segunda-feira, junho 12, 2006

... No mesmo lugar, mesma hora... Me and Mrs. Jones


Neste final de semana, vi uma matéria na TV sobre o Billy Paul. Ele está de novo em plagas brasileiras. Passou por aqui no ano passado e cheguei até a fazer um post sobre isso. Uma de suas músicas é muito especial pra mim.
“Me and Mrs. Jones”.

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Essa foi a primeira música que eu dancei coladinho em minha vida. Foi num dos bailinhos na varanda da casa do Jurandir, em mil-novecentos-e-não-vem-ao-caso. O Alcir, meu “Obi Wan Kenobi” em termos musicais, tinha levado os discos dele e eu, os meus. No início do baile, ele pilotava o toca-discos, com a namorada ao lado. Depois de tomar umas e outras e analisar as perspectivas do mercado, deu um balão na moça e saiu para galinhar com a primeira que deu mole pra ele. Ele só tinha que deixar a moça aos cuidados de algum amigo respeitador, que não fosse cair matando sobre a namorada.
Era aí que eu entrava.
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Na verdade, eu já estava tomando conta da namorada do Dadae. O cara me chamou num canto e me disse, com um sorrisinho canalha: “Marco, faz companhia para a Vera que eu vou dar um malho num pessoal aí...”. E então, eu fiquei tomando conta de duas namoradas de amigos para eles “se adiantarem”, como se dizia na época.
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Claro que eu devia dizer pros dois: “Aê...Não vai dar, não! Também vou às mulheres!”
Mas acontece que, com as moças, eu era tímido feito um guaxinim da Patagônia. E por isso, só ficava de disc-jóquei nos bailinhos, botando música para os outros adolescentes e nem tão adolescentes se darem bem com a mulherada.
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Uma hora lá, acho que foi o Jurandir, chegou à vitrola e tascou o “Me and Mrs. Jones”. Eu, com a cuba-libre da coragem em minhas mãos. Perto de mim, a dama de lilás, me machucando o coração. E aí? Chamo ou não chamo para dançar? Um gole no Ron Merino com Coca-Cola, respirei fundo. Sentindo frio em minh’alma, eu a convidei pra dançar. Não foi com muita convicção. Meus olhos iam da ponta do torturante band-aid no calcanhar até o chão em volta dela. Gulp! Meu coração adolescente batia mais que um bongô, tremia mais que as maracas...
Ela disse “sim”. Iarrú.
Mas, calma. Ainda tinha muito com que me preocupar.
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Uma séria operação de biomecânica e coordenação motora estava em andamento. Saber como dar os passos, onde por as mãos na cintura da moça, não podia chamar ela na chincha, e ainda teria que me preocupar com alguma traquinagem do “Sr. Pinto”, embora nervoso como eu estava, as chances de alguma movimentação na área eram quase nulas, mas sei lá...adolescente, hormônios em fúria...

*
...While the Juke-Box plays our favorite song...
...Meeeeeeeee aaaaand...Mrs....Mrs Joooones...Mrs. Jones...Mrs. Jones...Mrs. Jones...
We got a thing going on...
(Pensei: "Hum, melhor parar de cantar a letra da canção baixinho no ouvido dela. Afinal de contas, contrariando a letra, “We DIDN’T get a thing going on”, nós não tínhamos um “caso” rolando...")
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Mesmo tenso pra caramba, terminamos de dançar a música e foi legal. Animado, eu a chamei para dançar outras vezes. Mesmo porque não conseguiria passar por aquele sufoco de novo para chamar OUTRA moça pra dançar.
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Eu sei que se contar essa história para um adolescente de hoje ele vai dizer: “Pô, cara...Tu era mó mané, heim!”
Era mesmo. De certa forma, eu me arrependo por não ter sido mais atirado. Mas não repudio o meu antigo comportamento. Se hoje eu sou mais, hum...digamos...saliente, foi preciso eu ter atravessado aquele rito de passagem. O meu estado presente é decorrente do meu passado. Por ter sido tímido, procurei aprender a não sê-lo. E isso me fez ouvir e valorizar muito mais as mulheres. Gosto bem mais de conversar, aprender com elas. Do tímido que fui ao menino mais “esperto” que sou, teve um longo caminho de aprendizado com as moças. Com os cuecas, não aprenderia nada sobre o assunto...
*

E aí vejo o velho Billy Paul no Brasil... Gostaria de contar essa história pra ele. O cara está em final de carreira. Hoje está cantando no Canecão. Amanhã, sei lá, o cara pode acabar cantando seus sucessos no “Chuletão do Gaúcho”, lá na Baixada Fluminense... Acho que ele gostaria de saber que sua voz melodiosa serviu de trilha sonora para um adolescente tímido enfrentar seus medos.
*
Eu fecho os olhos e ainda me lembro daquela dança. É como se eu estivesse cantando junto:
...Now she’ll go her way and i’ll go mine
(Agora ela seguirá seu caminho ... e eu o meu)
Tomorrow we’ll meet
(Amanhã nos encontraremos)
The same place, the same time
(No mesmo lugar ... mesma hora)
Me and Mrs. Jones...
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, é claro que você está ouvindo Billy Paul, cantando “Me and Mrs. Jones”... Essa era pra eu ter dançado com a moça que tem um parafuso a mais...

17 comentários:

Camila Luz disse...

Olá, tudo bem?! Hoje minha postagem foi na CDB e gostaria muito de receber sua visita e comentário !!! http://www.comunidadedoblog.zip.net. Tenha uma ótima semana !!!

Márcia(clarinha) disse...

Oi guaxinim da Patagônia querido,
adoro te ouvir contar seus casos e mesmo sabendo que hoje é "mais saliente" adoraria dançar com você,rss.
Que amigos sacaninhas os seus heim? Aff! tadinhas das moças.
Também tomei muito Cuba,ô tempo bom de antigas ternuras.
Vai ao Canecão vê-lo?
Marco querido,tenha um lindo e feliz dia dos namorados,suas palavras sempre me dão uma alegria imensa.
beijossssssssssss

luma disse...

Todos nós já fomos tímidos um dia! Ou aprendemos a disfarçar melhor? Sei que me fez lembrar de histórias e essa música é uma delícia!! Feliz dia dos namorados! Beijus

Claudinha disse...

Ah, Marco... Você faz aflorar as antigas ternuras em nós... Eu, apesar de agitadinha, na hora "h" era muito tímida e rezava para não tomar chá de cadeira. Meus bailinhos começaram no auge da discoteca e a primeira música que dancei coladinho foi Love of my life. Eu abracei o menino com tanta "coragem" que ele tombou prá trás e só não caímos por que havia uma parede...Quase morri de vergonha das risadas dos outros...Mas esta música é linda e ainda causa um efeito mágico nos casais. Ainda poderá dançá-la muitas vezes...
E você vai ao show dele?
Um beijo, obrigado pelo comentário-poesia no TP (ficou maravilhoso)e uma linda noite de lua cheia para você. Feliz dia dos namorados!

Ana Carla disse...

"Mané" são os garotos de hoje que não sabem o prazer da expectativa, o sufoco da paquera, o medo da rejeição... ai, ai... suspirando...

Mutatis Mutante disse...

Cara , vou te dizer duas coisas:
Primeira:o mestre daqui esteve organizando uns cds de bailinhos anos 60 pruma festa flashback da minha tia e ele acabou tocando um sem número de vezes a tal Me and Mrs Jones. Te confesso que não consigo gostar do Billy Paul. Prefiro muito mais o Al Green ou o Marvin Gaye , mas deve ser coisa de quem viveu a coisa trinta anos depois...

E olha , quanto a esse negócio de ser guaxinim da patagônio , acho que enfim achei alguém igual a mim. Eu prefiro muito mais encostar no DJ e encher o saco do cara para ele tocar Bee Gees do que me arriscar na pista de dança(se bem que na pista de dança com Bee Gees eu até que dou meus passinhos estranhos).

Quanto a tomar conta de namorada dos amigos , ainda não tive essa sorte. Até porque os meus amigos são piores que eu e não conseguem arranjar namoradas... :D

Um abraço!

Micha Descontrolada disse...

seus posts me divertem mto...amie..
meu pai tinha um cd dele, e ouvia mto essa música, será q ele já viveu uma situação dessa? hahha

uma pena vc não ter ido no encontro, ficou achando q nós somos mtos novos? somos nada..tdo velho q dorme em formol...perdeu. espero q vá na próxima vez.

beijossssssss

Roby disse...

Ah como me divirto aqui Marco!
Tu tens uma carga de experiências que nossaaaa!
Eu fui muito "sapeca" na minha adolescência..rs
Eu paquerava muito, mas na hora "H" quando o moço vinha pra conversar comigo eu me escondia..rs
*
Um belo dia pra ti amigo..
E hoje, vamos torcer??

Desiree disse...

adorei a história e sinto falta de ter vivido algo assim! até tive uma história que foi bem lenta em relação ao ritmo atual e foi a mais especial de todas... mas todo mundo tem tanta pressa! rs...

beijos

suzy disse...

Pois é meu querido, ai que a gente ficava mesmo assim quando ia dançar coladinho a primeira vez. Mas, nós mulheres não tínhamos muita coisa pra ficar controlando, pelo menos que desse assim à vista né. *risos

beijão, meu amigo.

claudia disse...

Oiiiii

rs..eu já consegui "ouvir" muitos corações batendo alto coladinho em mim...e sabe, isso é ótimo.
Rs
Eu também era tímida...rsrs...era,hoje ainda tenho um resquícios daquele tempo de timidez ah...eu tenho, e sabe, acho que é isso mesmo que nos "torna" diferentes...
Eu gosto dessa música muito...muito.
Um beijo querido

no coração...
e com muitas...muitas saudades

Pipoca disse...

Meu bom Marco... com essas dicas todas aí, dá pra perceber que você não é tão paleozóico quanto alega.
Adoro ler essas tuas lembranças... é como se fosse os "Anos Incríveis" da blogosfera brasileira.
Eu sei cantar todas as músicas citadas...
Seu bom gosto é sempre um bálsamo para o meu coração.
(Não consegui comentar ontem mesmo. o sistema de comments não abriu...)
Beijo enorme!

Ana Carla disse...

Cadê o post novo, "Mr. Timidez"?
Preciso de combustível pra encarar essa quarta-feira doidinha!!

Marco Santos disse...

Ficaram nostálgicos também?

Oquêi, Camila, já fui conhecer o seu blog. Prazer em tê-la aqui.

Doce Marcinha: Eu me sentiria honrado em dançar contigo. Embora eu seja saliente, prometo me comportar. O show do Billy foi só no dia 8 de junho. Fiquei com preguiça de ir.

Querida Luma: Olha, eu bem que tentava disfarçar a timidez. mas eu sou muito bandeiroso. Até o Stevie Wonder veria que eu era mesmo acanhado. Hoje, eu botei um cedilha neste adjetivo...

Minha doce Claudinha: Duvido que você tomasse chá de cadeira nos bailinhos... A música fez você lembrar dos velhos tempos? A intenção era essa! Imagino que você ainda goste de dançar coladinho, não é?

É, Carlinha...Hoje nenhum adolescente fica aperreado. Se uma não topar ele tenta a outra e acaba se dando bem. No meu tempo, tínhamos que escolher com muito critério. Só dava para dar um "tiro". Se a moça não topasse a paquera, a noit estava arruinada, pois nenhuma outra iria querer ser "plano B".

Grande Bruno: Seu pai sabe das coisas...
Olha, eu gosto de Al Green, Marvin Gaye E do Billy Paul! E também do Isaac Hayes, Donnie Elbert, tony Gregory e toda aquela negrada maravilhosa dos anos 60/70.
Hoje meus dias de guaxinim da Patagônia se encerraram. quando eu vou a algum baile Flashback me acabo de dançar. Não tomo mais conta de namorada de ninguém, só da minha...Ré! Ré! Ré!...

Querida Micha: Que bom que gostou. Eu não fui ao encontro por ter compromisso. Mas também não tenho muita vontade de ir nestas grandes reuniões. Prefiro encontros a dois ou a três, no máximo.

Sapequinha, heim Roby! Minina... Rá! Rá! Rá!...Era gostoso, né? Ê tempo bão!

Oi, Desirée: Fico muito feliz por saber que te despertei antigas ternuras. é o que eu quero sempre...

Querida Suzy: Pois é, vocês ficavam nervosas. mas ficavam na defesa, só esperando a nossa iniciativa! E era aí que o bicho pegava!

Que imagem bonita, doce Cláudia! Ouvir corações batendo junto ao seu na hora da dança! Só uma poetisa mesmo para ver poesia nesses momentos de sufoco... Eu adoro esta música!

Querida Vendetta: Sou paleozóico, sim! Jurássico também! Um velho dinossauro que insiste em abrir sua velha cristaleira de emoções para mostrar aos amigos.

Valeu, moçada! Abraços e beijinhos e carinhos e ternuras sem ter fim!

lúcio disse...

Ótimas as citações da música do Aldir Blanc. A descrições das agruras da sua timidez são consolo e piada, ao mesmo tempo. Cada mancada que eu dei...

Saramar disse...

Meu Deus, Marco!!!!
Essa música e o Billy Paul tem tudo a ver comigo. Sintonias bloguísticase coincidência de épocas da vida?
rssssssssss

Beijos

Rafael Martins disse...

Olha só a vida me trazendo a esse post em pleno 2016 e já com meus 26 anos, Guaxinim da Patagônia chega a ser meigo rsrsrs, tão bonito quando se ama na adolescência, aquele amor puro, tímido, inocente, eu fui diferente dos amigos da minha "época" fui mais assim das antigas...