aos 5 anos... sozinha! Um dia olhei pra minha mãe e disse: "_eu sei ler!". Ela riu. Eu pedi um livro e ela me entregou um qualquer que abri e comecei aler, sem soletrar, sem interrupções. Não sei se foi um espírito divino que baixou em mim ou se foram as horas em frente À TV assistindo aos programas educativos que ensinavam a juntar as letrinhas... Um di aum caixeiro viajante bateu à nossa porta e meus pais o fizeram entrar, como sempre. Eu disse: " Sei ler!". Ele olhou pro meu tamaninho, perguntou minha idade, duvidou de mim e disse que me daria a coleção de livros que eu quisesse se eu lesse um trecho dificil de um livro que ele abriu pra mim. Li tudinho, já pensando na coleção de historinhas do Érico veríssimo que eu estava olhando, porque um deles tinha na capa "O urso que tinha música na barriga". Ganhei a coleção e ainda a tenho, 22 anos depois... a aprtir daí, virei atraçãod e circo pr aminha avó, que chamava as vizinhas todas e me fazia ler até as bulas dos remédios anti-hipertensivos delas...
Adorei a idéia do texto. Adoro Quintana. Adoro Cássia. Adoro você... Beijo!!

"Qualquer ídéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua..." (Mario Quintana, Das Idéias)

P.S.: Quase o comentário acaba em texto... (rssss!)

Dira disse...

eu só acredito mesmo que vc existe pq tive o prazer de tocar os teus olhos. verdade. como pode alguem escrever desse jeito e fazer a gente voltar a si mesmo para o passado e tb recompor os próprios passos no túnel do tempo. ah, meu querido. amo vc. amo muito. obrigada por isso.

Marco Santos disse...

Puxa, queridos amigos...Vocês sabem mesmo como emocionar alguém. Fico extremamente feliz por ver tantos outros barcos partirem de minha modesta enseada. É sempre muito bom dividir coisas com vocês.

Querida Vendetta: Machado e Drummond são avatares absolutamente necessários para todos nós. Como também o nosso amado Quintana. Ele dizia coisas de um jeito que sempre me encantava (e continua a me encantar).

Grazzi, carissima Lili!

Marcíssima querida: Quem sou eu para levar o seu transatlântico de talento para algum lugar?... Mas fico feliz por te fazer refletir sobre suas lembranças. O Antigas Ternuras é para isso. Para nos trazer reflexões. E se você gosta, ótimo!

Minha doce Claudinha: Obrigadíssimo por suas palavras. Pelo visto, temos muitas afinidades, não é? Lemos e sonhamos inclusive nas mesmas fontes (Lello e Tesouro da Juventude). São estas afinidades de almas que a gente encontra na vida e nos faz sempre mais felizes. Também adorava as histórias que me faziam viajar para um mundo de aventuras, como Gulliver, Monteiro Lobato... Ainda hoje gosto muito. Como gosto de viajar nas palavras dos grandes poetas que conseguem dizer com simplicidade o que a gente sente, mas não encontra as palavras certas.


Ah, minha querida parceirinha Yumi... Fala pro seu pai que eu acho que você evoluiu, sim. E muitão! (Eu leio as coisas que você escreve sobre seu pai no seu blog e me divirto...Domingo dê a ele um bom presente!)


Querida Nancy: Obrigado por sua gentileza. Pode contar com o meu voto. É mais fácil votar nesses prêmios que para presidente...

Querida Eduardinha: Eu já tinha percebido que temos algumas coincidências. Mbora tenhamos nossas divergências clubísticas, tenho muito apreço por você. Talvez por imaginar que eu poderia ter uma filha tão legal assim como você. (Mas que se fosse vascaína, eu devolveria para o útero materno!)

Cara Claire: Huuummm... Você tem interesse NESTAS lembranças, né?...Claro...É um prazer para mim compartilhá-las com vocês. Obrigado por lê-las.

Querida Claudia Bruxinha: Muito obrigado por sua visita. Eu me sinto honrado por você ter vindo conhecer minha modesta cristaleira de emoções. Já fui retribuir a sua amável visita e gostei muito dos seus feitiços. Eu também não passo um dia sequer sem ler nem escrever.

Querida Ana Carla: Fico extremamente grato pelas suas amáveis palavras. E que bom que você gosta do querida Quintana. Já fui ver as suas pérolas.

Querida Saramar: Puxa! As minhas palavras no AT desarrumam o seu coração? Isso vindo de você, que escreve coisas que me fazem refletir e que até gostaria de me apropriar, nossa!, é um baita elogio! Nossos livros são nossos tesouros, não só da juventude, mas de toda a vida, não é? Ler Castro Alves é deixar a nossa sensibilidade flutuar em espumas. Parabéns pela escolha do poeta do seu coração. E obrigado pela sua gentileza.

Querida Fugu: Quintana é DEZ! E esta frase dele que você traz no seu comentário é típica daquela enorme simplicidade que era igualmente complexa em sua essência. Que bom que você gostou!

Querida Luma: Pelo visto, meus amigos e eu temos muitas coincidências em nossas formações culturais. É, eu tenho silêncios na palavra dita. Mas minha alma não é silenciosa. Ela jorra palavras em profusão. Só que nem sempre para fora de mim. Assim como você, sou cheio de pensares!

Grande DO: Por favor, me dê esta honra!

Querida JU: Você chegou aqui pelo blog da Claudinha? Então veio pelo caminho das estrelas. Se você é amiga dela será minha amiga também. Fico imensamente feliz por você ter apreciado as minhas palavras. Pois é. Nem todos os virginianos são introspectivos. Alguns falam bastante. Mas todos são reflexivos, são de muito pensar. Vou te visitar na primeira oportunidade.

Grande Rubo: Já saiu um novo capítulo da sua saga? Ôpa! Vou lá conferir. E tem a ver com o amor pela palavra? Pois é. Coisas da sincronicidade junguiana.
Que bom que você gostou do meu comentário. A praga do “vai estar recebendo...” tira a gente do sério!

Querida Karine: Nossa, que bonita esta história que contou... Você devia expandi-la num post no seu ótimo Vôo da Borboleta. Ah, gosta do Érico Veríssimo, também? Ele é um dos meus escritores favoritos. Se eu tivesse 0,1% do talento dele para escrever, já me consideraria muito feliz.
O trecho do meu querido Quintana que você citou é belíssimo.

QueriDira: Fico até sem graça de ler estas palavras...Num sou isso tudo, não amiga. Cometo as minhas bobagens de vez em muito. Muitíssimo obrigado pelo seu carinho. Ele me é muito benvindo e necessário.

Valeu, moçada! Obrigado sempre pelo carinho e amizade de vocês. Abraços e beijinhos e carinhos e ternuras sem ter fim!

Lena Gomes disse...

Mais um belo post... e uma linda homenagem ao Doce Quintana... ouso dizer q vcs têm algo em comum no lidar com as palavras... chegam direto ao nosso coração.
Deixo então um beijo no seu!!!