terça-feira, fevereiro 17, 2009

Quando tudo é nada


Dia desses, estou indo para casa quando paro o carro num sinal e vejo um prédio todo pichado. Ao lado de um dos garranchos, estava escrito: “Quando tudo se resume a isso...”
Ora, ora... Temos um pichador filósofo aqui... Seu “pensamento” não deixa de ser uma variação do niilismo (Doutrina segundo a qual nada existe absolutamente). Depois de seis mil anos de civilização, segundo o Aristóteles do spray, o sentido da vida seria melecar prédios, paredes, monumentos... Pois é. Por que ninguém pensou nisso antes?
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Sei perfeitamente que não há criatura sobre a face da terra que vá convencer a um pichador que sair pela madrugada vandalizando coisas públicas ou privadas é uma imbecilidade. Eles veem sentido nisso. Eu confesso não ter nenhuma competência para entender o que vai pela cabeça desses moços.
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Noutro dia, leio em O Globo uma matéria em que pais admitem que não tem controle sobre os filhos. Primeiro procuraram as escolas, depois os psicólogos e agora já estão na Justiça perguntando: “Seu juiz, o que faço com meu filho?”
A reportagem conta que numa audiência para decidir a guarda de uma criança de dez anos, nenhum dos pais queria ficar com o moleque por não conseguirem contê-lo. Pressionado, o pai topou ficar com ele, mas estabeleceu uma condição para a juíza: “Eu aceito ficar com a guarda, desde que a senhora diga a ele o que ele pode e o que não pode fazer”.
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O pais criam seus filhos sem estabelecer limites e depois não sabem o que fazer com o “monstro” que criaram. Ou até tentam justificar a excessiva permissividade e demonstram o seu total despreparo. Como no caso do pai do rapaz que foi preso por traficar drogas e armas de dentro da própria casa, aqui no Rio de Janeiro. O genitor apareceu nos jornais, com a cara mais tranquila, dizendo que permitia que o filho cultivasse e fumasse maconha dentro de casa: “Eu não discrimino ninguém. Prefiro que ele fume maconha dentro da minha casa. Acho que a Polícia Federal está fazendo um circo por causa disso.”
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O pior é que este “fenômeno” não está limitado ao Brasil. Recebi um e-Mail que trazia a mensagem de uma secretária eletrônica de uma escola da Califórnia. Mas que podia e pode perfeitamente se aplicar às escolas brasileiras. Vejam se não:
"Olá! Para podermos ajudá-lo, por favor, ouça todas as opções:
- Para mentir sobre o motivo das faltas do seu filho - *tecle 1*
- Para dar uma desculpa por seu filho não ter feito o trabalho de casa - *tecle 2*
- Para se queixar sobre o que nós fazemos - *tecle 3*
- Para insultar os professores - *tecle 4*
- Para saber por que não foi informado sobre o que consta no boletim do seu filho ou em diversos documentos que lhe enviamos - *tecle 5*
- Se quiser que criemos o seu filho - *tecle 6*
- Se quiser agarrar, esbofetear ou agredir alguém - *tecle 7*
- Para pedir um professor novo pela terceira vez este ano - *tecle 8*
- Para se queixar do transporte escolar - *tecle 9*
- Para se queixar da alimentação fornecida pela escola *tecle 0*
Mas se você já compreendeu que este é um mundo real e que seu filho deve ser responsabilizado pelo próprio comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelas tarefas de casa, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor, então desligue e tenha um bom dia!"

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Tenho uma amiga que me contou que uma vez a filha pequena estava aprontando tanto, fazendo tanta mal-criação que ela perdeu a paciência e deu uma palmada na menina. Ato contínuo, se arrependeu profundamente, pegou o telefone e ligou para o pediatra da filha, perguntando, aos prantos, se a filha não cresceria revoltada com ela por causa daquela palmada.
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Pois é. Diante de tudo isso, só posso dizer que no meu tempo, no tempo das antigas ternuras, as coisas não eram assim, não! Nossos pais não hesitavam em descer a raquete na gente se preciso fosse, crescíamos sabendo nossos limites, respeitávamos professores e até mesmo os temíamos (em que pese eu ter sido meio encapetado e ter feito pequenas diabruras no colégio como já contei aqui, nem ousava enfrentar professores). Hoje, amigos meus no magistério dizem que cansaram de ser ameaçados até mesmo de morte por alunos, garotos ainda, a quem eles chamaram a atenção. E quando eles convocam os pais, quase invariavelmente ainda são também ameaçados pelos genitores, que deveriam por os filhos na linha.
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Eu e meus irmãos tivemos uma criação rígida demais até. E nenhum de nós virou fora-da-lei, serial killer, muito pelo contrário. Desde muito pequenos, e até hoje, os três são considerados pessoas educadas, gentis, que respeitam o próximo. A imensa maioria de meus amigos de infância e adolescência são hoje pessoas de bem, chefes de família, muitos tem profissões simples, uma vez que não tiveram oportunidades de estudo como eu tive. Mas posso dizer que a minha geração, ou pelo menos as pessoas que conviveram comigo, receberam limites dos pais e da escola.
Não era difícil entender o que ia pela nossa cabeça. O nosso “tudo” se resumia em crescermos, tocarmos as nossas vidas com as famílias que constituiríamos. E os pais estavam certos de, parafraseando o apóstolo Paulo, terem combatido o bom combate, completado a carreira e encaminhado filhos para viver em sociedade.
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve Lulu cantando “To Sir with Love”, tema de “Ao mestre com carinho”.

23 comentários:

garotabossanova disse...

Sabe Marco, sinto falta de muita coisa que acontecia no tempo das antigas ternuras.Falta do respeito que havia na sala de aula e até mesmo daquela inocencia juvenil ainda não tão manchada pela informaçao que hj nos chega de todos os cantos, principalmente da internet, fazendo com que o aluno faça do google um professor sempre disposto a lhe dar todas as respostas.Saudade do tempo em que eu não me sentia coagida por alunos que cansados do sistema, descontam muitas vezes em nós professores toda a sua frustração.Abraço grande!

Janaina disse...

Aaaiiii eu amo esta música. E este filme. :)
E limite é bom né? Mas ultimamente, são eles que mandam. Sabe eu fico vendo a criação da minha meia irmã. E comparando com a minha. Caramba. Completamente diferente. As coisas que ela faz com meu pai e com a mãe dela... eu jamais faria.
Mas acho que o Reginaldo... Faria! Haushsauhauh. Piadinha besta.

DO disse...

Qdo pequenos,eu e meu irmão do meio chamávamos minha mãe de Hitler. Por ai vc pode imaginar como foi a nossa educação,MARCO.

Mas é algo que nos orgulha e que temos certeza ,foi o que nos transformou em homens ,em cidadãos.

Hoje,vejo tantas bobagens sendo ditas sobre educação que só posso ter mesmo certeza que esta frouxidão é que está levando a sociedade pro fundo do poço mesmo.

Queria saber onde é que foram buscar tantas besteiras,tantas idiotices.

Alias,tenho um bom exemplo na minha familia: minha sobrinha Princesa,de 5 ANOS,anda dando um baile nos pais. Já imagino no que é que ela vai se transformar!!

Abração!!

Armando Maynard disse...

Os pais não têm mais paciência nem tempo para educar os filhos, ficam esperando que a escola os eduque sozinha. Muitos educam com uma frouxidão que dá pena. Faltam limites e firmeza, não dão muita importância as desobediências praticadas, não usam da palmada providencial e amorosa,que dada na hora certa, é um santo remédio para correção de comportamentos. O castigo, antes tão usado, hoje desperta um sentimento de culpa nos pais, fazendo com que seja esquecido. Com tanta impunidade começando em casa, somado aos péssimos exemplos, os resultados já podem ser visto nas salas de cinema, nos corredores dos Shopping Centers e nas ruas da cidade, pois mesmos antes de completarem dezoito anos, já estão fazendo peripécias e se exibindo nos carros dos pais. Um abraço, Armando [recomentarios.blogspot.com]

guiga disse...

Este post diz-me muito, pois tenho abordado este assunto junto dos meus familiares e amigos. É realmente uma situação revoltante!
Eu levei tabefes e estou aqui, inteira e saudável. Parece que hoje em dia colocam as crianças numa redoma de vidro. E, infelizmente, não se apercebem de que as crianças, sabendo isso, escutando as noticias diárias, começam a ser manipuladoras. Sabem como pedir, o que pedir. Pedir e exigir!
Temos de ser firmes na educação que damos! As crianças precisam de ouvir não para se sentirem seguras! Precisam crescer com valores fortes, para se tornarem adultos responsáveis e felizes!
*.*

Groo disse...

Eu, que sou professor, vejo com muita freqüência ( não me acostumo com a falta do trema!) mães nas escolas ( tanto pública quanto particular) praticamente desistindo dos filhos: "Eu não consigo mais controlar esse menino, tomara que na escola consigam".

Belíssima transferência de responsabilidades.

Quer uma historinha bacana? Aqui em Salvador uma "mãe", empregada doméstica, juntou dinheiro e contratou uma babá para 3 dias de carnaval. Ela vai pular carnaval e vai largar o filho, de uns 3 ou 4 anos, sei lá, com a babá.

Daqui a uns anos, quando o homem largar a mãe num asilo, vai reclamar...

Já tomei surra da minha mãe, fiquei de castigo, meu pai já me umas chamadas legais...e não fquei 'traumatizado' e nem revoltado. Pelo contrário. Agradeço demais a eles e isso ainda é pouco. Hoje, se uma mãe dá uma surra no filho ou o pai dá uma "chamada", minha nossa, surge o ECA, surgem os conselheiros tutelares, denúncias aqui e ali...

Hoje é tudo muito solto, hoje só tem "direitcho". Deveres, ha...

abs!

Dilberto disse...

Salve, primo (recebeste meu e-mail?)! Antes de mais nada, gostaria de dizer, sobre a "corrente da página 161", que estou dentro e já consta tudo lá nos Morcegos! Segundo, que falaste e disseste tudo: controle, disciplina e limites são confundidos com opressão em tempos política e chatamente corretos demais, onde os pais estragam os filhos bem antes de completarem 5 anos! O resto é a própria lama chafurdada pelos "responsáveis"! Abração!

Francisco Sobreira disse...

Marco,
Essa é uma questão muito delicada, pois envolve confronto de gerações. A conduta dos pais para com os filhos foi 80 a 8. Antigamente, eles eram muito severos, reprimiam os filhos, mesmo que o fizessem com a melhor das intenções. Hoje os pais são dominados pelos filhos, que têm todos desejos atendidos. Claro que há exceções, como havia naqueles tempos. De todo modo, concordo que hoje essa relação está pior. Mas, repito, é uma questão muito delicada, muito complexa. Um abraço.

Julio Cesar Corrêa disse...

Pois é, crianças passando horas na internet sem que os pais tenham noção o que estão fazendo; pais que chegam cansados e estressados em casa e mal conversam com os filhos; separações e divórcios a rodo, é cada vez maior o número de crianças que vão chegar a idade adulta com um segundo ou terceiro pai; drogas, sexo e violência sempre ao redor. Mas o principal diferença entre a nossa geração e essa que está aí nas páginas policiais, é a falta de perspectiva. Não há nada mais estimulante do que o entusiasmo. Qual entusiasmo essa garotada pode ter cercada por crises, ameaças, mudanças climáticas, medos e pessimismo por todos os lados. Aí entra o papel importante dos pais. Eles devem ser o porto seguro. Essa garotada deveria, por exemplo, ter um pai que chegasse à noite e lhe dissesse: "Filho, estamos assistindo o crepúsculo do emprego formal. No futuro não haverá emprego para todo mundo. Mas conte comigo para te ajudar arranjar uma forma alternativa de explorar a sua profissão. Vamos pensar juntos. Nem tudo está perdido." Não há cocaína, ectasy, maconha, haxixe, rave, pichação, porre, porrada, sexo, baile funk ou pega, que dê um barato tão grande do que esse tipo de papo, seguido de um bom abraço.
Criar filho hoje em dia não é fácil. Por isso, é cada vez maior o número de casais dispostos a não tê-los. Se não tiver tempo ou capacidade para levar esse tipo de papo com o seu filho, é melhor não ter filho. FILHO É PRA QUEM PODE! Vc sabe que esse sempre foi o meu mantra. Eu não tenho e os jornais me provam de que fiz a opção correta.
Abração e ótimo carna

Giovanna Batini disse...

Caríssimo Marco, você é sempre um cavalheiro! Suas visita na casa de Mim são sempre muitíssimo bem-vindas... Puxa! Acho que seria melhor um e-mail, mas aí vai... O livro está parado, infelizmente me esvaziei, é temporário, mas logo me encho de novo do mundo e de todos e me refugio nas letras...rsrsrs... Quando falou da caricatura... bem aquela é a Marília, minha personagem do blog, mas se tiver curiosidade vá no site do Claudinei: desconcertos que você vai ver uma sessão de fotos do evento. Foi muito legal participar da Rave cultural da Casa das Rosas... Quanto à crônica, apesar de parecer clichê, é verídica e atual...rsrsrs
Como sempre seus textos estão impecáveis, maravilhoso sempre passar por aqui... bjkas
Giovanna Batini

Armando Maynard disse...

Caro Marco, obrigado pela indicação do meu blog. Já recebí a visita do seu amigo e o visitei. Você também é uma pessoa do bem. Obrigado e um abraço, Armando

Zeca disse...

Marco,

não tenho muito a acrescentar às suas palavras, como de costume, muito bem distribuídas num texto claro, limpo e direto. Eu e meu irmão também tivemos uma educação severa, com as inevitáveis surras, mas também com bastante carinho. E somos duas pessoas de e do bem, assim como também são os primos e amigos que cresceram conosco e com educação semelhante.
Em todo caso, os tempos mudaram e, além dos conflitos entre gerações, temos novos conceitos, como o chato "politicamente correto" e os psicólogos que lançaram verdadeiras enxurradas de manuais para a criação dos filhos sem violência... Sem violência? E a que grassa pelo mundo em todas as áreas? Acho que tudo vai se interligando e criando uma salada completa com os resultados que vemos por aí.
O Respeito anda em falta, meu amigo!!!

Abraços.

adelaide amorim disse...

Tou contigo, amigo Marco. Tem que haver limite, sim, e nada de ter medo de perder o amor dos filhos por causa de uma repressão necessária. Ninguém nasce sabendo. E se os pais não ensinarem, outros menos amorosos vão ensinar. Beijo pra você.

Marcos disse...

Marcão, depois que inventaram o "trauma infantil", sequer falar alo com uma criança é permitido. lembra que há poucos anos foi aprovada uma lei federal permitindo a punição do pai que dê umas palmadas no filho?
Como você, eu e meus de irmãos levamos cacudos, palmadas e ficamos de castigo e somos one cidadãos de bem, trabalhadores e honestos. Tivemos pais que educaram pelo exemplo e pela força e agradecemos por isso hoje.

Tina disse...

Oi Marco!

Eu também fui educada "à moda antiga" assim como meus irmãos e não tem nenhum traumatizado! Hoje em dia a gente vê cada barbaridade que chega a ficar de queixo caído! Educação moderna ? Tô fora. Nossa geração se deu muito melhor nesse quesito, pode ter certeza.

beijos querido e bom feriado,

Bruxinhachellot disse...

Eu já fui uma criança tranquila quase não dava trabalho e gostava muito dos professores. A educação de hoje tem seu reflexo no passado.Aqueles que apanharam muito ou foram castigados tanto em casa quanto na escola, acreditam que criar os filhos sem limites é dar-lhes uma educação melhor do que tiveram. Eu lembro que tomei uma surra de vara de goiaba porque fugi da escola, ou melhor, matei aula. No dia seguinte tava eu toda lanhada mais sentadinha na carteira estudando. Foi só essa vez. Dói muito, nem queira saber.
Sou contra bater exageradamente numa criança, seja pelo motivo que for. Prefiro conversar e explicar porque não é certo o que ela fez. Bater não educa, apenas causa medo e revolta.

Feliz carnaval.
Beijos doces de sol e de lua.

Joias da Família disse...

Marco,
No colégio onde estudei, a professora era chamada de "Sra. Fulana de Tal", e os alunos eram chamados de Sr. e/ou Srta. Sobrenome. Quando o mestre adentrava a sala, todos em pé ao lado direito da mesa - só sentávamos quando a prof. se sentava. Hino nacional toda segunda-feira para começar a semana.
Incrível... ninguém morreu por causa disso!
Minha mãe, na sua simplicidade e humildade, apertava o cabresto até onde podia... Meu bumbum e minha orelha sofreram os reflexos das minhas idiotices.
Incrível... Ninguém morreu por causa disso!
Hoje tenho minha filha e digo a ela: "Não é Não! Melhor você chorar comigo do que com qualquer vagabundo da rua depois"...
Incrível...Há quem diga que sou dura demais...
Então, tá!
Adorei o seu post, muito adequado pra gente pensar bastante sobre o que desejamos para o futuro.

Alice disse...

Li o post e vi que este representa apenas o riscar do fósforo. O querosene mesmo vem nos comentários.
Antes de qualquer coisa, gostaria de perguntar de que geração você é. Só se você nasceu no começo ou no final dos anos 70 ou 80. Isso já diria muito sobre o jeito como você foi criado e sobre como você reagiria ao tipo de criação que seus pais te deram. Acredito que você não é muito novo, devido a sua propriedade com a escrita, e sua (incrível) interdisciplinaridade para escrever.
Li tudo e vi uma pitada de nostalgia em todos. Todos acham que a própria educação foi mais saudável do que a que é pregada hoje – a educação sem surra.
Disciplina e firmeza não são semelhantes a surra; uma boa educação consiste em respeito. Quantos filhos cresceram saudáveis e bem-educados sem palmadas? Seus pais sabiam ensinar e cobrar. Eu apanhei, mas não foi pelas surras que me tornei um tesouro pra mamãe.
O debate nos comentários (porque virou um fórum, né, parece até que o pessoal já espera os temas interessantes pra dizer o que pensa, fantástico isso) está se focando em um tipo de realidade. Aquela de família convencional, com pais preocupados com o crescimento dos filhos. Mas há os casos em que os pais não ligam, simplesmente. E batem sem educar.
Só pra terminar, alguém falou aí do ECA, dos conselhos tutelares. Eu faço Serviço Social, estou pra me formar. Não gosto das políticas brasileiras, acho que ainda tem muito caminho pela frente, mas acho que, se uma criança deixa de ser explorada e deixa de apanhar (ser abusada fisicamente) por seus responsáveis/outros em função de o ECA favorecer em demasia o menor, acho que já vale a pena. E sei que minha opinião vai ser muito criticada (!!!). Abraço, Marco. Ótimo texto.

luzdeluma disse...

Menino, é de pequeno que se torce o pepino!

Antigamente nossos pais delegavam responsabilidades aos filhos. Hoje em dia, os pais viraram meros empregados dos filhos - trabalham, levam conforto e sustento para casa e ainda sentem que fizeram pouco para os pimpolhos. Educar dói, dar palmadas dói, mas são coisas necessárias. Quem passa a mão na cabeça de filho, está simplesmente fugindo da responsabilidade. Ter filho não é pra qualquer um!

*E tenho uma teoria de que a geração paz e amor é a grande culpada! Beijus

Ronie disse...

Nem li o texto todo. Passei aqui só para te sacanear um pouquinho. Tomaram um sacode em pleno Maraca no sábado de carnaval!!! Uh, uh, uh, que beleza!!! Mais um daqueles momentos históricos que só o futebol consegue proporcionar. Abraços, estou com algumas idéias para um novo blog ( e voltarei a escrever com regularidade), aquelas coisas meio non-sense, sempé nem cabeça. Uma pena pois o boteco está abandonado.

Wilma disse...

Marco, como você também não consigo entender o que vai dentro da cabeça desses pixadores, alunos desrespeitosos, etc. Poucos disseram e eu concordo que não são as surras, as palmadas que farão uma pessoa tornar-se bacana, respeitosa e um cidadão de bem, muito pelo contrário, vemos por aí cças que apanham e se tornaram rebeldes ainda mais. O que penso é que quando se tem em casa um porto seguro, uma perspectiva de um futuro melhor,bons exemplos de uma vida saudável, onde haja respeito, boa convivência, isto já é o suficiente para que alguém cresça pelo menos com um caráter firme e generoso, entendendo que o que não é bom para ele não será bom para o seu próximo. Porém hoje os jovens desde muito pequenos já assistem a toda essa realidade de violência, desrespeito, falta de sonhos, uma overdose de situações ruins sociais, morais, políticas...ainda que na televisão, isso polue a mente de quem está se desenvolvendo, e fica muito difícil tanto para escola quanto para a família derrubar essa força externa que a cça convive quase que 24hs, é muito difícil!!! É necessário que a família tenha uma estrutura de excelência para conseguir educar como se espera e seduzir essa cça para todos os bons valores, enquanto que ao redor tudo conspira para os piores exemplos. Eu nunca levei surra e nem precisei de muitos limites, e sou do tempo das antigas ternuras, porém, tudo ao redor, da TV a vizinhança conspiravam para os "bons costumes", com amor e respeito a vida própria e a dos outros. Está difícil para quem já tem idéia formada em que mundo estamos, imagina para quem está a conhecê-lo, complexo demais!!!

Claudinha ੴ disse...

Olá Marco!
Eu sei bem o que quer dizer neste post, vivi na pele. Eu culpo imensamente o ECA que é uma eca mesmo, porque ele ao invés de dar proteção às crianças e adolescentes, também gerou impunidades. Eu, que fui uma criança danada, aprendi desde cedo a respeitar os mais velhos, os professores, pai e mãe. Já levei algumas palmadas sim e não as neguei aos meus filhos, quando necessário. Há uma diferença quilométrica entre uma palmada e o espancamento de uma criança. Você diz tudo quando toca na ferida dos limites. Mas, eu lhe confesso, mesmo tendo esta noção, nem sempre consegui impô-los aos meus, por conta do apoio que tem da sociedade, do cultural. Muitas vezes me questiono, onde foi que eu errei.
Em minha humilde experiência como mestra, eu poude constatar uma coisa. O amor pode transformar uma vida radicalmente. Eu tenho alguns exemplos de ex alunos problema que hoje são cidadãos exemplares. Temos uma ligação além do que passou, somos amigos até hoje e o que mudou tudo entre nós foi que eu jamais gritei com eles, porém sempre fui firme, a chata. Eu sempre toquei seus ombros ou suas mãos e olhei nos olhos. Funcionou com a maioria. E eu os amo verdadeiramente até hoje.
Sei que não é o remédio, mas dá para perceber onde perdemos o fio da meada. Na falta de amor e atenção, limites corretos e muiiiiita conversa olhando nos olhos e para os ideais deles.
Bela música, ótimo tema, excelente post como sempre!
Beijos!

Dora disse...

Marco. Também sou dessa geração em que os pais e professores nos impunham limites e às vezes até castigos severos. E não me lembro de nenhum parente, amigo ou conhecido que tenha ficado com "neuroses" ou traumas, por esses motivos. Claro que havia excessos. Mas, em regra, éramos punidos quando nos excedíamos nas ações negativas. E hoje, quando a permissividade impera, vemos esses indivíduos super problemáticos, em todos os sentidos...
Achei razoável seu raciocínio, nessa comparação dos modelos de educação. Liberdade demais nem sempre é o caminho correto para se educar.
Beijos para você!
Dora