terça-feira, outubro 25, 2005

Rio de Sujeira



Quem mora no Rio, sentiu o drama da enxurrada de ontem pela manhã. Quem não é, viu pela televisão e pelos jornais porque esta cidade se chama “Rio”...(veja acima as fotos de Celso Pupo, do site Fim de Jogo
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Eu moro na Tijuca, perto de uma região que até o início do Século 19 era conhecida como Mangue de São Diogo. Um terreno embrejado, no nível do mar, foz de três rios: Maracanã, Comprido e dos Trapicheiros. Quer dizer, historicamente e geograficamente, uma área com vocação para alagamentos. Justiça seja feita, o governo municipal já fez muitos investimentos ali para minorar os efeitos de chuvas mais fortes. Mas há algo que nem todo dinheiro do mundo pode alterar: a educação, o sentido de civilidade e cidadania das pessoas.
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As ruas da cidade (não só do chamado “Baixo Tijuca”) estão imundas, com lixo por todo lado. O Cesar Maia diz que o Rio não é pior do que Madrid e Paris. Quanto a capital francesa, não sei. Nunca estive lá. Mas quanto a principal cidade espanhola, vai me desculpar, senhor alcaide, mas Madrid dá de mil a zero no Rio em termos de limpeza. Eu estive lá e vi.
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É bastante comum vermos pessoas jogando nas ruas o que deveria ser posto em caçambas de lixo. Eu já vi até um cara jogando um coco vazio pela janela do carro. As pessoas se acostumaram a fazer da cidade o seu lixo pessoal. Acabou de tomar um refrigerante? Joga-se a lata ou a embalagem plástica na rua. Terminou de comer os biscoitos? O saco vai para a calçada sem a menor cerimônia. Mesmo que ele esteja a dois passos de uma caçamba de lixo.
As pessoas não atentaram para o fato de que o lixo que ela joga nas ruas acaba se voltando contra elas mesmas. Entope os bueiros, impede o escoamento das águas pluviais e o resultado é alagamento. E não adiante reclamar que o governo não faz nada.

Acho que está na hora de ressuscitar a campanha do “Sujismundo”. Algo precisa ser feito para conscientizar as pessoas de que jogar lixo nas ruas é errado. No outro dia, quando eu alertei a uma pessoa amiga para não jogar o maço de cigarros vazio no chão ela me respondeu: “Mas todo mundo faz isso!” Pois é. A mesma desculpa que vários carrascos nazistas deram em Nuremberg, quando acusados de assassinarem judeus, ciganos e comunistas.
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Alô, governo! Volte a fazer maciçamente campanhas de conscientização, do tipo “povo limpo é povo desenvolvido”. Que tal toda aquela movimentação pelo “sim” ou pelo “não” do referendo das armas agora ser dirigida para uma campanha onde todos devem dizer SIM. Se nada for feito, os ratos vão agradecer. Inclusive aqueles animais do gênero roedor, que vivem em lixos e esgotos.
M.S.

3 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Caraca, sujismundo é do fundo do baú. Marco, se quiser entrar em contato com meu primo entre no Vox Libre (link na minha página) que é o blog dele.

Helena disse...

Parabéns pelo texto, e pela consciência, Marco. Eu tb lembro do Sujismundo... sou totalmente a favor da sua campanha... torne-a pública!!! Quer dizer, mais pública ainda!
Eu sempre q posso, guardo o lixo na bolsa, pra jogar fora depois, caso não haja lixeiras por perto... é o certo, né? Mas ainda temos muito q progredir. Assim como a questão das armas... tendo educação e consciência para usá-las, não era nem preciso fazer o tal do Referendo, né?
Bem, deixa eu ir... preciso dormir. Beijos.

Marco Santos disse...

Infelizmente, doce Helena, esta não é a postura que muitos adotam. Eu também faço a mesma coisa. Tenho, inclusive, lixeirinha no meu carro. Fico revoltado quando vejo maus cidadãos emporcalhando a cidade. A campanha do Sujismundo fez muito sucesso. A gente chamava assim os porcalhões e tinha gente que se envergonhava e jogava lixo no lixo.
Da mesma forma que hoje em dia se fala no celular nos cinemas, teatros, conversam em voz alta também, é preciso campanhas de conscientização de cidadania. Que bom que você concorda!