segunda-feira, outubro 09, 2006

Em Algum Lugar do Passado


Quem acompanha este blog há mais tempo, quem me conhece, sabe que há um filme e uma trilha sonora que me são extremamente caros. Eu me refiro a “Somewhere in Time” (Em Algum Lugar do Passado, USA, 1980, dir. Jeannot Szwarc), com Christopher Reeve e Jane Seymour. Já assisti a este filme exatas 33 vezes. E já ouvi as músicas de sua trilha talvez 33.000 vezes.
*
Eu sempre me interessei por filmes que apresentem viagens no tempo. Pode ser a maior bomba, o maior “trash”, que eu vejo, só porque o assunto me interessa. E nesse, que é maravilhoso, a primeira coisa que me chamou a atenção foi alguém fazer uma viagem ao passado sem utilizar máquinas ou parafernálias. Só com a força da mente.
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O roteiro do filme é baseado no livro de Richard Matheson, “Bid Time Return”, de 1976, que ele escreveu depois de ter visto a foto de uma atriz do passado (Maude Adams) e tê-la achado bonita, passando a pesquisar sobre sua vida.
A história trata de um escritor de peça de Teatro, "Richard Collier", que em um certo dia, recebe de uma velha senhora um relógio de algibeira e um pedido: “Volte pra mim!”.

Alguns anos depois, este escritor, já relativamente conhecido, está em plena crise de criatividade e resolve viajar para espairecer. Encontra um hotel (Grand Hotel, em Mackinac Island, Michigan, que realmente existe e é meta de peregrinação dos aficionados pelo filme até hoje), onde resolve se hospedar. Na Sala da Memória do hotel, ele vê, maravilhado, a foto de uma linda mulher. Descobre ser o de uma atriz que lá se apresentou em 1912. E mais: ela era a senhora que lhe deu o relógio, tempos atrás. A partir dali, ele empreende todos os esforços para viajar no tempo até encontrá-la. E consegue.

Depois de muitas peripécias, ficam juntos até que uma fatalidade os afasta e ele retorna ao ano em que estava, 1982. Ali, ele aguarda o momento de reencontrá-la na eternidade.

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Há algo neste filme que me cativou a ponto de eu reverenciá-lo desde que eu o assisti pela primeira vez. Descobri posteriormente que não sou o único. No Brasil e no mundo, e mais especificamente nos Estados Unidos, ele tem um enorme número de fãs. Existem vários sites especializados nele até no Japão.
Para alguém como eu, que ama suas antigas ternuras, imagina ver em um filme um escritor de peças (como eu sou) que volta ao passado (o que eu sempre quis fazer) e se envolve no mundo do Teatro (ambiente em que já estou)...

Deste filme, eu selecionei dois vídeos para apresentar na TV Antigas Ternuras. O primeiro, é uma espécie de grande trailler. O segundo, é de uma cena que particularmente me emociona sempre que a vejo. A atriz, “Elise McKeena”, está em cena em uma peça do gênero comédia de costumes, com seu amado Richard na platéia. Subitamente, ela sai do texto original e vai à frente do palco, improvisando uma belíssima declaração de amor, olhando diretamente para o objeto de sua paixão. Depois volta ao texto da comédia.
De tanto ver esta cena, houve época em que a tinha quase decorada. E sonhava em um dia dizê-la para a mulher que eu amo, que porventura estivesse me assistindo na platéia de uma de minhas peças.
Eis as falas para que você possam acompanhar a cena:

ELISE – O homem dos meus sonhos está quase desaparecendo agora...
ATRIZ QUE FAZ UMA DOMÉSTICA (desconcertada pelo improviso de Elise) – E que homem é este, senhorita?
ELISE – Aquele que eu criei em minha mente... O tipo de homem com o qual toda mulher sonha lá no fundo e que mais secretamente atinge o seu coração. Quase que posso vê-lo agora, diante de mim. O que eu diria a ele se estivesse realmente aqui? “Perdoe-me”. Nunca tinha conhecido este sentimento. Vivi sem ele por toda a minha vida. É de se admirar, então, que tenha falhado em reconhecê-lo? Você o trouxe a mim pela primeira vez. Há algum modo de que eu possa lhe dizer como a minha vida mudou? Qualquer modo de fazê-lo saber que doçura você me deu? Há tanto a dizer que eu não consigo encontrar as palavras. Exceto por estas: eu amo você... É o que eu diria a ele se estivesse aqui...
*

Curiosamente, já me aconteceu de ficar impressionado ao ver a foto de uma linda mulher. Tive a sorte dela não ser de 1912... Fomos nos conhecendo e eu me apaixonei por ela. Há uma cena no filme em que Richard fala de seu trabalho para Elise e ela o observa encantada (veja no trailer). Já vivi esta cena também com o meu amor.
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Em algum lugar no passado, dois seres cruzaram os olhos pela primeira vez. E era tanto brilho, e era tanta luz, que a esperança deles sempre se reencontrarem se transformava em uma certeza para os que têm a persistência das estrelas.
Em algum lugar no futuro, a dúvida será certeza, o desconhecimento, a sabedoria e o sonho será realidade.
Em qualquer lugar no presente, emoções, sentimentos e sensações são certezas ao alcance das mãos, dos olhos... Certeza de saber que o maior prazer do mundo mora aqui e agora. E que ele persistirá enquanto as estrelas brilharem, enquanto a lua derramar seus reflexos de prata sobre o azul profundo do mar.
M.S.

23 comentários:

claudia disse...

Oi querido

tomara que em algum lugar do futuro eu possa encontrar o olhar do presente.
Como pode né Marco, um olhar, apenas um olhar.
Gostaria de AINDA de não acreditar em sentimentalismos, gostaria de não querer ter esse olhar numa vida futura, mas é tudo o que eu quero.
( hoje particularmente estou mesmo muito, muito sensível)
mas vou te deixar aqui um beijo no coração
e de primeira...rs

Anônimo disse...

Assisti o filme apenas uma vez, muito tempo atrás. É um filme marcante, porque ainda lembro muito bem de algumas cenas.
Um amor que resiste à gerações!
Marco você é muito, muito romântico!! Feliz da sua amada!! (rs*)
Boa semana! Beijus

Lili disse...

Estou aqui me perguntando por onde eu andava que ainda não assisti a este filme! Logo eu que adoro uma história de amor!!!! Lindo, lindo e maravilhoso! Algumas cenas parecem um Renoir em movimento. Vou aproveitar o feriadão e preencher esta lacuna. Nossa! Um beijo grande!

Claudinha disse...

Olá Marco, estava ouvindo Leoni "a ciência confirma os fatos que o coração descobriu" e chego aqui e encontro este filme? Ah, eu adoro! Eu tenho o dvd e o livro, que é um pouquinho diferente, mas lindo também. Eu ganhei de um amigo que eu adoro e é um dos meus tesouros, meus presentes muito caros. Eu acho que é perfeitamente possível acontecer de uma foto trazer à tona um sentimento imenso, e acredito que tenha acontecido com você. Sorte tem a sua namorada, por você ser assim tão especial sempre.
Adorei os vídeos aqui no AT, o diálogo de Elise é algo mágico, e foi depois desta apresentação que ela tirou a foto, olhando para Richard. O olhar dela teve tanto magnetismo do amor que impressionou a fotografia e, muitos anos depois, ainda foi sentido por ele...
Nossa, me alonguei demais, mas este tema é meu preferido...Adorei este post.
Beijão!

Roby disse...

Markito...hoje exepcionalmente e involutantariamente tu deste-me um presentãooooo!!!
E te agradeço por isso querido amigo..
*
Justamente o filme que eu havia comentado contigo dia destes ,lembras??
Assisti este filme no mínimo 10 vezes, me marcou muito tb, pelas mesmas razões que as suas, fiquei deslumbrada!
*
Vi estes dois vídeos e fiquei arrepiada ao ver novamente cenas tão comoventes...
Ahhh este filme não há igual, ele é simplesmente FANTÁSTICO!
E quer saber?
Acredito que podemos passar por isso,e com o poder da mente voltar ao passado..não é impressionate ??

Obrigada Markito, amei o post de hoje..
Dê-me alguns dias que vou pesquisar o nome de um filme que assisti com mesma atriz sobre reencarnação, é outra maravilha imperdível.

Forte abraço amiguito!!

Jéssica disse...

Este filme é lindo, amigo. Em algum lugar do passado eu me perdi e até hoje sou caçadora de mim. Você tem um ótimo gosto. Gosto de filmes antigos, épicos tb... é como entrar num tunel do tempo... Eu viaaaaaaaaajo... me reporto à histõria ou estória, sei lá... vivo as emoções 'dos mocinhos'...rs... Muito bom te visitar, sabia?
Ótima noite, beijo*.*

Suzi disse...

voltar ao passado apenas com o poder da mente...
então você também gostou de "efeito borboleta", estou certa??

(mas dizem que o 2 é uma bela porcaria...)

Márcia(clarinha) disse...

Marco
tudo que fala de amor que nos leve às nuvens que faísquem estrelinhas,vale a pena.
Filme como esse é pra guardar com carinho relembrando cenas e sempre que possível trazendo-as para a realidade ativando o romantismo, [quesito que você esbanja né?]
Sou romântica de carteirinha e gosto disso,rss
linda noite meuamigoparatodavida.
beijossssssss

Fernanda disse...

Marco, amei o post!!! Sem brincadeira, meus olhos se encheram de lágrimas! Esse filme é um dos mais lindos já feitos! Acho que vou assisti-lo hoje (tenho em DVD)!

Sobre o livro, vc já leu? Eu tenho tb! O começo é meio chato, mas conforme a história se desenrola, fica muito legal! Na verdade, as anotações do Richard Matterson foram achadas pelo seu irmão logo após a sua morte. Ele sofria de uma doença terminal e tomava muitos remédios alucinógenos. Quando ele foi ao hotel, ele escreveu mais de cem vezes a frase: Estou voltando no tempo! Agora não se sabe se ele realmente voltou no tempo ou se tudo foi efeito dos alucinógenos, pois dizem que essa teoria de voltar no tempo é verdadeira, segundo Einstein!

Parabéns pelo post!

Kisses

DO disse...

Faz muito tempo que não revejo este filme,MARCO.
Sem duvida,é dos mais bonitos e emocionantes que eu já assisti.
A musica-tema é algo que mexe mesmo com as emoções de quem tem pacto com o AMOR!!
Valeu a lembrança.
Abração!

Vendetta disse...

Mas que coisa mais linda e maravilhosa que vc escreveu, Marco!!!!
ai, se todos fossem iguais a vc...
Lindo, lindo, lindo
muitos aplausos...
e de pé!

Mutatis Mutante disse...

Meus pais sempre falam desse filme , mas eu nunca o assisti , pra dizer a verdade. Ficarei atento para tal. E eu também sou viciado em filmes de viagens no tempo... o meu favorito é De Volta Pro Futuro.

Ah , se você tem TV a cabo , passa a série Túnel do Tempo no TCM , todos os domingos , na hora do almoço.

Abração!

Saramar disse...

Marcos, meu anjo, que coisa linda e emocionante! ALiás, todo dia eu falo isso pra você. Já deve estar enjoado. Não havia visto o filme, apesar de já ter ouvido a música maravilhosa e lido algumas resenhas, mas confesso que nenhuma delas consegue ser tão tocante quanto esta.
Parabéns!

beijos
P.S. Fiquei extremamente lisonjeada com o que disse sobre mostrar o meu texto para sua amada. Obrigada, meu querido.
Certamente você não precisa, porque escreve maravilhosamente bem.

AnaGarrett disse...

Obrigado, Marco.
E não é parabéns "aos artistas".
É parabéns "à artista", porque os quadros são todos meus.
O ano passado fui convidada para participar numa exposição em Caraguatatuba, São Paulo.
Não sei se conheces. Realiza-se lá uma Bienal de Artes.
Mas por motivos pessoais não me foi possível participar.
Se me convidarem para o ano e eu participar, depois aviso.
Beijos

Giulia disse...

Maravilhosamente sublime!
Enlevada, deixo-lhe beijos extasiados

Claire disse...

Marco, q lindo post!! Também gosto muito do filme, embora prefira o livro de Richard Matheson (durante anos foi um livro de consulta pra mim: reler as partes favoritas...). Ignorava é q ele fosse tão amado assim. Bom saber. Belas fotos também; vc caprichou...

Ana Carla disse...

Assisti só umas 3 vezes... e chorei em cada uma delas. Beijo pra vc, Marco!! Que declaração mais linda vc fez! Meu cotovelo até doeu!!

Anônimo disse...

Bom dia!! Beijus

Yumi Yabiku disse...

ai, q lindooooooooo!! eu choro toda vez q vejo esse filme.... amoooooo!! fala uma coisa... onde eu acho pra comprar em DVD?!?! nuuuunca encontro!! um beijooo!

Alê Barros disse...

Oi Marco...

Tava com saudades de vir aqui!
Então, eu assisti esse filme apenas uma vez, e acho que na época eu era muito jovem e não compreendi a mensagem dele. Hoje penso em assistí-lo novamente, e depois das tuas dicas, e de falar tão bem fiquei empolgada.
Um beijo e ótimo feriado!

Marco Santos disse...

Querida Claudia: Eu quero sempre acreditar em sentimentalismos, amiguinha. Isso me faz feliz. Estarei assim, espero, mesmo em qualquer lugar no futuro. Bom que você gostou do post.

Querida Luminha: Sim, sou muuuito romântico. Minha amada também é. E gosta que eu seja assim (que bom, né?)

Tsc, tsc, tsc... Querida Lili, você ainda não assistiu a Em Algum lugar do Passado? Pois vou te passar dever de casa: assista ao filme com muita atenção. Depois vou te perguntar a lição.

Minha doce Claudinha: Huuumm... Então você tem o livro e o DVD? E o CD? Tudo o que se refere a esta história é tremendamente maravilhoso. Minha amada tem sorte? Acho que eu sou mais sortudo ainda por tê-la encontrado. Desconfio sermos almas gêmeas, estamos juntos desde o tempo dos dinossauros. Senti algo assim na primeira vez que vi a sua foto.

Querida Roby: Eu sei que você também gosta de sse filme. Você precisa ler o livro e ouvir o CD com a trilha sonora. Fiquei curioso sobre o filme que falou.

Querida Jéssica: Já tinha percebido que você também é romântica. Somos todos caçadpres de nós. Sempre em busca de momentos felizes.

Querida Suzi: Gostei dos dois filmes "Efeito Borboleta". As premissas dos dois filmes são bem interessantes. Realmente se pudéssemos voltar ao passado e modificá-lo, iria causar problemas no fator que eu chamo de "E Se?..."

Doce Marcíssima amiga pra toda vida: Eu sei que você é romântica. Seus belos escritos o atestam. E filmes como este vão fundo no coração da gente, não é?

Pois é, querida Fernandinha: Eu li as suas informações e ainda não pude fazer uma verificação. Mas é legal saber que você também curte esse filme.

Grande DO: Esse filme e essa trilha sonora deveriam ser que nem remédio para gente: deveríamos assistir e ouvir sempre que nosso coração está triste.

Querida Vendetta: Que bom que você gostou. Sei que você também é uma romântica incorrigível.

Grande Mutante: Devia ver esse filme e ouvir sua trilha sonora. É algo de imperdível!
Também gosto dos três De Volta para O Futuro. E vejo o Túnel do Tempo no canal TCM. Na semana que vem vai ter post sobre ele.

Querida Saramar: Os seus textos são belíssimos. Eu me sinto envaidecido quando você diz que gosta dos meus. E não perca esse filme. (O meu nome não tem "S", querida)

Querida Anngarret: então paabéns à artista! Seus quadros são muito lindos. Tomara que algum dia eu possa vê-los aqui no Brasil.

Querida Giulia: Que legal você ter gostado!

Cara Claire: O livro é ótimo, mas o filme é melhor ainda. E a trilha, nem se fala. Gostei de saber que temos em comum também o gosto por esta história.

Querida Ana Carla: Viu só três vezes? Veja mais! Nem precisa ficar com dor de cotovelo. Um dia você terá alguém para fazer declarações como esta pra você.

Querida parceirinha Yumi: Eu comprei o DVD num loja especializada. mas ele já pode ser comprado nas Lojas Americanas e mesmo pela internet. Bom saber que você gosta dele também.

Querida Alê: Veja novamente o filme. Veja mais vezes. Você irá adorar este filme cada vez mais.

Valeu, moçada! Abraços e beijinhos e carinhos e ternuras sem ter fim!

João Luiz disse...

Caro Marco, descobri seu interessante site porque estou fazendo uma pesquisa sobre o filme Em Algum Lugar do Passado há algum tempo. Já vi muitos sites e conversei com pessoas, mas não descobri o que preciso. Veja se pode me ajudar: preciso saber o nome da tela do pintor Sisley em que o diretor do filme se baseou para compor a cena que vai de 103:09 a 103:40 (é quando os dois passeiam à beira de uma praia ou lago onde as pessoas estão brincando na grama e alguns pintores pintam seus quadros). Meu prazo está se esgotando e só tenho até amanhã (segunda, 03 de dez) à noite para descobrir isso. Se puder me ajudar, agradeço imensamente. Obrigado. João Luiz. Meu e-mail é: joaocinelux@yahoo.com.br

berenice disse...

Oi Marco.
Este meu comentário tá um pouquinho longe da sua postagem, mas como vi, este seu blog ainda está ativo e fiquei aliviada.

Adoro este filme e o revi novamente, outra vez, como sempre e para sempre. Resolvi pesquisar mais sobre esta história belíssima e encontrei este seu post perfeito.

Fiquei surpresa ao descobrir que o autor do livro, do qual este filme se baseia, também se encantou pela foto de uma atriz antiga. Pesquisando sobre esta atriz, fiquei deslumbrada com a figura, o olhar, o semblante. Imagino o que esta foto causou no autor, para fazê-lo criar uma história tão bela e delicada (sei que o livro é um pouco diferente do filme, mas a essência é a mesma).

Outra coisa que me deixou mais emocionada, foi que pela primeira vez revi este filme após a morte de Christopher Reeve. Não consegui esquecer o fato enquanto assistia ao filme... saudades dele, de sua bela e possante figura, de sua fantástica interpretação.

Estou te escrevendo este comentário ouvindo a trilha do filme, que se encaixa perfeitamente ao filme e com a vida real do nosso eterno super herói!

Abraços
Berenice