domingo, outubro 09, 2005

Coisa mais linda

Ontem, sábado, fui fazer a minha habitual “dobradinha” no cinema. Assisti primeiro a “Irmãos Grimm” (pesadão, arrastado e totalmente esquecível) e depois emendei com “Coisa mais linda – História e casos da Bossa Nova”. Este, um documentário onde dois dos maiores expoentes daquele gênero musical – Carlinhos Lyra e Roberto Menescal – contam, junto com outros depoimentos, como surgiu o fenômeno do “um banquinho, um cantinho e um violão”. É magistral.

Ao final da sessão, todo o cinema bateu palmas, imitando o “Bonequinho” de “O Globo”. Aliás, há muito tempo que eu não via um filme fora de festival ser aplaudido no fim. Eu saí do cinema com os olhos marejados. Acho que não foi só pelo filme; foi por ter visto um Rio de Janeiro que não existe mais e que provavelmente nunca mais vai existir.
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Minha cabeça fervilhava, desenvolvendo hipóteses. Tem um momento no filme em que o Menescal diz que o tom sussurrado da Bossa Nova foi devido ao fato dela ter surgido em apartamentos recém-construídos da Zona Sul, com paredes muito finas. De noite, quando os músicos começavam a cantar/tocar, algum vizinho batia com a vassoura no teto ou socava a parede, gritando: “Olha essa cantoria aí que eu quero dormir!”. Para não incomodar, começaram a cantar baixinho e daí o gênero se estabeleceu assim. O cinema todo riu. Especialmente porque hoje em dia muita gente está cagando se vai incomodar o vizinho com música alta.
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Mas eu tenho uma outra hipótese. A Bossa Nova só podia ter acontecido naquele momento e foi um reflexo de seu tempo, historicamente falando. Somente naqueles anos, fins dos anos 50, seria possível na cidade imagens como: “tudo isto é paz, tudo isto traz um calma de verão”, da música “O Barquinho”. Ou alguém aí acredita que atualmente se pode cantar isso? Ou que “dá janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo”? A foto do Cristo está na primeira página do Globo de hoje. Emoldurada por uma favela do Rio Comprido, onde o tráfico de drogas manda e desmanda.
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Por isto o gênero da “moda” é o hip hop, ou rap, ou sei lá que nome tenha. As letras destas músicas, não falam de mar, do sorriso, da flor, da menina que passa a caminho do mar. Abordam uma temática bem mais violenta. Uma coisa é cantar “Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser” e outra é cantar “minha egüinha pocotó, pocotó, pocotó”. De um lado, temos Tom e Vinícius. Do outro, temos MC Serginho e Lacraia.
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Lyra, Menescal e os demais falam de um tempo em que as pessoas saíam à noite, iam tocar na praia, nas pracinhas, até ver o sol nascer. Vai fazer isso hoje...

Falam do apartamento da Nara Leão, em Copacabana, que estava sempre aberto para receber pessoas que chegavam noite adentro, muitas sequer eram conhecidas pelos donos da casa. Não precisava nem falar com o porteiro, era só subir que a porta estava aberta. Hoje, as pessoas, enclausuradas nos seus condomínios, não recebem nem o entrevistador do IBGE...
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Para quem viveu aqueles tempos, viver hoje é como ser exilado em um planeta distante. Integrantes originais dos pioneiros da Bossa Nova já são poucos. Se demorassem mais alguns anos para fazer esse filme, talvez nem pegassem mais ninguém vivo. Que prazer é ver estes senhores, de cabelos ralos e brancos, contar histórias como a que Oscar Castro Neves contou sobre a festa que ele fez quando ouviu o leiteiro entregar as garrafas de leite assoviando uma música sua. É, rapaziada, houve época em que havia leiteiro, que deixava garrafas de leite na porta e ninguém pegava...
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Quando o movimento estourou, tudo virou “Bossa Nova”, como contou em uma entrevista filmada Tom Jobim: carro, geladeira, máquina de lavar. Até o presidente JK era “bossa nova”, segundo a música de Juca Chaves, que nem era bossanovista. Para vocês terem uma idéia, até a minha cachorra (a última que tive) recebeu de meu pai o nome de “Bossa Nova” ou “Bossinha”, como a chamávamos. Como ela andava rebolando, cheia de bossa, meu pai tascou-lhe o nome da moda.
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Sobre este filme, a nota lamentável foi saber, pelo Globo de ontem, que João Gilberto estava processando a produção, exigindo que cortassem a cena de poucos segundo em que ele aparece cantando e tocando violão. Logo ele, que é tão incensado no filme, todos só falam bem dele, de sua genialidade, da sua importância para o movimento. Seus amigos não mereciam atitude tão escrota. Melhor deixá-lo para lá e curtir essa maravilha que é “Coisa mais linda – História e casos da Bossa Nova”. E sair do cinema assoviando “O Barquinho”. Mas se você for assisti-lo no Unibanco Arteplex de Botafogo, vai sair do cinema e dar de cara com o Pão de Açúcar. Aí é só cantarolar, dedicando à cidade: “Eu sei que vou te amar”...
M.S.

18 comentários:

Mikhail Askhalsa disse...

1) Outro dia saiu na Folha uma tirinha dos Skrotinhos, do Angeli. Os dois no Rio. "Olha ali um barquinho!", "Olha ali um banquinho!", "Olha ali um chopinho!", "Olha ali um brotinho!". E eles concluem: "Ah! Então foi por isso que os cariocas inventaram a bossa nova!"

2) Sabia que foi o Carlos Lyra que compôs o riff de Smoke on the Water, do Deep Purple? Foi na música Maria Moita (aquela que o Elio Gaspari sempre cita: "vou pedir pro meu babalorixá/fazer uma oração pra xangô/para pôr pra trabalhar/gente que nunca trabalhou"). Olha lá o início e compara.

lúcio disse...

Vou deixar um desaforo pro balconista te dizer, e mais tarde retorno pra saber o que vai dar:
1 - a bossa não era meio alienada, não?
2 - uma coisa é rap, outra, as variações a ele associadas.
Funk carioca e gangsta rap puxam pra violência, mas há o engajado que tem uma relação com o folk politizado de Dylan. Assim, é mais "humano" que a bossa, voltada pro próprio umbigo, bem alimentada e educada de uma classe média remediada. Diplomata pelo meio (Vinícius)... será que essa galera se preocupava com algo mais que sua vidinha sossegada? Musicalmente, trouxeram um refinamento ao samba que nos fez mais respeitáveis culturalmente, tá ok.

lúcio disse...

Mikhail, o Baden também parece ter influenciado o filho do Willie Bobo (alguém lembra?), que toca no Cypress Hill. A introdução do baixo de "Berimbau" (se não me engano).

lúcio disse...

Levando em conta as diferenças históricas, claro, mas politicamente...

Marco Santos disse...

Uêba, tem discussão! Como diria o velho The Ripper, vamos por partes:
- Marcelo, no filme até se fala que foi o Vinícius que trouxe o diminutivo para a Bossa Nova. Daí essa história do cantinho, do banquinho, do chopinho, dos beijinhos sem ter fim. Acho que os Skrotinhos (me amarro!) nem sabiam dessa.
- Rapaz! Não sabia! Vou baixar essa música no Kazaa para dar uma conferida. De qualquer forma, acho uma puta honra para os dois: Carlinhos, ter sido homenageado por um dos grandes conjuntos da História do Rock; Deep Purple, por homenagear um dos grandes músicos brasileiros.
- Lucio, o balconista riu dos seus desaforos. Na verdade, pode vir mais quente que essa é mole. Vamulá: Até o advento do tropicalismo, nenhuma corrente musical pode ser chamada de “politizada”. Música era para se ouvir, deleitar-se ou não. Claro que sempre é possível encontrar viéses políticos no maxixe, na canção brasileira, no samba, especialmente no de exaltação, e vai por aí a fora. Só que nem de quem fazia nem de quem ouvia havia esta preocupação precípua em usar a música politicamente, na veia mesmo. No filme, pelo depoimento das pessoas, vê-se claramente que a bossa nova foi um movimento burguês, apenas preocupado em tocar samba de uma forma diferente. Estavam mais interesados em descobrir um acorde mais dissonante, do que em criar letras engajadas. Se bem que no espetáculo “Pobre menina rica”, de Lyra e Vinícius, você vê músicas como o “Comedor de giletes” e o “Samba do mendigo” onde se discutem claramente aspectos político-sociais.
- Não vou entrar nesta celeuma do que é rap, gangsta rap, hip hop, mesmo porque não entendo nada disso. Apenas vejo a violência latente não só nas músicas (?) que falam sobre polícia e bandido, como nas que tratam de sexo. Ou não é violento ouvir o MC Serginho cantar: “goza na cara, goza na boca, vai, Serginho”? Ou a Tati Quebra-Barraco cantar que “Dako é bom”? Embora eu reconheça o valor sociológico destas manifestações, não sou obrigado a gostar. Acho difícil que daqui a 40 anos se faça um documentário sobre o rap, da mesma forma que fizeram sobre a Bossa Nova.
- Sim, o pessoal bossanovista só se preocupava com a sua vidinha mansa porque esta era a preocupação de todo mundo, em 1957, 58, 59... Todos tinham mais razões para serem felizes (pelo menos aqui no Rio.
- Não me lembro de Willie Bobo. Mas não me espanto por saber de músicos estrangeiros usarem riffs de músicos brasileiros. Miles Davis já plageou descaradamente Hermeto Paschoal. E isso é só um exemplo.
- Diferenças históricas, mas nem por isso distantes do político. Para a História Política, já dizia Pierre Rosanvallon , o viés político não está só em ações de governo, mas também no âmbito das relações sociais. Eu quis dizer que são dois momentos históricos distintos e que comparar simplesmente é optar pela distorção. Você sabe muito bem que é um erro crasso ser anacrônico. O Brasil e mais especificamente o Rio dos anos 50, 60, eram bem diferentes do país e da cidade atualmente. Dizer: “ah, naquele tempo é que era bom!” é ser pra lá de reducionista. O que eu quis dizer foi: “ah, naquele tempo era diferente!”. Mas um diferente pra muito melhor.
Agora vamos para a tréplica. Manda!

mikhail askhalsa disse...

Na verdade, acho que o Blackmore não devia saber conscientemente (ou assumidamente) que estava chupando bossa nova. Mas existem acasos muito interessantes que me levam a crer que veio daí. (Eles estavam em Montreux, e o Claude Nobs - que os guiou pela cidade enquanto resolviam os percalços todos - é um grande fã de bossa nova.)

De qualquer forma, o Lyra está em ótima companhia: o riff de Burn vem de "Fascinatin' Rhythm", do Gershwin.

lúcio disse...

Vou falar de um jeito que está na moda atualmente: nossas elites são preguiçosas, pusilânimes, cegas.
Falei só pra azedar, você estava bossa zen demais.
Quanto ao rap concordo, sua relevância social se perdeu há muito tempo, assim como o blues. É deprimente ouvir a maior parte dos representantes de ambos os gêneros atualmente. O miami bass, que é o funk carioca, precisa ser levado a sério, infelizmente, porque não é só brincadeira como eram as malícias de músicas carnavalescas. Sacanagem é artigo de primeira necessidade, só que antes vem a educação.
Quanto ao papel social deles, tudo bem, não sou ninguém para criticá-los (mas gostei da atitude da Nara Leão).
Que m... não consigo nem provocar polêmica (causar? não usarei por ora).

Ronie disse...

Tomou? Bem feito Lúcio, quem mandou se meter a besta na casa alheia, mesmo sendo nossa também. Achei que tinha conseguido influenciá-lo posistivamente, pelo visto ainda falta muito. Sempre com esse papo de politizado prá cá, preocupação social prá lá, o pessoal "dazelite" e por aí vai. Viva a bossa! Cada um na sua, com banquinho, chopinho e pastelzinho!!! Só prá fazer uma citação, entre tantos intelectuais, o riff, ou seria loop?, de "bonde do tigrão', foi chupado de 'Headhunter' do Front 242, grande banda belga do século passado!

Ronie disse...

Comentando outro post. E essa história de ficar onze dias só bebendo água do Velho Chico? E sair com aquela disposição toda? Ô mentira danada!!! Não vejo a hora de Bento XVI chamar esse bispo e colocá-lo no seu devido lugar.

Marco Santos disse...

Ô rapaziada...Quequéisso! Aqui também e a casa de vocês! Desculpe, Lucio, se eu não aceitei a provocação e rasguei o verbo. Mas é que não dá MESMO para contrapor bossa nova com rap. Ó só: se o filme chegar aí em Brasília, vão assistir, com as minhas bênçãos. Aí me digam se eu pirei na batata ou não.
Ronie, depois que inventaram o tal do sampler, é um tal de neguinho plagiou fulano, branquinho chupou sicrano... Some-se por cima a tal da globalização, e o resultado é...Bomba!...Para dançar isso aqui é Bomba!...O movimento é sexy!...

Marco Santos disse...

Outra coisa: cadê o Leônio, heim? esse menino disse que iria escrever um baita texto sobre o "sim" à proibição do comércio das armas e desapareceu. Vocês que conhecem o gajo, é assim mesmo?

lúcio disse...

Marco, não fica grilado que não temos esses não-me-toques, não. Quando alguém diz alguma asneira, tem mais que levar paulada, mesmo. Condescendência, não. Complacente, só hímen. Excrusive, eu já ia rachar o Ronie no meio, pois não percebeu que era só uma provocaçãozinha de começo de semana. Como esta:
A bossa é som feito pra nulificar os instintos, gelando as pessoas, abolindo a libido. A teoria de que João Gilberto definiu seu estilo após consumir maconha até ganha certa credibilidade. É outra droga com efeitos desmotivantes. Li uma crônica em que Vinícius (& seus Vícios, diria Drummond) fala mal da moda de ouvir cool jazz e fumar a cannabis, que ele viu nos States, mas acho que com o tempo ele acabou simpatizando.
Que ele (Vinícius) fosse diplô e levasse uma vida sossegada, tudo bem. O problema é que ele era influenciado por poetas românticos ingleses chochos, borocoxôs. O whisky acabou com a libido desses caras. Não admira que a bossa seja um dos alvos preferidos das versões muzak / musak.
E o reverso: Everything But The Girl e sua new bossa é muito bom.

Marco Santos disse...

Vai me desculpar, caro Lúcio, mas não concordo com o que você escreveu sobre a bossa nova e tenho fatos ao meu lado. “Nulifica instintos??” Rá! Vai perguntar ao Carlinhos Lyra quantas mulheres ele traçou, só tocando e cantando: “se você quer ser minha namorada/Ah que linda namorada/Você poderia ser...” Tem uma hora no filme em que ele e o Menescal falam que o objetivo da bossa era a mulher. E eu não tenho a menor dúvida disso. O Tom Jobim passou o cerol em quem ele quis e até em quem não quis. Uma das que ele quis foi a Candice Bergen (um de meus sonhos de adolescente). Você sabia que ele fez a música “Bonita” para ela? Um amigo meu disse que quando ele tocou a canção para ela, a deusa ficou com os olhinhos marejados. Também, até você dava pra ele se ele te cantasse: “What can I say to you/Bonita/What magic words will capture you...” É ou não é?
No livro do Ruy Castro ele conta esta história do João Gilberto e a maconha. Acho que ele fumou tanto essa merda que ficou piroca das idéias. Que a Canabis o tenha ajudado a definir a sua batida, não acredito. No filme, o Menescal conta que nos primórdios da bossa nova, todos eles procuravam uma “batida perfeita” (nada a ver com o D2). Ele, Menescal, tinha uma, Carlinhos tinha outra, Durval Ferreira desenvolveu a sua e o João ganhou de todos com aquele perfeito casamento de violão e voz.
É provável que o Vinícius tenha experimentado um baseado. Ele experimentava de tudo. Um outro amigo me contou que ouviu ele dizer que alguns dos amigos dele estavam dando a rabiola e que qualquer dia ele iria experimentar também para ver se era bom. O resto não conto. Pelo menos não aqui no AT. O Uísque acabou com a libido dos caras? Você deve estar de sacanagem...
A bossa nova influenciou muita gente lá de fora. Alguns produziram e produzem coisas interessantes. Gosto do Matt Bianco, gosto do Everything But the Girl, mas amo com paixão Sade Adu, para mim, o melhor expoente da New Bossa. Um dia desses eu capricho num post sobre essa deusa.

leonio disse...

Isto aqui tá muito bom. Pena não ter nenum conhecimento do que vcs falam. marcos, quanto ao post do referente, logo logo estará pronto.

Mikhail Askhalsa disse...

Bom mesmo foi uma vez em que o Casseta e Planeta fez naquele quadro dos presos uma formação de banda que misturava rap de protesto paulista com funk de sacanagem carioca. Dava mais ou menos o seguinte:

-- Polícia vagabunda, que pega meus mano e dá porrada. Sociedade capitalista, não sobra nada. E aí, o que é que a gente faz?

-- MEXE O POPOZÃO!!! MEXE O POPOZÃO!!! MEXE O POPOZÃO!!!

-- Mano!

Ronie disse...

Sade? Tinha poster dela no meu quarto!!! Grande Marco.

argh, lemòn !! disse...

...putz, li todos os comments, vocês são bem engajados. Não tenho nada o que dizer sobre isso(até diria, mas o lúcio já tomou na testa por mim, rsrsrs), mas uma coisa:
Sessão dupla de cinema, lembrei-me de uma vez em que vi um dos piores filmes que podem se ver no cinema, e isso na cia.(essa abreviação foi na marra) do hediondo Dr. Godinho(consumidor de lixo cultural, que nem eu). Os filmes foram "Tales from the crypt-the movie"(esse já até passou na TV) & "Tokio em decadência".
Esse último foi um espetáculo, um espetáculo, em pleno cinema do Madureira Shopping, cerca de 35% dos assistentes(os q estavam assistindo o filme, né...) VAZARAM PASSANDO MAL. Bem, não entrarei em detalhes, mas aos meus 17 anos, isso mudou minha vida um pouquinho. Nossa, pensando bem esse foi um dos starts iniciais do CLUB ANTI SOCIAL. Foi mal bartender(nossa, isso funciona!!), mas divague bagaray. O q eu queria dizer é q além de sair do cinema boladão com o teor de tokio em decadência, sai com uma CEFALÉIA CABULOSA.
Foi mal.
E é.

Marco Santos disse...

- Como você não tem nenhum conhecimento do papo que está rolando aqui, Leônio? Você nunca ouviu falar em Bossa Nova? Rap? Banquinho,chopinho e pastelzinho?
- Ih, Marcelo, você me deu uma idéia: compor um rap com jeito de bossa nova: O início vai ser assim:
"vou te contar/o olho não pára de arder/bateu larica, ai que vontade de comer"...Será que o D2 entra na parceria e grava?
- Ronie, Ronie...Tenho um DVD da Sade, com ela cantando "Smooth Operator", que é um dos maiores shows de sensualidade que eu já vi na vida! Uma vez ela quase veio ao Brasil. Mas pegou uma ziquizira e cancelou a participação em um Free Jazz. Eu chorava igual criança...
- Madureira Shopping, alemón? Ué, você é das parada daqui? Rapá, eu cresci vendo filmes em sessão dupla nos cinemas de Caxias! Esse "Tókyo em decadência" eu não vi. Mas não pode ser pior do que "Os 120 dias de Saló", do Pasolini. Teve neguinho (e branquinho) saindo vomitando do cinema...