segunda-feira, outubro 31, 2005

O lado oculto de nós

No sábado passado, fui na festa-surpresa pelo aniversário do meu cunhado. Armaram bonito pro cara, mas ele curtiu muito.
Minha namorada teve a grande idéia de pedir a cada um dos amigos dele para sugerirem uma música que achassem ter a ver com o moço. Com as sugestões, ela buscaria as músicas na Internet e montaria dois CD com as relacionadas.
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Teve de tudo. Os comediantes (sempre tem...) sugeriram coisas como "Panela Velha", "A pipa do vovô não sobe mais", o clássico-brega "Secretária" e outras pérolas do gênero. Mas houve quem levasse a sério e tirasse do fundo do baú algumas antigas ternuras que imaginavam fazer a delícia do homenageado. Eu acho que ele tem um jeitão de italiano dos anos 60, logo minha sugestão seguiria esta linha. Mandei um "Era um ragazzo che comme me amava i Beatles ei Rolling Stones". Mas no original. Não queria a versão gravada pelos "Os Incríveis" (já posso ver daqui os cenhos franzidos e a indefectível pergunta: "Quem?" Bem, amigos da Rede Globo, para encurtar a história, "Os Incríveis" eram uma espécie de "Titãs" dos anos 60. Fecha parêntesis).
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Do total das sugeridas, a maioria era estrangeira. Boa parte, rocks para emocionar o homenageado: duas do Deep Purple, uma do Led Zeppelin e duas do Pink Floyd. E é aí que entra a razão de ser deste post.

Quando ouvi "Time" – uma das escolhidas, a outra foi "Wish you were here" - me bateu uma baita saudade do "Dark Side of the Moon". Nesta semana, pretendo ouvi-lo trocentas vezes, até uma certa parte da minha anatomia fazer bico.
Ahhhh... Como este disco é bom! Durante a festa, fiquei conversando com meu amigo Luís, beatlemaníaco como eu, sempre temos uma história para trocar sobre os quatro deuses de Liverpool. Mas desta vez, o nosso papo era a respeito do Pink Floyd e mais especificamente com relação a este disco seminal.
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Ele nunca saiu de catálogo e permaneceu anos (eu disse anos) nas paradas de sucessos (é o quarto disco mais vendido de todos os tempos – American TOP – 200 por 724 semanas). Tenho certeza de que vende bem até hoje, mais de três décadas depois de lançado (Veja a capa do relançamento comemorativo de 30 anos). Todo grande conjunto tem o seu grande disco, aquele que o consenso aponta como o "imperdível". Os Beatles têm o "Sgt Pepper" (embora eu prefira o "Abbey Road", uma obra em pé de igualdade com a Capela Sistina, a Mona Lisa, as grandes pirâmides, ou seja, patrimônio da humanidade), os Stones têm o "Exile on a Main Street", o Zeppelin entra com o III (há quem diga que é o II), o Queen vem com "A night at the Opera", os Beach Boys com "Pet Sounds" e vai por aí a fora (aê, Marcelo, diz aí qual é o álbum-rei do Deep Purple que eu assino em baixo e dou fé). Com certeza, qualquer fã do Pink Floyd vai dizer que o "Dark Side...", o disco do prisma, é a maior obra do grupo inglês.
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Segundo o Luís, tem um DVD por aí com o grupo (Wright, Waters, Mason e Gilmour na foto) comentando, 30 anos depois, como foi gravar este diamante. Está saindo a caixa com os DVD do concerto "Live 8", onde os quatro voltaram a tocar juntos, desde que o Roger Waters saiu no pau com Gilmour. Li numa matéria que num dos DVD tem o depoimento dos quatro sobre a banda. Deve ser imperdível também. Não sei se lá eles contam a origem do nome Pink Floyd.

O fundador da banda, o doidão Sid Barret, juntou o primeiro nome de Pink Anderson com o de Floyd Council, dois blues men americanos. Até aí, todo mundo sabe. Mas você já viu a cara dos bonecos?
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Daqui a cem anos, vai ter gente ouvindo o "Dark Side..." e fatalmente se emocionando. Não tem uma música que a gente pode dizer: "essa é fraca". É tudo da melhor qualidade. A começar pela abertura (e fechadura), com sons da batida de um coração. O destaque inegável vai para "Time", e aquela abertura de filme de suspense até que a bateria de Mason ataca para Waters/Gilmour dispararem, sem dó, o "Ticking away the moments that make up a dull day..."
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E tem "Breath". Linda como um suspiro da mulher amada, necessária como a respiração... E mais: a "Us and Them", que nos remete a um grito solitário ecoando pelo Universo. "Money" e aquele baixo pulsante de Waters, que faz o nosso estômago pulsar junto. "The great gig in the sky" (com vocais de Clare Torry), outra que nos dá a exata dimensão de nossa solidão no Universo, mesmo que estejamos na Rua da Alfândega ou na 25 de março em plena época de Natal. E todas as outras: "Speak to me", "On the Run", "Any Colour You Like", "Brain Damage" e "Eclipse". Mas, de todas, é inegável a força de "Time". E foi essa a escolhida para figurar no CD.
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Meu cunhado deve estar se deliciando com o seu presente até hoje. Provavelmente, ele achou divertido ver (ouvir) como os amigos o percebem. É uma espécie de feedback. Fico imaginando com que música cada amigo meu me definiria. Qual você sugeriria?
M.S.

7 comentários:

Ronie disse...

Caraco!!! A tal da sincronicidade funciona mesmo. Estou ouvindo o Dark Side há mais ou menos uma semana, encontrei ele perdidinho, em um cantinho escondido da estante, na casa de minha irmã, e resolvi escutá-lo novamente. É minha trilha sonora rumo ao trabalho. Os Incríveis? História curtinha: no dia do Referendo, recebi Lúcio e Alemón para uma sessão de cerveja daquelas. Depois de todo mundo manguaçado, o toca-discos foi ligado e ... 'Kokorono-niji' e 'O Milionário' fizeram a alegria de um trio de blogueiros. O melhor é que era um compacto simples, original de 1968. Tinha gente chorando de alegria. Do nosso surf-rock, prefiro os Jet Blacks. Uma perguntinha: de quem é a trilha de abertura de 'Bang Bang"?

Ronie disse...

Sou um ingrato mesmo: muuuuuuuito obrigado! O dvd chegou perfeitinho, perfeitinho. Já assisti umas vinte vezes. O melhor é o seguinte: dia 20 de dezembro farei uma exibição especial. 'Batalha do Pacaembu, a última conquista da cruz de malta', se tiver em Brasília pode vir.

claudia disse...

Oi
Nostalgiei...por aqui
Os Incríveis ( dancei pra caramba com esse conjunto) e isso já era, 1981 acho...
Tem coisas que a gente não esquece.
Bom, nostalgias à parte, adorei a idéia do pessoal, tenho um amigo...que faz niver agora, e vou copiar a idéia....é um cinquentão...chatooooooo...rs...mas eu adoro ele (acredite, gosto muito) até pq. devo ser chata igual.(rs)
Mas a música para vc....
Qualquer uma dos Beatles, o que acha? Adoro todas, muito.
Então as dedico para vc.
Help, é uma das minhas preferidas.
O que acha?
Bom ...como sempre...rs.
Um montão de comentários...rs
Apareça.

Beijo.

Marco Santos disse...

É, Ronie, amigo véio... Jung é o cara! Eu já tive inúmeras provas de que o que ele explicou era verdade. Não só quanto à sincronicidade mas também quanto ao inconsciente coletivo.
Mas o Dark Side of the Moon é muitcho bão, mermo! É um dos discos absolutamente necessários.
Quer dizer que os manguaceiros aí encheram a caveira ao som dos Incríveis? Nada como uma antiga ternura para acompanhar uma cervejada, heim? Não sei de quem é a guitarra solada da abertura do Bangue-Bangue. Suspeito do Lulu Santos. É uma levada parecida com a deste nosso primo.
Ainda bem que o DVD chegou direitim. Eu não confio nos Correios. ele já me aprontaram algumas falsetas. Quanto ao conteúdo deste DVD e o convite para que eu vá assisti-lo, por favor, me inclua fora disso. Além disso, este blog é parte integrante da Nação Rubro-Negra. Falar em pornografias como "cruz de malta" aqui é terminantemente proibido.
Para encerrar, Antigas Ternuras Quiz: Quem eram o guitarista-solo e o baterista dos Incríveis? Valendo uma garrafa de Crush e um pirulito Zorro.

Marco Santos disse...

Querida Claudinha: fico muito, muito feliz em saber que você também curte antigas ternuras.
Você dançou Os Incríveis em 1981? Caraco! Não sabia que o conjunto tinha durado tanto...
Eu conheço eles ...hum...desde o tempo em que eles começaram, lá em mil novecentos e não-vem-ao-caso.
Claro que você pode usar a (excelente) idéia de montar um CD com músicas sugeridas pelos amigos! Depois me conte se a idéia agradou.
Péraí...Se tem alguém neste Universo que não é chata, esse alguém é você. Quéquéisso?! Uma poetisa tão talentosa...Um papo tão agradável!
Quanto à música que você me dedicou, acertou em cheio! Eu me tornei beatlemaníaco assistindo ao filme "Help". Alguma coisa na minha cabeça se desarrumou depois que eu vi aqueles caras gritando: "Help...I need someone..."
Brigadim, viu? Você é um doce.
Pode deixar que eu sempre aparecerei. Afinal, eu preciso de Oxigênio! Beijão!

Marcelo disse...

Meu álbum favorito do Deep Purple (e do Ian Gillan também) é o Fireball, de 1971. A versão mais recente disponível no Brasil é a remasterizada, remixada, com faixas extras e galinhagem de estúdio. Vale muito a pena ir atrás, nem que seja só pra ouvir o Jon Lord e o Ritchie Blackmore bêbados tocando o tema de Guilherme Tell.

Marco Santos disse...

Então tá, Marcelo! Se você diz que o "Fireball" é o "Sgt. Pepper" do Deep Purple, ele entra direto para o panteão que eu citei. Tenho um amigo lá em Santo André que é fãzão do DP. Você deve ter cruzado com ele no show. Foi um dos que sugeriu música do Deep para o tal CD para o meu cunhado ("Burn" foi a escolhida). Pois é. Com certeza, ele deve ter esta versão remasterizada do "Fireball" e aí ouço com ele. Valeu. (Rapaz, estou aqui tentando lembrar como era o tema da série "Guilherme Tell"...)