quinta-feira, agosto 12, 2010

Deu bode em Gotham City


No capítulo anterior, vimos que Gotham existe, fica na Inglaterra e é muito mais velha que o Brasil (para quem chegou agora, leia o post que está abaixo desse). Agora, como prometi, vamos ver onde o Morcegão entrou nesta história. Mas antes, vamos ligar a Rádio Antigas Ternuras – a Rádio que toca no seu coração – e sintonizar a canção que vai ilustrar este bat-post.

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O escritor norte-americano Washington Irving (1783-1859) esteve na Gotham inglesa no início do Século 19. Achou tudo muito bonitinho, e ficou encantado com a história da “cidade dos loucos”.










Quando ele escreveu um artigo para a revista ianque “Salmagundi”, em 1807, sabe-se porquê ele chamou New York, sua cidade, de “Gotham”. Vai ver os vizinhos do Irving faziam a linha “lelé pititiu”, totalmente pirocas das ideias. Ele pespegou a alcunha no lugar e o mais engraçado é que o apelido pegou. Começaram a surgir casas de comércio com o nome da tal cidade britânica: era um tal de “Padaria Gotham”, “Sapataria Gotham”, “Drogaria Gotham”... E isso durou por muitos anos, chegando inclusive ao meado do Século 20.
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Foi quando um certo Robert Kahn resolveu mostrar para seu amigo William Finger, o esboço de um heroi de quadrinhos que ele tinha imaginado para competir com o “Superman”, que começava a fazer enorme sucesso em fins dos anos 30. O tal heroi, chamado por ele de “Bat-Man”, tinha máscara igual a do Arlequim, roupa vermelha, sem luvas, duas asas negras rígidas nas costas e se balançava numa corda (veja imagem).

William sugeriu modificações: outra a roupa, trocar a máscara por um capuz que cobrisse metade do rosto, as asas por uma capa preta de tecido, com a bainha recortada, para que quando ele corresse parecesse asas de morcego. E Robert Kahn, com o pseudônimo de Bob Kane (foto ao lado), aproveitou as ideias e apresentou seu “Bat-Man” para a editora National Comics. Sem citar o amigo Bill Finger como co-autor (mas que bat-sacanagem! Tem gente que chama o Bob Kane de babaca até hoje por conta dessa desfeita).
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Bill Finger (1914-1974) e Bob Kane (1915-1998) foram contratados pela editora para escreverem e desenharem as tiras do “Batman” (mudaram a grafia do nome dele), mas os créditos de criação seriam dados só ao Kane, embora Finger (também co-criador do “Lanterna Verde”) tenha dado praticamente toda a formatação do personagem.

Finger criou o vilão “Coringa”, junto com Jerry Robinson e Kane. Em entrevista, ele disse que, na criação do arqui-rival do Batman, se inspirou no cartaz do filme “O homem que ri” (veja ao lado a semelhança). O outro parceiro, Robinson, que ainda está vivo, foi o criador do Robin, segundo ele, inspirado no Robin Hood (olha ele aí de novo!) e não na redução de seu nome, nem no famoso passarinho.
Foi Bill Finger quem criou a cidade onde o Batman viveria. Inicialmente, como diz matéria recente da revista “Galileu”, ele pensou em nomes fictícios como “Coast City”, “Capital City” ou “Civic City”. Foi quando, ao folhear um catálogo telefônico, ele viu um anúncio de uma “Gotham Jewelry” (Joalheria Gotham) e bateu aquele “eureka!”.
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Muita gente pensa que o nome Gotham vem de “gótico”, por isso a cidade do Batman tem aquele ar sombrio. Rá! Bullshit! Conversa fiada! A palavra “Gotham” vem de “Goat (bode)+ Home (lar)”, porque o vilarejo inglês super agrário, rural e caipira tinha muitos criadores de caprinos. Mesmo a Gotham City dos desenhos de Bob Kane e de seus sucessores não era nada gótica. Era uma cidade normal, uma megalópole onde se misturavam características de New York (terra dos criadores do heroi), de Chicago, de Londres etc. Acontece que nos gibis, as bat-histórias acontecem quase sempre a noite, visto que o Batman é um heroi noturno (é morcego, pomba!), ao contrário de Metropolis, cidade solar, onde seu heroi da cueca vermelha recebe poderes do sol amarelo. E mesmo assim, o tom gótico de Gotham só foi introduzido nas histórias a partir dos anos 80.
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Vejam só como as coisas acontecem: a Gotham original era conhecida como “cidade dos loucos”. Eis que a Gotham City fictícia acabou também virando uma terra de malucos, com arqui-vilões cada vez mais doidões. Lá, inclusive, foi criado o Asilo Arkham, onde o Coringa tem uma suite permanente, assim como seus vizinhos de cela Pinguim, Senhor Gelo, Charada, Kane (nome em homenagem a um dos criadores?), Espantalho, Duas Caras, Hera Venenosa...
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Bem, devo confessar que o Batman é o meu heroi favorito. Quando pequeno, eu chamava minha bicicleta de “Batmóvel”; hoje chamo meu carro assim (seja ele qual for). Em meados dos anos 90, eu criei o login de e-Mail “batmarco”. Mas algum chupador de ideias sem criatividade, já se apossou dele no Gmail e no Yahoo, onde tive que virar “Batmarko” com K. Leio e vejo tudo o que aparece sobre o Homem-Morcego. Adorava o seriado-comédia com Adam West e Burt Ward, dos anos 60, até hoje compro gibis antigos do Batman, vi todos os filmes, desde os péssimos feitos por Tim Burton (Batman e Batman Returns) e Joel Schumacher (Batman Forever – argh! e Batman e Robin – BLEARGH!), até os maravilhosos Batman Begins e Batman – O cavaleiro das trevas, de Chris Nolan.
Para vocês verem como eu sou bat-maníaco: dêem só uma olhada na foto que eu mandei para figurar na galeria de autores do Humor Vermelho vol. 2...
M.S.

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E por falar em Humor Vermelho 2, a Usina de Letras estará na Bienal do Livro, em São Paulo, de 12 a 22 de agosto, com o estande 56 na Rua K, onde será lançada a nossa antologia na terra da garoa. Quem for de Sampa, apareça lá!
E vocês sabiam que o livro é o quarto mais vendido da rede de Livrarias da Travessa, uma das maiores do Rio?
Santo best-seller, Batman!
Foto de Celso Pupo, no lançamento.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve o quarteto de cordas Ensemble São Paulo mandando ver no “Tema de Batman”. Uma bat-música de câmara, com bat-violinos, bat-violoncelo e bat-contrabaixo!

6 comentários:

Claudinha ੴ disse...

Olá Marco!

Mas quanta coisa tem aqui que eu não sabia... E você tem razão, muita gente associa o nome de Ghotam ao estilo gótico e sombrio. Adoro estes heróis de capa preta, eu tenho um vídeo impagável do Batman dançando numa discoteca e fazendo o famoso gesto do V passando por sobre os olhos. No dia em vi, gostei mais do homem morcego. Mais que o homem morcego, eu gosto do Darth Vader, que não é herói, mas tem a capa preta.
E muito sucesso e vendas para o seu livro na Bienal na terra da garoa. A foto do Bat-Coringa foi uma surpresa! Ficou muito legal!
Um beijo

Francisco Sobreira disse...

Pois é, caro Marco. Aí está o segundo episódio, tão bom quanto o primeiro. Mas esse Bob Kane foi desleal (pra usar uma palavra mais branda) com o Finger. É acontece isso demais, em todas as atividades, principalmente as artísticas. Um abraço e uma excelente semana.

EM TEMPO. Também gosto do Batman. Sempre o preferi ao Superman.

Chellot disse...

Marco Batman também é meu herói favorito. Tem tanta coisa que não sabia e aprendi aqui. Obrigada amigo. Beijos doces.

Julio Cesar Corrêa disse...

Nova Iorque é uma cidade muito louca mesmo, mas acho a Gothan City tão chique e cool que não consigo fazer comprações com as duas cidades. Eu adoraria ser assaltado por uma mulher-gato e acharia graça se um coringa me abordasse.
Parabéns pelo sucesso do livro. Ainda nem tive tempo de adquiri-lo. Mas em breve vou ter o meu.
abração

Marcos Dhotta disse...

Caríssimo,

Essa dobradinha de post foi ótima... Ah! O Batman. Sempre quis ser o Robin em minhas aventuras infantis. Uma vez que o Batman era sempre o meu irmão mais velho. E quantas histórias nas entrelinhas desses personagens, seus vilões e a própria Ghotan. Saiba que sai acrescido daqui, e como! Um abraço forte.

Cristina Serrado disse...

seu blog é muito interessante, mas pena que está desatualizado.