sábado, maio 10, 2008

Mudando de prosa


Em tempos de comunicação maciça e massiva, um assunto não dura muito tempo na mass media. Especialmente a política brasileira nunca deixa as coisas ficarem monótonas nos meios de comunicação. Sempre tem uma novidade!
Mas além dos bravos rapazes de Brasília, vira e mexe, sempre surge algum assunto que catalisa as atenções. Durante muito tempo foi o caso Isabella. Isso já "cansou". Depois, veio o taradão austríaco que engravidara a própria filha. Já encheu também.
O tema da moda agora é Ronaldo e as meninas de tromba. Isso foi matéria principal no Fantástico, capa da Veja, tema de onze entre dez assuntos de rodinha de bate-papo em boteco pelo país afora.
*

Bem, isso não é antiga ternura minha. Deus me livre! Quero distância de travestis e assemelhados. E quero ficar bem afastado de quem se envolve com eles também. Ao invés de falar sobre gente famosa que cai em golpes, achaques, extorsões, programas em motéis de quinta categoria, prefiro abordar um assunto totalmente diferente. Já está na hora da gente mudar de prosa.
Vou tratar da origem da expressão:

Meter a mão em cumbuca

Para quem não sabe, o significado é algo assim: uma pessoa experiente, sabida, vivida, não se envolve em assuntos escusos, não se deixa enganar facilmente pelas aparências.
Essa expressão é uma síntese de um provérbio famoso que diz: “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”. O folclorista mineiro José Vieira Couto de Magalhães (1837-1898) garante que a expressão vem do tupi (macáca tuiué inti omundéo i pó cuiambuca opé), por conta de uma história contada por índios.
*

Quem quiser caçar um macaco, basta construir um tosco mecanismo utilizando corda e uma cumbuca (cuia). Coloca-se uma espiga de milho na cumbuca amarrada pela corda a uma árvore ou em algum lugar que possa ser vista pelo símio. O bicho vê a espiga, enfia a mão na cuia e segura o milho. Só que ele não consegue retirar a espiga por aquela pequena abertura. E acreditem: ele não larga o milho para se soltar, prefere ficar preso, tentando retirar a espiga da cumbuca. Basta vir o caçador e cptura o bicho. O macaco velho vê os mais jovens caírem naquela arapuca e opta por ficar sem o milho, mas totalmente livre.
Nem é preciso ser muito inteligente para não cair naquela armadilha. Só alguém muito bobo vai enfiar a mão naquela cumbuca, contrariando todo bom senso.
*
O escritor e pesquisador baiano Afrânio Peixoto (1876-1947) diz que essa história não é brasileira, que em Portugal já se conhece essa expressão faz tempo. Só que ele garante que lá não se diz cumbuca, palavra absolutamente brasileira. Lá, a expressão é “meter a mão no cabaço”. O que é bem mais complicado para nós, não é mesmo? Se algum jovem quer meter a mão na cumbuca, a gente até consegue demovê-lo dessa idéia. Mas vai tentar convencer alguém a não meter a mão no cabaço...
*

Câmara Cascudo (1898-1986), um gênio potiguar, asseverava que essa expressão cultural e seu significado são bem mais antigos, que desde a Roma Antiga e até mesmo na China e Índia se comentava macacos e cumbucas.
*
Se a origem é imprecisa, uma coisa é certa: uma pessoa com um mínimo de astúcia não se mete com gente e pessoas que possam comprometê-lo. A gente tem que ter muito cuidado com cumbucas. E mais ainda com cabaços!
M.S.
***********************************************
Caros amigos: tenho andado muito atarefado. Por conta disso, não tenho tido tempo de atualizar com mais freqüência, nem, desafortunadamente, de visitar vocês.
Para os que perguntaram, sim, minha mãe tem estado bem melhor, graças a Deus e às orações dos amigos. Obrigado pela compreensão.
***********************************************
Um beijo meu para todas as mamães.
***********************************************
Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Ney Matogrosso cantando "Homem com H".

25 comentários:

Claudinha disse...

Olá Marco,
esta eu conhecia, se não me engano da Seleções do RD. Meu avô "SôZé" sempre dizia isto e se auto intitulava macaco velho quando queria dizer que não caía em armadilhas e armações. Mas eu não sabia da versão lusitana,rsrs.
Fique bem.
Beijo!

Ana Júlia disse...

Que história legal!Seu blog é muito legal,e divertido!Parabéns!

Ana Júlia disse...

Sou filha da Claudinha!

Moacy Cirne disse...

Expressões & expressões: o seu blogue continua informando & divertindo. Um abraço.

Zeca disse...

A origem do macaco na cumbuca eu conhecia, mas na cabaça, só em Portugal mesmo... risos. E como macaco velho não mete a mão em cumbuca (ou na cabaça), farei como a Copélia (do Toma lá, dá cá), no caso do Ronaldinho e suas aventuras: "prefiro não comentar"!
Grande abraço, meu amigo.

DO disse...

Nunca que eu poderia imaginar isto,MARCO. Muito interessante mesmo. Abração e uma otima semana!

Saramar disse...

Marcos, no dia das mães, é bom saber que sua mãe está melhorando.
Deizo um beijo para ela. Por favor, retransmita, bem estalado.

Você está certo, essa história de mãos e cumbucas é muito perigosa. Porém, há pessoas que não conseguem viver sem misturar as duas coisas (risos).

beijos, boa semana para você.

[Dé] disse...

http://www.wwf.org.br/participe/acao/ajude_divulgar/meio_ambiente_internet/index.cfm


escolhe um ai marco

Marcos disse...

A origem dessa expressão eu conhecia por meio do Câmara Cascudo num livro da Bolsilivro, bem gosrdinho para meus dez, onze anos.
Felicidades á dona Tenura.

itiro disse...

É nisso que dá quando a cabeça de cima deixa a de baixo dominar! Muito cuidado com as cumbucas atraentes! Palavra de um velho macaco que andou botando a mão onde não devia...
Um grande abraço!

_Maga disse...

É tão gostoso ir descobrindo, tentando advinhar como certas palavras foram construidas! Isso sim é uma ternura antiga para ser guardada sempre!

Obrigada por nos fazer rir e aprender em meio a tanta chatice e mediocridade!

Um abraço

Fernanda disse...

Com certeza todos esses fatos já cansaram! Parece que não tem mais nada acontecendo no mundo!

Mais uma vez, vc nos trouxe um pouquinho de cultura! Adoro saber sobre as origens das palavras e expressões...

Beijinhos

Janaina Staciarini disse...

Oi, Marco!! Eu li No Tempo do Onça!! Realmente, volta, Onça! Hehehehe. Adorei saber.
Que bom saber que sua mãe está melhor, viu? To torcendo aqui.
Quanto as cumbucas... eu sou macaca velha! Hahhahaa.
Beeeeijo.

adelaide amorim disse...

Sábio conselho, Marco! E obrigada pelo beijo que me toca (que vale por cinco, um para cada filho ou filha) ;) Beijo pra voce também.

Mimi disse...

ai, Ternuróvski... e macaca véia também aprende???

um beijo e eu também prefiro Jack a Sawyer, mas vamos combinar que o segundo é beeeeeeeem mais interassante que o outro!

hahahaha!

muitos e muitos beijos

Lulu on the Sky® disse...

A ultima do Ronaldo parece q engravidou a namorada q tinha dado o fora nele.
Big Beijos

Tina disse...

Oi Marco!

Obrigada pelo carinho e beijo par sua mãe. Dias tranquilos.

beijo grande,

Francisco Sobreira disse...

Marco,
Eu conhecia o provérbio, mas não a origem dele. Mais uma aula que você nos dá. Agora, me permita uma pequena correção: Afrânio Peixoto era baiano. Um abraço.

Luna Gandra disse...

adorei seu blog.
quando der passa no meu ?

Jack disse...

E Ronaldo não para mesmo de meter a mão em cumbuca... agora vai ser pai novamente! hahaha
Boa sorte com as tarefas... que sua mãe continue melhorando!
Bjocks

Y. Y. disse...

Querido! Não tem ninguém que meta a mão nas cumbucas da vida mais que eu, e olha que eu sou macaca velha! uhahuauhahuauh

Quero ir para o Rio em julho. Vamos pegar um cinema, alguma coisa?

:****

Dora disse...

Marco! Primeiramente, minha alegria em saber que a mãe está melhor e que, por isso, você deve estar melhor...
Não meter a mão em cumbuca é uma sábia sentença. Eu conhecia o ditado, mas, não sabia da origem, nem da diferença portuguesa...rs
E quer saber? É melhor mesmo se esquecer de alguém tão "ingênuo"(?) como o Ronaldinho, que "meteu a mão na...cumbuca"...né?
Beijos, amigo-ternura!
Dora

Lila Rose disse...

Cumbuca ou cabaço: tô fora!!!
Muito bom, amigo. Muito bom.

Bisous.

Luciana Farias disse...

Pois é, Marco... essa falta de tempo que nos assola é complicaaaaaaaada...

Eu já disse trocentas vezes, mas repito: adoro quando você conta sobre essas origens dos termos...

beijão!!!

maristela disse...

\Mais uma vez venho aqui aprender.
A cultura do brasileiro seria bem diferente pra melhor se houvesse mais Marco contando estes causos úteis.
bj