terça-feira, janeiro 02, 2007

Pé na tábua, 2007!


Como diria o Pedro Bial: Estamos de volta!
Lá se foi mais um ano. Eis aí mais um ano. Vida que segue...
As expectativas para 2007 só podem ser as mais alvissareiras possíveis. Tenho eu mesmo muita fé nos projetos que empreenderei nestes próximos 365 dias.

No futebol, vejo com muita esperança a participação de meu amado Mengão na Libertadores. Este torneio já foi um bicho-papão e não é mais. Aliás, não vejo bichos-papões no futebol mundial.
Portanto, vamulá, Mengão! (Para desespero dos torcedores das Forças das Trevas, aquele time dos Comensais da Morte, dirigidos pelo Voldemort do futebol, aquele-que-não-deve-ser-nomeado, cuja sigla do nome é E.M., aquela molambada bacalhosa e sebenta, o time da “cruz-credo! de malta”, o clube que rima com “asco” [No Aurélio: asco=Sentimento ou sensação de repulsa ou nojo; repugnância]).
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O ano de 2006 acabou. Deixou saudades? Será lembrado no futuro como um ano de antigas ternuras? Por mim, com certeza. Tenho nele “datas nacionais” para serem comemoradas eternamente. Tive maus momentos, é claro. Mas o saldo do ano foi altamente positivo.
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Mas neste post gostaria de falar dos que se foram, no finalzinho do ano, e de quem terei saudades por representarem antigas e queridíssimas ternuras para mim.
Começando por:
Joseph Barbera
O menino Marco cresceu rindo e se divertindo com vários personagens que ele criou, junto com seu parceiro William Hanna, que foi para o andar de cima em 2001, primeiro ano do Século 21.

Posso citar alguns dos personagens que ele criou, na grife Hanna-Barbera, que acompanhei na TV ou nos gibis. Os meus favoritos são: Tom e Jerry, Flintstones, Jetsons, Jonny Quest, Dom Pixote, Pepe Legal, Zé Colméia, Olho Vivo e Faro Fino, Tartaruga Touché, Peter Potamus, Bibo Pai e Bobi Filho, Plic e Ploc e Chuvisco, Jambo e Ruivão, Wally Gator, Maguila Gorila... Acho melhor parar, porque a lista está ficando enorme. (Quer conhecer o mundo Hanna-Barbera? Clique aqui.)
Ah... Lembro do tempo em que eu chegava do colégio (em mil, novecentos e não vem ao caso...), ligava a TV, enquanto almoçava, para ver “Globo Cor Especial” ao som da musiquinha que nunca esqueci: “Não existe nada mais antigo, do que caubói que dá cem tiros de uma vez... Agora a gente deve ter saudade do zing! pou!...Do cinto de inutilidades...No nosso mundo tudo é novo e colorido...Não tem lugar pra essa gente que já era... Morcego velho, bangue-bangue de mentira, vocês já eram... O nosso papo é alegria!”

Passava depois de “Vila Sésamo”. Sempre tinha desenhos da dupla Hanna-Barbera. Ou era a “Corrida Maluca”, ou “Manda Chuva”, ou “Matraca Trica e Fofoquinha”, ou “Mosquete, Mosquito e Moscardo”, ou “Bacamarte e Chumbinho”... Tudo era visto com olhos brilhantes de um menino que sabia intuitivamente que na infância reunimos coisas num baú que mais tarde receberá o nome de “Recordações”...
Pois é. Um dos caras que ajudou a colorir a minha infância se foi, aos 95 anos, no finalzinho de 2006. E me despertou antigas, mas sempre queridas ternuras... Vai com Deus, Joe Barbera! Aposto que tem fila de anjos te pedindo pra desenhar um de seus personagens em pedaços de nuvens.
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Outro que se foi e de quem trago boas lembranças foi o “papa do soul music”, o velho James Brown.

O curioso é que eu no início, não era chegado nas suas músicas. Lembro que estava no Científico (alô, moçada mais nova! Este era o atual “Segundo Grau”) e um amigo, o Wilsinho, vivia me dizendo que o “quente” era o Brown. Eu não levava fé. Dizia que preferia Marvin Gaye, Isaac Heyes, Steve Wonder... E nem dava a chance de ouvir direito aquele cara com cabelo que parecia cotonete de orelhão.
Até o dia em que o Nelson Motta passou um clipe do Brown no saudoso “Sábado Som”. Lembro que quando eu vi, levei um susto. Êpa! O que era aquele baixão bem marcado? E aqueles metais alucinantes? E mais importante; o que era aquela voz que fazia a gente se sacolejar mesmo sem querer?

Quando encontrei o Wilsinho estendi a mão à palmatória. O cara era bom mesmo!
Lembro que no final dos anos 90, James Brown esteve aqui no Brasil e fez um show no Metropolitan (atual Claro Hall). Fui com um casal amigo e dancei até cair, ao som de “Sex Machine” e especialmente de “I Feel Good”.
James Brown teve uma vida, huum... digamos, agitada. Foi preso diversas vezes por conta de drogas, por andar armado e por enfiar a mão na lata da esposa. É...O cara pegava pesado fora do palco. Mas eu estava mais interessado no que ele fazia dentro do palco. E o cara mandava muito bem. Não sei se ele foi pro Céu, pro Inferno ou por Purgatório. Mas seja onde for, tem festa no pedaço!
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O terceiro que cantou pra subir em dezembro e me deixou saudades, foi um senhor chamado Carlos Alberto Braga, mas que muitos o chamavam de Braguinha ou João de Barro. Esse eu conheci pessoalmente. Fui na casa dele (em 1994) e fiz uma entrevista gravada em vídeo para o meu Banco de Dados sobre a História do Rádio.
Ele me deixou impressionado com a sua excepcional memória. Cantou para mim e para o amigo que estava na entrevista comigo trocentas de suas composições, desde a primeira que fez até a última. Contou histórias deliciosas, como a do dia em que foi assistir ao jogo Brasil x Espanha, na Copa de 1950. A Seleção Brasileira dando uma coça nos espanhóis, 6 x 1, e a torcida começa a cantar a sua marchinha “Touradas em Madri” (“Eu fui a uma tourada em Madri/E quase não volto mais aqui/Pra ver Peri/Beijar Ceci/Parará Timbum...Bum...Bum...”). Braguinha me disse que ali, naquele momento, quase teve um troço, ao ver/ouvir cento e tantas mil pessoas cantarem sua composição. Ele começou a chorar de felicidade. Nisso, um cara do lado dele, na arquibancada, comentou: “Vê só como são as coisas... Milhares de pessoas cantando de alegria e um espanhol filho da puta aqui do meu lado, chorando...”

Ah, Braga... Lembro que quando eu te convidei para ver a peça que eu fazia, “Na Era do Rádio”, você disse que iria, com prazer, levando a sua esposa, Dona Astréia, filhos e netos. Eu fiquei mais feliz ainda quando, do palco, eu os vi na platéia. Avisei ao Sergio Britto e ele, no fim da peça, dedicou o espetáculo a você, que foi aclamado pelo público.
Nem vou destacar nenhuma de suas várias músicas. Só vou lembrar que a letra do hino “Carinhoso” é sua, o que muita gente não sabe, acha que tudo foi feito por São Pixinguinha. E quem não disse ou escreveu para o ser amado: “meu coração, não sei porquê, bate feliz quando te vê...”? Eu já. E ela sabe que os meus olhos ficam sorrindo, e o muito, muito que eu a quero...
Vai com Deus, grande Braga! A Estrela D’Alva no Céu desponta e a Lua anda tonta ao saber que você está ali, cantando, pertinho dela...
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Além destes, outras de minhas ternuras se foram em 2006, como Carequinha, Emilinha Borba, Al Lewis (o vovô Monstro)... É. Todos nós iremos um dia, não é? Não tem jeito...
Só uma coisa me preocupa neste novo ano: ele termina em 007. Como bem disse o Veríssimo, ele tem “licença para matar”. E aí é que mora o perigo...

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Na Rádio Antigas Ternuras, você está ouvindo “Carinhoso”, hino imortal de São Pixinguinha e São Braguinha, na voz de Elis Regina, que completa, neste janeiro, 25 anos que se foi...

15 comentários:

Jéssica disse...

Da Elis eu lembro bem e sou fanzoca, assim como sou desse lugar de ternuras antigas q nos faz recordar coisas lindas e gostosas. Saudades de vc, beijo e bão dia*.*

Anônimo disse...

Adorei tudo que você disse. Mas não concordo com os louros do mengão não... Aliás... não concordo MESMO. Sou tricolor de coraçãooooooooo!! Hehehhe!
Feliz 2007 procê, querido!! Continue sempre sempre alegrando a gente com as coisas deliciosas que você escreve.
Beijão!

Claudinha disse...

Ei Marco... Você como sempre muito especial... Eu nem sei por onde começar. Os desenhos... Hanna-Barbera, eu achava que era uma mulher quando era criança. Adoro todos os que citou, são minhas antigas ternuras também. Espero que o seu mengão chegue na final, mas continuo tendo minha quedinha pelo Galo. Ah, descobri que o Bosco Sobreira é do "outro" time, e olha que ele é irmão do Francisco Sobreira, que é do seu lado da força...Ah, isto vai dar uns ótimos coments para eu bisbilhotar,rsrs. Quanto a James Brown, reverência. O cara tinha tudo para ser mais um bandido e de certa forma (no palco) soube canalizar sua energia de maneira criativa (copiada por muitos) e explosiva, ahhhhhhhhhhhh, "I feel good"! Eu postei esta música quando ganhei o MeuGibson, foi uma farra! Braguinha...Você teve uma oportunidade ímpar em conhecê-lo e ter uma canja de seu talento, e ainda por cima ser aplaudido por ele no teatro! Nossa! Carinhoso foi imortalizado por Pixinguinha, mas meus ex-alunos de música todos sabem que foi Braguinha quem criou esta letra maravilhosa. Enfim, 2006 foi um ano maravilhoso para mim. Um período de recuperação de um 2005 caótico e ainda recebi um presente muito importante (e caríssimo) que vai marcar minha vida para sempre. Tive também meus feriados nacionais e alguns poucos maus momentos, mas o saldo foi extremamente positivo.
Amei este seu post, me encheu os olhos de ternura e eles ficaram sorrindo também ao lembrar do meu amor e do jeito que ele me olha. Viu? Você acaba mexendo muito com a emoção das pessoas. Vai ver como seus comentários deste post serão calorosos! Um beijo! Feliz início de ano, meu amigo! Muitas felicidades para você e sua amada!

Claudinha disse...

Ops, esqueci de dizer que adoro Ellis e que eu prefiro outros títulos para 2007, como por exemplo: "O mundo não é o bastante", "O amanhã nunca morre" "um novo dia para morrer", rsrs. A licença para matar só se for de amor! Tchau!

DO disse...

Excelentes as homenagens,hem Marco.
Muito merecidas,alias,eu diria.
Mas eu quero falar sobre seu otimismo sobre a campanha do seu Mengão na proxima Libertadores. Isto significa que o Ney Franco ta fazendo um bom planejamento??
É isto??
To na torcida,afinal chega dos bambis,hehehe

Abração!

Drika disse...

Que delícia ler tudo por aqui...grande presente para 2007...
beijos

claudia disse...

feliz ano novo

seja bem vindo de volta

um beijoooooooooo

Karine disse...

Quero ver nem de perto essa danada com foice na mão!!
E espero que a licença para matar esse ano seja de riso, de alegria e de amor... lá em cima tem um montão de gente que fazia a gente rir e sonhar aqui embaixo... torço pra que nos dêem uma forcinha aqui!
E que o Saddan segure suas bombas lá embaixo, no caldeirão do inferno... humpf!

Beijo enorme pra você, feliz, feliz, feliz e feliz 2007!

Márcia(clarinha) disse...

Amigopratodavida...
que sua passagem de ano tenha sido perfeita e que todos os seus sonhos se realizem!
Nossa! quanta gente boa se foi, né? lá em cima deve estar a maior festa,tem pra todo gosto,prefiro pensar assim já que não pretendo ir tão cedo.
lindos dias meu querido
beijossssssssssss

rubomedina disse...

Com a chegada de um Novo Ano, tudo se renova. É o nosso alento, o que impulsiona a ir em frente.
Abraços, Marco.

Saramar disse...

Ah! Marcos, que lindas ternuras antigas!
Quantos se foram neste ano, tão maravilhosos!
Sabe, quese nem consigo comentar. Fiquei ouvindo a Elis e sonhando aqui...

Outra coisa: eu sabia que como uma pessoa inteligente, linda, sensível, elegantes, e mais outros 300 elogios desse mesmo nível, você não poderia senão ser flamenguista. Eu tinha certeza.

beijos

Marco Santos disse...

Querida Jéssica: E quem não era fã da Elis...Bom revê-la por aqui também.

Querida Janaína: Ah... Você é tricolor, né? Tudo bem, querida...Temos que conviver com os nossos defeitos. E você é uma moça legal, apesar dessa falha. Feliz 2007 pra voc~e também, amiguinha linda!

Minha doce Claudinha: Adoro quando você faz esses comentários longos!
Somos da mesma geração, logo vivenciamos as mesmas antigas ternuras. E o melhor é que nós dois gostamos das mesmas coisas belas e lindas. Fico muito feliz em saber que você teve em 2006 um bom ano, com presentes caros e raros e tudo o mais.
Que o seu amor continue a te olhar com o mesmo sorriso que te alegra o coração.
O Veríssimo notou que o ano termina em 007 e que ele é um agente com permissão para matar. Tomara que o ano não acompanhe o agente de Sua Majestade neste quesito...

Grande Do: O Ney Franco, por enquanto, está agradando à torcida e à diretoria. Vamos ver como o time se porta no Cariocão e na Libertadores. Estou com bons prognósticos.

Que bom tê-la aqui, querida Drika. Seja sempre benvinda.

Feliz 2007 pra você também, querida Claudia.

Querida Karine: Pois é, o "Zé Maria" catou muita gente no ano passado, especialmente no final de dezembro. Também torço pra ele manter a foice bem longe de mim e dos que amo. Um ótimo 2007 pra você também.

Marcíssima, amigapratodavida: Meu reveillon foi ótimo e o seu? Entrou bem neste ano?
Também espero ficar por aqui COM SAÚDE por muito tempo. E vou pedir a Deus que te mantenha também.

Sábias palavras, amigo Rubo. Bom 2007 pra você também.

Valeu, moçada! Abraços e beijinhos e carinhos e ternuras sem ter fim!

Lili disse...

Que bom que voltou, querido! E eu estava perdendo! Quanta gente boa se foi, não? Espero que este ano a dose não se repita! Um beijo e Feliz Ano Novo pra você

Lena Gomes disse...

Mais um belo post, caro amigo... falando em Elis, vc assistiu o especial q a Globo exibiu sobre ela? O q achou? Eu gostei muito. Beijos.

Vera Fróes disse...

Marco, fiz homenagens para o James Brown(que de santo não tinha nada!) mas que no palco era energia pura, ligado no 220.

Quero te convidar para a blogagem coletiva da Elis Regina que estou organizando para o dia 19, são 25 anos sem a Pimentinha. Espero contar com sua participação!

Bjos.