segunda-feira, julho 24, 2006

Globalizaram o Super-Homem


Mais rápido que uma bala... Mais forte que uma locomotiva...Capaz de erguer um edifício sem qualquer esforço...
Olhe lá no céu...é um pássaro! ...Um avião...
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Imagino que a quase totalidade dos leitores que me dão o prazer de ler não está exatamente familiarizada com as palavras dessa apresentação acima. Bem, amigos do Antigas Ternuras... Lamento informar, mas sou do tempo do “Super-Homem” em seriado de TV, com George Reeves no papel principal (o rapaz aí da foto, ao lado da “Lois Lane” interpretada pela atriz Phyllis Coates).
Esse Super-Homem me fazia amarrar uma toalha no pescoço e sair correndo pela casa, com a minha mãe me ameaçando se eu quebrasse alguma coisa. Pois é. A abertura desse seriado começava desse jeito que eu contei.
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Claro que por essa época, eu já lia as revistas do Homem de Aço editadas pela Editora EBAL. Embora meu favorito já fosse o Batman, eu não perdia um filminho do kriptoniano na TV Globo de meus primeiros anos.
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Em 1978, assisti ao Super-Homem do Christopher Reeve (“Superman, the movie”, 1978, dir. Richard Donner), com participação especial de Marlon Brando, como Jor-El. Era muito bem feito, em que pese aquele final absurdo e uma “Lois Lane” feiosa pra dedéu (Margot Kidder, com o Christopher na foto). Foram quatro filmes que consagraram o Reeve, embora só os dois primeiros valessem realmente a pena.
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Eis que em pleno Século 21, chega às telas um novo Super-Homem (“Superman returns”), com direção de Bryan Singer, que já tinha feito bonito nos dois primeiros “X-Men”. Nos papéis principais, o novato Brandon Routh, como o azulão de capa esvoaçante, Kate Bosworth, encarando o papel de “Lois Lane” (pessoalmente, achei inapropriada para o papel e não vi muita “química” entre ela e o Routh), e Kevin Spacey, como “Lex Luthor”. É inacreditável, mas o sempre ótimo Spacey está um canastrão de marca maior no filme.
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Eu vi o trailer e achei tudo muuuuito esquisito. Mas como cinéfilo que sou, fui ver o filme assim mesmo, mas pronto para detestar. Surpreendentemente, gostei mais que não gostei. E até resolvi sair de minha inapetência para escrever posts sobre filmes (a safra este ano está muito ruim...) e tecer alguns comentários sobre este blockbuster.
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Pra começar, nota mil para os efeitos especiais. Definitivamente, o céu é o limite para o cinema atual. A impressão que a gente tem é não haver nada atualmente que não possa ser feito com computação gráfica. Você vê tudo aquilo e acredita que o cara está voando, flutuando, disparando no céu... Comparando com os efeitos da série televisiva de minha infância, chega a ser brincadeira...E mesmo na comparação com os filmes do Reeve, os efeitos de agora estão a anos-luz daqueles.
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Quanto ao ator que faz o Azulão, arrumaram um cara que faz lembrar o ícone Christopher Reeve. Ele realmente não compromete, mas só vemos algum trabalho de ator nele quando ele está de Clark Kent. Como Super, ele só tem que fazer “carão”, como chamamos no jargão artístico. E cara de Super-Homem é aquilo que a gente sabe... Sério, consciente que é o poderoso do pedaço.
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O filme traz algumas contribuições ao arquétipo do verdadeiro super-herói? Sim, ao meu ver, traz. Em que pese o roteiro estar repleto de pontas soltas, vi algumas coisas interessantes. Uma delas: globalizaram o Super-Homem. Desta vez ele não fica restrito a fazer atendimentos a Metrópolis. O cara está atento a todo o planeta. Não sei como não apareceu em São Paulo, saindo no pau com os traficantes do PCC! Ou no Rio, acabando com os tiroteios na Rocinha e no Morro de Santa Marta!
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Outra coisa interessante: os roteiristas fizeram analogias entre Jesus Cristo e o Super-Homem, especialmente nas citações envolvendo Pai, Filho, Enviado... Nas cenas em que o herói entra no cacete, cheguei a visualizar a paixão de Cristo. É um dado novo para quem gosta de discutir sub-textos, abordagens filosóficas e coisas que tais.
E as novidades não param por aí. O diretor deste filme fez homenagens explícitas aos filmes do Richard Donner, com o Christopher Reeve, e identifiquei também algumas citações às histórias dos gibis do Super-Homem. A começar pela cena que quase reproduz a capa da primeira revista em quadrinhos do herói. (veja a foto). Claro que só quem leu os gibis do kriptoniano vai perceber as referências.
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O que, no meu modo de ver, não funcionou: aquele filho de uma Lois Lane casada me incomodou tremendamente. Piorou quando descobri de quem ele é filho!
Outra coisa: Além da canastrice do Kevin Spacey (e pensar que quase contrataram o sempre fantástico Johnny Depp para o papel de Luthor... Seria, com certeza, muito melhor!), o “Perry White” de Frank Langela não convence nem à Velhinha de Taubaté! Tremenda bola fora!
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De qualquer forma, é um bom entretenimento e que merece continuar a grife. Este Super-Homem custou baratinho: só 250 milhões de dólares... Filmaram na Austrália onde tiveram até que plantar o milharal que aparece no início. Ficamos aguardando o próximo filme da série. Na verdade, eu até aguardaria que ele desse um rolé pelos ares daqui do Rio. A Lois Lane pergunta, em uma matéria jornalística que escreveu no filme, “Por que precisamos do Super-Homem?”. Eu respondo à intrépida repórter:
- Para a gente poder sair à noite sem a impressão de que existe uma roleta russa em andamento e que a próxima bala vai nos acertar. Se o Super desse uma olhadinha aqui na minha cidade, eu bem que agradeceria e ainda cataria qualquer eventual kriptonita...
M.S.
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Na Rádio Antigas Ternuras, você está ouvindo Gilberto Gil e a belíssima “Super-Homem, a canção”. Não tem as famosas fanfarras do tema do John Williams, mas também é excelente.

21 comentários:

Priscilla disse...

Oi, te vi lá no blog da Claire, querida amiga, e resolvi dar uma passada aqui.

Ainda não assisti esse Superman e ouvi críticas variadas. Assisto ainda esta semana.

Dizem que o diretor é um entusiasta do herói de Kripton e que se esforçou muito mais do que em X-Men.

Té mais!

Karine disse...

Aqui no fimd e mundo do (far)oeste baiano onde moro há poucos meses não tem cinema :(
Me conta o filme todo???
Beijo!

Lena Casas novas disse...

E não que aconteceu isso mesmo...Mas que ironia do destino o homem que já fez o super homem, ficou em um estado tão triste.
Passa lá no meu e dixa um coment

Claudinha disse...

Olá Marco! Eu já sou da geração do Christopher Reeve na telona, mas nos gibis, aí vai tempo. Me lembrei de uma música que adoro cantar, Barbra Streisand, Super Man: Baby, I can't fly like a bird when you touch me with your eyes, flying through the sky, I've never felt the same,but I am not a bird, and i am not a plane, I'm Super Man... Linda lembrança...
Eu ainda não vi o filme e penso que demorarei a ver aqui na roça... Valeu a dica amigão!
Beijos!

Claudinha disse...

OPs! Não ouvi a música do Gil, acho que o site estava sobrecarregado. Eu amo esta música!

Mutatis Mutante disse...

Cara , não tô muito animado em ver o Superhomem... quarta vou ver com uns amigos o Piratas do Caribe do sempre fantástico Johnny Depp.

Abração!

Lili disse...

Também não vi ainda. Meu filho, 14 anos, viu, mas não pôde fazer as devidas comparações... Tudo eu!!! rs Beijos!

Márcia(clarinha) disse...

Marco querido,
fui ver Super Homem e pra falar a verdade não gostei, tirando efeitos especiais fantásticos, achei tudo tão chato, sem verdade, uma grande encenação, não senti emoção, até o filho do Super é chatinho e apático,rs.
Mas sua análise foi perfeita
linda semana,
beijosssssssssss

Lena Gomes disse...

Oi, Marco! Ainda estou pensando o q seria essa "traulitada" q vc citou no meu blog. Pode ser explicado?
Li o post do Super Man, pra começar a minha leitura atrasada. Gostei muito. Ainda não vi o filme, mas pretendo. E é sempre bom ver os filmes, tendo algumas idéias "dos outros", na mente, pra poder compará-las. Bem, beijos.

M.Eduarda disse...

AMEI o seu post! Veio muito a calhar, pois comprei o box com os filmes do Reeve e estou assistindo um por dia.
Engraçado que quando vi esse Super man returns as 2 coisas que mais me chamaram atenção foram o fato do ator ser extremamente parecido com o Christopher Reeve e a sua globalização (no momento em que ele fica acima do planeta ouvindo o chamado de todo o mundo).
Vendo agora os filmes antigos percebo o quanto os efeitos especiais evoluiram! É impressionante! E realmente aquela Louis Lane era UÓ! hehehe!
Mas também achei essa nova um pouco sem sal!!! :)

Beijos

Vendetta disse...

Marco, Darling!!!Eu já vim aqui umas trezentas vezes e o sistema de comentários não abre!!! humpf! ó, não pense que não venho mais aqui, viu? Bem sabes que sou literaliamente apaixonada por você!
Tuas Antigas Ternuras sempre mexem comigo. Muitas saudades de você! 1000000000000 de beijos...

Taty*Florzinha disse...

Olá Marco... Hoje resolvi passear pela net... e acabei encontrando muitas pedras preciosas... um delas foi "Antigas Ternuras"... ao ler seus Post bem montados... fiquei pensando... Porque o tempo passa??? Porque o mundo evolui???

Alguns poderiam dizer... que é para acompanhar o tempo ou para ficar melhor... Eu sinceramente... não sei... As coisas de antigamente tem uma certa magia... e simpatia... que dificilmente encontramos hoje em dia... O que é uma pena!!!

Bem, mas a verdade é que vivemos na dura realidade que dizem que: QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU! Para quem pensa assim... PROBLEMA!!! Eu acredito que recordar é VIVER... Viver num TEMPO BOM... Que por mais que admiramos... não volta mais!!!! Parabéns mais uma vez!!!

Gostaria de convidá-lo a conhecer meu ESPAÇO!!! Um Novo Amanhecer 2 - http://umnovoamanhece2.bytaty.zip.net/

Tenha uma Big terça-feira!!!

Beijos e até a próxima...

Janaina Staciarini disse...

Eu AMEI a trilha sonora. E o Kevin Spacey de Lex Luthor. Amei, amei e amei.

Dira disse...

eu sou uma fanática pelo superman. passei a vida toda sonhando ser a louis lane. amei o seu post. sim, querido, a gente precisava de um superman por aqui sim. beijo e saudade. vá lá n q ainda n atualizei. mas to escrevendo.beijo.

claudia disse...

OIIIII
saudade de você...

saudade de assistir o super-homem e saudade de imaginar que ele podia mesmo proteger o mundo.

beijo no coração

te adoro

Giulia disse...

Pela sua análise, vou até assistir ao Super mas, com o risco de parecer retrógrada, ainda prefiro o antigão, com os efeitos mais simples, deixando por conta da imaginação o especial que o herói fazia. Também aprecio os efeitos especiais, mas estes deixo-os para os filmes futuristas...
Querido amigo, desculpe-me por encumpridar os comentários, por hoje, mas depois do que li lá no meu blog, não podia deixar de "aceitar o seu desafio"...rsrs...

Um bocado emocionada
não me faço de rogada
e atrevo-me a responder
seu repente bem postado
de sua escrita tão rimada:
aqui vai o respostado
que me ponho a lhe escrever.

Salve Marco, o bom amigo,
e suas mais Antigas Ternuras:
o blog que acolhe e dá abrigo
ao leitor, que aqui é dileto,
e levado às alturas
dos tempos mais antigos
da mais pura nostalgia.

Por seu carinho e magia
a escriba tão predileto
desde logo agradeço
a saudação - que nem mereço -
deixada lá nos meus Temporais,
rogando ao amigo nobre e seleto
que escreva sempre, sempre mais!

Super, hiper, mega beijo...

DO disse...

Tbem tive a oportunidade de assistir neste final de semana e adorei sua critica Marco.
Como leigo,ou eu gostou ou não. O filme começou meio chato e ja não via a hora de acabar,qdo melhorou,e muito,na segunda metade.
Mas da pro gasto sim,hehehe
Abração!

Su disse...

Ah Marco, nada substitui o super homem de outrora com o Reeve. Quando Christopher Reeve morreu, parece que morreu o próprio Super Homem, por mais que os cineastas invistam em outros atores, histórias, efeitos especiais e tudo o mais, Reeve será o eterno Super Homem.
Um beijo, meu amigo.

Yumi Yabiku disse...

Pois é, Marco, eu também, assim como você, 'gostei mais do que não gostei'. Mas isso do Depp ter sido cotado pra Luthor eu não sabia, não... que coisa. Uuhahuauhauh um bjooo!

Marco Santos disse...

Mais rápido que uma bala, vou tratando de responder aos comentários:

Querida Priscila: Obrigado por sua visita. É um grande prazer tê-la a bordo. O filme é um bom entretenimento. acho que você vai curtir.

Ué, querida Karine, você mora no faroeste caboclo baiano??? Nem sabia...
Contar o filme todo? Huuummm...Deixa ver...Era uma vez um bebê que vivia em Kripton...Depois continuo, tá? Beijo!

Já fui Lena. E deixei um comentário. Obrigado por ter vindo.

Puxa, Claudinha, eu também gosto dessa música! Boa lembrança. De Metrópolis até a sua cidade é um pouco longe. Por isso o Super-Homem pode atrasar um pouquinho (ré! ré! ré!...)

Valeu, caro Mutante. Eu também estou doido pra ver o piratas do Caribe II. O Depp é o melhor ator de sua geração. Não perco um filme dele.

Querida Lili: Não viu ainda? Pois vá ver e se divertir, com um balde de pipoca no colo.

Querida Marcíssima: Não gostou? Mas não achei tão mal assim. Até me diverti.

Doce Helena: No post anterior a este eu conto uma história triste. Pode ver o Super que você vai se divertir.

Eduarda, minha querida: Você comprou o box com a série antiga, do Reeves? Puxa...Sortuda, você.
Gostou da minha resenha? É porque nós temos muito em comum. Menos o time de futebol, meu anjo.
Eu também acho a Margot Kidder um barangaço.

Vendettinha, minha flor: Blogspot andou com problemas nesta semana. até para postar este texto não foi fácil. Eu sei que você me dá sempre a honra de vir até aqui e isso me faz muito feliz.

Querida Tatiane: Que bom que você apareceu! Fiquei muito feliz com a sua visita e já retribuí.
A quem diz esse pensamento tão original ("quem vive de passado é museu"), eu respondo que quem despreza o seu passado, se perde no presente e não constrói o seu futuro. Valeu, querida!

Janaína, querida: que bom que você gostou!

QueriDira: Eu acho você uma Lois Lane melhor que a destes Super-Homens. Já vou já-já te ler.

Claudia do meu coração: Ah, você me adora? Mesmo? Ah...Eu fico todo bobo...Você é muito gracinha, viu?
Um superbeijo sem kriptonita pra você. Também estou muito saudoso de seus belos poemas. Já vou respirar o seu Oxigênio.

Minha doce Giulia: Como você é uma gracinha! Pode encompridar o seu comentário aqui o quanto quiser, minha flor do campo! Eu lerei tudinho e respondo com o peito em festa e o coração a gargalhar.
Respondeu ao cordel que eu te fiz, né? Ô que delícia! Brigadim, viu querida! Você é um anjo!

Grande DO: Concordo contigo. O filme ganha muito depois da metade.

Doce Suzinha: Pessoalmante, eu gosto muito do Super-Homem dos seriados de minha infância. mas admito que o Christopher Reeve mandou muito bem nos filmes do Super que fez.

Yumizinha, minha parceirnha deliciosa! Pois é. O Depp foi cotado para o Luthor, sim. E certamente o faria melhor que o Spacey. Um beijinho procê e continuo esperando para tocar o nosso caso...

Valeu, moçada. Abraços e beijinhos e carinhos e ternuras sem ter fim!

Evandro C. Guimarães disse...

Acho que você disse tudo, Marco. Minha opinião é parecida com a sua. Penso que o filme se equilibra entre erros e acertos. A seqüência do avião é fantástica. O novato não comprometeu e acho que leva jeito para a coisa. Até mesmo o Spacey não chega a comprometer, embora eu prefira o Hackman.
Mas aquele lance do super estar tão apaixonado que não percebe as armações do Luthor, ficou esquisito!
O próprio Luthor está desconexo da trama principal.
E o ponto mais importante: faltou honestidade ao Singer em admitir que se trata de um remake de Superman - O Filme.