quarta-feira, outubro 11, 2006

Crianças do nosso Brasil


“Criança feliz, feliz a cantar
Alegre a embalar, seu sonho infantil
Ô meu bom Jesus, que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil.”

Hoje eu estive em uma congregação espírita que fazia preces para a família. Como nesta quinta será o Dia da Criança, ao final da prece a coordenadora pediu que todos cantássemos “Canção da Criança” (composta por Renê Bittencourt e Francisco Alves). E todos a entoamos com muita alegria. Fazia tempo que eu não ouvia essa música... Ela me trouxe muitas recordações, despertou-me antigas ternuras. Embora tenha sido primeiramente gravada pelo Chico Alves (muuuuito antes de eu nascer), eu tive o disquinho com a gravação dela feita pelo Carequinha e a ouvia bastante no meu tempo de menino.
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É uma canção muito simples. Fala em criança feliz, em sonho, alegria, bando de andorinhas e ainda pede para que o mestre Jesus olhe pelas crianças do nosso Brasil.

Pois hoje, enquanto eu a cantava junto com os irmãos da congregação O Samaritano (no ABC paulista, estou fora do Rio), lembrava que eu fui uma criança feliz. Que cresceu entre outras crianças felizes, algumas bem pobres, outras “remediadas” como eu e meus irmãos (era assim que chamavam a classe média), mas onde vivi não havia meninos de rua. Nenhuma criança tinha que ficar jogando bolinha de tênis pro alto nos semáforos em troca de moedas, nenhuma cheirava cola de sapateiro para enganar a fome...
Na localidade onde eu cresci, brincávamos de ser criança. Jogávamos futebol, subíamos em árvores para comer fruta no pé, bola de gude, pião, pique, cantigas de roda... Estávamos alegres a embalar nosso sonho infantil. Claro que algumas famílias tinham dificuldades. Havia criança que era obrigada a sair da escola para trabalhar e reforçar o orçamento dos pais. Mesmo essas tinham seus momentos de brincar de brincar. De serem, em algum momento, felizes qual um bando de andorinhas.
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Hoje, eu cantei essa música que me acompanhou boa parte da infância. Mas não cantei com o mesmo espírito que cantava naquela época. Eu a cantei em espírito de oração. Pedindo a Jesus Nazareno, que foi criancinha também, que olhasse pelos pequenos que estão nas ruas, nos faróis e sinais, debaixo de pontes, entocados qual bichos, olhos esgazeados pela droga, mas que acompanham vítimas em potencial para tomá-las de assalto...
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Ó meu bom Jesus, que a todos conduz, olhai por essas crianças... Quem te pede não é este jovem velho que teve oportunidades na vida e as soube aproveitar. É aquela criança que gostava de dividir com os necessitados os brinquedos que ganhava. Que dividia a merenda com o coleguinha que não tinha levado nada por não ter nada para levar. É aquela criança que cresceu sem saber que um dia veria uma infância de falcões, de meninos e meninas que inspiram medo, nunca ternura.
Olhai por elas Jesus, tende piedade delas... E se te restar alguma piedade ainda, olhai por mim que me sinto tão impotente diante do dragão da maldade que consome a infância do nosso Brasil.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o meu, o seu, o nosso eterno palhaço Carequinha cantando “Canção da Criança”.

16 comentários:

Mary disse...

Sabe o que vim fazer aqui meu querido?
Vim te desejar um feliz dia das crianças pois apesar de não termos mais a idade de uma criança,dentro de nós,bem no fundinho de nosso intimo sempre viverá uma criança.

Um carinho e um grande beijo pra você.

Claudinha disse...

Marco,
Que bom saber que não sou a única a ter estas lembranças e a pensar assim. Eu queria fazer alguma coisa por estas crianças, ajudo com donativos e transporte das coisas que minha mãe elabora para bazares (as senhoras do centro daqui costuram colchas de matelasse com retalhos doados por uma fábrica de moletons,são lindas!).É muito pouco, mas já é alguma coisa.
Um feliz dia das crianças para você! Beijo!

Ana Carla disse...

Vou rezar junto com vc, Marco. Também me sinto muito, muito impotente. Que o Menino Jesus ouça a prece dessas crianças. E que Mãe Maria também nos ampare. Acho que não é à toa que o Dia das Crianças coincide com o Dia de Nossa Senhora Aparecida. Um beijão!!

Anônimo disse...

Marco não sabe o quanto fiquei emocionada. Também tive uma infância feliz e nunca poderia imaginar que a infânica em nosso país seria desprezada, jogada fora como lixo, cuspida na cara com nojo só porque não veste roupa de grife e te pede um trocado.

A canção que eu também cantava quando criança não conseguiu sair pela boca, ficou entalada na garganta.
Mesmo assim ainda acredito que essa realidade irá mudar, só depende de nós.

Beijos e brinque de ser criança nesse dia.

Roby disse...

Ai Markito, esta música faz-me chorar...fico muito sensibilizada, talvez bateu aquela nostalgia...
Uma baita saudade de minha infância acompanhada de saudades de meus pais, pôxa...sem palavras.
*
Aqui na Suiça o "Dia das Crianças" não é hoje, e sim 6 de dezembro...
Fazem um festerê pra todas criancinhas!
E hoje pra acompanhar esta data tão linda, levei meus filhos a passear,comprei todas goluseimas que eles amam...até algodão doce encontrei, aqui é tão raro este doce...
Enfim, eles se divertiram muito!
E minha alma floresceu!
*
Feliz dia das criancinhas Markito, fica com Deus.

Lili disse...

Também faço parte dos que tiveram uma infância feliz: brinquedos construídos com o que se tinha pela frente, brincadeiras de correr pela rua, pés descalços... Ah, que bom tempo! Um beijo procê, querido. Volto segunda com coisas novas!

P.S.: A prece do Vinicius caiu bem em sua pena! ;)

Márcia(clarinha) disse...

Oi querido
está em sampa? que bom, aproveite muito seus dias...
As crianças mudaram meu anjo, por força da vida dificil e da falta de respeito do adulto para com elas,infelizmente...
Temos mesmo que nos organizar em círculos de oração e cantos de fé, relembrando infância feliz que tivemos e tentaremos resgatar para os que aqui estão.
Lindos dias meuamigoparasempre!
beijosssssssssssss

Giulia disse...

Bons tempos aqueles... onde se brincava mais com a imaginação (e também com a improvisação, coisa que as crianças de hoje desconhecem), tempos em que um carretel de linha vazio, um pedaço de barbante e um botão transformavam-se num brinquedo! E a música, querido amigo? Tão bom poder recordá-la, obrigada!
Feliz dia das crianças procê, Marco! Beijos alegres a cantar...

marconi leal disse...

Faço minha a tua prece, Marco. E, diga-se de passagem, também tive o disco do Carequinha!

DO disse...

Parabens pelas palavras,Marco.
Oportuníssimas,eu diria.
Aliás,desde que minha sobrinha nasceu,minha preocupação com os pequeninos só tem aumentado.
Que mundo este em que vivemos,hem...
Abração!

Anônimo disse...

Marco, antes que me esqueça novamente de responder a pergunta que fez no luz; o nome da interprete do videozinho é Regina Spektor.
Antigamente as crianças tinham tempo para brincar, tempo para serem crianças porque os adultos também tinham mais tempo para elas e para as simplicidades da vida.
O mundo foi se complicando e a vida das crianças também. Se não dá para voltar, vamos tentar recuperar as crianças mais próximas de nós. Uma mãozinha daqui e outra dali dá pra reconstruir esse universo. Não basta ter somente boa vontade, não é?? Bom fim de semana!! Beijus

Mut disse...

Tirando a parte religiosa , com a qual eu não sou muito chegado , concordo e assino embaixo a teu post. Estás por aqui é?

Abração!

Jéssica disse...

Recordar é viver. Lembro dessa música, com ele mesmo na festa dos meus 10 anos... e olha que faz tempo. Boas lembranças você fez eu rememorar. Obrigada! Ótimo final de semana, Beijo*.*

_Maga disse...

Adoro essa música... acho que no fundo não passo de uma criança feliz... (que as vezes quebra o nariz)...

Bela análise... é triste demais ver crianças trabalhando e se drogando em pelas ruas da cidade sem alento...

Feliz dia das crianças pra ti querido, e obrigada pela reflexão do dia...

Marco Santos disse...

Querida Mary: Obrigado pela lembrança! Espero que voc~e também tenha tido um excelente Dia das Crianças.

Minha doce Claudinha: A gente faz o que pode. Eu ajudo a um orfanato e sempre coloco nas minhas orações as crianças do Brasil que precisam de amparo. É pouco mas é alguma coisa.

Querida Ana Carla: É isso aí, amiguinha. A nossa oração já é alguma coisa pelos que não tem nem quem ore por eles.

Querida Bruxinha: Se todos fizerem a sua parte, muito será mudado neste país. Nós que temos doces lembranças de nossa infância, temos a responsabilidade de proporcionar esta mesma felicidade a quem vem depois de nós. Que bom que gostou do post.

Querida Roby: Eu também senti muitas saudades de minha infância quando cantei esta música junto com os irmãos lá no centro. Então o Dia das Crianças daí é diferente daqui? Puxa... Não sabia. espero que você e seus meninos tenham se divertido bastante.

Tempo bom, não é querida Lili? Estou aguardando suas novidades.

Doce Marcíssima: Estive em São paulo. Voltei. Hoje tem espetáculo. Você está certíssima. Precisamos cuidar de nossas crianças espiritualmente e materialmente.

Querida Giulia: Tivemos nossos bons tempos, não é? Mas hoje me preocupa o fato de que um menino de rua não se considera mais como tendo algo a perder. Isso é triste...

Ô grande Marconi! Bom saber que tivemos os mesmos tesouros da juventude!

Mande um grande beijo para a sobrinha, grande DO. Que ela cresça num mundo melhor do que hoje.

Obrigado pela resposta, querida Luminha. No mais, você está certíssima. Sempre há algo que podemos fazer.

Grande Bruno Mutante: Estive aí perto da sua terra. Voltei.

Recordar boas lembranças é bom, né querida Jéssica? Então você teve a ventura de ve o Carequinha na sua festa de 10 anos? Puxa... eu só o conheci pessoalmente quando eu era burro velho. E virei criança de novo na frente dele...

O bom é sermos criança a vida inteira, querida Jéssica. Que bom que você pensa assim.

Valeu, moçada! Abraços e beijinhos e carinhos e ternuras sem ter fim!

Claire disse...

Sim, Marco, esse é um dos piores sentimentos: quando olhamos para uma situação dessas e nos sentimos impotentes, incapazes; o q podemos fazer é tão pouco... Mas já se disse q é por isso q se ora: pedimos Àquele q pode fazer mais, muito mais, do q nós, e com perfeição, sabiamente.