terça-feira, fevereiro 13, 2007

Hey, Hey We're The Monkees!


Here we come,
walkin' down the street…
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Dia: 12 de setembro de 1966
Canal: NBC (USA)
Milhões de pessoas ligaram seus aparelhos de TV e ficaram...como dizer... surpresas? divertidas?... com aquele programa absolutamente enlouquecido que passava diante de seus olhos. Quatro jovens - que talvez lembrassem outros quatro jovens de Liverpool que tinham assumido o controle do mundo como os 4 Cavaleiros do Após-Calipso - faziam diabruras, cantavam, dançavam, tudo numa linguagem moderna. Nem tanto original no sentido lato do termo. A série “Batman”, na ABC, já apresentava aquela festa de cores, enquadramentos inclinados e mais onomatopéias de gibi, algo extremamente novo para a TV de então. Mas o novo programa musical tinha um quê de novidade.
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We get the funniest looks from
Ev'ry one we meet.
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O que era exatamente aquilo? Era uma banda? Um grupo de debilóides?
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Hey, hey, we're the Monkees
And people say we monkey around.
But we're too busy singing
To put anybody down.
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Vídeo com 49 seg. Para a música de fundo não atrapalhar, cliquem no “X” da barra de ferramentas lá no alto.


Sabem como aquilo começou? Em 1960, Bob Rafelson teve a idéia de criar uma banda para a TV. Mas não levou adiante. Logo, o mundo conheceu uma explosão chamada The Beatles. Cinco anos mais tarde, Rafelson juntou-se a Bert Schneider e desenvolveram o projeto de um programa com um conjunto à la Beatles, com a loucura dos Beatles. Muitos dizem que eles queriam dar uma resposta à Inglaterra com um conjunto americano para empolgar que nem os ingleses faziam nos próprios EUA. Tolice. Os Beatles já tinham uma resposta norte-americana e ela se chamava Beach Boys, onde Brian Wilson tentava e às vezes conseguia emparelhar com a dupla Lennon&McCartney.
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Os produtores não queriam uma banda de verdade. Queriam gente nova. Botaram um anúncio no jornal especializado Variety, dizendo assim: "Loucura!! Músicos, cantores para atuarem em uma nova série de TV". Apareceram 437 candidatos.
Os produtores já tinham definido o perfil dos quatro que queriam: um cantor no gênero country, um jovem inglês (por influência de Ward Sylvester, que era um dos Produtores Associados e, também, empresário de Davy Jones), um cara engraçado e o quarto, um adolescente tímido e desajeitado. Feitas as audições, escolheram, respectivamente, estes loucos, quer dizer, atores: Mike Nesmith, Davy Jones, Micky Dolenz e Pete Tork.
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Embora os produtores tivessem pedido “músicos”, nem todos os quatro selecionados sabiam tocar um instrumento e saber bem mesmo, só o Nesmith. Tinha o Tork, que era o “homem de mil instrumentos”, mas não chegava a ser um virtuose. Dolenz foi pra bateria e nem tinha idéia de como deveria tocá-la.
Na verdade, os produtores queriam bons atores comediantes, que soubessem cantar. Na hora de gravar, poriam músicos de estúdio para tocar.
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E The Monkees explodiu nas TV do mundo todo!
Vocês pensaram que os Beatles ficaram chateados com aquela tentativa de imitação do clima do filme “A Hard Day’s Night”? Rá! Eles a-do-ra-vam a série! Lennon, então, mais que todos. Ele foi o primeiro a ver naquele humor louco algo de Irmãos Marx, de Três Patetas... Eles quase eram precursores do Monty Python!
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Embora tivessem textos escritos para cada episódio, os caras eram encorajados a improvisar em cena e o faziam muito bem! Eu, particularmente, adorava a série. Ria muito com aquelas loucuras. Lembro de um episódio em que Davy estava a fim de dar uma festa para conquistar uma filha de um militar, só que os rapazes precisam de alguém mais velho para ficar de responsável pela festança. Daí, fantasiaram Micky de mulher. (Chego a imaginar que a peça “A Gaiola das Loucas” foi inspirada neste episódio...).
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Depois de 58 episódios, The Monkees chegaram ao fim. Os produtores estavam receosos de deixarem eles tocarem nos discos, os caras não estavam mais agüentando aquela vida. Além disso, depois de duas temporadas, a novidade já não era tão nova assim... Seus discos, de primeiro lugar nas paradas, caíram para 48o. Eles não faziam turnês porque não os deixavam tocar (no auge do sucesso eles ainda não estariam prontos, mesmo. Dolentz levou um ano aprendendo a tocar bateria...), daí, os maliciosos de plantão começaram a espalhar que eles eram uma farsa... Uma espécie de “Milli Vanilli” avant la lettre... (o que era um exagero, diga-se de passagem)
Sem contar que eles desejavam fazer outras coisas. Micky Dolentz era o mais inquieto. Inclusive, ele chegou a dirigir o último episódio da série, com os quatro atuando.
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O primeiro a sair foi Pete. Aí, Nesmith foi em seguida. Davy e Dolentz ainda tentaram fazer alguma coisa, mas não deu. O mais curioso é que tempos depois até tentaram se reunir. No aniversário de 20 anos da estréia da série, eles se reuniram, tocaram e gravaram. No de 30 anos também. E eventualmente, eles ainda aparecem juntos em algum programa.
Pete Tork esteve no Brasil, em 2002, cantou e tocou em São Paulo. Micky Dolentz virou ator de Teatro e também diretor e produtor de TV. Davy Jones e Mike Nesmith estão por aí. Nesmith grava discos e faz shows-solo, assim como Davy.
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Numa recente entrevista, Dolenz revelou que os Monkees são como uma espécie de família, mesmo que eventualmente tenham discussões, ainda se amam o suficiente para se manter unidos.
Vocês poderiam perguntar: eles ainda vão se juntar outras vezes?
Bem, como diz no final da música-tema deles...
Hey, hey, we're the Monkees, (ei, ei, somos os Monkees)
You never know where we'll be found (voces nunca sabem onde nós seremos encontrados).
so you'd better get ready, (então é melhor ficarem atentos)
We may be comin' to your town. (Nós poderemos voltar para a sua cidade)
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você ouve “Last train to Clarksville”, grande sucesso dos Monkees, que gerou uma versão aqui, nos tempos da Jovem Guarda.
Na TV Antigas Ternuras, você vê a louca abertura do programa.

18 comentários:

Renata disse...

Olá! Nunca tinha ouvido sequer falar sobre os tais Monkees... muito informativo -e divertido - o post!
bjo

DO disse...

Gostava muito deliz,MARCO.
Alias,vc fez-me voltar no tempo agora,heheheh
Belas lembranças.
Abração!

Anônimo disse...

eu não os acompanhei, mas o texto me esclareceu muito. obrigada!
beijão!

taís Morais

Claudinha disse...

Olá Marco!
Ah esta ternura eu compartilho com você... Eu era bem criancinha e ficava vendo minhas primas mais velhas (de segundo grau) curtindo. Eu invejava o poder que elas já tinham de sair e de namorar. Não me esqueço desta música de abertura, a qual eu cantava com uma letra que inventara imitando os sons. Não me esqueço de uma cena do David Jones (eu me apixonei por ele) em que saíam estrelinhas de seus olhos para uma mocinha. desde este dia , este passou a ser o meu ideal, ver alguém me olhar e soltar estas estrelinhas,rsrs (Ei, um dia eu consegui isso!). Valeu por este post todo cheirando a épocas doces que não voltam mais. Um beijo !

Márcia(clarinha) disse...

Post musical, alegre e portador de antigas e doces ternuras, amei!
Fica bem amigopratodavida..
lindo dia
beijosssssssss

Belisa disse...

Oie! Só estou passando para avisar que os comentários do Roda de Chimarrão voltaram! Abração!

Francisco Sobreira disse...

Marco,
Nunca fui fã de rock, mas gostava dos Beatles e. deles, tenho o antológico "Peppers" (não sei o título completo). Confesso que nunca ouvi (ou vi) esses Monkees. Já o Bob Rafelson conheço alguns filmes dele, é um bom diretor. Abraço.

rubo medina disse...

Marco, acho que vou escrever uma história chamada ARQUIVO FABULOSO, inspirada nos seus post. Não sei de onde vc tira tanta história... rs. Esses tais de The Monkey, meu Deus, de onde saiu isto? Só mesmo vc pra se lembrar.
Abraços
http://napontadolapis.zip.net http://dulcineia.blogspot.com

rubo medina disse...

Marco, acho q meu computador parou de me fazer raiva. Viu que consegui entrar no seu blog? Ah, estou esperando o seu comentário do concurso, lembra?
Abraços
http://napontadolapis.zip.net http://dulcineia.blogspot.com

Lili disse...

Eta, quanta lembrança boa! Eu adorava esta abertura e bateu uma super-saudade daquele tempo maravilhoso. Beijão, querido!

luma disse...

Tenho uma curiosidade para contar que deve saber, não sei.
David Bowie, nasceu com o nome: David Robert Jones, ele mudou seu sobrenome para Bowie a fim de evitar confusão com Davy Jones do The Monkees.
Marco, acho que enquanto você via Monkees, eu via Banana Split! (rs*)
Mas meus irmão rezavam uma oração quando Elvis morreu, que incluia os Monkees
"Elvis Presley que estais no céu; Muito escutado seja Bill Haley; Venha a nós o Chuck Berry; Seja feito barulho à vontade; Assim como Hendrix,Sex Pistols e Rollings Stones. Rock and roll que a cada dia nos melhora; Escutai sempre Clapton e Neil Young; Assim como Pink Floyd e David Bowie, Muddy Waters e The Monkees. E não deixeis cair o volume do som. Mas livrai-nos da Zoé Ruth, Jane e Herondi"
Beijus

Julio Cesar Corrêa disse...

Os Monkees foram a anti-sala da era dos grupos pré-fabricados, tão comuns nos anos 80 e 90. Não fez a minha cabeça de jeito algum. Tiveram vida curta, como a maioria.
abração

Samara Angel disse...

oie meu querido Marco,sempre lindo a maneira como expoe as palavras ,lindas historia veridicas para nos animar nos tempos de hoje ,meu querido ,quero te presentear com o destak Realeza numero 7 do paginas viradas e o premio numero 5 perfume e pedra safira da cor do mar,espero que aceites será uma honra ,estoa no perfil do meu blog onde ta escrito assim[ destakes e premios pra vc entre e pegue ] sao seus ,desejo uma linda quinta feira iluminada ,bjsssssss

Giulia disse...

É isso... recordar é viver! Gostei do post, querido escriba predileto: voltei, por instantes, à minha juventude...
Feliz final de semana procê, amigo Marco e divirta-se bem no Carnaval (eu fico por aqui, no meu sossego interiorano..rs...)
Carinhos e beijos

Alê Barros disse...

Marco querido,

Passei rapidex pra te desejar um ótimo carnaval...
Descanse, aproveite e juízo...rs
Beijos

rubo medina disse...

Marco, passei pra desejar um bom feriadão.
Abraços.
http://napontadolapis.zip.net http://dulcineia.blogspot.com

Paulo disse...

Ah! Os Monkees!
Época boa, nos alienávamos na televisão com a aprovação dos pais.
A ditadura permitia tudo que era estrangeiro e vetava a maioria do que era nacional e ainda mandava na nossa testa:
Brasil, ame-o ou deixe-o!
Eu gostava dos MOnkeees, a música de abertura, as cenas cortadas como os clips de hoje em dia, era uma zoeira só.
Quem perdeu, perdeu, as coisas são para sua época, assim como as estações e seus frutos.

Alexandre Nagado disse...

Boa apresentação do tema e eu gostaria de contribuir um pouco. Os Monkees, no auge da fama, conseguiram o direito de produzir, arranjar e tocar um álbum, o Headquarters, que ficou bem nas lojas: 11 semanas como o segundo disco mais vendido, atrás de Sgt Pepper´s, dos Beatles.

Num artigo para o Omelete, dei mais ênfase ao lado musical. Confiram: http://omelete.com.br/televisao/lembra-desse-the-monkees/

Abraços!

Alexandre Nagado